Fones de Ouvido Podem Causar Dano Auditivo

A Audição — 27 de novembro de 2012 7:50 am

por: Dr. Martine Hamann

Embora muitas pessoas gostem de aumentar o volume de seus aparelhos de som individuais (com fomes de ouvido) depois de um dia ruim ou para tirar da cabeça coisas desagradáveis, especialistas da Universidade de Leicester demonstraram pela primeira vez que a exposição a níveis sonoros muito altos pode danificar a camada de isolamento das células nervosas, eventualmente causando surdez temporária.

De acordo com os pesquisadores, os fones de ouvido dos aparelhos sonoros individuais podem alcançar níveis sonoros comparáveis aos de aviões a jato.

Os cientistas já sabiam que a surdez temporária ou tinitus (uma condição que se apresenta como um som persistente, como um zumbido ou uma campainha nos ouvidos) pode ser causada por ruídos superiores a 110 dB. Este estudo, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences é o primeiro a examinar como estes ruídos causam danos subjacentes às células.

O Dr. Martine Hamann, do Departamento de Fisiologia Celular e Farmacologia, coordenador do trabalho e pesquisador da Universidade de Leicester explicou:

"A pesquisa nos permitiu compreender todo o caminho entre a exposição a ruídos intensos e a perda auditiva. É muito provável que a dissecação dos mecanismos subjacentes a esta condição tragam um significativo benefício à saúde de uma ampla faixa da população. O trabalho auxiliará na prevenção, bem como no progresso em encontrar métodos apropriados de cura para a perda auditiva."

As células nervosas que transportam os sinais elétricos dos ouvidos para o cérebro possuem um revestimento conhecido como bainha de mielina, o qual ajuda o sinal elétrico a viajar ao longo da célula. A exposição a ruídos com volume muito alto (acima de 110 decibéis) pode destruir este revestimento, interrompendo os sinais elétrico, o que impede que a informação seja transmitida com sucesso pelo nervo auditivo entre os ouvidos e o cérebro.

Contudo, felizmente o revestimento que envolve as células nervosas pode se recompor, permitindo que as células voltem a funcionar normalmente. Isto quer dizer que a perda auditiva pode ser temporária e a audição pode retornar completamente.

De acordo com o Dr. Hamann, o estudo é importante pois explica porque, em certos casos, a perda auditiva pode ser reversível. Ele prossegue dizendo:

"Demonstramos que a bainha que protege o nervo auditivo se perde em cerca de metade das células observadas, o que seria mais ou menos como desencapar o cabo que liga um amplificador ao altofalante. O efeito é reversível e depois de três meses a audição se recuperou, assim como a bainha que revestia o nervo auditivo."

Ainda estão sendo realizadas pesquisas a respeito dos efeitos de sons intensos sobre uma parte do cérebro conhecida como núcleo coclear dorsal, o dispositivo que transporta os sinais das células nervosas do ouvido para as partes do cérebro que decodificam e identificam os sons.


Fontes: ScienceDaily e MedicalNewsToday

Traduzido e adaptado por Levi de Paula Tavares em novembro de 2012


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