Brincando Com Fogo

por: Pr. Antonio José Bettero M. do Valle

Introdução

Diversas culturas, muitas tendências, interesses diversificados e pouco estudo. Assim é nossa igreja. Como você se sentiria, fazendo parte de uma instituição com procedimentos indefinidos, onde as coisas são decididas na base do “eu acho”?

O mal sempre operou na ignorância; foi assim na Idade Média. Poucos são os que se debruçam seriamente sobre algum assunto. A nossa bagagem teológica são emissoras evangélicas, CDs e shows. Instala-se a cultura dos ídolos e dos fãs, a qual transforma os púlpitos em palcos, os cultos em shows, os pregadores em artistas.

As nossas doutrinas são bem definidas, mas na área de Música e Adoração temos opiniões, interesses comerciais, ignorância, dubieza e “eu acho.” Cada novo membro que chega, vem com sua formação anterior e não é orientado. Católicos tradicionais, ex-roqueiros, sambistas, seresteiros, pentecostais, admiradores de MPB, rock, clássico, baladas… Administrar todas essas tendências, e ainda tentar agradar a Deus, é exatamente essa a dura realidade nas igrejas.

Alguns artistas descobriram como agradar a todos e ainda ganhar dinheiro. Nossa identidade está minada pelo comércio com o sagrado, o descaso de líderes e ignorância dos membros. Esta é uma perigosa atitude, paradoxalmente vinda de uma igreja séria e comprometida com a verdade.

Deus tolerou poligamia, oficializou escravidão e o divórcio no Antigo Testamento, mas puniu radicalmente o descuido de Uzá, o descaso de Nadabe e Abiú, a arrogância de Uzias, a rebeldia de Abirã quando desrespeitaram coisas sagradas. Deus usou “tolerância zero” sempre que se tratou de adoração. Esse tema é muito sério na Bíblia, e tem muita gente brincando com fogo.

Essa apostila vai colocar você diante da verdade simples e desarmada. Fatos científicos, autoridades no assunto, pastores músicos, Bíblia e Espírito de Profecia. O resultado disso dependerá se você procura a Verdade ou a “sua verdade”.

“Instruções claras e definidas têm sido dadas” [1], nas teses doutorais, em livros de gente séria e no Espírito de Profecia, mas o que acontece em nossa igreja é outra realidade. Interesses pessoais atropelam tudo isso, como se essas instruções não existissem.

Quais são os critérios utilizados? Pesquisa de mercado, gosto do público alvo, meu gosto pessoal, muita animação, ritmo, batida, emoções. Estão explorando as tendências e a simplicidade de um povo. Indefinidos, populistas e comerciantes estão regendo o que chega aqui nas congregações. E o povo entra rápido no ritmo, segue cegamente tudo que vem de cima, como sendo o certo. Aquilo que agrada à maioria, tem o apoio da maioria. “Só se contesta o que incomoda” E os incomodados são uns poucos que estudam e querem fazer o certo.

Descobrimos duas coisas positivas:

  1. Há posições claras e uníssonas entre os eruditos,
  2. O assunto, por sinal, é muito claro e é fácil descobrir o certo e o errado.

Pessoas raramente planejam errar, a maioria erra por ignorância, alguns por teimosia. “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Oséias 4:6). “Não havendo profecia, o povo perece” (Provérbios 29:18).

Durante uma reforma no Templo de Jerusalém, foi achado um rolo contendo o Livro da Lei (II Reis 22:1-10). O Rei Josias, ao ouvir a leitura, viu que estava cometendo erros. Sua reação foi de humildade e reforma. Reconheceu, rasgou suas vestes reais (II Reis 22:11) e tomou providências para reparar os erros (II Reis 23:1-24).

Um rolo do profeta Jeremias foi lido perante outro rei com advertências e conselhos (Jeremias 36:1-20). Mas a reação foi outra: O rolo foi cortado e lançado no braseiro. Não humilharam seus corações. Antes, o rei “mandou prender a Baruque o escrivão e a Jeremias, o profeta” (Jeremias 36:22-26).

Um ungido agindo certo e outro ungido agindo errado. Ambos haviam sido colocados por Deus em suas posições de autoridade. Um humilde, outro arrogante. Gente do bem e gente do mal no sistema – o joio e o trigo. Como você tem reagido à verdade? Vamos esbarrar no poderoso comércio do louvor, oposição, grupos “intocáveis”, gostos diversos, gente famosa? Vamos continuar assistindo passivamente, aplaudindo, ou tomarmos posição?

Respondam os sinceros (se essas perguntas o incomodarem, é bom refletir):

  • O objetivo é glorificar a Deus ou agradar pessoas?
  • Louvar a Deus ou ganhar dinheiro?
  • A letra apela para o sentimento ou para a razão?
  • A música move o coração ou o corpo?
  • Por que muitos músicos perdem o interesse pelos cultos e demais coisas da igreja?
  • O “grupo de louvor” está unindo ou afastando seus componentes da igreja?
  • Estão evangelizando o mundo ou se concentrando em si mesmos, em torno de suas “paixões”?
  • Conseguir harmonia, pertencer a um grupo de sucesso… o que isso provoca no ego dos seres humanos?
  • Por que tanta valorização do microfone?
  • Por que o boicote ao hinário Adventista? Por acaso?

Não se observa o voto da Divisão nem orientações. “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20). Nesse clima é fácil se promover e até ganhar dinheiro. “É evidente que uma mudança está em processo…, acomodação à cultura popular. O que conta agora é o aqui, o já, o eu, o que penso, quero, sinto” [2].

Qual está mais errado? Qual o mais certo? Existe o quase certo, meio errado, em termos de adoração a Deus? Quando vai chegar a hora da verdade? Está mais do que na hora de mexermos no assunto, orientarmos nossas igrejas e sobretudo, oferecer a Deus algo que vá honrar o Seu nome e glorificá-Lo. O maior problema da música na igreja está muito antes dos detalhes técnicos ou históricos. O grande engano nessa área é o mesmo do grande conflito iniciado no Céu: A quem dar glória? Quem está sendo adorado?

I. Quem Está Sendo Adorado? – Luta Pela Mente.

Adorai Aquele que fez o céu e a terra, o mar e as fontes das águas” (Apocalipse 14:7).

Só existem dois senhores: Ou adoramos a Deus ou ao inimigo.

Como a serpente comeu do fruto e não morreu? Em algum momento na curta entrevista com a serpente a mente de Eva concebeu dúvidas sobre Deus: “Então estaria me privando de ser como Ele? Se uma serpente analfabeta comeu e está falando, imagine um ser humano… eu… ser como Deus.” Duvidar de Deus, condescender consigo mesma, mudar para outro lado, foi suficiente para se submeter ao inimigo, lhe passar o comando e arrostar todas as conseqüências que o planeta conhece. Esta batalha foi perdida na mente de Eva.

Tudo que se realiza é primeiro concebido na mente, e segue a um critério: De que lado isso o coloca? Sua posição vai determinar os atos – assim como a qualidade dos frutos diz qual é o tipo de árvore. Se você está do lado de Deus, sua adoração, seu louvor será para Deus. Se estiver do outro lado…

“Muitos há que não consideram esse conflito entre Cristo e Satanás como tendo relação especial com sua própria vida; pouco interesse tem para eles. Mas essa luta repete-se nos domínios de cada coração” [3].

A mesma batalha acontece sutilmente na mente de cada um. Temos que escolher o lado, o nosso líder; com isso elegemos o ser que será o nosso superior. Esse reconhecimento é nosso primeiro ato de adoração. Nossa conduta, nossa música, nossas conversas, prioridades, nossa roupa… tudo traz uma mensagem, diz de que lado estamos, para onde estamos indo, a quem amamos e estamos tentando imitar. É muito fácil perceber.

Nossa maior batalha está dentro de nós, nosso maior inimigo é o ego, e este é “enganoso, … corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). Um ignorante orgulhoso e determinado é a maior arma na mão do mal. Qualquer realização, dom, virtude é sutilmente perigoso, pois nos eleva acima de muita gente. “Subirei acima das mais altas estrelas” (Isaías 14:13). Lembram-se deste verso?

Produzir harmonia, pertencer ou liderar um grupo musical especial, lucro, destaque social. Fica muito difícil saber até onde vai o puro louvor e onde começa o egoísmo. Posição e destaque, foi aí que se originou o mal no universo. O mais sutil engano da música é envolver o homem, levá-lo a aceitar o duvidoso e destacá-lo. Daí a orientação de evitar grupos pequenos, dando preferência ao canto congregacional [4].

“O canto congregacional deve ter sempre a primazia. Em geral, só quando o coro não for possível é que se deve usar conjuntos menores, como quartetos, duetos ou solos. Conjuntos menores tendem destacar as pessoas individualmente” [5].

“… ostentação, exibicionismo… espetáculo… agudos exagerados, patetismos sentimentais e espalhafatosos… e tudo o mais que chame a atenção para si mesmo perturba a reverência e o espírito do culto” [6].

“A adoração contemporânea… busca mais satisfazer os desejos humanos do que glorificar a Deus… o que conta agora é o aqui, o já, o eu, o que penso, quero, sinto” [7]. “O foco do culto deve ser Deus e não o eu” [8].

Esqueceram um CD (de uma cantora adventista) lá em casa. Depois que saíram, vi o CD, comecei a ouvi-lo e fui atraído por um excesso de repetição da expressão “eu sinto”… Puxei uma ficha do bolso e comecei a marcar, por curiosidade. A cantora mencionou a si própria 19 vezes, mas a Deus e a Jesus apenas 5 vezes. Analisei outra canção (que repetia muitas vezes a palavra “desejo”) – 17 referências pessoais, e zero referências a Deus ou a Jesus. Será que isso é por acaso? Ajuntando as palavras mais repetidas das duas músicas fica: “Eu sinto” “Desejo” (sem comentários…).

“João Sebastião Bach, talvez o maior músico de todos os tempos, sempre encabeçava suas partituras com S.D.G. (Soli Deo Gloria) – Somente para glória de Deus.” [9].

“Muitos cantores têm profanado a casa do Senhor, fazendo-a um palco para a sua própria glória. Muita gente que gosta de cantar … não possui o espírito de humildade e a consagração necessária … se o espírito não for humilde, Deus não aceitará tal ruído, por mais atraente ou emocionante que seja… que a música de culto seja executada dentro do espírito próprio de louvor, com grande humildade e reconhecimento da grandeza infinita de Deus, e sem aquele espírito bem humano de ostentação.” [10].

O fato de os cantores convidados sempre trazerem duas, três músicas para apresentar, mostra que vieram fazer uma apresentação, não foram ensinados a considerar o culto, a Palavra, o tema do sermão. O objetivo é claro – apresentação e não adoração. É fácil medir o grau: tente arrazoar, pedindo uma só música que mais se enquadre à mensagem, ou porque o tempo está esgotado. Veja a reação, sinta o clima. Quer saber onde está o verdadeiro objeto de adoração? Diga não nesta área tão sensível, discorde.

Respondam os de bom senso: o culto, a adoração, o programa da igreja tem de adaptar-se as pessoas ou estas a igreja? O centro do culto é Deus ou é o homem? As coisas de Deus devem curvar-se aos homens ou estes a Deus? Agradar as pessoas ou a Deus? Sentiram onde fomos parar? É difícil perceber quem está sendo adorado, não é?

“Há situações em que somos até capazes de identificar essas pessoas que podem ser excepcionalmente talentosas, mas se tornam arrogantes e incapazes de ser ensinadas, e o espírito de orgulho que desenvolvem torna-as indisponíveis para o serviço,…” [11].

“A música só é aceitável a Deus quando o coração é consagrado, enternecido e santificado por sua docilidade. Muitos, porém, que se deleitam na música, não sabem coisa alguma sobre produzir melodia ao Senhor, em seu coração. Estes foram ‘após seus ídolos'” [12].

“A música é o ídolo adorado por muitos professos cristãos observadores do sábado” [13].

“…Todavia o Meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito” (Jeremias 2:11).

O Poder oculto da música

“O processo da música é contrário ao das palavras, que atingem primeiro a mente e depois estimulam as emoções” [14].

Música –> Emoções –> Imaginação –> Mente.

Palavras –> Mente –> Imaginação –> Emoções.

“A música não depende da parte central do cérebro para conseguir entrada no organismo,… entra pelo tálamo – centro de nossas emoções, sensações e sentimentos” [15].

“Som é um estímulo externo que ativa os sentidos através de vibrações que produzem imagens mentais, lembranças e respostas físicas… Música é som organizado, governado pelo tempo, espaço, que cria e influencia os sentimentos, as idéias, as emoções a disposição e o comportamento de uma pessoa” [16].

“… a música atua sobre o sistema nervoso, acalmando-o ou excitando-o, mesmo sem quaisquer palavras, ela pode criar climas diversos, e estabelecer as atmosferas mais diferentes, quer seja de alegria, júbilo, tristeza, paz, majestade… e, muitas vezes, ambiente devocional, se for serena e própria para isso” [17].

“… as pessoas sugam o significado da música sem estarem cientes do que estão fazendo. Adicione-se a isso o nível do volume, a repetição constante e a batida incessante… temos o cenário perfeito para o processo de condicionamento” [18].

A “batida” é o grande vilão na opinião de vários autores consultados. Herança do rock dos anos 50, atualmente ela faz fundo para a maioria das músicas cantadas nas igrejas bem como nos bares. “… o elemento rock é a característica dominante que provoca os efeitos mais adversos no corpo humano. Consiste de um volume alto e da batida “alternante” (uma batida… que enfatiza os tempos fracos…)” [19].

Este acento dos tempos fracos causa certa confusão mental, pois este não é o acento natural do ritmo musical.

Isto vai contra “o ritmo natural da fisiologia humana, afetando assim o coração e a pressão sangüínea. O corpo tende a responder à batida com enfraquecimento dos músculos, ansiedade, comportamento agressivo… Ele coloca em movimento a resposta autônoma de ‘medo-e-fuga’ causando a secreção do hormônio adrenalina… O propósito do som é esgotar o ouvinte. A batida e o volume foram as características marcantes da contracultura da década de 60… O corpo fica num estado de alerta e confusão. A ‘alternância’ também causa dificuldade de percepção, diminuição no desempenho (da produção na escola e no trabalho), hiperatividade e inquietação, redução na capacidade de tomar decisões e perda de energia sem razão aparente… incapacidade do corpo em distinguir entre o que é bom e prejudicial. Também reverte s princípios da moralidade, rejeitando o que é bom e acolhendo o mal” [20].

“A tendência da música popular de hoje… [cria] ambientes sensórios de sons e reações e respostas que procuram bombardear a pessoa com ‘efeitos’ em vez de apelar para a razão e compreensão” [21].

O grande compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos dizia: “A música é como as pessoas: possui cabeça, tronco e membros. A cabeça é a melodia; o tronco, a harmonia, e os membros, o ritmo.” Ou seja, o que deve comandar a música é a melodia, sendo que a harmonia serve de base à melodia e o ritmo é um servo das duas. Isto quer dizer que a batida ou acompanhamento deve seguir, acompanhar a música, é usada para dar “cor” à música.

Porém, o processo normal foi invertido – atualmente, a música acompanha, é determinada pela batida. A batida deveria seguir a melodia e não determiná-la, pois a melodia é o veículo para a mensagem da letra. Já perceberam a tendência de se aumentar o volume do acompanhamento acima da voz (mensagem)? É o destaque do ritmo sobre a mensagem. Os instrumentos são mais importantes que a mensagem?

“Uma batida subjetiva… Os padrões executados servem como uma confirmação (resposta) desta batida subjetiva… A maioria das notas cai no contratempo, criando um sentido de sincope prevalecente” [22]. (“Síncope = ligação de um tempo fraco com um forte do compasso seguinte”).

“Em quase todas as cerimônias [religiosas de civilizações primitivas] há um tambor baixo… sua batida forte coincide com os ritmos mais profundos do cérebro, e vem capturá-lo. Os tambores menores enriquecem a batida. A concentração… nesses ritmos logo libera todas as outras sensações… A batida torna-se um foco e então, finalmente, um substituto para a vontade do ego. À medida que o ritmo é interiorizado, torna-se o centro de coordenação… A pessoa torna-se um instrumento do tamborista, completamente submetida à ordem arbitrária e externa que ele cria, movendo sob sua batida. Psiquicamente, o foco está agora completamente fora do ser” [23].

Possessão, clímax, transe, hipnose coletiva; chame como quiser. Mas, dentro da diversidade das músicas de origem africanas existe uma unidade, um fator subjetivo constante, um foco expressivo e sutil : “… buscar uma resposta dos deuses inferiores e convidar a presença deles” [24].

“Em direção ao clímax… música de possessão” [25].

“Satanás não faz objeção à música, uma vez que a possa tornar um caminho de acesso à mente dos jovens… ele opera através dos meios que mais forte influência exerçam para manter o maior número possível numa aprazível absorção, enquanto se acham paralisados por seu poder” [26].

Nos terreiros de macumba o êxtase, seguido de possessão é sempre precedido por música (de percussão). As batidas seguidas, em ‘contratempos’, anunciam seqüência, dão um ritmo e então este ritmo é quebrado (dum, dum… dum). A seqüência de padrão e quebra, padrão e quebra, vai destronando a razão até que a mente passe a outro controle. O cérebro tem uma lógica – se uma seqüência é iniciada ou estabelecida, a expectativa natural seria continuar a mesma seqüência.

Mas aí está a técnica: – começa e muda, estabelece e quebra… forte, forte… fraco – longo, longo… curto. Essa irregularidade, essa quebra de seqüência, repetida centenas de vezes… imagine as possíveis reações: estado de alerta falso, ansiedade, desejo de suprir algo (o tempo omitido). Como fica o que se chama parâmetro, lógica, regularidade, razão na mente humana? É minada a cada repetição, o nível da razão vai descendo até ceder totalmente (êxtase e possessão) ou perder boa parte da capacidade de discernimento.

“A música desvirtuada destrói o ritmo da alma e quebranta a moralidade” [27].

“Todos devem vigiar os sentidos, do contrário Satanás alcançará vitória sobre eles; pois essas são as avenidas da alma” [28].

Comece a prestar atenção e, na maioria das músicas populares, evangélicas e gospel, você vai encontrar ao fundo ou em destaque o tambor, marcando. Alguns efeitos sobre a mente e o corpo foram descritos aqui, e você, provavelmente, vai encontrar muitos CDs com esse vírus em sua estante. Se você vai continuar ouvindo, sendo atingido, é decisão pessoal sua (você pode queimar esta apostila, ou fazer uma seleção em suas músicas), mas usar na igreja deixa de ser coisa pessoal: lá deve predominar o melhor, o certo, a vontade de Deus. Se alguma coisa precisa ser passada em revista em seus gostos, na sua formação, está na hora. Continue em direção ao certo, crescendo com a vontade, a honra, louvor e adoração a Deus.

II. Indústria do Louvor

O conhecido jornal “O Dia” estampou em suas páginas: “O evangélico descobriu que misturar lazer e religião pode dar certo, se não for feito de forma careta, e está investindo pesado no negócio” [29].

Na mesma linha, o “Jornal do Brasil” destacou: “Eles vendem milhares de CDs. São adorados por uma legião de fidelíssimos fãs, que comparecem aos montes às suas apresentações, consumindo-os com dedicada voracidade. Em todas as músicas um tema comum: Cristo” [30].

Em nosso meio se tem formado a cultura dos ídolos e fãs.

“Há gravadoras, agências de prestação de serviços… promotores de shows… que vivem da música… Em lugar dessa subcultura se alicerçar nos padrões cristãos… tem se tornado, na verdade sub-cristão….Alguns dos músicos cristãos vivem excessivamente preocupados com a fama, com sua imagem. Algumas gravadoras parecem ter a filosofia de visar lucro…” [31].

Ao se lançar um produto, a primeira coisa a analisar é o público-alvo. O produto deve agradar a esse público, senão, ficará nas prateleiras. O que as pessoas mais gostam, o que agrada mais ao povão; este tem sido o critério que norteia a qualidade e estilo das músicas de muitos cantores e grupos musicais, inclusive dentro da igreja.

Fui abordado por um bom irmão que, na sua “santa” simplicidade, explicou-me porque, nos últimos dois anos, estava afastado dos desbravadores:

– “Fizemos um investimento, gravamos um CD e estamos de igreja em igreja divulgando…”

Divulgar é fazer propaganda, vender… Na igreja? No sábado? No culto com o nome de louvor? Um culto assim é adoração ou venda de produto?

O comércio com coisas sagradas tem chegado a estes níveis porque o descaso, gostos e interesses pessoais estão acima dos princípios – são os ídolos acariciados. Qual é realmente o objetivo de cantores, dos grupos que vêm cantar em nossas igrejas: Louvar, adorar a Deus ou “divulgar” (vender) seu produto? É preciso ser muito inteligente para chegar a uma conclusão? Entre uma igreja pequena e uma grande, em qual esses cantores e grupos musicais vão preferir “adorar” no sábado?

Os tesoureiros ou empresários dos grupos musicais têm determinado muitas coisas que deveriam ser decididas pelos líderes espirituais do nosso povo (Anciãos, Diretores e Pastores). Os interesses não deveriam ser pessoais ou financeiros, mas espirituais. A liderança da igreja é quem deveria discernir e decidir que músicas deveriam ser apresentadas perante o Senhor, e não os cantores.

“O canto é feito em geral por impulso ou para atender a casos especiais… deixam-se os cantores ir errando, e a música perde o devido efeito no espírito dos presentes” [32].

Cada um pode escolher a música que vai ouvir em sua casa, em shows particulares, em eventos do grupo. Mas na casa de Deus, na Igreja Adventista, as coisas deverão ser determinadas pelos responsáveis da igreja, e dentro dos padrões desta, por representar o nome e os princípios da igreja envolvidos. Os líderes devem manter contato antecipado com quem vem cantar e tomar todas as providências para evitar constrangimentos ou desonrar a Deus. Geralmente temos preferido desagradar a Deus para agradar a pessoas. É hora de colocarmos a Deus em primeiro lugar.

Não continueis a trazer ofertas vãs… não posso suportar iniqüidade e solenidade” (Isaias 1:13).

Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Amós 5:23).

Deus não pode suportar mistura de iniqüidade com solenidade, “santo com o profano” (Letra evangélica com música profana).

Não somente para fazer separação entre o santo e o profano, e entre o imundo e o limpo, mas também para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem dado por intermédio de Moisés” (Levítico 10:10-11).

Não profanareis o meu santo nome, e serei santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o Senhor que vos santifico” (Levítico 22:32).

III – Princípios, Padrões e Diretrizes da ‘Boa Música’

(Esta parte é baseada nos princípios extraídos do capítulo 14 do livro O que Deus Diz sobre a Música da Dra. Eurídice Ostermam e do capítulo 15 do livro Evangelismo de Ellen G. White.)

A música é um dos talentos confiados por Deus. É uma ferramenta poderosa que pode ser usada para elevar, edificar, inspirar, evangelizar, reforçar doutrinas e crenças, “subjugar naturezas rudes e incultas” [33] e promover harmonia de ação… Por isso, a música deveria ser executada com dignidade manifesta por disciplina, com solenidade e respeito, com entonação clara e articulação distinta, num volume que não seja agressivo aos sentidos. À luz dessas qualidades, a igreja crê que:

1) Letra e Hinos: A letra e a música devem estar em harmonia com as doutrinas da igreja. A música deveria possuir valor moral e ético a fim de promover o crescimento espiritual e intelectual. “… cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Efésios 4:15-16). Os hinos representam a música do corpo da igreja. Eles incorporam e reforçam as doutrinas e a filosofia da igreja e servem como um veículo pelo qual o Espírito Santo pode falar ao coração. Uma constante dieta de canções de louvor contemporâneas, ‘animadas’ e não litúrgicas em lugar de hinos irá enfraquecer espiritualmente a congregação e torná-la deficiente…

2) Música Sacra: A música ou é sacra ou secular, o santo não deveria ser misturado ao profano “…a Meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o imundo e o limpo” (Ezequiel 44:23). Mistura de letra sacra com música secular é inadmissível na adoração ou louvor. Trivializar o evangelho pela mistura com o secular (comercial) não é somente sacrilégio, mas uma afronta à magnitude maior em relação a Jesus Cristo. “Quando se associa o comum com o sacro sempre há o perigo que o comum tme o lugar do sacro… Quando se une o que é objetável com o que é sacro… as bênçãos [divinas] não podem pousar sobre o trabalho feito” [34].

3) De acordo com a ocasião e o lugar:Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1). Música apropriada é aquela que é aceitável, agradável, compatível, complementar, correta, descente, exemplar, funcional, adequada, modesta, pertinente, apresentável, própria, relevante, e a lista continua. Qualquer que seja a ocasião, a música deveria ser adequada para o evento. Ocasiões e lugares diferentes pedem músicas diferentes. Seria apropriado usar a mesma música de Santa Ceia em um casamento? Música de acampamento, camporees, seria apropriada para ser usada usaria em cultos na igreja? Vale frisar que devemos aplicar a seguinte regra: “quando estiver em dúvida, não utilize tal música, especialmente se ela preconiza fins comerciais.”

4) Que não escandalize: Escolhas musicais não devem ser ofensivas, nem pedras de tropeço a ninguém “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o de outrem.. Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem a judeus, nem a gregos, nem a igreja de Deus; assim como também eu em tudo procuro agradar a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que sejam salvos” (I Coríntios 10:23,24; 31-33). Esses textos se explicam por si.

5) Músicos idôneos: “… pessoas que representem corretamente os princípios da igreja… e, em sua aparência e em sua maneira de vestir, conformar-se com as normas da igreja dando um exemplo de modéstia e decoro. Pessoas de consagração duvidosa ou de caráter questionável, ou as que não se vistam convenientemente, não devem ter permissão para participar das atividades musicais dos cultos” [35].

6) Qualidades da música sacra: “A música profana, ou a que é de natureza duvidosa ou questionável nunca deve ser introduzida em nossos cultos” [36]. “Grande cuidado deve ser exercido na escolha da música. Toda melodia que pertença à categoria do ‘jazz’, ‘rock’ ou formas correlatas, e toda expressão de linguagem que se refira a sentimentos tolos ou triviais, serão evitados pelas pessoas verdadeiramente cultas. Usemos apenas a boa música, em casa, nas reuniões sociais, na escola e na igreja” [37].

a. Ritmo – Pulsações regulares (batidas) que podem produzir movimentos físicos no ouvinte, como acompanhamento do pé, palmas, etc. têm sido considerados impróprios para a verdadeira devoção.

b. Melodia – “Aquelas, porém que divergem completamente das populares, que são quase austeras, segundo o conceito tradicional, seriam as melhores para o serviço religioso.” [38].

c. Letra engrandecendo a Deus – Falando dos atributos de Deus. Todos os cânticos da Bíblia possuem esse característico. Músicas descritivas da natureza e fatos em poesia, falando a Deus e não sobre Deus, músicas com heresias na mensagem… não louvam nem adoram a Deus.

d. Com humildade – Reconhecendo a pequenez humana: “que é o homem para que Te lembres dele, ou o filho do homem para que o visites?” (Salmos 8:3).

e. Reverência – Cuidado com instrumentos e ritmos que tragam associações mentais seculares.

f. Compreensão das palavras e inteligência. (ver I Coríntios 14:15) [39]. A mensagem literal da música está na letra e não no acompanhamento. Geralmente as pessoas valorizam mais o som, os instrumentos, a melodia, o ritmo e por isso aumentam o volume destes em prejuízo da letra que deveria ser o destaque (ver item 11) Porém, “se nossa música sacra representa ou reflete os atributos comerciais da indústria musical (a batida, o volume, a sensibilidade, etc..) ao ponto em que somente pode ser distinguida pela letra, então ela não representa o nosso destino eterno, pois a música do céu está em inimizade com a música do mundo” [40].

7) Cultura e Tradição: Se o motivo para a escolha da música para o culto está arraigada na cultura e tradição, então é dirigida à criatura e não ao Criador. Igreja e culto não é lugar nem hora de divulgação de culturas nem tradições. “O que governa o coração forma a arte” [41]. “Numa cultura transcendente, onde a compreensão de Deus está além e acima de nós, enfatiza-se o objeto da adoração, contempla-se ou medita-se em suas palavras e ações conforme registrados nas Escrituras Sagradas. Conseqüentemente o estilo de música sacra tenderá a focalizar mais na letra… evitando-se elementos como ritmo, variação de dominância que nos lembre o envolvimento psicofisiológico com o aqui e agora”. Quando a cultura é imanente (Deus dentro de nós, “força e virtude interna”) “…a possessão pela deidade é o objeto da adoração, o estilo oposto de música se manifesta. No lugar da contemplação e meditação, enfatiza-se a experiência, os sentimentos e a participação, pois o impacto psicofisiológico está ligado à experiência com o divino. Assim o ritmo repetitivo com instrumentos de percussão e variação de dinâmica, torna-se o padrão estilístico. O movimento e a dança são encorajados, geralmente para produzir um estado de transe com o propósito de facilitar a possessão pela deidade” [42].

8) Sons, sussurros: Se a apresentação musical está inundada de sons sensuais excessivos (sussurros guturais, respiração ofegante, etc.) então ela é imprópria.

9) Sensacionalismos: Se a música é apresentada de uma maneira sensacional (malabarismo vocal, uso excessivo de ornamentação [ou seja, agudíssimos, voltinhas, melismas], cadências do teclado, acordes excessivos, etc.) que encanta, excita ou induz à vibração, balanceios, bater palmas…etc…então ela é imprópria.

10) Bateria: “Há razões pelas quais determinados instrumentos são mais apropriados para certos propósitos. A bateria foi desenvolvida para produzir um som agressivo, fortemente rítmico, a fim de ser cultivado na música popular. Mas pela mesma razão que as pessoas normalmente não querem órgãos de tubo em bandas de rock, uma bateria não é apropriada para a igreja, especialmente quando sentimentos como reverência e contemplação estão em jogo. O som percussivo ‘pesado’, produzido por esses instrumentos, não se harmonizam com o tipo de música que deveria ser enfatizado na adoração de Jeová (ver Isa. 6:1-8), onde reverência, paz, alegria, arrependimento e compromisso formam a essência das emoções apropriadas” [43].

11) Volume do acompanhamento: Se qualquer instrumento suplanta a melodia, harmonia e a letra, então a música apelará só aos sentidos, excitando-os e não à mente, perdendo-se a mensagem.

Outros Conselhos Inspirados:

“Cristo mesmo nunca suprimiu uma palavra da verdade… Denunciava sem temor a hipocrisia,a incredulidade,e a iniqüidade” [44].

“O próprio Jesus nunca comprou a paz mediante transigências.. era muito amigo deles para permanecer em silêncio, enquanto prosseguiam numa direção que seria a ruína de sua alma. Os servos de Cristo são chamados a realizar a mesma obra, e devem estar apercebidos para que, buscando evitar desarmonia, não transijam contra a verdade..E ninguém pode ser fiel aos princípios sem excitar oposição.Um cristianismo espiritual sofrerá oposição da parte dos filhos da desobediência” [45].

“Se confundirmos a sabedoria do homem com a de Deus, somos transviados pela loucura da sabedoria humana…Aí está o grande perigo. Não têm formado o hábito de considerar por si mesmos, com oração, com juízo despreconcebido, imparcial, questões e assuntos novos os quais podem sempre surgir. … A menos que estes se apercebam de seu caráter vacilante, e o corrijam, perderão todos a vida eterna; serão incapazes de resistir aos perigos dos últimos dias” [46].

“A contínua indagação do espírito, é: Senhor, como Te servirei melhor, e glorificarei Teu nome na Terra? Como dirigirei minha vida para fazer de Teu nome na Terra um louvor, e induzir outros a Te amarem, servirem e honrarem? Permite que eu deseje apenas e escolha a Tua vontade. Que as palavras e exemplo de meu Redentor sejam a luz e a força do meu coração. Enquanto O sigo e confio nEle, não me deixará perecer. Ele será minha coroa de regozijo” [47].

IV. Conclusão

Você sabia da existência de instruções tão claras do Espírito de Profecia, da Bíblia e estudiosos? Você prefere realmente a verdade, mesmo que ela incomode, ou preferia não ter lido isso? Agora que leu, o que vai fazer com o que acabou de descobrir? Aceitar a verdade ou se levantar contra ela? Alguns não sabem, outros não gostam de saber.

Razões científicas, psicológicas, culturais comerciais, espirituais (teses doutorais, pastores, teólogos, Ellen White, a Bíblia) foram apresentadas: O que mais precisamos para estabelecermos, definirmos a verdade, a vontade de Deus? Você vai colocar interesses, gostos e opiniões pessoais acima disso tudo, ou vai aceitar?

Você guardava o Domingo, adorava ídolos, tinha uma vida desregrada, não cuidava do teu corpo, etc., por muitos anos; um dia descobriu a verdade e mudou de vida. Agora acaba de conhecer mais acerca dos princípios bíblicos a respeito da música e adoração, tem luz suficiente para tomar posições certas, mudar as coisas em sua igreja.

Tocar em tanta coisa acariciada por tanto tempo, vai incomodar alguns e causar mudanças nos sinceros. Seguir a maioria nunca foi o caminho dos prudentes, dos que realmente almejam fazer a vontade de Deus. Imitar o que outros têm feito sem questionar é, no mínimo, falta de senso crítico. Por outro lado, refutar tudo é estupidez. Temos posições claras que definem as coisas. Jesus nunca suprimiu a verdade, porque “era muito amigo deles para ficar em silêncio”.

Só se questiona o que incomoda. Aceita-se o que agrada aos sentidos, o fácil, prazeroso, descarta-se ou combate-se o que incomoda. Nossa igreja surgiu para resgatar a verdade que foi “lançada por terra”; existimos para transformar pecadores, mudar a sociedade (somos o “sal da terra”) e não para seguirmos as tendências “culturais”. “Não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Êxodo 23:2).

Percebendo a “batida”, baterias e instrumentos irreverentes, letras superficiais, música popular com letra evangélica, grupos “intocáveis” ditando o programa da igreja, interesses financeiros decidindo a música nos cultos, concluímos que não temos usado nossos critérios nesta área. Nossa estrutura está minada. O único critério que parece existir são vontades, gostos pessoais, interesses comerciais e “culturais”.

É seguro seguir tendências? Como seria se na área doutrinária acontecesse o mesmo?

Nossa igreja tem diretrizes e posição formada na área de música. Além do voto da Conferência Geral, do Manual da Igreja, tem muita coisa escrita, até tese doutoral. Só nos falta estudar, orientar e fazer o certo. Muitos evangélicos, sem uma mensagem teologicamente sólida, precisam apelar para emoções, ritmo e barulho. Nós não precisamos disso, sempre tivemos mensagem para nossos cultos e doutrinas para nossa conduta.

Alguns podem dizer “Isso é coisa do Pr. Fulano.” Ou então ” Você está ficando fanático”. Mas estas expressões de descaso e preconceito não são novas na história. Não ouviram a Jesus por ser o filho do carpinteiro, odiaram a Elias por combater a idolatria, Adão culpou a Eva, esta acusou a serpente. A pessoa que está errada nunca assume seu erro e continua enganado. O lado pessoal faz a pessoa assumir uma atitude de defesa própria, e não mais a defesa da verdade. Então, já não se defendem mais princípios, mas a causa própria; não se combatem os erros, mas as pessoas; as emoções tomam o lugar da razão. A pessoa se flagra já distante do objetivo da pesquisa, com atitudes totalmente contrárias em relação àquele de quem discorda.

Indisposição é como neblina no caminho, que nos impede de ver a verdade, bem como desvia a direção do Espírito Santo pelo clima e o estado mental que cria. O objetivo do inimigo ao criar este clima e este estado mental é bloquear a mente, enganar e manter as pessoas no erro. “Quem pode entender os seus [próprios] erros?” (Salmos 19:12). “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9).

Cantores, se o nome, a honra e a vontade de Deus colidirem com seus interesses, seus gostos, qual sairá vencendo? Qual será o escolhido? Agora vocês já sabem com o que estão lidando, têm noção do certo e errado. Façam um pacto com Deus de não levar mais fogo estranho ao Santuário. Não usem mais música com o vírus (batida), baladas sentimentais, canções, música popular, gospel na casa de Deus.

Jesus pediu algo forte ao jovem rico, quando lhe deu duas opções: abandonar sua fortuna, ser um andarilho, um discípulo, ou continuar em seu status social. Infelizmente seu nome não consta entre os doze. Se Jesus te pedisse: “Vai, deixe esse conjunto, quebre aqueles CDs, vem, segue-Me na grande comissão ‘Ide’ e terás um tesouro nos Céus”, qual seria a resposta?

Quem está sendo verdadeiramente amigo? Cuidado com os “amigos” que concordam com tudo que você faz, pensa ou fala. Querem comprar você por um preço muito barato. São políticos, populistas ou oportunistas. Precisam do seu voto, querem liderar alguém, exercer influência. E sabem que massagear o ego de humanos é infalível, especialmente para os que apreciam a lisonja. Quem causa mais estrago no rebanho, um lobo ou um lobo vestido de ovelha? Tenham a coragem de mudar, mudar para o certo, mudar para o melhor, mudar para a vontade de Deus, mudar em nome do Senhor!

Líderes e oficiais: somos responsáveis pelo que acontece em nossas igrejas. Orientemos sem radicalizar, não tomemos essa obra como coisa pessoal, ela é de Deus, precisa ser feita com carinho, espírito desarmado e firmeza. O radicalismo é tão mau quanto o liberalismo, só que este é bem mais fácil, não exige posições, não provoca reações (lembra do indefinido Arão, quando o povo quis um ídolo? (veja Êxodo 32)). Esta não deveria ser a posição de gente comprometida com a verdade. Em Apocalipse o cavalo branco e puro gradativamente ficou preto, a direita virou esquerda. Trouxeram coisas do paganismo, misturaram, seguiram tendências.

Precisamos fazer alguma coisa; ficar neutro é aceitar os erros infiltrados. Temos que reunir com os diretores de música, cantores, quartetos, conjuntos, corais e discutir o assunto. Sugerimos os livros: “O Que Deus Diz Sobre a Música” e “Música Sacra, Cultura & Adoração“, da nossa Universidade (UNASP). Está tudo aí. O Espírito Santo fará o resto, é claro, com sua permissão.

Permita que isso aconteça: “se hoje ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hebreus 3:7-8). Por outro lado, há outro texto que diz o que ocorre com aqueles que endurecem seus corações: “Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração.” (Malaquias 2:2)

Você jamais será o mesmo após ouvir a verdade. Ou vai melhorar ou piorar. Existe um conflito cósmico ocorrendo e a sua mente é o campo de batalha. É você quem decide quem vai ser o vencedor. Este grande conflito está presente em cada momento, em cada pensamento, em cada ato de sua vida. Cada palavra, cada atitude, cada música, cada roupa tem uma mensagem, está dizendo algo para alguém à sua volta, ou para anjos bons e maus. A neutralidade não existe neste conflito, nem em pensamentos nem em atos. Tudo que você escolhe ou faz está exaltando a Deus ou ao inimigo; está dizendo quem merece sua obediência, sua adoração. Suas escolhas, sua vida estão adorando a quem? Tem mostrado que você está de que lado? Deixe Jesus ser o vencedor em sua mente e coração.

Ofereçamos um “sacrifício santo e agradável a Deus…” Pela misericórdia de Deus, “não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento.” (Romanos 12:1-2).


Revisado e adaptado por Levi de Paula Tavares em maio/2008


Bibliografia:

[1] White, Ellen G. – Mensagens Escolhidas, vol. 2, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 38

[2] Benedicto, Marcos de – Sinais dos Tempos, maio/junho de 2003, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), pp. 8 e10

[3] White, Ellen G. – Desejado de Todas as Nações, O, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 116

[4] Manual da Igreja – Associação Geral da IASD, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP, 2000), p. 72; Ellen G. White, Evangelismo, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 504)

[5] Faustini, João Wilson – Música e Adoração (Imprensa Metodista, São Paulo, 1973), p. 19

[6] Idem, p. 24

[7] Benedicto, Marcos de – Sinais dos Tempos, maio/junho de 2003, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 8)

[8] Idem, p. 10

[9] Faustini, João Wilson – Música e Adoração (Imprensa Metodista, São Paulo, 1973), p. 59

[10] Idem, p. 73

[11] Ostermam, Eurídice V – O que Deus Diz Sobre a Música, Unaspress – Imprensa Universitária Adventista (Engenheiro Coelho, SP 2003), p. 56

[12] White, Ellen G. – Evangelismo, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 512

[13] White, Ellen G. – Mensagens aos Jovens, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 295

[14] Música e Louvor (Apostila) (Novas Edições Líderes Evangélicos, São Paulo, 1974), p. 73

[15] Ostermam, Eurídice V – O que Deus Diz Sobre a Música, Unaspress – Imprensa Universitária Adventista (Engenheiro Coelho, SP 2003), p 82

[16] Idem, p. 80

[17] Faustini, João Wilson – Música e Adoração (Imprensa Metodista, São Paulo, 1973), 20

[18] Torres, Jessé – Música na Igreja, p. 29

[19] Ostermam, Eurídice V – O que Deus Diz Sobre a Música, Unaspress – Imprensa Universitária Adventista (Engenheiro Coelho, SP 2003), p. 83

[20] Idem, pp. 83-84

[21] Idem, p. 89

[22] Stefani, Wolfgang Hans Martin – Música Sacra, Cultura & Adoração, Unaspress – Imprensa Universitária Adventista (Engenheiro Coelho, SP 2002), p. 139

[23] Idem, p. 139

[24] Idem, p.130

[25] Idem, p.140

[26] White, Ellen G. – Mensagens aos Jovens, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 295

[27] Manual da Igreja – Associação Geral da IASD, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP, 2000), p. 172

[28] White, Ellen G. – Testemunhos Seletos, vol. 1, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 423

[29] Jornal O Dia – 05/03/02 – Citado em Ados em Revista, maio/junho de 2002 – (Ados Editora, Rio de Janeiro)

[30] Jornal do Brasil – 01/03/91 – Citado Ados em Revista maio/junho de 2003 – (Ados Editora, Rio de Janeiro), p. 9

[31] Torres, Jessé – Música na Igreja, pp. 22, 23

[32] White, Ellen G. – Mensagens aos Jovens, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 296

[33] White, Ellen G. – Signs of the Times de 25 de setembro de 1905

[34] White, Ellen G. –Testemonies to the Church, vol. 8, p. 88

[35] Manual da Igreja – Associação Geral da IASD, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP, 2000), pp. 72,73

[36] Idem, p.72

[37] Idem, p. 172

[38] Faustini, João Wilson – Música e Adoração (Imprensa Metodista, São Paulo, 1973), p. 55

[39] Idem, pp. 67-69

[40] Ostermam, Eurídice V – O que Deus Diz Sobre a Música, Unaspress – Imprensa Universitária Adventista (Engenheiro Coelho, SP 2003), p. 103

[41] Revista Adventista, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), Março/2002, p. 6

[42] Ibdem

[43] Ibdem

[44] White, Ellen G. – Desejado de Todas as Nações, O, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), p. 356)

[45] Ibdem

[46] White, Ellen G. – Testemunhos Seletos, vol. 1, Casa Publicadora Brasileira (Tatuí – SP), pp. 203, 204

[47] Idem, p. 203