Hinologia: Os Hinos de Lutero

por: Luiz Rodrigues (Adaptação)

Razão suficiente Heinrich Heine tinha ao chamar o hino “Castelo Forte é o Nosso Deus” de “a Marselhesa da Reforma. Era ele a canção marcial da Igreja Militante, na prossecução conquistadora, em seu terrível conflito com a hierarquia de Roma.

A data em que foi escrito não se sabe ao certo; tem-se como provável o dia 19 de abril de 1529, dia em que o famoso Protesto me deu lugar ao nome “Protestante” aos reformadores, foi apresentado á dieta de Spira.

Os cânticos sagrados eram umas das armas de maior eficiência usadas por Lutero e seus amigos, no grande empreendimento da reforma.

Quando menino, Lutero e três companheiros, iam às pequenas cidades, de casa em casa, pedir alimentos e mesmo em Eisenach, anos depois, foi obrigado a implorar o pão, cantando de porta em porta. Madame Cotta, atraída por esse fato, deu-lhe, nos dias de penúria, hospitalidade em sua casa. Ocupou no mosteiro de Erfurt o lugar de corista e cultivou desse modo arte pela qual tinha verdadeira paixão, preparando-se para o grande trabalho de criar para a Germânia e para o mundo, novo e efetivo culto, os cânticos evangélicos.

Ele mesmo escreveu a Spalatin: “E’ minha intenção, tendo em vista o exemplo dos profetas e antigos pais, fazer salmos germânicos para o povo, isto é, cânticos espirituais pelos quais a palavra de Deus possa permanecer viva pelo canto”.

Escreveu trinta e sete hinos; alguns, vieram dos salmos; outros, tradução de velhos hinos latinos e alguns, composição originais. A princípio escreviam-se eles em folhas que eram distribuídas ao povo. O primeiro hinário da Reforma foi o “Erfurt Euchiridiou”, impresso em Erfurt em 1524. Tão populares se tornaram esses hinos que nada menos de quatro impressores, somente em Erfurt, trabalhavam para imprimi-los.

Cantavam-se eles por toda parte, permeando a mente popular com as grandes verdades da doutrina reformada.

Nas estradas germânicas que se entremearam de homens e mulheres para comprar indulgências, agora ecoavam as alegres estâncias dos reformadores.

Audin disse que os hinos de Lutero tiveram prodigioso sucesso. Os católicos disseram: “Lutero nos causou maior mal com seus hinos que com seus sermões”. O cardeal Tomás-á-Jesu escreveu no século XVI: “O interesse por Lutero aumentou de modo extraordinário pelo canto de seus hinos, em toda classe social; não somente nas escolas e igreja, mas nos lares, oficinas, mercados, ruas e campos.

Uma hinologia nacional, veemente e apaixonada, ricamente entremeada com as grandes verdades do Evangelho, expressa na língua paterna, nivelada á mente popular e adaptada às necessidades do povo, foi criada, da qual, Martinho Lutero foi o pai e da qual o seu “Castelo Forte é Nosso Deus” é o principal. Nenhuma outra hinologia no mundo se compara a essa na abundância de sua produção e riqueza de pensamento e expressão.

Este livro, surgindo na grande era da Reforma, marca também uma era correspondente na hinologia cristã.