Histórias de Hinos do Hinário Adventista – Nr. 271

Que Prazer é Ser de Cristo

Letra: Louisa M. R. Stead (c.1850-1917)

Título Original: ‘Tis So Sweet To Trust In Jesus

Música: William James Kirkpatrick (1838-1921)

Texto Bíblico: Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna. (João 6:47)


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1. Que prazer é ser de Cristo,
NEle crer e confiar,
Aceitar os Seus ensinos,
Sua paz e amor gozar!

Coro:
Cristo! Cristo! Já confio
Em Teu nome, em Teu poder.
Cristo! Cristo! bem-amado,
Faze em mim a fé crescer.

2. Oh, que bênção crer em Cristo,
Crer no sangue que verteu!
Pois os meus pecados todos
Sepultou e os esqueceu!

3. Oh, quão bom é crer em Cristo,
Ter certeza do perdão!
Receber de Cristo mesmo,
Vida, paz e salvação.

4. Sim, feliz eu sou em Cristo,
DEle aqui desejo ser;
Quero, pois, humildemente,
Al Senhor obedecer.


Neste mundo de hoje as palavras podem significar pouco. Às vezes perguntamos: “Em quem podemos crer?” Tantos votos quebrados! Tantas promessas não cumpridas! Tantas mentiras proferidas!

Quanto conforto, quanto alegria tem o crente em descobrir que há um nome em que ele pode confiar e há alguém em cujas promessas pode descansar! “Deus se coloca com todos os seus recursos para cumprir cada promessa que Ele faz. É seguro confiar nEle, porque Sua palavra não falha”. Foi ao testar estas palavras e promessas na fornalha que a autora Louisa M. R. Stead pode exclamar:

Cristo! Cristo! Já confio
Em Teu nome
Em Teu poder.
Cristo! Cristo! Bem amado,
Faze em mim a fé crescer
.

Num lindo dia de sol, Louisa, seu marido e sua filha Lily, de quatro anos, decidiram desfrutar umas horas na praia no Estreito de Long Island em Nova Iorque. Estavam se deleitando no seu lanche de piquenique quando ouviram uns gritos; “Socorro! Socorro”. Viram um rapaz se afogando na maré. O Senhor Stead pulou na água, e apressou-se para salvar o rapaz. Infelizmente, como às vezes acontece, o rapaz puxou o seu livrador para baixo da superfície e os dois morreram, diante dos olhos da esposa e filha.

Acredita-se que foi depois desta experiência trágica que Louisa Stead escreveu este hino. Como o pai do menino possesso do demônio, que os discípulos não conseguiam exorcizar (Marcos 9:14-29), ela clamava a seu Salvador : “Cristo! Cristo! Eu confio – faze minha fé crescer!”

Deus supriu conforto e vitória a Louisa Stead. Pouco tempo depois, ela foi como missionária para África do Sul, onde trabalhou diligentemente por 15 anos, até que sua saúde forçou-a a voltar por um tempo aos Estados Unidos. Depois de um período de recuperação, voltou a trabalhar lá por mais 10 anos antes da sua aposentadoria.

Luisa M. R. Stead nasceu em cerca de 1850 em Dover, na Inglaterra, numa família cristã. Aos nove anos aceitou a Cristo e, quando jovem, sentiu que Deus a chamava para o campo missionário. As circunstâncias a levaram aos Estados Unidos, e lá numa reunião campal em Urbana, Estado de Ohio, entregou sua vida para missões na China. Todavia, sua frágil saúde impediu-a de ser aceita pela missão.

Em cerca de 1857, Louisa casou-se com o senhor Stead e Deus lhes deu a filha Lily. Aconteceu a tragédia contada aqui. Renovando sua chamada, Louisa e Lily foram para África do Sul, em 1880. Lá ela casou com Robert Wodehouse, um pastor metodista. Durante o período de recuperação de Louisa nos Estados Unidos, o Pr. Wodehouse serviu em igrejas metodistas ali. Assistindo a uma conferência em Nova Iorque, em 1900, o casal se apresentou de novo para voltar a servir na Rodésia do Sul, hoje Zimbábue (Louisa tinha 50 anos).Trabalharam mais 10 anos, até a saúde de Louisa forçar sua aposentadoria, mas permaneceram na África com a filha Lily, já missionária e casada no país.

Depois duma longa enfermidade, Louisa faleceu no seu lar, em 1917, a somente 80 Km da Missão Umtali, onde trabalhava com tanta alegria. Esta extraordinária mulher que, ao enfrentar grandes dificuldades no seu ministério missionário, testificou: “Nossa suficiência está no Senhor “, foi enterrada numa sepultura cortada na rocha pura, na ladeira do Monte Preto, pertinho do seu lar. Um colega da Missão escreveu:

“Sentimos muita falta dela, mas sua influência continua enquanto os nossos 5.000 cristãos nativos cantam continuamente”:

William James Kirkpatrick (1838-1921) foi um dos gênios dos gospel hymns da grande época de evangelismo em massa que incluía outros nomes inesquecíveis como Ira D. Sankey, Dwight L. Moody, Fanny J. Crosby, Daniel W. Whittle, Philip P. Bliss e muitos outros. Nasceu em Ducannon, estado de Pensilvânia, e recebeu seu primeiro treino musical com seu pai. Altamente dotado, continuou seus estudos com outros músicos destacados da época. Mudando-se para Filadélfia, tornou-se membro duma igreja Metodista Episcopal.

Editou sua primeira coletânea de cânticos dos camp meetings aos 21 anos. Durante a Guerra Civil serviu como major dos pífaros (um instrumento que sempre ia com o tambor-mor e porta -bandeira diante dos soldados) com os voluntários do seu estado. De 1862 a 1878 dirigiu uma empresa de móveis, ao mesmo tempo sempre atuando na música sacra.

Em 1878, deixando de lado os outros negócios, entrou totalmente no ministério da música. Diretor de música na sua igreja, também escreveu muitos hinos e muitas melodias para gospel songs. Ao longo dos anos associou-se com outros na publicação de mais de 100 coletâneas degospel hymns e de músicas corais. Wienandt e Young, no seu livro The Anthem (O Antema), além de falar da sua música para coros, declaram: “Ambos (Sweney e Kirkpatrick) foram compositores preeminentes de gospel hymns cujas melodias foram enormemente benquistas”. O fato de mais de 60 dos seus hinos e melodias aparecerem nos hinários evangélicos no Brasil mostra a popularidade deste compositor. Kirkpatrick ficou viúvo duas vezes.Aos 80 anos casou-se com a viúva do seu grande amigo Sweney. Faleceu de um infarto aos 83 enquanto compunha um novo hino. Que melhor maneira para um grande hinista morrer?

Bibliografia: Weinandt, Elwyn A.and Robert H. Young, The Anthem in England and America, New York, The Free Press, 1970, p.309


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