Melodia, Ritmo e Harmonia

A Forma da Adoração 3 de julho de 2012 9:23 pm

por: Pastor Jorge Mário de Oliveira

Por mais que uma letra seja sacra, ela não terá poderes de santificar a música

São três os elementos básicos da música: a melodia, o ritmo e a harmonia.

Uma música simples se compõe apenas de melodia e ritmo. É uma sucessão de sons organizados em uma seqüência rítmica. Se a estes sons acrescentamos outros, de acordo com as leis da combinação dos sons, teremos a mesma melodia, só que numa música mais rica, mais elaborada em quantidade de sons harmônicos.

Olhando para um hino do hinário Cantai ao Senhor, por exemplo, “Lindo és Meu Mestre” [nº 85 do Hinário Adventista[1]], percebemos que os sons com os quais cantamos a letra desse hino, mais o ritmo que possui, formam a melodia que o caracteriza. Só que existe uma harmonização para mais três vozes cantarem juntas com a melodia. Seria algo assim como se ao lado da melodia principal houvesse outras três melodias formando, no conjunto, uma harmonia em quatro vozes. Quem já cantou em coral, quarteto ou conjunto compreende bem o que queremos explicar.

Um músico profissional poderia criar várias outras combinações harmônicas, enriquecendo cada vez mais o som final, sempre mantendo, no entanto, a mesma melodia. Um bom exemplo disto seriam as possibilidades harmônicas oferecidas por uma orquestra.

O ritmo, por sua vez, não pode ser chamado, por si só, de música. Assim como uma melodia sem ritmo, também não o seria. Independentes, ambos simplesmente seriam emissão de sons isolados.

Mas a estrutura rítmica de uma música a identifica. Distinguimos, pelo ritmo, um samba de um jazz e uma valsa de uma marcha. Isto se dá porque a música tem “personalidade” própria. Suas estruturas rítmicas, melódicas e harmônicas lhe dão características definidas.

O elemento que mais facilmente caracteriza uma música é seu ritmo. Alguns acham que a Igreja tem preconceito para com o ritmo. A igreja canta suas mensagens, e estas possuem ritmo. Só que há ritmo que caracteriza o sensual, o profano, e com estes devemos recusar cantar de nossa fé. Se é a isso que chamam de “preconceitos a ritmos”, então devemos ter, e muito.

A música sacra de todos os tempos e para todas as culturas tem um referencial a ser seguido: a música do Céu. “A Música faz parte do culto de Deus, nas cortes celestiais, e devemos esforçar-nos, em nossos cânticos de louvor, por nos aproximar tanto quanto possível da harmonia dos coros celestiais”. – Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, pág. 637.

“Vi que todos devem cantar com o espírito e com entendimento também. Deus não Se agrada de algaravia e dissonância. O correto é sempre mais grato do que o errado. E quanto mais perto o povo de Deus puder aproximar-se do canto correto, harmonioso, tanto mais é Ele glorificado, a Igreja beneficiada, e os incrédulos favoravelmente impressionados”. – Ellen G. White, Testimonies, vol. 1, pág. 146.

“O coro dos anjos não apresenta notas estridentes e gesticulações. Seu canto não irrita o ouvido. É suave e melodioso e flui sem o esforço que eu tenho presenciado”. – Ellen G. White, Manuscrito 5, 1874.

Eis o ideal para o tipo de Música Sacra em nossa igreja e vida cristã. Não algaravia, nem dissonâncias, mas “harmoniosas”.

Muitos alegam que os padrões musicais da Igreja devem se acomodar ao estilo “mais atual” (para não dizer mundano), com o objetivo de atrair as pessoas a Jesus. Não é esta a orientação de Deus. O autor da música, o Criador do ser humano, o Mentor do plano da salvação diz que os incrédulos seriam favoravelmente impressionados e a igreja beneficiada com canto quanto mais próximo possível do correto, identificado de: harmonioso (releia a penúltima citação).

Para o lar, a recomendação de Deus é que “haja cânticos de hinos que sejam suaves e puros e haverá menos palavras de censura e mais de animação, esperança e alegria”. – Ellen G. White, Educação, pág. 167.

Erroneamente achamos que hinos suaves e puros promoveriam um ambiente carregado, pesado para a fraternidade de um lar. Mas Deus afirma que criam animação, esperança e alegria. É o paradoxo do que pensamos como homens daquilo que Deus pensa como Deus. “Os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os Meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o Céu é mais alto do que a Terra, assim são os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55:8 e 9).

O mundo evangélico tem entrado nessa canoa cheia de furos, criada pelo diabo e seus anjos. Em seu meio usam-se expressões tais como: “Roqueiros de Cristo”, “Música Gospel”, “Metal Branco”, que evidenciam a invasão o estilo mundano dentro das igrejas, criando o que chamam de “Reavivamento”. É claro, da mornidão espiritual que durante anos tem caracterizado muito bem o protestantismo.

Nós, que temos a luz do Dom Profético[2], deveríamos entrar também nesse barco? Por quê? Temos orientações tão claras! Basta buscá-las e desejarmos renunciar a nossos desejos individuais[3].

Em vez de nos reunirmos em dinâmicas de grupos para saber nossos próprios pensamentos sobre música, por que não nos reunirmos em grupos de estudos debruçados sobre a Bíblia e os livros do Espírito de Profecia para conhecermos o “Assim diz o Senhor”?

“A história dos cânticos da Bíblia está repleta de sugestões quanto aos usos e benefícios da música e do canto”. – Ellen G. White, Educação, pág. 166.

Longe de ser um livro desatualizado, a Bíblia tem orientações, inclusive sobre música, basta buscarmos como a um tesouro escondido.

Quando Deus for o primeiro e o último na vida dos músicos da igreja, dos líderes, dos membros, então sim, renunciaremos a nossos gostos pessoais, nossos interesses comerciais, e optaremos pelos gostos e preferências de Deus. Cantaremos música cada vez mais próxima da música do Céu e distante dos “sons” da cultura mundana em que vivemos.

O estilo deve ser reavaliado. Com coração sincero, desprovido dos preconceitos do “Eu”.

Analisada a obra que tem sido feita em benefício próprio, de um grupo, ou da igreja, devemos prosseguir, se concluirmos que a música usada prepara os gostos para participação nos cânticos celestiais. Porém, com coragem, retrocedermos se as coisas se desenvolverem fora do que Deus espera.

Nossa ignorância não justifica nossos erros. No entanto, somos responsáveis pela luz que tem brilhado sobre nós.


Notas:

[1] Todas as expressões entre [colchetes] não constam do artigo original e são de autoria dos editores do Música Sacra e Adoração.

[2] Neste contexto específico, para os Adventistas do Sétimo Dia, o Dom Profético ou o Espírito de Profecia, são os escritos de Ellen G. White (nota dos editores do Música Sacra e Adoração).

[3] Antes que se levantem as vozes com a famosa pergunta: “Mas quais são as orientações bíblicas com respeito à música”?, os editores do Música Sacra e Adoração indicam três artigos sobre este tema:

- Bases Bíblicas Para Uma Teologia de Música e Adoração

- Uma Teologia Adventista da Música na Igreja

- Princípios Bíblicos de Música.


Fonte: Revista Adventista, Junho de 1994, págs. 11-12.

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