Cantar Num Coro Faz Bem à Saúde do Coração

Coral e Regência, Sobre Corpo e a Mente Humanas — 10 de fevereiro de 2016 3:06 pm

por: Revista Online Boas Notícias

Afinal, não são só as vozes que se harmonizam quando se canta num coro: também os batimentos cardíacos se sincronizam durante a música, acelerando e desacelerando em uníssono. A conclusão é de um estudo sueco cujo objetivo é compreender como a música pode ser utilizada com fins terapêuticos e que constatou que fazer parte de um grupo coral é benéfico para o coração.

O investigador Björn Vickhoff e os colegas, da Sahlgrenska Academy da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, estudaram, desde Dezembro de 2012, um grupo coral composto por 15 elementos e pediram-lhes que realizassem determinado tipo de exercícios vocais. Enquanto o fizeram, o ritmo cardíaco de todos eles foi registado para cada exercício.

A experiência mostrou que a estrutura e melodia da música está diretamente associada à atividade cardíaca dos membros do coro e que o ato de cantar em uníssono desencadeia um efeito de sincronização, o que faz com que o ritmo cardíaco dos cantores aumente e diminua ao mesmo tempo e à mesma velocidade.

“O canto regula o funcionamento do 'nervo vago', que está envolvido na nossa vida emocional, na comunicação com os outros e que, por exemplo, afeta o nosso timbre vocal. Canções com versos longos permitem alcançar o mesmo tempo que os exercícios respiratórios do ioga”, explica Vickhoff, em comunicado. “Por outras palavras, com a música conseguimos alcançar um certo controlo sobre os estados mentais”, acrescenta.


Vídeo em que os investigadores explicam mais sobre este estudo (legendas em inglês).
Veja abaixo a tradução da legenda.

Além disso, cantar tem efeitos positivos na saúde e no bem-estar, em particular ao nível do coração. Segundo os investigadores, é possível que estes benefícios estejam relacionados com o facto de o canto ‘impor’ um padrão de respiração calmo e regular, que afeta muito significativamente o ritmo cardíaco.

“A pulsação diminui quando se expira e volta a aumentar quando se inspira. Com o controlo da respiração ativa-se o ‘nervo vago’, que reduz o risco cardíaco e ‘desacelera’ o coração a um nível que costuma ser mais frequente em pessoas jovens, com boa saúde e não sujeitas a stress”, esclarece o coordenador do estudo.

De acordo com Vickhoff, já se sabia que o canto coral “sincroniza os movimentos musculares e as atividades neurológicas dos cantores”, mas só agora se comprova que “esta sincronização também se aplica, em larga escala, ao coração”.

Agora, a equipa pretende investigar se esta sincronização que ocorre a nível biológico também cria uma harmonia a nível mental, produzindo uma perspetiva mental partilhada. Caso tal aconteça, os especialistas acreditam que este ‘poder’ poderia ser usado como um método para fortalecer a cooperação entre as pessoas, já que o ato de cantar (ou atuar) em conjunto é frequentemente visto como uma expressão de vontade coletiva.


Clique aqui para ter acesso ao estudo publicado na revista científica Frontiers in Neuroscience (em inglês).


Fonte: Revista Online Boas Notícias (Portugal)


Tradução da Legenda do Vídeo

A música tem servido como uma função importante na vida quotidiana e espiritual das pessoas por milhares de anos, e pode ter fortes efeitos no humor e bem estar de uma pessoa.

Pesquisadores da Sahlgrenska Academy (Suécia) estão explorando as respostas biológicas das pessoas à música, no projeto Partitura Corporal. As descobertas poderão ser utilizadas em pacientes para reduzir a dor, aliviar a ansiedade pré-operatória ou aumentar a sua motivação para reabilitação.

Uma parte do projeto refere-se a como cantar em um coro afeta os batimentos cardíacos e as emoções das pessoas.

“Quando as pessoas cantam juntas, seus corações começam a bater no mesmo ritmo. Mais exatamente, o nervo vago, que corre do bulbo cerebral até o coração, torna-se ativo, de uma forma semelhante a uma bomba. Você expira quando canta, e é isso que ativa o nervo e reduz o ritmo cardíaco. Como que isso, por sua vez, ativa uma resposta emocional, o canto cria um padrão emocional compartilhado entre os membros do coro.”

No estudo, os pesquisadores mediram a taxa de variação cardíaca dos cantores, ou como seus batimento cardíacos flutuava enquanto cantavam. Os resultados demonstram que não leva muito tempo para que seus batimentos cardíacos fiquem sincronizados.

Essas descobertas podem ser usadas, por exemplo, no âmbito de ações conjuntas, que tem a ver com cooperação intuitiva entre as pessoas.

“Cantar em um coro é um exemplo de ação conjunta, uma vez que os cantores precisam adaptar suas vozes, palavras e andamento ao grupo. Isso significa que os membros do coro precisam sincronizar os impulsos neurológicos que regulam esses fatores. E nós demonstramos que eles precisam sincronizar suas respirações e, desta forma, seus batimentos cardíacos e emoções.”

“Observando animais, vemos o mesmo padrão de respostas compartilhadas em enxames de insetos, cardumes de peixes, bandos de pássaros e alcateias de lobos. E todas as vezes que as pessoas se juntam, por exemplo, em um estádio de futebol, algum tipo de consciência coletiva é formada. É bem possível que a sensibilidade das pessoas umas às outras e a capacidade de cooperar também possam ser afetadas. Novos estudos provavelmente encontrarão uma resposta para esses pontos.”

“Canções mais lentas parecem ter os maiores efeitos na variação dos batimentos cardíacos. Muitos hinos possuem um andamento lento e é bem possível que isso possa ajudar os membros de uma congregação a se conectarem e se abrirem uns para os outros. ode servir também como uma função religiosa, como, ‘Estamos aqui, experimentando juntos esta manhã de Natal'”.


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