Ministério de Todos os Clientes

O Adorador — 26 de março de 2016 9:09 pm

por: Pr. Douglas Reis

Quem define a práxis religiosa é o adorador. Pode parecer uma afirmação infundada, em meio a um cenário repleto de líderes carismáticos, geralmente criticados por uma suposta manipulação de massas. Todavia, como a religião do século XXI é midiática, sua realização se dá através da capacidade de reunir o maior número possível de pessoas. Uma tendência comprobatória é a construção de templos cada vez maiores e com dependências ocupadas por lojas de serviço (desde artigos propriamente religiosos, como bíblias, livros, CDs, DVDs, até outros tipos de serviço, como lanchonetes, por exemplo).

Sendo desta forma, para atrair uma quantidade expressiva de adoradores, os líderes religiosos se vêm obrigados a lançar mão de recursos de auditório (a teatralidade na pregação, o uso de encenações, a bonificação material), além de oferecer serviços religiosos em consonância com a necessidade das pessoas comuns. Alguns dos serviços oferecidos pelas comunidades religiosas são cursos para casais, acampamentos para adolescentes, reuniões com empresários, seções de bênçãos (geralmente com enfoque material e apresentação de testemunhos de pessoas que já alcançaram a petição), além de discursos motivacionais e de um enfoque na liturgia musical, diversificada até as raias do suportável, com o fito de agradar os gostos musicais mais díspares.

A crítica que levantamos não se reporta a todas as atividades mencionadas em si (embora algumas sejam questionáveis), mas ao fato de que a liturgia consiste naquelas atividades, com quase nenhum espaço para instrução bíblica objetiva, pela qual o adorador seja confrontado com os princípios das Escrituras de forma prática e profunda, a ponto de o Espírito Santo impressioná-lo a um compromisso específico, que se traduza por mudança de conduta, perspectiva ou ambas as coisas.

Ocorre que a introdução de uma sólida apresentação da matéria escriturística significaria perda de um número significativo de fiéis, uma vez que o homem pós-moderno considera a si mesmo e seu contexto como tábua-rasa da verdade. Dentro desta mentalidade, as pessoas não vão à igreja em busca da Verdade (no sentido cristão tradicional), mas para legitimar suas próprias noções de verdade, buscando conselhos, apoio emocional, entrosamento social e estímulo para as lutas cotidianas. Para o pós-moderno, que quer experiências satisfatórias e variedade de escolhas, a espiritualidade é apenas mais um serviço; isso explica porque as comunidades religiosas se encaram como prestadoras de serviço, procurando atender a demanda do consumidor, sempre (e cada vez mais) exigente.


Fonte: Questão de Confiança


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