Bass Trap Triangular

Sonorização — 28 de julho de 2012 11:43 am

por: Edu Silva


Atenção: Os exemplos aqui mostrados não estão a venda. Não se tratam de produtos comerciais, apenas idéias práticas de qualidade comprovada, que podem ser construídos por qualquer um (o material é muito barato). Não me escrevam pedindo preços nem orçamento de serviços. Para comprar o material, consulte a lista telefônica de sua cidade. Não indico revendedores.


O desenho abaixo dá os detalhes para a construção de um bass trap (armadilha de graves) triangular.

Barato, é feito apenas em compensado ou MDF de 10 mm e lã mineral (vidro ou rocha) com densidade entre 40 (vidro) e 60 kg/m3 (rocha) e 50 mm de espessura.

Construção:

As dimensões são aproximadas, vão depender da forma como as peças serão montadas e principalmente da marca da lã. O padrão é 60×120 cm, mas pode variar um pouco, de acordo com o fabricante. É melhor comprar a lã primeiro, depois medir e cortar a madeira.

Dentro da caixa vai uma peça de lã mineral (manta flexível) com 60×120 ou 80×120 (essa largura de 80 cm é mais frequente em lã de rocha) dobrada em “L” e colada com vedante de silicone. Pode usar duas peças de placa resinada, se preferir.

Como painel frontal, fechando o conjunto, uma placa rígida (resinada) do mesmo material, tambem com 50mm de espessura. Existem já revestidas com tecido ou filme de PVC numa das faces, para melhor acabamento.

Notem que essa placa entra apertada, e provavelmente será preciso aparar as bordas para um perfeito encaixe. É assim que deve ser, e ainda precisa ser colada à caixa com silicone, evitando vazamentos de ar que podem afetar a eficiência do absorvedor.

Instalação:

Devem ser postos nos cantos das salas, dois módulos em cada, superpostos (altura total de 2,44m). Um total de oito deles, então, bastariam para uma sala de tamanho pequeno ou médio, mesmo com grandes problemas nas baixas frequências. Para salas maiores, pode ser necessário dispor mais alguns no teto (no ângulo com a parede do fundo, pelo menos).

Os cantos são os pontos onde se concentram a maior parte das ondas sonoras de baixa frequencia, e é aí que devemos agir para controlá-las. Os traps podem ser parafusados diretamente na parede ou simplesmente encostados, de preferência apoiados no chão.

Apesar da semelhança, nada tem a ver com aqueles certos bass traps de espuma fabricados no exterior. Esses módulos em fibra e madeira são bem mais eficientes e baratos.

Efeito:

O efeito de um bom bass trap é fantástico, a sala parece crescer. O som fica muito mais limpo e claro. Serve perfeitamente para salas de gravação, ensaio, auditórios, home theater, etc. Para salas de mixagem e masterização (técnica), devido a algumas particularidades destas, seria necessário um trap mais largo e profundo. Na impossibilidade (seria pouco prático), devemos usar um maior número deles.

Dois traps empilhados (ou um grande, fechando do chão ao teto) absorvem excepcionalmente bem entre 80 e 100Hz – teoricamente acima de 1 Sabine (100%), devido ao efeito da dispersão. Abaixo dessa frequencia, a eficiência tambem é alta (até cerca de uma oitava abaixo), mas muito dificil de avaliar.

Em traps grandes como esse (do chão ao teto), o efeito da lã no fundo da estrutura (peça em “L”) é menor e pode ser até retirada, sem grandes prejuízos. Melhor ainda, em traps grandes na técnica, seria então usar esse lã colada na outra (e não no fundo), de forma a aumentar a espessura total do material, que ficaria em 10cm.

Material:

Para o painel frontal, use uma placa rígida (resinada) com revestimento em tecido ou véu de vidro, da linha de construção civil (mais barata). Os produtos da linha arquitetônica (decorativos), são mais caros e geralmente mais finos (entre 15 e 25 mm de espessura). Para usá-los (não recomendo), é preciso acrescentar outra camada de lã (pode ser manta flexível) por dentro, colada a ela, completando os 50 mm. Mas leve em conta uma coisa: o filme de PVC que costuma revistir esse material (decorativo) reflete os agudos, e parte da eficiência do absorvedor é perdida. Placas revestidas em papel Kraft ou aluminizado não servem.

A lã do fundo pode ser do mesmo tipo (placa rígida) ou manta flexível de mesma densidade ou menor. Essa lã extra é mais necessária quando você tem poucos cantos livres em seu estúdio e não pode usar muitos traps. Tendo espaço de sobra, pode-se dispensar a lã no fundo, permanecendo apenas a da frente.

Não encontrando esses produtos, ou desejando maior absorção também nas altas frequências, pode usar placas simples sem revestimento (espessura e densidades iguais), tipo Wallfelt WF-44, PSI-40, PSI-60 (Isover), PSE-64 (Rockfibras) ou PRR40 (Devidro). Outros produtos semelhantes servirão.

Faça um quadro em madeira com tecido ortofônico leve na cor preferida e ponha sobre o painel, como numa caixa de som. A manta interna (colada no fundo), deve ser do tipo sem revesimento, ou com papel kraft (voltado para o fundo).

Veja que apesar de ser chamado “bass trap” (armadilha de graves), ele absorve uma ampla gama de frequências.


Fonte: Publicado originalmente em http://audiolist.org/

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