A Música na Igreja Adventista do Sétimo Dia

Estudo feito pela Comissão de Música do Concílio Pastoral da Associação Paulista Central em abril de 1995:

Pr. Alair Freitas
Pr. Alexandre Vaz
Pr. Elimar Paiva
Pr. Eurico Muniz
Pr. Haroldo Adasz
Pr. Jeremias de Souza
Pr. Kedson Mello
Pr. Nilsen Pires
Pr. Paulo E. I. Bravo
Pr. Ronaldo Alberto de Oliveira}
Pr. Ruimar Paiva

E revisado pela Comissão Especial de Música, reunida no IASP em agosto de 1998:

Pr. Otávio Alves da Costa Pr.José Bento Zatarin
Pr. Paulo Sérgio Stina Pr. Jorge Anacleto
Prof. Celestino José de Souza Pr. Josias Moreira de Castro
Pr. Paulo E. I. Bravo Pr. Nilsen Paes
Pr. Aurelino Aurélio Ferreira Pr. Nizan Rabelo de Oliveira
Pr. Edson Caravelli Pr. Oder Fernandes de Mello
Pr. Adílson Cruz Ferreira Pr. Olmir Antonio Tochetto
Pr. Almir dos Santos Pires Pr. Ronaldi Neves Batista
Pr. Antonio Cláudio Vilela Pr. Samuel Mesquita Guimarães
Pr. Carlos Alberto Ramos Pr. Samuel Wohlers da Fonseca
Pr. Celso Bunhak Pr. Vulmur Calzado Medeiros
Pr. César Luiz Vichert Pr. Ronaldo de Oliveira – UCB
Pr. Corsino Viana de Brito Prof. Vandir Rudolfo Schäffer – IAE-c2
Pr. Elimar Pereira Zillo Prof. Jetro Meira de Oliveira – IAE-c2
Pr. Héldio Emerick Teixeira Prof. César Marques – IAE-c2
Pr. João Franco de Andrade Prof. José Newton – IASP
Pr. Haroldo Adasz  

I – Diagnóstico e Levantamento do Problema

A música hoje, como em todas as épocas, exerça fascínio sobre todos, principalmente sobre a juventude. Embora seja um Dom Divino, Satanás tem-na pervertido a ponto de transformá-la em gritaria estérica.

Há uma inclinação entre os adventistas para modernizar a música sacra, dando-lhe conotação e ritmo semelhante ao das músicas seculares. Há, também, divergências quanto à prática e aplicação da   Filosofia Adventista de Música.

Estas e outras causas conduzem ao surgimento de muitos problemas no ministério da música, tais como:

  • Pontos de vista divergentes quanto à Filosofia Adventista de Música entre os pastores.
  • O material musical (partituras, play-backs, etc.) é muito diversificado e, por vezes, sofre distorções da verdadeira   Filosofia Adventista de Música.
  • Divergência entre os pastores e músicos (compositores, cantores, diretores de música e instrumentais) no que tange a ritmos, estilos, apresentações, etc.
  • Excessos na apresentação pessoal (vestuário, pintura, etc.)
  • Programas e apresentações com características de shows seculares (dramatização vulgar, excesso de movimentação, som exagerado no volume, etc.)
  • Independência de indivíduos e grupos vocais das atividades da igreja a que pertencem, deixando de participar normalmente de cultos e escola sabatina, o que resulta no enfraquecimento de sua vida espiritual.
  • Vida de alguns que tem participado do ministério público da música não condizente com os princípios da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
  • Negligência dos pais no controle e orientação do tipo de música ouvida ou executada no lar.
  • Falta de envolvimento e investimento da parte dos pais na educação musical sacra, bem como a provisão de material adequado (fitas K7, CDs, Discos) e instrumentos para seus filhos.
  • Carência de pessoas preparadas para executarem corretamente a música na igreja (técnicas e filosofia musical adventista).

Antes de apresentarmos os CONSIDERANDOS e as RECOMENDAÇÕES, será de utilidade para todos conhecer o documento apresentado pela Associação Geral da IASD, no seu concílio outounal de 1972, intitulado “Filosofia Adventista de Música”. Trata-se de um longo, mas necessário e muito oportuno texto.

II – Filosofia Adventista de Música

(Nota dos editores do Música Sacra e Adoração: Neste ponto, o documento original insere a Filosofia Adventista de Música, versão de 1972, na íntegra. Este documento está disponível em http://musicaeadoracao.com.br/28999/filosofia-adventista-de-musica/ e, portanto, não será repetido aqui, visando a concisão do texto.)

III – Considerandos e Recomendações

CONSIDERANDO os conselhos e advertências deste documento, (*) que se caracteriza pela clareza e equilíbrio, apresentando linhas bem definidas quanto ao que é aceitável e inaceitável no tocante à música dentro do ambiente adventista;

CONSIDERANDO que estudos sobre música já foram realizados e suas propostas não tem sido aplicadas em nível de igreja local e instituições;

CONSIDERANDO os problemas e conseqüências apresentados,

RECOMENDAMOS QUE:

  1. Os arranjos musicais sejam sóbrios, obedecendo as normas de santidade e decoro na igreja.
  2. As músicas e letras sejam coerentes com os princípios doutrinários da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
  3. Seja colocado em primeiro lugar o louvor a Deus e não ao músico ou cantor. “O culto deve ser a Deus e não a pecadores.”
  4. “Deus é a motivação do cântico e do louvor.” Contudo o que se tem observado em certas ocasiões com os chamados “cânticos especiais”, é que “o objetivo de louvor a Deus nem sempre está em primeiro plano, pois a tendência é introduzir nos cultos o que é valorizado pela sociedade.” Daí o surgimento de uma camada profissional que se utiliza de reuniões da igreja para divulgar seu produto. Vê-se em muitos casos (e não estamos generalizando o assunto), que os cantores aperfeiçoam todo um sistema vocal e instrumental para terem sucesso, sem a preocupação principal de cultuarem a Deus. “Muitos cantores cristãos procuram identificar-se com os profissionais liberais. Procuram a aprovação dos ‘experts’ seculares e seu estilo se casa com o mundo; ficam parecidos com o mundo que tentam mudar! Ao invés de olharem para os santos, os cantores de hoje procuram espelhar-se nas celebridades evangélicas seculares. Assim, não possuem um modelo de crescimento espiritual e de santificação, pois os valores nos quais se espelham não são os modelos de Deus para a Sua igreja.” – O Ministério de Louvor na Igreja,  32 e 33
  5. “A música profana ou a que seja de natureza duvidosa ou questionável nunca deve ser introduzida em nossos cultos” (Manual da Igreja,  111); sob quaisquer circunstâncias e pretextos, e por mais justificáveis que os motivos aparentem ser.
  6. Os hinos iniciais nos cultos de adoração sejam de gratidão e louvor e os finais, de consagração e entrega a Deus, e “a escolha de músicas especiais se harmonize com o assunto do sermão” – Manual da Igreja,  111.
  7. Cada grupo submeta à apreciação da comissão da igreja os seus integrantes, sejam músicos ou cantores, a partir de seus diretores pois “unicamente os que se sabe serem inteiramente consagrados devem ser escolhidos para esta obra na igreja” (Manual da Igreja,  111). Além do mais, “aqueles a quem falta discernimento para a escolha devida e apropriada da música para o culto divino não devem ser escolhidos” (idem, referindo-se aos diretores).
  8. A igreja deverá, em contato prévio, solicitar dos músicos ou grupos visitantes, uma carta de recomendação para certificar-se de que todos estão em harmonia com a igreja e suas normas, conforme prescreve o Manual da Igreja, às páginas 110 e 111, nos seguintes termos: “às pessoas de consagração duvidosa ou de caráter questionável, ou às que não se vistam convenientemente, não se deve permitir que participem das atividades musicais dos cultos”. A liderança da igreja poderá sentir-se livre e no direito de permitir ou não a apresentação do conjunto ou músicos visitantes.
    “Nas reuniões que se celebram, não devem eles (os mensageiros do Senhor) fazer depender as mesmas de cantores mundanos e exibições teatrais para despertar interesse. Como podem aqueles que não tem interesse algum na Palavra de Deus, que nunca a leram com desejo sincero de compreensão de suas verdades, cantar com o espírito e o entendimento? Como poderá o seu coração estar em harmonia com as palavras do canto sagrado? Como pode o coro celestial participar de uma música que é apenas formal?” (Testemonies, vol. 9,  143 e 144, citado no Manual da Igreja, às páginas 110 e 111). Para se evitar constrangimento, nenhuma igreja ou membro deve convidar conjuntos musicais, etc., sem o prévio conhecimento do pastor distrital, especialmente se se tratarem de atividades especiais, tais como: batismos, ordenação, inauguração de igreja, congressos, etc. A palavra final nestes assuntos deve ser sempre do pastor.
  9. Os executantes devem cuidar de seus trajes, posturas e maneiras de se apresentar, evitando definitivamente o uso de todo elemento que não condiga com as normas da igreja, tais como: bermudas, mini-saias, roupas justas ou transparentes, e tudo mais que apele para a sensualidade e indecência; cuidar da discrição do cabelo (isto se aplica também aos homens), bem como jóias e pinturas, pois a Bíblia os associa com o paganismo e apostasia (II Reis 9:30; Jeremias 4:30; Nisto Cremos,  379 e Manual da Igreja,  174). Lembrem-se os cantores adventistas qye eles não são artistas e que a igreja não é um teatro.
  10. Haja maior uso do canto congregacional e que o regente utilize sabiamente o microfone, evitando que sua voz sobressaia à da congregação.
  11. Seja evitada a excessiva amplificação vocal e instrumental para não prejudicar e irritar os ouvidos das pessoas em geral, como tem acontecido em certas ocasiões. Os ouvintes devem sentir-se confortáveis ao assistirem a uma apresentação musical, a fim de serem edificados espiritualmente.
  12. Os ensaios sejam feitos em horários que não coincidam com as programações oficiais da igreja, e que o local, se for nas dependências da igreja, seja devidamente respeitado.
  13. Os cantores e conjuntos não limitem sua presença numa programação apenas ao momento de sua apresentação, mas que assistam toda a programação em que forem se apresentar, em especial a Escola Sabatina e o Culto de Adoração, evitando ao máximo a movimentação de pessoas no local.
  14. As igrejas devem fazer todo o esforço para incentivar e apoiar, até mesmo financeiramente, o estudo e a prática da música, especialmente moças e rapazes que demonstrarem aptidão e interesse nessa área.
  15. Os pastores orientem os seus músicos e cantores quanto às normas a serem observadas e, tanto quanto possível, envolvam-se nos ensaios e atividades, com o objetivo de influenciá-los no sentido da verdadeira Filosofia Adventista de Música.
  16. Que as reuniões definidas pelo campo local promovam periodicamente o Festival de Música Sacra Adventista (FEMUSA), no sentido de incentivar e preparar melhor os cantores e músicos para a igreja.
  17. Os corais, conjuntos e cantores em geral evitem viagens longas após o pôr-do-sol de Sexta-feira, ou nas horas claras do Sábado, com o objetivo de se apresentarem em alguma igreja ou programação especial. A observância do Sábado é coisa séria e deve ser levada em conta nessas ocasiões, se o desejo é louvar a Deus e glorificá-Lo.
  18. A montagem e desmontagem de todo o equipamento de som sejam feitas sempre sem quebrar a solenidade de ambiente e a programação em andamento, levando-se em consideração a santidade e observância do Sábado e o respeito ao horário e local dos programas. Para tanto, sugere-se que a montagem desses equipamentos, testes, etc., seja feita de tal maneira que no momento de se começar o programa tudo esteja devidamente em ordem e que não haja atrasos.
  19. O uso impróprio e abusivo (volume alto e muita movimentação) de instrumentos musicais seja evitado.
  20. Os grupos musicais e vocais de nossas escolas, de crianças da própria igreja ou de conferências públicas, que são formados para incentivo e participação de alguns de seus participantes não adventistas, filhos de membros ou interessados que já se relacionam com a igreja e observam seus princípios, mas que ainda não são batizados, sejam avaliados periodicamente pela sua liderança, aconselhando que suas apresentações limitem-se a ocasiões especiais.
  21. Participem dos cultos de adoração ou cerimônias especiais tais como: ordenação, casamentos, batismos, inauguração e dedicação de igreja etc., unicamente músicos e cantores que estejam em plena harmonia e comunhão com a igreja pois “a capacidade de cantar é tão somente uma parte das qualidades que devem possuir. Devem ser membros da igreja, da escola sabatina e da sociedade dos Jovens e em sua aparência pessoal e maneira de vestir, conformar-se com as normas da igreja, estabelecendo um exemplo de modéstia e decoro.” (Manual da Igreja,  111)
  22. Os cantores (sejam conjuntos, quartetos, corais ou solistas) esmerem-se na pronúncia das palavras a fim de que toda a congregação possa captar com clareza a mensagem do hino que está sendo cantado, pois um bom hino, desde que sua mensagem seja entendida, comunica o amor de Deus aos ouvintes.
  23. Os grupos de música oficiais da Igreja e Instituições somente gravem seus discos, K7 ou CDs sob orientação do departamento de música da igreja ou campo local, e que estes sejam comercializados também pelo SELS.
  24. Ao se escolher alguém para JA (levando-se em conta a área de música) prefira-se um pastor com formação musical equilibrada. (**)
  25. À comissão de música do campo local, seja solicitado preparar um manual de orientação sobre o uso da música sacra na igreja, e a Filosofia Adventista de Música sobre o assunto, de acordo com a Bíblia e o Espírito de Profecia (a curto prazo).
  26. Sejam realizados para pastores, seminários de conscientização da Filosofia Adventista de Música e noções básicas da técnica da música.
  27. O SALT ministre aulas não só de regência e teoria musical, mas também ensine os princípios da   Filosofia Adventista de Música.
  28. O campo local crie uma comissão de música, cuja composição fique a critério da mesa administrativa.
  29. A Comissão de Música do campo local prepare uma apostila sobre a Filosofia Adventista de Música e envie aos produtores, compositores, cantores e diretores de música na igreja local.
  30. Os produtores de materiais musicais (play-backs, partituras, CDs, K7s) identifiquem em cada produto, em que ocasião, ou a melhor ocasião e local a usar cada música.
  31. Seja formado um banco de partituras, play-backs do novo hinário e outros, bem como publicação sobre música sacra, para servir às igrejas e seus membros. (***)
  32. A comissão de música deve avaliar e classificar os materiais de acordo com o ambiente e ocasiões a serem executados.
  33. Os materiais produzidos pela Organização Adventista contenham um selo de identificação.
  34. O SELS, na medida do possível, selecione o material musical a ser vendido, considerando a   Filosofia Adventista de Música.
  35. Os líderes de música na igreja local sejam treinados e orientados, em seminários regionais promovidos pela Associação, a fim de serem capazes,  de acordo com a   Filosofia Adventista de Música, a selecionar as músicas considerando o ambiente, o local e a ocasião.
  36. As pessoas envolvidas na atividade musical (cânticos, play-backs, etc.), antes de utilizarem o material adquirido, consultem o pastor ou diretor de música da igreja.
  37. Se insira no programa do Ministério da Família, orientações, motivações aos pais, a fim de que invistam na educação musical dos filhos, dentro dos princípios da verdadeira música. Adquiram também fitas, CDs, discos, play-backs, para substituir a música secular em casa.
  38. Seja produzido material didático sobre música cristã, para atender as necessidades do culto familiar.
  39. Se desaconselhe a formação de novos grupos cujos componentes pertençam a diferentes igrejas. Porém, os já existentes devem, por escolha do grupo ou representatividade maior dos componentes, vincularem-se a uma das igrejas a que pertençam. Devem elaborar também uma agenda de apresentações a ser submetida à comissão da igreja da qual são membros, respeitando, no máximo, uma (1) saída por mês.
  40. Aconselha-se que não se utilize, ou o faça de maneira discreta, fundos musicais nas orações e leituras bíblicas, para que não distraia a atenção dos ouvintes.
  41. A nomeação de regionais de música nos moldes dos regionais JA e Desbravadores.

Conclusão

O objetivo deste documento é um convite à adoração “em espírito e em verdade” (João 4:23-24). Uma igreja que incentiva o legítimo louvor a Deus em seus cultos de adoração é uma igreja dinâmica e que vive. Os que cristãos têm em seus lábios cânticos e ações de graças, sem dúvida darão vida à congregação e contagiarão os adoradores, promovendo o verdadeiro louvor a Deus.


(*) O texto refere-se à Filosofia Adventista de Música de 1972 (voltar)

(**) Os editores do Música Sacra e Adoração interpretam que este item refere-se à escolha de um pastor departamental do campo local para o departamento de jovens (já que, normalmente este departamento também é responsável pela área da música), e não à escolha de um líder local dos Jovens. (voltar)

(***) Este item refere-se ao Hinário Adventista como sendo “o novo hinário”, visto que este documento é datado de 1998. (voltar)


Fonte: Os editores do Música Sacra e Adoração agradecem ao Pastor Flávio Araújo Garcia por disponibilizar este material.