Heavy Metal – Vale a Pena?

por: Ronaldo D. Oliveira [1]

É noite. Luzes de variadas cores circulam ao redor de espectadores excitados com o acontecimento prestes a vir. Pessoas incontáveis se acotovelam e se empurram na tentativa de conseguir melhores lugares para que nenhum detalhe do show passe despercebido. Há fumaça subindo de todas as direções e alguns já desmaiam atordoados pela confusão e pelas drogas já ingeridas. No palco, luzes apagadas, e uma grande tensão toma conta de todos, ao notarem que alguém toma o seu lugar. De repente um som ensurdecedor é descarregado no público delirante dando a entender que o show está começando. Primeiro a guitarra, cujos sons distorcidos penetram com ímpeto em todas as células dos ouvintes, depois trovões são ouvidos ao ritmo da guitarra que, juntando-se ao baixo, faz com que as estruturas do estádio tremam a ponto de o som poder ser percebido nos ossos. Um grito terrível se mistura com a guerra de decibéis e as luzes do palco são disparadas de possantes canhões, fazendo com que apareçam os responsáveis pela demolição que permanecerá inabalável por duas horas seguidas. A toda esta baderna damos o nome de Heavy Metal.

Milhares de jovens em todo o mundo cultuam este nome com todas as forças e às vezes até agridem aqueles que não dão crédito à sua forma de falar e agir em favor de seu culto. Podemos ter algumas noções do que ocorre com aqueles que procuram fazer do Heavy Metal sua filosofia de vida no grande “encontro com Satanás” (Brian May, do grupo Queen), no Rock in Rio, em janeiro do ano passado[2]. Foram dez dias de “Paz e Amor”, envolvendo brigas, sexo e drogas. Houve no passado um encontro semelhante a este nos Estados Unidos, em 1969, conhecido historicamente como Woodstock, com o slogan: Three Days of Love and Peace, onde se reuniram quinhentos mil jovens aproximadamente. Naquele tempo não existia o termo Heavy Metal, mas ele estava nascendo como mais uma ramificação do Rock. Já pudemos presenciar várias reportagens com pessoas que viveram o Woodstock e muitos dos entrevistados ainda trazem marcas profundas que ficarão consigo para sempre.

Nasci em 1962, num lar dividido. Minha mãe, muito cristã, tentava me ensinar o caminho da verdadeira paz e o Criador do verdadeiro amor, mas não podia entender por que meu pai não participava desta mensagem que minha mãe sempre trazia. Veio a escola, e com ela as más companhias e, por fim, o Rock. Todo aquele som e cores me faziam vibrar a alma. Estava conhecendo o outro lado da moeda, o fruto proibido que parecia ser “bom para se comer e agradável aos olhos”, mais ignorava as conseqüências do caminho largo que estava tomando. Com o passar do tempo, aquela figura jovem parecia mais morta do que viva, magra, pálida, linguajar chulo e comportamento duvidoso. As drogas ainda não haviam impressionado minha mente, pois nunca as havia tocado, mas a bebida alcoólica fazia o seu papel direitinho. No lar, discussões, desarmonia e tristeza, na mente o desejo cego de me tornar guitarrista, pois já havia até comprado uma guitarra para a infelicidade de minha família. Os vizinhos já não me olhavam com muito prazer, enfim eu era um rockeiro apaixonado pelo meu deus, o Rock. Com apenas dezessete anos de idade, meu objetivo já estava traçado e sem perceber que o Pai me observava, caminhava cegamente para o alvo.

Num belo dia, estava na casa de um amigo adventista e notei um livro que se destacava dos outros em sua estante, devido a sua capa curiosa. Tinha como título, também curioso, “O Grande Conflito”. Perguntei ao meu amigo se o livro era bom, mas ele não soube me responder, pois nunca o tinha lido. Pedi emprestado e comecei a lê-lo. Alguém não havia gostado do fato de eu iniciar aquela leitura e por muitas vezes ficava tempos sem ao menos ler uma página.

Até que cheguei aos últimos capítulos e algo estranho começou a acontecer. A medida em que as palavras iam passando pelos meus olhos, todas as cenas iam tomando forma em minha mente e a realidade daqueles fatos me fazia tremer. Foi uma semana de intensa meditação em minha vida até que me veio à mente uma pergunta: Será que realmente o Heavy Metal vale a pena? Esta questão ficou em minha mente por um longo tempo até que a voz do Espírito de Deus se tornou irresistível. Minha vida estava sendo mudada.

A partir daquele momento senti todo o calor do verdadeiro amor e o prazer inconfundível da paz verdadeira. E óbvio que as provações aparecem, pois o inimigo não fica contente quando um discípulo seu lhe escapa por entre os dedos e até hoje ele ainda não me dá sossego, mas que prazer é servir a Cristo! Satanás e sua hoste demoníaca procuram perseverantemente destruir aqueles que procuram decididamente seguir o Todo-poderoso, principalmente aqueles que um dia foram seus. Ele não deseja de forma alguma que algum ser humano desfrute das maravilhosas promessas do Altíssimo, porque ele próprio já está derrotado. Quando Lúcifer – o portador da luz – era o mais poderoso anjo criado por Deus, e tinha todos os anjos sobre seu comando, todos eram felizes ao poderem admirar a formosura com que ele se apresentava.

Mais do que qualquer anjo, conhecia os mistérios da música e com dedicação e perfeição regia o grande coral angélico. Ninguém melhor que ele para inverter o verdadeiro sentido da música que fora criada para a alegria da adoração e do louvor a Deus. O inimigo procura levar milhares de seres humanos para a perdição eterna por meio da música, principalmente o Rock em todas as suas formas, e por que não chamarmos aos concertos de Rock lavagens cerebrais? Depois de duas horas embaixo de um banho de ondas sonoras insuportáveis aos ouvidos humanos, como poderíamos pensar em adoração e louvor ao Criador dos Céus e da Terra? Quem conseguiria ler ao menos uma passagem bíblica após ter passado por uma sessão de horror e culto satânico?

Talvez você que aprecie este tipo de música possa estar pensando que é forte e que pode controlar a situação dominando-se, mas note que aquele um terço de anjos caídos trabalha constantemente para derrubar o homem e que o poder que eles possuem é bem maior do que o seu. Se Jesus, o nosso Salvador, necessitava de constante oração para vencer as tentações que vinham sobre Ele, quanto mais nós que somos débeis pecadores, criaturas carentes dos cuidados diários do Criador! O nosso verdadeiro Amigo deseja levar a mim e a você para o Lar que Ele preparou para os que O amam, e podemos ter certeza de que no Céu e na Terra que será renovada para que os salvos possam nela habitar, não teremos música tão pobre como a que temos aqui, tampouco teremos o Rock, mas poderemos ouvir músicas jamais pensadas, poderemos compor músicas que nos tragam alegria de viver, músicas que nos façam resplandecer como espelhos ao sol, enfim músicas de amor e paz. Jesus nos ama, mesmo que não O reconheçamos como nosso Salvador, mas este amor não poderá levar-nos aonde não desejamos ir. Você, que é jovem como eu, e que também caiu nos laços do Rock e acha impossível se desvencilhar de tal armadilha, lembre-se sempre de que você é fraco enquanto confiar no eu, mas se pedir forças do alto será forte, tão forte aponto de trocar as cores e o encanto do Heavy Metal pelo amor e paz de Jesus.

E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis(Mateus 21:22).


Notas dos Editores:

[1] Agradecemos à Loide Simon por esta contribuição ao Música Sacra e Adoração.

[2] “Ano passado”, para o autor, é o ano de 1985, posto que o artigo foi escrito para a Revista Adventista em 1986.


Fonte: Revista Adventista. Fevereiro, 1986, pp. 14-5.