Seria Errado Bater Palmas na Igreja? – Uma Resposta

por: Editores do Música Sacra e Adoração

No início de março de 2009, o Pr. Valdeci Júnior escreveu e gentilmente nos enviou um artigo intitulado Seria Errado Bater Palmas na Igreja?. O artigo (disponível aqui e reproduzido abaixo) foi publicado pelo espaço virtual Advir, tendo sido copiado também por inúmeros blogs e sites. Este artigo chegou a causar uma certa confusão junto a algumas pessoas, que acreditavam que esta seria a posição da IASD, visto que o autor é um pastor, membro da Rede Novo Tempo de Comunicação.

Porém, por não concordarmos com a linha argumentativa seguida pelo autor nem com as conclusões propostas pelo artigo, decidimos publicar uma resposta, ponto a ponto, devidamente respaldada nas Escrituras e nos escritos de Ellen G. White, a qual agora disponibilizamos abaixo. Esta resposta também pode ser obtida no formato PDF, clicando aqui

Seria Errado Bater Palmas na Igreja?

Pr. Valdeci Júnior

Seria Errado Bater Palmas na Igreja?

Resposta dos Editores do Música Sacra e Adoração

Para responder a esta pergunta precisaríamos conhecer todas as razões que levam as pessoas a bater palmas num culto de adoração. Isso é impossível, mas podemos destacar, de forma geral, pelo menos dois tipos de palmas que acontecem na igreja.

Antes de tentar conhecer as razões pelas quais as pessoas pretendem bater palmas num culto de adoração, seria interessante compreender o que é um culto de adoração. Depois, poderíamos tentar entender por que as pessoas participam das reuniões de culto. A partir destas duas análises seria possível observar as tremendas distorções que comumente ocorrem nos cultos atuais, as quais têm como corolário vários atos estranhos à verdadeira adoração, inclusive o de bater palmas.

Primeiro vamos falar daquela palma que acompanha o ritmo da música. É claro que, como tudo na vida, este acompanhamento musical vindo da parte do adorador, pode ficar exageradamente extravagante e prejudicial. Mas por outro lado, o louvor quadrado, formal e frio, é tão extremadamente prejudicial.

O louvor frio não é somente prejudicial: ele não é louvor e, portanto, não existe! É apenas uma forma, vazia de conteúdo. Obviamente que isto é uma distorção, mas qual é o remédio divino para esta distorção?

a) Buscarmos, através da comunhão pessoal, uma razão íntima para louvar a Deus de forma plena ou

b) buscarmos estímulos externos para incitar a participação popular em uma manifestação de excitação de massas? Será que não estamos bebendo nas fontes espúrias do Pentecostalismo?

Ellen White fala o seguinte a este respeito: “Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. Calma e claramente ‘prega a Palavra’. Importa não considerar nossa obra criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são. Deixai que Deus opere, e ande o instrumento humano silenciosamente diante dEle, vigiando, esperando, orando, olhando a Jesus a todo momento, conduzido e controlado pelo precioso Espírito que é luz e vida.” (Carta 68, 1894.)

É muito importante que o adorador se envolva no louvor, com todo o ser, inclusive, com o corpo. Pois cremos que somos um ser indivisível, que é constituído física, mental e espiritualmente, certo? Então, o corpo faz parte do ser, certo? Se não o fizesse não poderíamos usar a boca pra louvar, porque ela faz parte do corpo.

Parece ser óbvio para qualquer pessoa que usar a boca para louvar é muito diferente de movimentos corporais rítmicos (sejam palmas ou dança). O argumento acima não leva em conta o princípio estabelecido por Paulo em Romanos 12:1-2: o culto cristão é um culto racional (“logiken latria“); demanda uma renovação da mente. Este texto está em perfeita consonância com as citações do Antigo Testamento que falam de entrega e transformação do coração, visto como a sede das decisões e emoções, ou seja, do “eu”.

Além disso, uma vez que a lógica utilizada neste parágrafo é fundamental para o restante da argumentação, seria interessante termos bases escriturísticas para sustentar essas conclusões. Talvez alguma luz sobre o assunto possa ser buscada no Espírito de Profecia: “Movimentos corporais são de pouco proveito. Tudo o que esteja ligado, de alguma forma, com o serviço religioso, deve ser digno, solene e impressivo.Manuscript Releases vol 5, nr. 306 – Music, p. 194

Não temos tempo agora para gastar em buscar as coisas que agradam unicamente aos sentidos. É preciso íntimo esquadrinhar do coração. Necessitamos, com lágrimas e confissão partida de um coração quebrantado, aproximar-nos mais de Deus; e Ele Se aproximará de nós.Review and Herald, 14 de novembro de 1899; Evangelismo p. 510

Então veja, que é necessário equilíbrio.

Concordamos plenamente com esta frase. Mas qual equilíbrio? Quem decide qual é o ponto de equilíbrio? Cada um de nós desenvolveu, por conta de suas experiências pessoais, escalas de valores diferentes e, portanto, vê os extremos em pontos diferentes, e encontra o ponto de equilíbrio num local diferente desta escala. Ou encontramos um ponto de equilíbrio absolutamente objetivo, e portanto, não sujeito às interpretações extremamente variáveis da subjetividade, ou o conceito de equilíbrio se torna tão fluído, indistinto e pessoal que não terá nenhum valor como métrica. Parece-nos que a melhor opção é saber o que Deus nos esclareceu a respeito, em vez de buscar explicar como cada um define o seu ponto de equilíbrio, o que não levará a ponto algum.

E com equilíbrio, é obvio que o louvor acompanhado das palmas alcança muito melhor o seu objetivo de envolver a todos.

Seria ótimo que todos estivessem envolvidos no louvor. Ellen White cita que “O canto não deve ser feito por uns poucos. O mais freqüentemente possível, una-se toda a congregação.” – Evangelismo, p. 507. Mas, o que este texto está dizendo é que devemos dar oportunidades de participação em grupo a todos aqueles que têm motivos pessoais para louvar, e não incitar a participação do grupo em uma atividade corporal, através de métodos de manipulação de massas.

O objetivo do louvor não é incitar a interação grupal, e sim dar glórias a Deus, reconhecendo o que ele fez na minha vida. Se eu não reconheço isto, por que participar de um momento de louvor? Porque o clima do ambiente me induz a participar da coreografia? Porque não quero ficar de fora da atividade da “galera”? Porque “entrei no clima”? Será que esses motivos (ou outros semelhantes) seriam aprovados e aceitos por Deus?

Caberia um estudo mais aprofundado sobre o que é louvor e como ele se encaixa na adoração (não, as duas palavras não são sinônimas…). Aliás, estamos falando de adoração ou de entretenimento?

Mais uma vez recorremos ao Espírito de Profecia para nos ajudar a esclarecer alguns conceitos: “A santificação bíblica não consiste em forte emoção. Eis onde muitos são levados ao erro. Fazem dos sentimentos o seu critério. Quando se sentem elevados ou felizes, julgam-se santificados. Sentimentos de felicidade ou a ausência de alegria não é evidência de que a pessoa esteja ou não santificada.” (Santificação, p. 10)

Nesse equilíbrio, precisamos lembrar que o ritmo nunca deve ser mais enfatizado do que a letra e a mensagem da música. Onde a mensagem é valorizada, os crentes desejarão eliminar qualquer ruído que os impeça de se concentrar na Palavra de Deus.

Concordamos plenamente. Inclusive, desejarão eliminar ruídos de palmas, gritos, etc., visto que estas manifestações tendem à dispersão, e não à concentração. Mas não conseguimos ver a razão pela qual, após afirmar isso, a argumentação prossegue afirmando ao contrário.

Nas Escrituras, até os elementos da Natureza são chamados a bater palmas (Isaías 55:12; Salmo 98:8 e 9). E a própria Bíblia nos recomenda a cantar a Deus com palmas: “Batam palmas, vocês, todos os povos; aclamem a Deus com cantos de alegria. Pois o SENHOR Altíssimo é temível, é o grande Rei sobre toda a terra!” – Salmo 47:1-2.

Uma análise simples do contexto do Salmo 47 indica que não é o povo de Israel que estava sendo chamado a bater palmas, mas sim as nações que haviam sido subjugadas. Ora, será que um povo pagão, que não conhecia Deus, e que acaba de ser vencido em nome dEle, estaria disposto a adorá-Lo?Ou será que o Salmo está dizendo que eles teriam que reconhecer o poder de Deus, porque não teriam outra alternativa? Aliás, é este o contexto da única citação que Ellen White desta passagem, em Review and Herald, 1 de Janeiro de 1914, quando fala do rei Josafá voltando da batalha.

Uma análise exegética da expressão “bater palmas” indica que ela é sempre usada em um contexto de admiração e espanto, não necessariamente no contexto de louvor, elogio ou aplauso, como usamos em nossa sociedade hoje. Inclusive há textos onde esta expressão é utilizada no sentido de rejeição ou reprovação, desprezo e até mesmo zombaria (ver Jó 27:23; Lamentações 2:15; Ezequiel 21:14; 22:13).

Existe também o aspecto simbólico e poético da expressão, pois em Salmos 98:8 e Isaías 55:12 os elementos da natureza são convidados a unirem-se em louvor através de palmas. Evidentemente, esta é uma impossibilidade física, o que não tira a beleza poética da descrição; porém, dificilmente pode ser tomada como parâmetro para a atitude do adorador pensante durante o culto a Deus.

Além disso, de acordo com a referência Strong, a palavra hebraica utilizada neste texto (tâqah) também é traduzida como:

– Soprar, tocar (trombetas) (46 ocorrências)

– Cravar, afixar (com estacas ou cravos) (5 ocorrências)

– Golpear (4 ocorrências)

– Erigir (tendas) (3 ocorrências)

– Empurrar, enfiar (armas brancas) (2 ocorrências)

– Lançar (1 ocorrência)

Portanto, não há justificativa escriturística para utilizar esta expressão como justificativa ao uso de palmas no contexto da adoração a Deus na igreja. Se fosse esta a intenção do Salmo, ou se houvesse uma justificativa coerente para isto, este prática teria sido introduzida no Templo. Porém o relato bíblico nega esta possibilidade.

Agora, existe também aplausos, que se faz a alguém. Nesse caso, também há o risco de haver o desequilíbrio. E o desequilíbrio se dá no exagero, na falta de etiqueta, na descompostura e na exaltação do ser humano acima de Deus. Pode ser que um público bata palmas para um cantor, um pastor, ou qualquer outro ministro, simplesmente “dizendo”, com suas palmas, o seguinte: “Louvado seja Deus, irmão, pelo seu talento! Parabéns por deixar Deus usar a você. Estamos agradecidos por enlevar-nos com seu ministério. Continue se dedicando ao Senhor, que nós continuaremos a lhe apoiar”. Ou, pode ser que, enquanto estiver batendo palmas para um ministro, os adoradores estejam idolatrando-o e esquecendo-se de Deus. Isso é muito subjetivo e difícil de julgar. Mas o povo precisa ser educado quanto a isto. Dentro do equilíbrio, os aplausos de um público para uma pessoa também são bíblicos. II Reis 11:12 diz que as pessoas “aplaudiram” durante as cerimônias de coroação do rei Joás.

Não devemos nos esquecer que o evento da coroação de Joás não foi um culto a Deus; foi um golpe de estado, liderado pelos sacerdotes. Querer utilizar esta passagem para justificar o aplauso de pessoas que estão à frente dos cultos beira o exagero, o que gera algumas perguntas: Qual é o sentido em educar o povo a aplaudir um orador ou um “artista gospel”, em vez de instruí-lo biblicamente acerca da verdadeira adoração? Seria o caso que alguns pastores estão necessitados e carentes de um estímulo popular, da aclamação das massas para cumprir de forma mais completa seu papel de ministros? Veja, não estou afirmando, apenas levantando um questionamento com base no que foi sugerido acima.

Além disso, no único texto apresentado que poderia ser usado para justificar o uso de palmas nos cultos – embora tenhamos demonstrado que há base escriturística para justificar a prática – o bater de palmas é dirigido a Deus. É inconcebível que se deseje utilizar esta argumentação para defender o uso de palmas para acompanhar o ritmo de músicas ou para enaltecer pastores, cantores, ou outros que se apresentam à frente. Há uma evidente dissociação entre a base argumentativa (que já se demonstrou ser falaciosa) e a conclusão a que se pretende chegar com esta lógica. Aliás, o que podemos notar em igrejas que adotam esta prática é que quanto mais virtuosismo um determinado intérprete demonstre, mais aplaudido ele será; ora, se as palmas se dirigem ao “irmão” por estar usando seu talento para Deus, por que as apresentações não são aplaudidas com a mesma intensidade, independente da técnica do cantor, se o dom é o mesmo e o Deus que o concede é o mesmo?

Novamente, o Espírito de Profecia pode fornecer valiosas instruções: “Da santidade atribuída ao santuário terrestre, os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde o Senhor Se propõe encontrar-se com Seu povo. Houve uma grande mudança, não para melhor mas para pior, nos hábitos e costumes do povo em relação ao culto religioso. As coisas sagradas e preciosas, destinadas a ligar-nos a Deus, estão quase perdendo sua influência sobre nossa mente e coração, sendo rebaixadas ao nível das coisas comuns. A reverência que o povo antigamente revelava para com o santuário onde se encontrava com Deus, em serviço santo, quase deixou de existir. Entretanto, Deus mesmo deu as instruções para Seu culto, elevando-o acima de tudo quanto é terreno.” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, p. 491)

Existem aqueles que se escandalizam com as palmas rítmicas ou os aplausos dentro da igreja. Eles alegam: a)Que existem poucas passagens que falem sobre o “bater palmas”; b) Desordem no culto; c) Exaltação do ser humano acima de Deus, o que desonra o Senhor.

Graças a Deus que ainda existem “homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela” (Ezequiel 9:4). Ou será que estes argumentos não são importantes, ou tratam de coisas aceitáveis no culto e podem, portanto ser desconsiderados?

Quanto ao primeiro item, os críticos precisam levar em consideração, que, embora haja poucas passagens que falem sobre bater palmas, não existe uma única passagem bíblica sequer que condene o ato de bater palmas. Isto deixa a crítica em pior situação do que a prática.

Não apenas existem poucos textos que se referem ao bater de palmas na Bíblia, mas também, conforme demonstrado acima, não existe nenhum deles que autorize o seu uso na adoração. Ou seja, ambos (os que se escandalizam e os que defendem esta prática) ficam sem textos bíblicos para defender sua argumentação. Este é um bom motivo para introduzi-la, simplesmente porque achamos que seja conveniente, já que não há proibições? Não nos parece que o argumento da inexistência de proibições seja um bom motivo para implantarmos alguma coisa no culto; grande confusão poderia vir da aplicação deste princípio (alguns exemplos bizarros nos acorrem à mente, mas não pretendemos descrevê-los aqui; cada um poderá usar a sua imaginação…).

Será que não deveríamos utilizar em nossos cultos apenas as práticas que contam com um indiscutível selo de aprovação divina? Ou, por outro lado, será que não seria interessante analisarmos de onde a prática de bater palmas se originou, para compreendermos melhor sua infiltração em nossos cultos, conseguindo assim uma base lógica pela qual seja possível decidir sobre a sua adoção ou rejeição? Além disso, a Bíblia trabalha com princípios, acima de normas; sobre qual princípio bíblico podemos basear a prática de bater palmas?

Quanto aos dois últimos argumentos, podemos claramente perceber que eles se referem muito mais ao desequilíbrio do que à uma prática equilibrada e sadia. No entanto, embora devamos respeitar a esses críticos como pessoas, devemos dialogar e crescer no entendimento de um louvor mais amplo.

Indo ainda mais fundo, cremos que devemos crescer no entendimento do conceito bíblico da verdadeira adoração. É somente a partir daí que podemos validar a nossa prática cúltica, nossa liturgia, nosso louvor, nossa postura enquanto adoradores. Obviamente, este entendimento também passa pelo conceito de Deus, já que a nossa adoração dependerá diretamente de quem ou o que adoramos. E esta é a verdadeira raiz da teologia.

Assim como outros elementos de expressão, como a linguagem falada e a música, bater palmas é também uma questão cultural.

Por esta razão, é importante compreendermos o contexto cultural em que as expressões relativas a bater palmas foram incluídas no texto bíblico. E esta análise nos mostra que este contexto é completamente diferente do nosso, o que nos desautoriza a utilizarmos estas expressões para justificarmos essas práticas no contexto cultural atual. Além disso, o culto é transcultural, ou seja, ele suplanta aspectos culturais, caso interfiram com princípios divinamente apontados.

A igreja deve usar as melhores formas de expressão existentes em sua cultura que levem a maioria a adorar. Se a maior parte dos membros louva, adora, reconhece e interage melhor com as palmas, que as palmas sejam usadas com equilíbrio, para a honra e glória de Deus.

Algumas observações:

a) O papel da igreja é fazer com que o povo louve, para conseguir uma experiência “espiritual” ou é um agrupamento de pessoas dispostas a louvar, por conta de sua experiência espiritual pessoal, que forma uma igreja?

b) Voltamos à questão do equilíbrio, já discutida acima. Mas será que o uso das palmas no culto, pelo que vimos nos escritos de Ellen White é a posição de equilíbrio? Ou esta seria uma posição de entusiasmo, excitação, movimentação de massas?

c) Como bater palmas com equilíbrio? Bater palmas não é uma expressão espontânea de apreciação por parte de um grupo? Não é, por natureza, uma manifestação ruidosa e expansiva?

d) Qual será o próximo passo? Bater os pés? Assobios? Pulos? Gritos? Como traçar uma linha divisória? Se considerarmos que estas últimas manifestações não são apropriadas, não nos esqueçamos que Ezequiel 6:11 e 25:6 citam o bater dos pés; Jó 27:23 cita assobios; Ezequiel 25:6 cita pulos de alegria e Salmos 47:1; 98:8 e Isaías 55:12 citam aclamações se júbilo, todos estes em conjunção com as palmas! Obviamente que para aceitarmos estas manifestações com base nesses textos, será necessário distorcer completamente o seu significado, mas ao aceitarmos as palmas não estaríamos dando uma indicação de que esta distorção pode ser aceitável?

Infelizmente, temos que concluir que a aceitação de palmas nos momentos de adoração, uma prática não encontra base bíblica para justificar-se, não passa de relativismo, puro e barato! Dentro da visão e dos valores do Pós-Modernismo, a verdade é relativa à cosmovisão reinante. Portanto, ela só existe dentro de uma comunidade que compartilha da mesma cosmovisão, não em âmbito universal. Assim, a verdade seria aquilo em que a comunidade decide acreditar. Nós somos Adventistas do Sétimo Dia, povo remanescente, levantado por Deus com uma mensagem específica para o tempo do fim, ou cristãos pós-modernistas? Qual é o nosso conjunto de valores? A vontade de Deus, expressa através da Bíblia e de Sua mensageira para este povo, ou as práticas reinantes nos povos e denominações ao nosso redor?

Que o povo seja educado a compreender tudo o que isso envolve. Por um outro lado, se a maioria das pessoas ainda não consegue se sentir bem com a presença das palmas no serviço de adoração, não compensa usar ali um elemento que não edificará os crentes.

Educar o povo a “compreender tudo o que isso envolve” é o papel a que se propõe o espaço virtual Música Sacra e Adoração. Porém, sendo este um assunto espiritual, esta educação deve ser feita com base em um claro “Assim diz o Senhor”, não no clamor ou no gosto popular, nem nas práticas de outras denominações. Além disso, se este é um elemento que não edifica os crentes, por que defender o seu uso? Se este é um elemento que edifica, por que não há base na Bíblica ou no Esp. de Profecia que indique claramente esta prática?

Mas não podemos olvidar o fato de que muitas de nossas igrejas perdem muito, por não conseguirem alcançar, viver e praticar esse equilíbrio necessário no louvor.

O que será que essas igrejas perdem? Esta é a pergunta que se impõe. Será que a obra de Deus está sendo prejudicada com isso? Por que, então Deus permitiu por mais de 150 anos que a obra sofresse esta tremenda “perda” espiritual, apesar de termos uma mensageira de Deus, com mensagens especialmente direcionadas, para que a obra de Deus crescesse e frutificasse desde o princípio? Ou será que, se este assunto fosse vantajoso à obra e à edificação espiritual do povo remanescente, Deus não teria orientado Seu povo a este respeito desde o início deste movimento?

Mas vamos extrapolar este argumento: Imaginemos por um momento, para fins de argumentação, que a nossa argumentação acima está errada e que o uso das palmas na adoração é uma grande e nova “luz” vinda diretamente dos céus. Se bater palmas no culto é uma “grande descoberta”, com direito a um sonoro “Oh!”, então estamos atrasados, porque pentecostais, carismáticos e movimentos renovados estão na vanguarda dessa prática há muito tempo. Agora, como o povo do Advento poderá convidar outros à verdadeira adoração (Apocalipse 14:6 e 7), se eles mesmos se encontram atrasados e têm que aprender as práticas de outras denominações?

Abaixo são indicados alguns textos que podem complementar este debate. A leitura atenta destes textos demonstrará que a origem, utilização e efeitos desta prática não são de molde a estimular o equilíbrio e nem mesmo o louvor a Deus.

“Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa [batam palmas ou deixem de bater], façam tudo para a glória de Deus” – 1Coríntios 10:31.

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