Adoração com Integridade

O Adorador — 16 de agosto de 2012 5:14 pm

por: Rev. Sila D. Rabello

Texto Chave: II Crônicas 12:1-12

O Dicionário define integridade como estado ou qualidade de íntegro, que por sua vez significa: inteiro; intacto; completo; perfeito, reto; justo; imaculado, incorruptível. Na adoração, a integridade tem a ver com a motivação do adorador e sua sinceridade.

Ninguém aprecia a instabilidade. Ninguém se sente seguro ao lado de uma pessoa instável, volúvel. Imagine um namoro onde, num dia, a pessoa mostra plena convicção de amor, mostra-se apaixonada e fala em casamento. No entanto, no outro dia, não tem muita certeza dos seus sentimentos. Isso gera crise na relação. Quem ama, precisa ter segurança no objeto amado.

“Eu sou do meu amado e ele é meu. Sua bandeira sobre mim é o amor.” (Cantares 2:4 e 7:10)

Adorar é precisamente despir-se de toda a segurança que não esteja em Deus; é exclamar como Asafe: “A quem tenho eu no céu senão a Ti? E na terra, não há outro que eu deseje, além de Ti.” (Salmos 73:25)

O adorador íntegro é apaixonado por Deus, é seguro, estável, sensível e capaz de crescer no conhecimento do seu Deus.

5 Qualidades do Adorador:

1 – Fidelidade

“Tendo Roboão confirmado o reino e havendo-se fortalecido, deixou a Lei do Senhor, e, com ele, todo o Israel.” (II Crônicas 12:1)

Deus precisa de pessoas íntegras, fiéis e que o adorem na pobreza ou na riqueza, no anonimato ou fama. Se um cristão não for firme no seu amor para com Deus, a prosperidade fá-lo abandonar Deus. É mais provável que uma pessoa fique firme na fé em meio às lutas, do que em meio às muitas facilidades.

“A ciência moderna tem dado à luz a tecnologia, que transforma as nossas vidas. Ela ajuda a destruir aos poucos o senso do homem de dependência de Deus. Como Bertrand Russel disse adequadamente, é mais provável um pescador em um barco a vela orar do que um outro em um barco a motor. Os benefícios da tecnologia tornam mais fácil viver para este mundo apenas e esquecer o próximo.” (LANE, Tony. Pensamento Cristão. Abba Press. SP. 1999, p.79)

O rei Roboão se fortaleceu e se tornou um infiel; deixou a Lei do Senhor. O primeiro passo para a apostasia é deixar a Lei de Deus. A lei confere limites. São placas sinalizadoras. Quem perde o amor à Palavra de Deus, logo renuncia sua vocação de adorador de Deus.

Outra qualidade do adorador é:

2 – Entendimento

“Então veio Semaías, o profeta, a Roboão e aos príncipes de Judá e disse-lhes: ‘Assim diz o Senhor: vós me deixastes a mim, pelo que eu também vos deixei em poder de Sisaque.’” (verso 5)

Graças a Deus que ainda havia no reino um profeta íntegro e havia gente com capacidade de ouvir o recado de Deus. O adorador se torna um sábio! Ele precisa crescer em entendimento, ou melhor, precisa ter um coração entendido. Coração entendido significa um coração que tem a capacidade de ouvir. Os que têm falta de discernimento, raramente são bons ouvintes. Eles são muito absorvidos por si mesmos para ouvir os outros com atenção.

Ah! Quem nos dera agir como o menino Samuel, no Templo, quando ouviu na calada da noite o seu nome, disse: – Fala Senhor, porque o teu servo ouve!

Quando os adoradores são receptivos, Deus sempre levanta um mentor como Eli, um Semaías com mensagem, com exortação, consolação e solução para as crises. Temos nós a disposição para ouvi-lo? Vejamos outra qualidade do adorador:

3 – Contrição

“Então se humilharam os príncipes de Israel e o rei e disseram: O Senhor é justo!” (verso 6)

Contrição significa arrependimento, dor profunda de haver ofendido a Deus, pesar. Esta virtude não pode estar ausente do coração do verdadeiro adorador. Deus é o Deus dos contritos e não dos soberbos.

O rei e o povo disseram: “O Senhor é Justo.” Reconhecer que Deus é justo quando nos disciplina é sinal de que estamos no caminho do quebrantamento. Algumas pessoas se revoltam contra Deus quando são disciplinadas. Não querem ouvir a verdade. Observe o que a Bíblia diz sobre o coração quebrantado:

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” (Isaías 58:15)

“…O homem para quem olharei é este: O aflito e abatido de espírito e que treme da minha presença.” (Isaías 66:2)

“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido (triste por ter pecado) e contrito, não desprezarás, ó Deus.” (Salmos 51:17)

“Humilhai-vos perante a potente mão de Deus…” (I Pedro 5:16)

O verso 7 informa que os israelitas se arrependeram e Deus prometeu não os destruir, antes assegurou enviar socorro. A contrição, o quebrantamento, é o caminho mais curto para se atrair o favor de Deus.

A promessa de II Crônicas 7:14 é para os crentes de todos os tempos: “Se o meu povo que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”

Todo dirigente de louvor deveria consultar o Espírito Santo e perguntar: – Quais os cânticos que o Senhor deseja ouvir hoje? Os hinos e cânticos não são para o deleite do público e da equipe que ministra.

Todo dirigente deve buscar a sensibilidade pelo Espírito. Há momentos para os quais a igreja precisa de contrição para entrar na presença de Deus e depois, então, marchará com alegria. Outras ocasiões requerem entrar com cânticos alegres e até de guerra. Um coração contrito sempre buscará a liderança do Espírito Santo. O soberbo sempre acha que está capacitado para tal ministério.

Outra virtude do adorador é:

4 – Discipulado – Capacidade de aprender. Cognoscibilidade.

“Porém serão servos de Sisaque, para que conheçam a diferença entre a minha servidão e a servidão dos reinos da terra.” (verso 8)

Quando os adoradores de Deus se recusam a servir o seu Deus, tornam-se candidatos à “Escola de Lapidação de Servos”, para que aprendam o que é ministério. Ministério é serviço. Diaconia é serviço. Louvor e adoração são serviço a Deus.

Há grande diferença entre servir espontaneamente a Deus e servir aos homens. Quando se serve a Deus por amor, esse serviço é leve, não é um fardo.

Na escola de Sisaque o povo de Israel veria a diferença entre servir a Deus e servir ao sistema do mundo. O cristão que não valoriza as coisas de Deus acaba sendo lançado na escola da vida natural, para um processo de lapidação, nas situações mais diversificadas. Exemplos:

Um homem desorganizado, dependente, pois sempre foi “filhinho da mamãe”, se casa e é entregue nas mãos de uma esposa criteriosa e rígida, que não passa a mão na cabeça em toda e qualquer situação, apesar de amá-lo.

Uma mulher independente e que nunca aceitou a liderança dos pais, como muitas adolescentes hoje em dia, de repente vira mulher, se casa e é entregue a um marido que exige submissão, apesar de governá-la com doçura.

Um jovem folgado, que cresceu sem limites, regulamentos e horários, tropeçou nos deveres escolares e agora sai para o campo profissional e passa a ser supervisionado por um chefe rigoroso nos horários e nos relatórios.

São situações de aprendizado na vida, de discipulado natural. É melhor aprender a servir a Deus na escola do amor do que na escola da lapidação, apesar da lapidação ser também uma face do amor. Deus corrige a quem ama… (Hebreus 12:6)

Muitas pessoas acham pesada a Lei de Deus:

  • Amar a Deus sobre todas as coisas,
  • Amar o próximo como a si mesmo,
  • Perdoar sempre,
  • Fugir da vida pecaminosa e buscar a santidade,
  • Abstinência de bebidas embriagantes,
  • Não fumar e nem usar drogas,
  • Não fornicar e não adulterar,
  • Honrar o Dia do Senhor,
  • Ser dizimista e ofertante,
  • Congregar no Templo,
  • Meditar diariamente na Palavra de Deus,
  • Orar sem cessar.

Alguns abandonam a fé, ou melhor, a religiosidade, porque acham isso tudo uma servidão e saem debaixo da graça protetora de Deus. Não tarda muito, essas pessoas cometem loucuras:

Arrumam amantes que lhes quebra a família. Aí vem o divórcio, o sofrimento dos filhos e nunca há a realização total da procurada felicidade. Acabam solitários e escravizados a vícios degradantes.(…)

A última qualidade do adorador que queremos considerar é:

5 – Integridade

“Subiu, pois, Sisaque, rei do Egito, contra Jerusalém e tomou os tesouros da Casa do Senhor e os tesouros da casa do rei; tomou tudo. Também levou todos os escudos de ouro que Salomão tinha feito.” (verso 9)

Esta é a ação nefasta do sistema mundano. Ele é invasivo, saqueador. Quando há brechas, ele invade o templo e a casa do rei e subtrai os tesouros.

Egito é símbolo de um poder profano mundial. Hoje, a profanidade assume ares globalizados, mostrando-se ativa em todos os quadrantes da Terra, capitaneando cidades ícones como símbolos de uma vida sem Deus: São Francisco, Las Vegas, Amsterdã, são exemplos patentes de constructos humanos saqueados das virtudes cristãs.

O corpo do cristão é território sagrado! Seu coração é a casa do rei Jesus! Sua mente, o templo do Espírito Santo! Há tesouros, ornamentos, confiados aos adoradores de Deus que não podem ser saqueados.

  • Vigie para que a casa do tesouro não seja invadida.
  • Não deixe que o seu amor a Deus seja roubado,
  • Que a sua fé seja enfraquecida e tirada,
  • Que a sua alegria seja minada,
  • Que a sua esperança do céu seja anulada,
  • Que a sua santidade seja conspurcada,
  • Que a sua adoração seja mecânica.

Clame a Deus por genuinidade! Por integridade! Deus se agrada da verdade no íntimo. (Salmos 51:6)

Para compreendermos melhor a integridade do adorador precisamos examinar mais um verso do texto:

“Em lugar dos escudos de ouro, fez o rei Roboão escudos de bronze… Toda vez que o rei entrava na Casa do Senhor, os da guarda o saudavam com os escudos de bronze.” (verso 10)

Se não há mais escudos de ouro para saudar o rei, usam-se escudos de bronze. Se não há ouro, substitui-se por latão. O importante é manter as aparências!

Este é o dilema do homem religioso moderno: Pragmatismo ou integridade? Vivemos uma época onde tudo é copiado, onde a pirataria produz cópias quase perfeitas na aparência, mas não no conteúdo. Uma época onde se valoriza o que é belo, útil e rendoso. Isto gera reflexos na igreja, na práxis cristã.

  • Conformamo-nos com escudos de bronze ao invés de escudos de ouro,
  • Conformamo-nos com coisas inferiores ao invés das excelentes,
  • Conformamo-nos com o culto de aparências ao invés do culto genuíno,
  • Conformamo-nos com altar com fogo apagado,
  • Conformamo-nos em cantar, sem portar vestes de louvores,
  • Conformamo-nos em entrar na Sala do Banquete sem vestes nupciais,
  • Conformamo-nos em dizimar cinco e não 10%,
  • Conformamo-nos em cantar no Coral da Igreja ou no Grupo de Louvor sem abandonar o pecado,
  • Conformamo-nos em ter o nome no Rol de Membros da igreja sem ter certeza de que está escrito no Livro da Vida no céu,
  • Conformamo-nos em enganar a nós mesmos!

De tantas conformações a mente fica cauterizada. A fé apequenada. Acabamos por nos acostumar. Trocamos ouro por bronze com naturalidade, sem crise de consciência. Agimos como agiu Esaú: trocamos o nosso direito de adorador íntegro; uma posição de honra, por um prato de lentilhas.

Se não posso saudar o meu rei com escudos de ouro, eu o farei com escudos de bronze polido. É quase igual! Na emoção da chegada do rei, ninguém percebe. E não percebem mesmo. Mas você sabe que é bronze. O rei sabe que é bronze.


Fonte:http://www.arminianismo.com

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