Unidos em Adoração – Parte 2 – Por que Adoramos?

por: Pr. Jonas Arrais

O verdadeiro culto está centralizado em Deus

Conta-se um episódio em que um pastor de uma grande igreja estava em pé, diante do templo quase vazio. O ministro olhou para os bancos vazios e encontrou quatro solitárias pessoas na congregação – um jovem e três senhoras idosas.

O pastor começou a falar: “Graças Te dou, ó Deus, porque ao menos algumas pessoas esforçaram-se para vir Te adorar, para se alimentarem da Palavra de Deus, crendo que não és menos importante do que a partida de futebol que está sendo transmitida hoje pela televisão.” De repente, o jovem que estava assentado no último banco se ergueu de um salto. “Oh, não! Eu me esqueci do jogo!”, exclamou ele, saindo em disparada da igreja.

A grande pergunta que deveríamos fazer é: “Temos alguma coisa melhor para fazer do que ir ao culto?” Estamos sempre muito ocupados com os afazeres domésticos – livros para ler, filmes e jogos para assistir, navegar na Internet. O que nos motiva a deixar de lado a televisão, adiar a ida ao shopping, e ir à igreja para adorar a Deus?

Imagino que para alguns a resposta é o hábito – e para falar a verdade, um hábito nada mau. Houve, porém, época em nossa vida em que ir ao culto não era uma questão de hábito. De certo modo, tivemos de tomar a decisão de que essa era a disciplina que desejávamos seguir. Por que tomamos tal decisão?

Outros vão ao culto porque estão lutando com Deus. Porque estão tristes ou feridos. Porque se sentem perdidos ou solitários. Em tais casos, a freqüência aos cultos se torna uma parte de nossa busca por respostas. Outros ainda, vão aos cultos contra a vontade – os pais ou o cônjuge os forçam a ir. E eles cedem por amor à paz.

Por que adoramos? Consideremos os seguintes pontos:

1. Não para fugir da realidade. A adoração é algo que tem o seu lugar na vida real. Isaías inicia o capítulo 6 com uma declaração interessante: “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor” (6:1).

Seria o mesmo que dizer hoje: “No ano em que os japoneses bombardearam Pearl Harbor, eu adorei a Deus. No ano em que o submarino nuclear russo afundou, eu adorei a Deus. No ano em que as torres gêmeas caíram, eu adorei a Deus. No ano em que me casei, no ano em que meu filho nasceu, no ano em que meu amigo morreu – em meio a boas e más experiências, eu estava adorando ao Senhor.”

Adorar no templo não é ignorar o que acontece lá fora. Não adoramos como uma espécie de fuga ao que acontece lá fora, mas para lidar com essas situações. “Escuta, Senhor, a minha oração e atende à voz das minhas súplicas”, orou Davi. “No dia da minha angústia, clamo a Ti, porque me respondes” (Salmo 86:6 e 7).

É uma parte natural da adoração trazer conosco as ansiedades da vida. Trazemos nossos temores, nossas preocupações pela família, os problemas do mundo e os apresentamos ao Senhor em oração, em busca de conforto e orientação.

2. Para receber ou dar algo. O verdadeiro culto está centralizado em Deus. Muitos se enganam ao pensar que o culto é apenas para nosso benefício. Ouvimos pessoas dizendo: “Não estou sendo alimentado.” “Não estou recebendo nada no culto. Não estou sendo fortalecido.” “Não recebi nenhuma benção no culto”.

Por que adoramos? É verdade que adoramos para receber algo dessa experiência.

Mas nossa motivação prioritária deveria ser a de oferecermos algo a Deus. E enquanto não oferecemos algo a Deus em nossa adoração, não haverá nada a receber. Enquanto Deus não for glorificado pela nossa adoração, não poderemos ser abençoados.

3. Para reconhecer a santidade de Deus. A verdadeira adoração começa com o conhecimento da santidade de Deus. Temos perdido um pouco disso em nossos cultos. Quando Moisés tomou consciência da presença de Deus na sarça ardente, teve medo. Quando Jacó despertou de seu sonho com a escada que atingia o Céu, exclamou temeroso: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não sabia” (Gênesis 28:16).

Por que adoramos a Deus? Porque Ele é santo, e Sua santidade exige a nossa atenção.

4. Para compreender a nós mesmos. A verdadeira adoração nos ajuda a conhecer nossas fraquezas e a buscar o perdão de Deus. Isaías viu os seres celestiais cantando: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia de Sua glória” (6:3). E o profeta imediatamente passou a se lamentar dizendo: “Ai de mim!”, pois a experiência o levou a reconhecer a sua pecaminosidade.

Não podemos ir à presença de Deus sem estarmos cônscios de Sua santidade e sem percebermos nossa própria iniqüidade. Paulo, em sua carta aos Romanos, diz: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23). É impossível adora-lO de verdade, sem estarmos cientes de nossas fraquezas e pecados.

Por esse motivo, a oração de confissão deve sempre estar presente em nossa adoração. E nossa confissão sempre resulta no perdão de Deus. Quando Isaías toma consciência da santidade de Deus, ele reconhece sua pecaminosidade e admite o seu pecado. A confissão leva ao perdão dos pecados, simbolizado nessa visão pelo ser celestial tocando os lábios do profeta com uma brasa viva tirada do altar (6:7). “Se dissermos que não temos pecado nenhum”, diz João, “a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:8 e 9).

Por que adoramos? Para experimentarmos o perdão. Necessitamos ouvir a mesma mensagem ouvida pelo profeta Isaías: “A tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado” (6:7).

5. Para que a nossa vida seja diferente. Essa diferença envolve serviço. A adoração, em seu clímax, sempre motiva o adorador a arregaçar as mangas e se pôr a trabalhar. Entramos para adorar e saímos para servir. Na linguagem da Bíblia, adoração e serviço são a mesma palavra. Adoração e serviço andam de mãos dadas. Na vida cristã, não há como prestar adoração sem servir.

Isaías, no templo, ouve o chamado para adoração com os anjos cantando: “Santo, Santo, Santo”. Ele é levado a confessar seus pecados, o que é seguido pela certeza do perdão. E então ele ouve a voz de Deus dizendo: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Isaías 6:8). O que se segue é o serviço. Ação. “Eis-me aqui, envia-me a mim” (verso 8).

Por que adoramos? Para sermos desafiados a fazer algo.

Alvo fundamental da adoração – A questão prioritária, portanto, não é por que adoramos. Ou por que vamos à igreja quando há tantas outras coisas para fazer. A verdadeira pergunta é o que faremos quando sairmos deste lugar. O profeta Isaías foi enviado para pregar uma mensagem ao povo. E nós, o que somos enviados a fazer? Qual é o chamado de Deus para nós, especificamente? A quem necessitamos amar um pouquinho mais? A quem, em nossa comunidade, necessitamos alcançar com um pouco mais de empenho? Conhecemos alguém que não está assistindo aos cultos e que deveria ser convidado a vir? As respostas mudam de a cada dia, porque as oportunidades e desafios igualmente mudam.

O que Deus nos chama a fazer hoje pode mudar, mas que a nossa resposta seja sempre a mesma de Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).


Perguntas para debate
1. O autor apresenta cinco razões para a adoração. Discuta cada uma delas.
2. Qual delas é mais significativa para você pessoalmente?
3. Qual delas é mais relevante para a igreja?
4. Qual delas será mais persuasiva para seus amigos e colegas no seu local de trabalho?


Jonas Arrais é ministerial associado da Divisão Sul-Americana.


Próxima Parte

Voltar ao Índice


Fonte: Revista Adventista (Casa Publicadora Brasileira), Nº 10, Outubro, 2002. Ano 98. págs. 08-09.