Natureza e Implicações da Música para a Adoração

A Adoração, A Forma da Adoração — 12 de agosto de 2016 6:00 pm

por: Jetro Meira de Oliveira [*]


O material que disponibilizamos nesta página é um profundo estudo acadêmico acerca de diversas questões relacionadas à escolha apropriada de música para a adoração.

Para acesso ao material completo clique neste link. O documento está no formato PDF.

Para a apreciação dos nossos leitores, estamos apresentando abaixo alguns parágrafos selecionados deste material. Obviamente. para a devida contextualização e embasamento desses argumentos, sugerimos fortemente a leitura do material completo.


[…]

O tema de louvor e adoração é um dos mais relevantes para o momento no qual vivemos, especialmente quando consideramos as Três Mensagens Angélicas. A primeira e a terceira delas apresentam dois tipos de adoração, uma verdadeira e outra falsa. “Temei a Deus e dai-lhe gloria, pois é chegada a hora do juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14:7b). “Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus” (Ap 14:9-10a). Estes versos deveriam ser suficiente incentivo para que dedicássemos muito estudo com o objetivo de alcançar uma melhor compreensão de como podemos adorar a Deus, e também de como podemos, inadvertida ou conscientemente, adorar a besta.

[…]

Alguns importantes princípios bíblicos que podem ser aplicados ao uso da música no louvor e adoração exigem amadurecido discernimento espiritual. Consideremos, por exemplo, dois princípios apresentados por Paulo: “todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (l Co 10:23-24). E, ainda: “vede, porém, que esta liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos” (1Co 8:9). Se estes dois princípios fossem aplicados às nossas escolhas musicais, para o louvor e adoração, muitos dos problemas que temos enfrentado não existiriam.

[…]

A música não é um objeto. Ela não é uma “coisa”. A música não é um CD; não é uma partitura. A música “é” somente quando executada, apresentada. Ela não foi antes e não será depois. Da mesma maneira que uma foto não é “você”, mas apenas uma “representação” sua; a gravação de uma música não é a música, mas apenas uma representação da música. Esta característica etérea da música é um tanto difícil de ser compreendida, mas é fundamental se realmente desejamos interagir de maneira mais inteligente e proveitosa com essa forma de arte.

Muitas concepções distorcidas sobre a música são oriundas do seu tratamento como objeto. Tais concepções deturpam a sua essência básica. Quando alguém diz que a música é “amoral” e a compara a uma faca ou um revolver, está tratando a música como um objeto inanimado. Veremos a seguir que a música está longe de ser um objeto inanimado.

[…]

O principal ponto de discórdia entre as visões tradicional e pós-moderna sobre música sacra passa pelo conceito de música como arte simbólica. A visão tradicional é que a música pode possuir um significado simbólico em si, ou seja, um significado intrínseco. Do outro lado da moeda está um extremo da visão pós-moderna, incorporada no cristianismo nas palavras de Rick Warren: “Não existe tal coisa como música cristã; só existe letra cristã. É a letra que torna uma canção sacra, não a melodia. Não existem melodias espirituais” (WARREN, 2002, p. 43, tradução livre). Essa postura descarta por completo a possibilidade de qualquer tipo de relação entre letra e música, além de distorcer o conceito do que constitui sacralidade e como isso pode ser alcançado. Diz ainda que não é possível que a música puramente instrumental possa ser usada para criar uma determinada atmosfera ou contribuir para um estado de espírito. Para averiguar a veracidade ou não destas posições teremos que explorar quais as possibilidades de a música atuar como arte simbólica.

[…]

Gostamos daquilo que não nos incomoda. Afinal de contas, ninguém gosta de ter seus pecados repreendidos. Também gostamos daquilo que agrada ao paladar, o “doce”. É mais fácil, exige menos, gostar de uma música que não requer uma mediação reflexiva, que não exija algum conhecimento prévio para compreendê-la. E, mais fácil gostar de coisas de consumo imediato (OLIVEIRA, 2012). É mais fácil gostar de uma música alegre que diga que eu sou importante do que de uma que nos faça refletir acerca da realidade de nossa condição espiritual e moral. É mais agradável pensar no céu do que na Cruz. Mas não há céu sem Cruz.

[…]

Somos convidados a aprender a fazer distinção: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2). “Provando sempre o que e agradável ao Senhor” (Ef 5:10). Ellen G. White tem sérias considerações sobre isso:

Quando o Senhor exige que sejamos distintos e peculiares, como podemos desejar popularidade ou querer imitar os costumes e práticas do mundo? […] Não devemos elevar o nosso padrão apenas um pouco acima do padrão do mundo, mas devemos fazer esta distinção decididamente aparente. A razão pela qual temos tão pouca influência sobre nossos familiares e colegas é por que existe tão pouca diferença entre nossas práticas e as do mundo (WHITE, Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 143 e 146-147, tradução livre).

São nossas escolhas que revelam nossa compreensão do princípio da santificação. Da mesma maneira que escolhemos tornar o sábado um dia distinto, nossas escolhas musicais devem ser diferentes da música secular que nos rodeia. “Nunca deveria a marca de distinção entre os seguidores de Jesus e os seguidores de Satanás ser obliterada” (WHITE, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p.602, tradução livre). Quando nossa música tem o mesmo som que a música secular, não há distinção entre o sacro e o profano.

[…]

Só podemos usar a música de forma apropriada no louvor e adoração se primeiramente cumprirmos as orientações da verdadeira religião. Caso contrário, nossas escolhas redundarão no prazer egoísta. A música em si não é louvor e adoração. A música é apenas um veículo para expressarmos nossa adoração e nosso louvor a Deus. Só podemos expressar aquilo que vivemos. Caso contrário, estaremos apenas “honrando a Deus com os lábios”. O discernimento espiritual para nossas escolhas musicais passa por uma vida dedicada a Deus, uma vida que é em si “louvor” e “adoração”. Se não vivermos na prática a religião bíblica, nossos esforços para usar a música de maneira apropriada no louvor e adoração serão sempre insuficientes. Acredito que esse é um elemento importante no reavivamento e reforma de nossos cultos. É nossa responsabilidade como igreja que proclama as Três Mensagens Angélicas compreender cada vez mais o que significa louvar e adorar a Deus na beleza da sua santidade.

Não precisamos temer, nem viver apenas pela intuição e sentimento. Deus nos prometeu luz. Precisamos estudar com mais afinco e fervorosa oração a Bíblia, os escritos proféticos de Ellen G. White e o que tem sido descoberto sobre a música. “Todo aquele que acredita de coração na palavra de Deus tem fome e sede por um conhecimento de sua vontade. Deus é o autor da verdade. Ele ilumina a compreensão escurecida e concede a mente humana poder para alcançar e compreender as verdades que Ele revelou” (WHITE, 1965, p. 49, tradução livre). Não podemos nos acomodar ou nos contentar com o que temos alcançado. Há muito ainda o que ser descoberto. Fico imaginando a música na eternidade. “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviam, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2:9). Este processo de descoberta começa aqui na Terra. Vamos usar a música com inteligência espiritual para suavizar e alegrar nossa jornada nessa vida passageira; vamos cantar com o espírito, mas também com o entendimento (1Co 14:15); vamos memorizar a Palavra de Deus através da música; vamos usar a música para dominar nossa natureza grosseira e inculta (WHITE, Educação, p. 167); e vamos continuar crescendo na Graça do Senhor Jesus Cristo.


Jetro Meira de Oliveira é Doutor em Artes Musicais, Regência e Literatura Musical pela University of Ilinois, graduado em Música pela Andrews University e mestre em Música, Regência e Musicologia pela mesma universidade. (voltar)


Os editores do Música Sacra e Adoração agradecem ao autor por disponibilizar este material.


Tags: ,