Os Verdadeiros Adoradores

O Adorador — 18 de abril de 2016 3:00 am

por: Marco Aurelio Brasil

Para ilustrar o que estava tentando dizer, perguntei ao auditório naquela manhã de sábado quantos ali haviam assistido ao primeiro culto. Várias mãos se levantaram, a grande maioria, aliás.

– Então nós temos um problema sério – concluí. Afinal, culto não se assiste, culto se presta.

Os samaritanos defendiam o monte Gerizim, dentro de seu território, como sendo o único local correto de adoração, graças a esses malabarismos retóricos e argumentativos típicos dos teólogos. Quando aquela mulher samaritana percebeu que Jesus era mais do que um simples homem, aproveitou para lançar essa controvérsia e ver o que o profeta judeu dizia: “Senhor, vejo que és profeta. Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (João 4:19 e 20).

A resposta de Jesus lançou uma profunda e radical alteração no entendimento do que é adoração. Ele disse que até aquele momento o local correto era mesmo Jerusalém, não importando as firulas teológicas em sentido contrário, mas que logo essa controvérsia seria tão útil quanto definir quem foi o melhor jogador, se Pelé ou Maradona. É que o elemento geográfico estava pronto a desaparecer. “Está chegando a hora”, disse Ele, “e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (João 4:23). Quando Ele expulsa os vendilhões do templo, mais do que defendendo aquele edifício, Jesus estava expulsando os que adoravam com segundas intenções e tornavam a adoração dos “verdadeiros adoradores” praticamente impossível.

Durante séculos a igreja cristã não teve um templo e isso não foi problema nenhum, porque o conceito de templo estava superado. “Nem lá nem cá”, foi a resposta de Jesus à samaritana, mas em todo lugar, constantemente. A dinâmica mudou. Você não vai mais atrair pessoas a um prédio santo para que lá elas conheçam a Deus. Agora, os que conhecem a Deus vão (“ide”!) e por onde vão fazem discípulos.

Agora a igreja está andando. No exato instante em que escrevo isto, ela está espalhada pelos ônibus, subindo elevadores, escovando os dentes, comprando pão, ouvindo notícias no rádio do carro. No GPS divino, ela está se movendo pela cidade.

Não se engane, meu amigo. Não é uma determinada roupa, vestida num determinado dia, para ir a um determinado lugar que faz de você um adorador verdadeiro.

O tempo já chegou. O tempo em que você adora a Deus quando o faz em espírito e em verdade, com espírito e com entendimento, com honestidade e com integridade. O tempo em que você presta cultos, e não apenas os consome como um espectador passivo. O tempo em que Deus é adorado na sua vida inteira, e não apenas em gestos automáticos mimetizados dentro do prédio em que a igreja se reúne.

Mas hoje, como nos tempos de Jesus, há os adoradores verdadeiros e há os falsos. De que tipo é você?


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