Se Todos Estão Falando…

Artigos Diversos e Curiosidades Musicais — 24 de junho de 2016 4:35 pm

por: Pr. Douglas Reis

Quando as pessoas me diziam que eu me parecia com um indiano, sempre levei o assunto como brincadeira. Mas pessoas diferentes começaram a dizer o mesmo. Até gente de outros lugares, quando me conhecia, afirmava a tal semelhança. O cúmulo aconteceu no Aeroporto de Cumbica. Eu estava viajando para Buenos Aires e precisava achar o portão de embarque. Resolvi perguntar a um homem, que, logo, percebi, tratava-se de um legítimo indiano. Ele me deu a informação (com um inglês que me pareceu bem truncado), eu agradeci e me dirigi à escada rolante.

Quando cheguei no local, vi que estava bem tumultuado, com muita gente. Não havia tomada disponível para o notebook, sequer lugar para me assentar. Desse modo, resolvi voltar para onde estava, uma vez que faltava meia hora para o início do embarque. Na seção de embarque que se localizava na parte de cima, facilmente achei onde me assentar. Já acomodado, percebi que um homem me olhava. Junto dele, apareceu aquele indiano, que a princípio me dera a informação.

Os dois conversavam sobre mim, parecendo visivelmente admirados – a essa altura, eu apenas poderia imaginar o que se passava, porque falavam baixo e com sotaque ininteligível. Finalmente, o homem a quem eu conhecia tomou coragem e me perguntou com aquele inglês peculiar: “Você é indiano?”. Percebendo a ironia da situação, respondi (com um inglês cheio de sotaque brasileiro): “Não, sou brasileiro. Mas as pessoas sempre me perguntam isso…”.

Depois do episódio, eu me convenci: devo realmente me parecer com um indiano. Até os indianos acham isso! Quando muitas pessoas fazem uma observação, sem necessariamente ter contato prévio umas com as outras, é bem provável que haja um fundo de verdade. Uma situação similar acontece em relação à identidade adventista: há muitos estudiosos na atualidade que se mostram preocupados com as mudanças no estilo de vida adventista e mesmo em alguns pontos de entendimento das doutrinas bíblicas. Mesmo mediante a multidão de comentários, artigos e livros sobre o assunto, poucos parecem estar convencidos disso.

Entretanto, o fenômeno está aí para quem quiser ver. Antigamente, quando os adventistas diziam que se tem de guardar o sábado, o mundo evangélico reagia, dizendo que isso era fanatismo. Hoje, se alguém afirmar que jogar videogame não é apropriado no dia de sábado (e, em alguns casos, não é apropriado em dia nenhum!), quem dirá que isso é fanatismo serão os próprios adventistas! Há décadas, era muito difícil alguém convencer um adventista de algo, porque ele sempre tinha alguns versos bíblicos para apoiar o que cria. Hoje, vá a um foro adventista e veja como as discussões giram em torno de “eu acho que”, “na minha opinião”, “isso é o meu modo de ver” e expressões congêneres. As mínimas noções básicas de interpretação hoje são ignoradas. Se alguns escritores antecipavam que teríamos uma geração biblicamente analfabeta, isso hoje não parece uma profecia amarga, todavia, já se trata da mais cruel realidade.

Não adianta espernear: a razão pela qual muitos querem uma renovação nos cultos e um afrouxamento das normas de vestimenta é simplesmente porque sua mente não faz conexão entre a experiência cristã (que eles possuem de fato) com a necessidade de aceitar o senhorio de Jesus (que eles entendem de um modo restrito, condicionado a um período específico e, portanto, desnecessário aos novos tempos). Simples assim. Estamos lutando para ampliar um caminho ao qual Jesus chamou de estreito. Enquanto o conselho para Laodiceia fala sobre necessidade de colírio, achamos que, em terra de cego, quem precisa de colírio é rei.

Podemos ignorar a multidão de opiniões de pastores e líderes. Mas até quando resistiremos ao Espírito? E qual será o preço por adiarmos nos submetermos a Ele, em busca de reavivamento?


Fonte: Questão de Confiança


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