Rock, Revolução e Satanismo – Parte II

por: Orlando Fedeli

Rock e Revolução

Políticos do erotismo, arautos da desordem e do caos, propugnadores da ação sem qualquer sentido. Rebeldes contra a sabedoria e a lei. Apóstolos da irracionalidade e do desespero. Tais se confessam os líderes do movimento Rock.

Enganam-se os que julgam que o Rock foi apenas uma revolução musical. Ele foi mais. Foi uma revolução cultural que se estendeu das modas à religião, do gosto ao comportamento social.

Neste final do século XX, século que assistiu o nascer, o triunfo e o desmoronamento surpreendentemente rápido e imprevisto de tantas ideologias revolucionárias, do nazismo ao comunismo – uma revolução se mantém e aparece como triunfante. Ela impôs uma nova “arte”, uma nova moda. Ela quer a libertação de todas as leis, regulamentos e normas sociais. Ela se impõe à sociedade liberal, querendo que ela se torne libertária. Ela exige a ermissividade. Contra tudo o que é refinado e aristocrático, ela ostenta a preferência pelo que é sujo, prosaico, baixo, vulgar ou grosseiro. Ela faz apanágio da obscenidade e da depravação. Radicalmente imoral, exige a liberação das drogas, além de sexo livre e público. Defende taras e perversões. Quer o absurdo e preconiza a abolição da racionalidade. Naquilo que a arte moderna fracassou, o Rock obteve êxito; torna o feio, o nojento e o monstro admiráveis.

Pior que as ideologias totalitárias que ofereciam a esperança insana de construir um paraíso quiliástico ou utópico na terra, em que não haveria males nem misérias, a revolução do Rock promete apenas frustração, desespero, suicídio, loucura e inferno. E, apesar disso, essa revolução que propõe o quiliasma do horror triunfa.

“Mistura de ritmos e de gêneros musicais, de sons e tradições, a música corre mais depressa que os homens; ela conseguiu realizar a verdadeira revolução deste século” (…). Ela é, ao mesmo tempo, o espelho e o instrumento de uma transformação política e cultural sem igual na história.” (Le Nouvel Observateur no. 1441, 18-24, junho de 1992, artigo de Elizabeth Schemla – La Révolution Musique, pág. 4).

Os próprios expoentes do movimento Rock proclamam que realizaram mais do que uma simples inovação em matéria musical: desencadearam uma avalanche revolucionária.

“É necessário que nos levantemos em plena rua este é o tempo de revolução violenta” (Rolling Stones).

“O Rock marcou o início da revolução. Nós fundamos uma nova vida política com um estilo de vida psicodélico. A nossa maneira de viver, o nosso ácido (droga), as nossas vestimentas “freaky”, a nossa música Rock, aí está a verdadeira revolução”. (Jerry Rubin).

O tristemente conhecido líder dos Beatles, John Lenon, declarou:

“Eu não gosto de ouvir dizer que os Rolling Stones são como revolucionários e nós, os Beatles, não somos. Se os Stones o fossem, ou o forem, também os Beatles o seriam de fato”. (Apud Mons. R. Williamson – rev. Semper, no. 2, pág. 23).

“O Rock é mais do que música, é o centro energético de uma nova cultura e de uma juventude em Revolução”.

Opinião semelhante foi expressa pelo conhecido maestro Leonard Bernstein:

“Devemos encarar a música Rock’n Roll como sendo, ao mesmo tempo, um sintoma e um fator gerador desta revolução dos jovens de hoje”.

(Leonard Bernstein, Rock’n Roll, the Devil’s Diversion).

O Rock é de fato sintoma e fator gerador da revolução (L. Bernstein), é “espelho e instrumento de transformação política e cultural, sem igual na história”. (Elizabeth Schemla – Le Nouvel Observateur)

Note-se a correspondência dessas opiniões:

a) o Rock é sintoma e espelho da mentalidade que nasceu do liberalismo;

b) é fator gerador e instrumento de revolução.

Com efeito ele é espelho e sintoma, porque expressa as tendências libertárias, igualitárias, irracionais e anárquicas que o liberalismo e o romantismo punham como ideal a atingir.

O liberalismo e sua expressão artística, o romantismo, semearam os ideais falsos cujos frutos o Rock cultiva e colhe.

O liberalismo desejava que o homem fosse absolutamente livre de toda coerção de lei, regulamento, disciplina e até de regras de etiqueta. Os pais que tinham essa mentalidade liberal e romântica nela educaram os seus filhos, que coerentemente, levaram essas idéias às sua conseqüências lógicas. O jovem roqueiro, totalmente revoltado, radicalmente anárquico, absolutamente livre, realiza o ideal libertário de seus progenitores.

O romantismo defendia o sentimento contra a razão, que ele considerava enganadora. Negava, com o liberalismo, a existência da verdade objetiva, e punha o sentimento como valor supremo. Naturalmente, isso o levou a buscar sensações cada vez mais violentas. No Rock, o sensualismo, semeado pelo romantismo, chega ao ápice. O Rock quer o gozo de qualquer prazer, em grau máximo, sem nenhum controle. Ele quer a droga, seja como fonte de prazer, seja como meio de anular e destruir a razão e a visão racional do mundo.

O que Platão dissera sobre o poder da música no diálogo República, nós o vimos realizado em nosso século.

É portanto natural que nas letras das canções de Rock se explicitem as idéias revolucionárias que suas músicas expressam através dos símbolos sonoros.

Veja-se, por exemplo o que diz a canção Imagine, de Jonh Lenon:

“Imagine não haver paraíso
É fácil você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós.
(…)
Imagine não haver países.
Não é difícil não.
Nada para matar ou pelo que morrer
E nenhuma religião também
Imagine toda a gente
vivendo a vida em paz.
(…)
Imagine não haver propriedade
Uma irmandade de homens.
Imagine toda gente
Compartilhando o mundo todo.

O que se prega nessa canção é a utopia comunista pela abolição das cercas e fronteiras, isto é, pela destruição das pátrias e das propriedades. Evidentemente esse mundo comunista sonhado por Lenon não podia ter religião, nem céu, nem inferno. Nele não haveria motivos para morrer, o que significa que não haveria razões para viver.

Na canção Ângela, Lenon pede igualdade como valor mais alto, negado aos homens de hoje:

“Eles te deram a luz solar.
Eles te deram o mar.
Eles te deram tudo,
Menos a chave da cadeia.
Eles te deram café.
Eles te deram chá.
Eles te deram tudo,
Menos a igualdade.”

Veja-se como o “inocente” líder dos Beatles incita os filhos dos liberais à revolta contra a família e a escola:

“Nascemos numa prisão (a família)
Crescemos numa prisão.
Mandados para uma prisão chamada colégio.
Choramos numa prisão.
Amamos uma prisão.
Sonhamos numa prisão.
como tolos
(…) Trabalhamos numa prisão (…)
Vivemos numa prisão
entre juízes e diretores (…)
O espelho torna-se navalha quando
é quebrado

Quantos pais democratas liberais permitem que seus filhos ouçam as canções dos Beatles, porque “elas não tem nada demais”! Entretanto, espantar-se-iam eles, se atentassem para o que diz a letra da canção “Only People” :

“Somente o povo sabe como falar com o povo.
Somente o povo sabe como mudar o mundo.
Somente o povo percebe o poder do povo.
Um milhão de cabeças é melhor do que uma
Então vamos, participe.”

Espantar-se-iam eles? Mas não estão expressos nesse versos os ideais da Revolução de 89? Mas não está aí a linguagem da Teologia da Libertação, que os democratas condenam?

Em “Bring on the Lucie“, (Provoquem Lucie), Lenon canta:

“Não nos importa a bandeira que você está segurando.
Não queremos nem mesmo saber o seu nome.
Não nos importa da onde você vem,
ou para onde você vai.
Tudo o que sabemos é que você veio.
Você está tomando todas as nossas decisões.
Só temos um pedido para fazer:
Enquanto você pensa coisas aí
Aqui há uma coisa que seria melhor você fazer:
Liberte o povo agora.
Faça-o, Faça-o, Faça-o, Faça-o, Faça-o já.
666 é o seu nome”

O escandaloso rebelde Jim Morrison, por sua vez, cantava o triunfo próximo da Revolução-jovem do Rock fundada no critério democrático do número:

“Os velhos ficam velhos e os jovens ficam mais fortes.
Pode demorar uma semana e pode demorar mais.
Eles têm as armas, mas nós temos os números.
Vamos vencer, yeah, estamos tomando conta.
Vamos lá”.
(canção “Five to one”)

Compreende-se então quanto é verdadeira a confissão do anarquista Jerry Rubin em seu best-seller “Do it”.

“O Rock’n Roll marcou o início da revolução…”

“Nós vemos o sexo, o Rock’n Roll e a droga, como fazendo parte de uma conspiração comunista para conquistar a América… Nós combinamos a juventude, a música, o sexo, as drogas e a revolta, tudo isto fazemos coincidir com a traição, de modo a formar um todo coerente, uma frente inexpugnável”. (Apud. Mons. R. Williamson, revista Semper no. 2, pág. 23)

O ódio à autoridade e o amor a rebelião pregado nas canções de Rock têm como primeiras vítimas os pais e os mestres dos jovens roqueiros. Em casa, eles se revoltam contra a autoridade do “velho” e da “velha”. Na escola (prisão), subvertem toda a ordem, desacatando professores e diretores. Quantas tragédias familiares não tiveram raiz nos discos de Rock que os pais permitiam que seus filhos – mimados e “inocentes” – ouvissem. Em São Paulo, houve casos de um jovem que matou toda a família depois de, ouvir Rock no mais alto volume de seus aparelhos de som.

Veja-se agora o que prega a canção “The end” do conjunto Doors de Jim Morrison, um revoltado contra a autoridade de seu pai:

“(…) Cavalgue a serpente, cavalgue a serpente
(…)
O matador acordou antes da aurora,
calçou suas botas.
Colheu um rosto da antiga galeria
e seguiu pelo corredor.
Foi até o quarto onde morava sua irmã,
e então fez uma visita a seu irmão,
e então seguiu pelo corredor
e chegou a uma porta
e olhou para dentro
“Pai?”
“Sim, filho”
“Eu quero matá-lo”
“Mãe, eu quero…”

No Brasil, o conjunto “Garotos Podres” (Les bien auto nommés) berram na canção Anarquia:

“Um dia você vai descobrir
que todos te odeiam e te
querem morto, pois você
representa um perigo ao poder
Anarquia
Anarquia
Anarquia
Eles não querem que você
viva, destrua o sistema
antes que ele o destrua, etc..

Portanto, a revolução que o Rock desencadeia nas almas – como reconhecem os seus arautos – é que visa destruir toda a autoridade na família, na escola, na sociedade. O Rock é anárquico.


Fonte: http://www.montfort.org.br


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