Guerras na Adoração

por: Samuele Bacchiocchi, Ph. D.

Introdução

Os Adventistas do Sétimo Dia crêem que vivemos hoje nos momentos da contagem regressiva final do grande conflito entre a verdadeira e a falsa adoração, conforme descrito no livro do Apocalipse, através do simbolismo de uma besta que promove a falsa adoração de Babilônia. Esta profecia apocalíptica prevê a Babilônia antitípica guiando todas as nações para a falsa adoração a Deus (Apocalipse 13:16; 14:8; 18:3).

Historicamente, os adventistas têm identificado a Babilônia com o poder do papado, o qual dirigirá o mundo a formas pervertidas de adoração. Embora reconhecendo o papel profético que o papado desempenhou em dirigir muitas pessoas para a adoração no DIA errado, o Domingo, e da MANEIRA errada, através da intercessão de Maria e dos santos, podemos nos questionar se a música rock também desempenhará um papel profético em promover a falsa adoração nos tempos finais!

É significativo que desde o Concílio Vaticano Segundo (1962-1965) a Igreja Católica tem desempenhado um papel principal no movimento de renovação carismática que está agregando cristãos de todos os credos. É um fato conhecido que a batida do rock desempenha um papel importante na experiência religiosa deste novo movimento carismático ecumênico.

Em um recente artigo de capa na revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) de 17 de julho de 1999 intitulado “O Triunfo dos Cânticos de Louvor – Como as Guitarras Expulsaram o Órgão na Batalha da Adoração”, Michael S. Hamilton nota que “Desde os anos 1950 as divisões denominacionais tornaram-se gradualmente menos importantes na vida da igreja americana. Temos muito a agradecer à geração do baby-boom por este fato. Mas no fundo, ainda somos todos sectários; ainda preferimos nos congregar com aqueles que pensam como nós. Nosso novo sectarismo é um sectarismo do estilo de adoração. Os credos do novo sectarismo são os dogmas da música.”

Este novo “sectarismo do estilo de adoração” é caracterizado pela adoção do rock religioso, o qual reflete o gosto, o som e a identidade dos baby-boomers. A batida do rock se tornou de tal forma parte de suas vidas que eles inevitavelmente querem ouvi-la em sua música de igreja também. Se a igreja quer atrair a geração do rock and roll, então é melhor que ela ofereça a música na qual eles estão viciados – ou nada feito. O resultado é que a igreja se torna um local onde as pessoas podem experimentar uma estimulação física similar àquela fornecida por discotecas ou casas noturnas. No final, a adoração se torna um exercício para experimentar a gratificação pessoal, em vez da glorificação divina.

Ao Adventistas Estão se Unindo ao “Sectarismo do Estilo de Adoração”?

As mensagens que recebi por email durante as últimas duas semanas tornaram-me forçosamente consciente do fato de que um número cada vez maior de igrejas adventistas estão se unindo ao novo “sectarismo do estilo de adoração”. Elas aceitam sem qualquer crítica o estilo de adoração das denominações carismáticas, em vez de desenvolverem um serviço de adoração que reflita a mensagem e a missão profética únicas da igreja Adventista.

Esta tendência deveria nos levar a refletir: É possível que algumas igrejas adventistas hoje estejam sendo infiltradas por algumas formas da falsa adoração da Babilônia, contra a qual elas foram chamadas a advertir o mundo? A batalha acerca da adoração, que está se intensificando em nossa igreja Adventista, sugere a possibilidade de que, enquanto estamos tentando advertir o mundo a respeito da falsa adoração, centralizada na criatura e promovida pela Babilônia espiritual, podemos estar permitindo algumas formas desta falsa adoração em algumas de nossas igrejas. As mensagens que irei partilhar com vocês, servirão para reforçar este ponto.

O novo estilo de adoração, com música ritmada, palmas, drama, balanço e, em alguns casos, até mesmo dança, está causando sérios conflitos e divisões em algumas de nossas igrejas Adventistas. A intensidade deste conflito é refletida na maneira apaixonada como alguns estão atacando o novo estudo O Cristão e a Música Rock: Um Estudo dos Princípios Bíblicos da Música. Como você lerá em seguida, alguns chegaram ao ponto de advertir membros da igreja e amigos contra a compra ou a leitura deste livro. Bem aqui, na Universidade Andrews, fui aconselhado a não mostrar este livro em meu estande, durante uma convenção que reuniria várias centenas de pastores e membros leigos de diferentes partes do mundo.

O propósito deste boletim não é colocar combustível no ardente fogo do conflito sobre a música na igreja e estilos de adoração, mas sim ajudar ambos os lados a olhar estas questões com calma, a partir de uma perspectiva bíblica. Em meu ponto de vista, muito deste conflito brota de uma compreensão errada dos ensinamentos bíblicos acerca da música e da adoração. Aqueles que defendem um novo estilo de adoração com música ritmada, palmas, drama e mesmo dança, acreditam sinceramente que a Bíblia sanciona este novo estilo de adoração. Por outro lado, aqueles que se opõe a este novo estilo de adoração descobrem que a Bíblia não permite o uso do tipo de música ou de programas usados para o entretenimento na Casa de Deus.

A questão é: O que a Bíblia realmente ensina com respeito à música na igreja e estilo de adoração? Esta pergunta polêmica é analisada extensivamente, especialmente nos capítulos 6 e 7 deste novo estudo O Cristão e a Música Rock: Um Estudo dos Princípios Bíblicos da Música. Uma vez que nem todos os nossos assinantes já receberam uma cópia do livro, ou talvez não tiveram ainda tempo para lê-lo por inteiro, tentarei neste boletim me referir a alguns dos tópicos da pesquisa concernente a alguns dos comentários recebidos nos últimos dias.

Preparando o terreno para nossa discussão do conflito entre a música na igreja e os estilos de adoração, deixem-me compartilhar alguns poucos relatos recebidos nessas últimas duas semanas. Ler primeiro estes relatos pessoais nos ajudará a avaliar de forma mais completa a extensão e profundidade do conflito que um número crescente de nossas igrejas enfrenta hoje.

A Influência do Rock nas Igrejas Adventistas.

Enviado pelo pastor Charles E. Creech da Igreja de New Haven, Connecticut, que escreveu: “Seu livro O Cristão e a Música Rock é um dos estudos mais abrangentes que já vi sobre o tema. Minha igreja fica em New Haven, CT, e minha congregação está dividida, porque recusou-se a permitir que a bateria entrasse no serviço de culto. Tomei esta posição porque tenho visto a forma como alguns membros respondem quando música ritmada é trazida para a igreja. Eles automaticamente balançam e dançam. Nossa adoração mudaria de maneira fundamental se fosse permitido que a bateria entrasse. A música secular tem feito tal incursão na igreja que dois terços de meus membros estão completamente envolvidos nela e eles ‘já tomaram suas decisões e não querem ser confundidos pelos fatos’!”

“No dia 6 de maio preguei um sermão usando alguns dos materiais apresentados em seu livro e os membros do ‘hip hop’ saíram. Contudo, dois terços da congregação permaneceram e foram edificados. Estamos numa batalha real sobre a música na igreja. A Sra. White adverte-nos em Testemunhos Seletos, vol. II, que o tipo de comportamento que foi manifesto na reunião campal em Indiana, de 13-23 de setembro de 1900, ocorreria novamente nas igrejas antes do encerramento da graça. O que lamento, tremendamente, é que nossa igreja não possua diretrizes específicas sobre qual tipo de música deveria ser permitida em nossas igrejas durante o serviço de culto. Muita coisa é deixada à mercê da opinião do pastor ou dos sentimentos e gostos da congregação”.

Pessoalmente desejo me congratular com o pastor Creech por assumir posição num assunto impopular. Também compartilho de seu pesar pela falha da igreja em dar diretrizes de forma geral sobre a música na igreja. Alguns pastores argumentam que preferem ter seus membros “balançando e dançando” dentro da igreja do que fora dela. Permitir que membros tenham sua própria música ritmada, mesmo que prejudique sua vida espiritual, é como permitir a crianças indisciplinadas seguir seu próprio caminho. Em ambos os casos, o resultado final é um comportamento imaturo e irresponsável.

Um pastor cuidadoso não pode ignorar os problemas espirituais de seus membros; ao contrário, irá ajudá-los a entender e aceitar os princípios morais que Deus tem revelado. Tenho razões para crer que, no final das contas, mais e mais membros irão apreciar os esforços do pastor Creech ao conduzi-los na adoração a Deus na beleza de Sua santidade.

A Influência do Rock nas Escolas Adventistas

A influência da música rock é especialmente sentida nas escolas adventistas. Muitos de nossos líderes compartilham comigo de sua preocupação com o que está acontecendo em suas escolas locais. Por exemplo, a irmã Vasti de Melo, foi convidada a tocar órgão na graduação da 12ª turma, conduzida na igreja Adventista em Washington, DC. Ela escreve: “Cheguei lá um pouco antes da hora prevista, para experimentar um pouco o instrumento antes que a programação começasse. Para minha total surpresa e comoção, não acreditei quando entrei no prédio da igreja e ouvi ‘música’ do tipo rap (se ainda pudesse chamá-la assim), fortemente ritmada, proveniente da direção geral do santuário. Quando minha filha de 22 anos e eu chegamos às portas do santuário, encontramos três moças de 13 anos de idade na plataforma, com microfones nas mãos, duas delas vestidas com saias bem apertadas e curtas, cantando (?) uma nova versão de ‘Pomp and Circunstance‘. Uma das moças em questão estava dançando de um modo sexualmente sedutor, algo que eu só havia visto sendo usado na TV para anunciar algum filme que tinha dançarinas de boates fazendo esse tipo de movimento”.

Quando a irmã Melo informou aos líderes do programa que ela achou aquela execução “extremamente ofensiva”, a maioria respondeu dizendo: “Elas só estão se comportando como jovens normais de 13 anos, você não deveria se sentir tão ofendida assim”. Esta resposta reflete uma liderança responsável? A irmã Melo não pensa assim. Ela diz: “Minha resposta foi que se isso poderia acontecer lá naquela noite, eu não tomaria parte no serviço e eles teriam que encontrar outra organista, porque eu iria embora. E se eles decidissem fazer isso assim mesmo, depois do início do programa,  eu me levantaria com minha filha e sairia no meio da programação”.

Ela continua dizendo: “Felizmente, nosso vice-diretor, que sinceramente concordou plenamente comigo, conseguiu cancelar parte das atividades planejadas para a noite. No entanto, todo este episódio deixou minha filha, que freqüentou esta escola por 11 de seus 12 anos de educação fundamental e ensino médio, e eu tão abaladas que estamos analisando seriamente qual será nossa posição sobre este assunto”.

A Influência do Rock no Exterior

Posso concordar com a irmã de Melo, porque em várias ocasiões também me senti profundamente ofendido pelo tipo de música de discoteca que foi tocada antes de meu sermão ou palestra em reuniões adventistas na América e exterior. O problema não é restrito aos EUA. Bandas de rock adventistas estão se tornando um elemento regular em reuniões de jovens e cultos nas igrejas em muitos países ocidentais. No capítulo 11 de O Cristão e a Música Rock, Güenter Preuss, que atualmente trabalha como Diretor da Conferência de Baden-Wuerttemberg da IASD, na Alemanha, discute os enormes problemas que as bandas de rock adventistas estão causando em nossa igreja na Alemanha.

Um estudante de teologia da Faculdade Avondale, na Austrália, enviou-me uma mensagem franca, intitulada “Eu Estou Confuso”. Não mencionarei seu nome, porque não tive tempo de receber sua permissão para postar seu nome. Ele escreve: “Sou estudante de teologia na Faculdade Avondale. Brevemente, minha experiência é que fui um adolescente rebelde, vivendo no centro do adventismo aqui na cidade de Cooranbong [onde a Faculdade está situada]. Sou músico e desisti da influência do heavy metal e grunge quando entreguei meu coração a Jesus”.

Ele continua dizendo: “Entendo o poder da música bem como a natureza sutil do diabo quando se trata de música. O que realmente me confunde é a ‘música cristã’. Cresci acostumado a ela. Como você bem sabe, a Austrália se tornou um dos líderes mundiais no estilo de música na adoração congregacional, cuja maior parte vem da Igreja Pentecostal”.

Ele expressa duas preocupações. Primeiro, gostaria de saber onde estabelecer o limite entre a música contemporânea que é “aceitável e aquela que não é”. Segundo, está preocupado de que os jovens da IASD sejam incrivelmente influenciados por esse estilo, sem saberem que é a música “praticada pela Igreja Pentecostal”. Ele termina com esta declaração: “A música está transformando a adoração num espetáculo e nós estamos sendo engolidos aqui na Faculdade Avondale. Agradeço a você por seu tempo e que Deus lhe abençoe e lhe ilumine ao fazer Sua obra”.

Posso relatar os comentários desse jovem porque experimentei, em primeira mão, o que ele descreveu, em um círculo de palestras pela Austrália, em 1999. Em um acampamento de jovens testemunhei numa noite, pela primeira vez, uma banda de jovens de aparência hippie, estourando em altos decibéis, música rock de ritmo pesado, com a iluminação de luzes pulsantes de discoteca, efeitos com fumaça e todos os adornos típicos de uma boate. Ninguém poderia dizer o que eles estavam cantando, porque o volume excessivo abafava as vozes. De fato, foi uma experiência chocante para mim. Senti-me como se tivesse desembarcado numa boate e não num lugar de adoração.

Poucas semanas depois tive uma experiência semelhante na América do Norte. Isto me convenceu de que a adoção de músicas tipo rock deixou de ser um problema isolado, mas uma tendência mundial que está ganhando impulso nas igrejas adventistas, como no resto do mundo cristão.

A Música Rock na Universidade Adventista do Sul

Parece que até mesmo instituições conservadoras como a Universidade Adventista do Sul, considerada por alguns como o último refúgio seguro para jovens adventistas, enfrentam o problema da música rock. Deixe-me compartilhar com você um breve testemunho de Jonathan Lovitt, um estudante de 23 anos que freqüenta a universidade. Ele me deu permissão para citar sua carta.

Lovitt escreve:

“Venho de uma experiência de freqüentar boates de forma regular antes de entregar minha vida ao Senhor. Não esperava encontrar música techno na universidade, mas encontrei”. Ele continua relatando um incidente recente.

“No final do semestre fui a uma festa chamada Strawberry Feast [Festa do Morango]… Conforme me aproximei do ginásio onde a festa aconteceria, pude ouvir com clareza uma batida forte que vinha do prédio. Quando já estava quase à porta, dois de meus colegas, que vinham a poucos passos atrás de mim, disseram um ao outro, ‘Ah, com certeza é bom ouvir música como esta vinda de uma instituição adventista’. Achei esse comentário muito preocupante. Mas disse a mim mesmo, ‘vou ver o que está acontecendo’.”

“A primeira coisa que vi quando entrei no edifício, foi uma fumaça densa e escura que era soprada no recinto por ventiladores. Luzes multicoloridas ofuscantes estavam piscando, sem mencionar a música que agora estava mais alta e invasiva. As pessoas se levantavam das cadeiras que tremiam pela batida. Eu saí logo em seguida, porque achei a atmosfera opressiva. No dia seguinte falei com uma de minhas amigas que tinha comparecido à festa. Para minha surpresa ela disse que achou que o programa foi muito espiritual. Fiquei pasmo e só disse, ‘Oh, sério’?”

“Os capítulos de seu livro que estou lendo, tem sido uma experiência reveladora para mim. Cheguei à conclusão de que a música rock não estimula um caráter como o de Cristo. A razão principal para esta carta é te fazer saber que o que aconteceu na Andrews não foi um incidente isolado. Todos da universidade parecem ser influenciados pelo rock. Que Deus continue a abençoar nossa igreja e a seus líderes com uma visão clara e força para seguirem a Palavra e o Caminho para a glória de Deus.

Deus o abençoe,

Jonathan Lovitt”

A amostra dos testemunhos citados acima é suficiente para nos alertar quanto à magnitude que o problema que a música rock está causando num número crescente de igrejas e instituições adventistas. Faço votos de que a próxima Sessão da Conferência Geral resolva esta questão, e formule algumas diretrizes básicas para a música apropriada para adoração na igreja e entretenimento social. Duvido que isto aconteça. Este assunto é tão explosivo e divisor, que nossos líderes e delegados muito provavelmente não tocarão nele. Infelizmente, este assunto não pode ser resolvido colocando-o debaixo do tapete.

A Implicação da Controvérsia da Música

Uma mensagem de e-mail que recebi poucos momentos atrás diz que toda esta controvérsia sobre a música está fora das proporções, porque escolhas musicais são pessoais e amplamente influenciados pela cultura. Tenho a tendência de discordar, porque acho que em toda a cultura existe uma distinção entre o que é considerado música sacra para adoração e música secular para o entretenimento.

Passei mais de cinco anos trabalhando como professor de Bíblia na Etiópia e viajei por muitos países africanos. Para mim foi uma experiência memorável em inúmeras ocasiões testemunhar nossos crentes africanos cantarem com animação em suas reuniões religiosas. Posso testemunhar que nunca ouvi nossos crentes cantarem o tipo de ritmo da música vodu, tão comum em sua cultura pagã. De acordo com nosso gosto Ocidental, seu canto é monótono porque ocorre em torno de uma pequena gama de notas, mas é certamente diferente da música tocada em sua cultura pagã.

Existe mais na controvérsia sobre o rock religioso do que aquilo que está à vista, porque através dos hinos que cantamos e os instrumentos que tocamos durante o culto de igreja expressamos o que acreditamos sobre Deus, Sua natureza e Sua revelação para nossa vida presente e destino final.

A música define a natureza da experiência de adoração, revelando a maneira e o objeto de nossa adoração. Quando a música é orientada para a satisfação do eu, então a adoração reflete a elevação da nossa cultura das pessoas acima de Deus. A inclinação hedonista de nossa cultura pode ser vista na popularidade crescente de várias formas de música rock usada para adoração na igreja, porque elas provêem fácil auto-satisfação.

Muitos cristãos reclamam de que os hinos tradicionais da igreja são mortos, porque não apelam mais a eles. Um pastor, que citarei em seguida, chama os hinos tradicionais de “tragédias tradicionais”. Ao contrário, a música rock religiosa contemporânea dá a eles uma “coice” – uma sensação prazerosa. Aqueles que clamam para que a música da igreja lhes ofereça satisfação pessoal, ignoram que estão buscando uma excitação física centrada no eu, em vez de uma celebração espiritual, centrada em Deus, de Suas atividades criativas e redentoras.

O Empurrão para a Música Contemporânea Ritmada

Enquanto alguns estão angustiados pela adoção do rock religioso, outros estão pulando para ela com toda força. Eles acreditam que a música pop religiosa contemporânea é o cumprimento profético do “novo cântico” bíblico, porque as canções pop têm letras e melodias “novas”. Um estudo do “novo cântico” na Bíblia revela o contrário. A frase “novo cântico” não se refere a uma nova composição, mas sim a uma nova experiência, a qual torna possível o louvor a Deus com um novo significado.

Por exemplo, Davi disse: “A ti, ó Deus, entoarei novo cântico; no saltério de dez cordas, te cantarei louvores. É ele quem dá aos reis a vitória; quem livra da espada maligna a Davi, seu servo” (Salmos 144: 9-10). Aqui o “novo cântico” não está associado a letras simples ou com mais ritmos de música, mas a uma experiência única da divina entrega que inspirou Davi a cantar com um novo sentido de gratidão os hinos de louvor.

Alguns pastores parecem determinados a introduzir em suas igrejas instrumentos de banda de música rock, mesmo que isso signifique dividir a congregação. Tenho em minha frente uma carta acompanhada de uma dúzia de documentos enviados a mim esta semana por uma irmã que está sofrendo pelo novo estilo de adoração e o ritmo da música que seu pastor está promovendo. Os documentos em anexo incluem uma petição assinada por aproximadamente metade dos membros da igreja que se opõem ao novo tipo de adoração, e enviados ao Presidente da Conferência; a resposta do presidente que encoraja os membros a “descobrirem um denominador comum para que ambos possam conviver com isso”; cartas ao pastor e a Doug Batchelor; uma carta apelando para que eu ajude.

Infelizmente os apelos desses companheiros crentes têm sido em vão. Nossa irmã escreve: “Nosso pastor continua a promover o carismatismo, um tipo pentecostal de culto de adoração com suas bandas e músicas altas. Nossa igreja está completamente dividida em meio àqueles que se opõem à proposta e que são rotulados de encrenqueiros e ao cumprimento da profecia do tempo do fim, porque não podem compactuar com este estilo de adoração ou apoiar a posição do pastor neste assunto…

“Quero agradecer a você por sua postura e investigação sobre este tema. É bom saber que alguém está falando sobre isto e que pode chamar a atenção daqueles que têm autoridade e esperançosamente conseguem com que eles os escutem. Mantenha o bom trabalho. Sinceramente,….”

Às vezes, desejo que pudesse estar numa posição de ajudar meus companheiros que vêm a mim pedindo por orientação e ajuda. Mas sou apenas um estudioso da Bíblia e não administrador da igreja. Não tenho nenhum direito de interferir nos negócios de igrejas locais. Tudo o que posso fazer é compartilhar minha pesquisa e pedir a Deus que dê aos nossos pastores e membros sabedoria e coragem para seguir os princípios que Ele revelou em Sua palavra.

Uma Tentativa de Difamar meu Caráter e Pesquisa

A tentativa mais notável de difamar meu caráter e o meu mais recente livro sobre música é do pastor Thomas M. Hughes, que atualmente trabalha como pastor em West Virginia. Conheço Tom há muitos anos. Na realidade, ele me convidou duas vezes para apresentar meu seminário sabático em suas igrejas. Tom é um bom homem, penso que sua carta que circula contra mim pode sugerir outra coisa. Ele está envolvido de forma apaixonada em apresentar à sua congregação um novo estilo de adoração com palmas e canções rítmicas no qual ele os dirige com seu violão. Sua crítica negativa deve ser entendida neste contexto. Ele se comprometeu a ler o livro que lhe enviei com prioridade pelo correio. Não ficaria surpreso se ele se desculpasse por e-mail depois de ler o livro. Digo isto porque conheço a sinceridade de Tom. Citarei as partes principais de sua carta-circular e carta pessoal, sendo que ambas foram enviadas por e-mail a colegas de trabalho, membros de igreja e amigos.

Estas São Partes da Carta Circular:

Aos meus colegas de trabalho e outros da igreja que estão em minha lista de e-mail.

Recentemente, o pastor Bacchiocchi publicou outro de seus livros controversos e divisionistas sobre outro assunto que está causando muito dano em nossas igrejas. Meu objetivo é apelar a você que não o recompense, ajudando a propagar seus materiais divisionistas. Não compraremos seu livro, nem encorajaremos sua ‘Guerra da Desunião’. Como alguém que busca o melhor e ao máximo as visões de unidade de cada lado, e alguém que acredita na unidade de nosso povo e não na desunião, apelo tanto aos conservadores quanto aos celebracionistas como eu a parar as hostilidades e a encontrar um meio termo onde possamos achar um denominador comum…

Conheço Sam por 25 anos e estou profundamente preocupado pela direção que ele tem adotado em anos recentes. Fui diretamente a ele, como também na Universidade Andrews, mas em vão. Minha esperança é que você não encorajará este tipo de sensacionalismo para ganhar dinheiro, nutrindo visões extremas para satisfazer à direita extremista de nossa igreja. O fosso à direita é tão ruim quanto o da esquerda. Você [sic] a lugar algum, não importa o que [sic] você caiu. Como Deus disse a Josué, ‘não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares…

Que Deus lhe dê sabedoria, à medida que você O adora em “Espírito e em verdade”.

Pastor Tom Hughes

Esta é Carta Pessoal que Foi Anexada à Carta-Circular

Sam,

II Coríntios 5:18 “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação“.

Numa época em que o inimigo das almas deleita-se em ver homens como você lançando gasolina nos fogos da discórdia na igreja e aprecia a divisão que você está causando, alguns de nós estamos tentando ser ministros da reconciliação. Você tem alguma sensibilidade do dano e divisão que causa? Sua avareza e orgulho desenfreados nas vendas estão se tornando surpreendentes. Você condena a música dos jovens e perdoa a tragédia tradicional, ignorando o caminho do centro onde está a verdade. Por favor, perdoe minha linguagem enérgica, mas você não é um homem que aceita sugestões.

Você faz comentários do tipo os tamborins e outros instrumentos de percussão nunca foram usados na adoração. Sua falha grosseira em conhecer as Escrituras é surpreendente, considerando sua educação

Salmos 68: 24, 25 “Viu-se, ó Deus, o teu cortejo, o cortejo do meu Deus, do meu Rei, no santuário. Os cantores iam adiante, atrás, os tocadores de instrumentos de cordas, em meio às donzelas com adufes

I Crônicas 25:6 “Todos estes estavam sob a direção respectivamente de seus pais, para o canto da Casa do Senhor, com címbalos, alaúdes e harpas, para o ministério da Casa de Deus.

Donzelas com adufes vão ao Santuário em procissão. Enviei a você muitas outras passagens das Escrituras sobre este assunto. Você já leu seu e-mail? Depois de quatro viagens a Israel, estou impressionado com a sua falha, até mesmo de uma compreensão simplória da música judaica ou da forma como ela era usada na adoração. Por mais fútil que seja, volto a dizer, seja um ministro da reconciliação e não um ministro da discórdia e agressividade. Reconcilie os dois grupos, assumindo uma direção moderada.

Que Deus abra os olhos daqueles que não vêem e ouça àqueles que não ouvem. Rejeito os extremos e escolho, ao contrário, ser um ministro de reconciliação, conduzindo adoradores de todas as idades a virem se unir em amor e adora Jesus.

Pastor Tom Hughes.

O documento continua com duas páginas de “Textos da Bíblia sobre o Tema da Adoração a Deus com Aplausos e Levantar as Mãos”

Bacchiocchi Responde

Ambas as cartas, que foram enviadas juntas, tentam difamar minha inteireza moral e desacreditar minha pesquisa. Responderei apenas resumidamente aos ataques sobre meu caráter, concentrando-me, em vez disto, no argumento de Tom de que as palmas e instrumentos de percussão foram usados no santuário.

Ministério de Divisão? A acusação de que eu me deleito “lançando gasolina nos fogos da discórdia na igreja”, motivado pela “avareza e orgulho desenfreados nas vendas” de livros, é abertamente contradita pelos frutos de meu ministério. Durante meu ministério da palavra falada e escrita, procurei ser um edificador e não um demolidor, construtivo e não destrutivo. O resultado foi que milhares de pessoas, em muitas partes do mundo, têm aceitado nossa mensagem e assumido um compromisso com Cristo. Ser investido “do ministério da reconciliação” não significa que devemos comprometer princípios para o bem da unidade. Nossa missão como líderes é ajudar nosso povo a entender e experimentar mais completamente os princípios revelados na Palavra de Deus. A verdade nunca foi popular. Ela levou Cristo à cruz. Podemos esperar ainda hoje uma certa oposição quando a verdade é proclamada.

Sua reivindicação de ser ministro da reconciliação parece ser contradita pela divisão que você tem causado em nossa própria igreja. No ano passado, quando você me convidou para ir a sua igreja, seu primeiro ancião veio me apanhar no aeroporto, compartilhando comigo durante o percurso de duas horas, como muitos de seus membros estão profundamente ofendidos pelo estilo de adoração casual que você tem introduzido. Na realidade, seu primeiro ancião disse-me que muitos membros, inclusive alguns de seus parentes, não estão mais indo à igreja. Este fato levanta várias questões sobre a natureza de seu “ministério de reconciliação”.

Avareza e Orgulho Desenfreados? A alegação de que meu ministério é motivado pela “avareza e orgulho desenfreados”, é desacreditado por alguns fatos claros. Quando meu último livro O Cristão e Música Rock: Um Estudo dos Princípios Bíblicos da Música saiu da prensa, distribuí mais de 1.000 exemplares gratuitos, como presente líderes das Associações, membros do corpo docente da Universidade Andrews, professores do Seminário e estudantes do ministério. Inclusive o Tom recebeu um exemplar gratuito que o enviei como prioridade pelo correio. Além disso, ofereci este livro oportuno, volumoso (384 páginas) com a oferta de 26 exemplares por apenas $170,00, com a postagem paga. Isto representa $6,50 a cópia, em vez do preço normal de $20,00. Se eu fosse vítima de “avareza desenfreada” não distribuiria este livro por um preço tão baixo, especialmente porque investi mais de $50.000,00 neste projeto. De fato, este foi o mais caro dos 15 livros que publiquei, porque tive que pagar pelos serviços de seis músicos profissionais distintos de cinco países diferentes.

O Novo Livro de Música Está “Causando Muito Dano em Nossas Igrejas”? A alegação de O Cristão e Música Rock é um livro que traz discórdia “causando muito dano em nossas igrejas”, é desacreditada por muitos fatos. A publicadora Review & Herald pediu a seu Comitê de Publicações e a alguém da Conferência Geral (CG) para revisar o livro, antes de adquirirem 2.000 cópias. Se nossa principal editora tomou a iniciativa e responsabilidade em promover e distribuir este livro, então ele dificilmente é danoso e divisionista.

O livro foi aprovado também por Humberto M. Rasi, Diretor do Departamento de Educação da CG. Ele escreveu:

Samuelle:

Agradeço-lhe por nos enviar um exemplar do livro O Cristão e Música Rock. Comecei a lê-lo e o achei interessante e criterioso. Você reuniu um grupo qualificado de autores, alguns dos quais conheço pessoalmente. Compartilho das preocupações que o levaram a publicar este livro. Parabéns!

Gostaria de sugerir que planejamos chamar a atenção deste livro aos leitores da Revista Diálogo Universitário, dando a ele uma exposição internacional ao redor do mundo…

A carta continua esquematizando o plano para divulgar o livro pelo mundo e me pede para apresentar um breve resumo do livro sobre “Dança na Bíblia”.

Advertência para não Comprar o Livro? A advertência para não comprar O Cristão e Música Rock, faz-me lembrar da política católica do passado em colocar livros protestantes no INDEX (uma lista de livros, filmes, etc., proibidos) e de advertirem os membros de não lerem nem comprem tal material. Tal política nunca funcionou e foi abandonada pela Igreja Católica. Não há necessidade de introduzir isso agora em nossa igreja. A melhor estratégia é ensinar as pessoas como pensar e examinar por si mesmas os ensinamentos da Palavra de Deus.

Bachiocchi é Ignorante? Tom alega que sou um ignorante grosseiro das Escrituras, porque declaro no livro de música que “tamborins e outros instrumentos de percussão nunca foram usados na adoração. Sua falha grosseira em conhecer as Escrituras é surpreendente, considerando sua educação”.

Tom está correto. Sou um ignorante em muitas áreas. Mas odeio a ignorância e tenho um profundo desejo de aprender. É por isso que nos últimos 20 anos tenho sido professor de meio expediente com salário pela metade, com o objetivo de ter mais tempo para investigar verdades bíblicas. Para descobrir o que a Bíblia ensina com relação à música despendi muitos meses lendo uma média de 15 horas por dia, todos os dados bíblicos e estudos acadêmicos sobre o assunto.

É fato indiscutível que tamborins e outros instrumentos de percussão nunca foram usados no Templo, sinagoga e na igreja primitiva. Esta questão foi examinada por um número de estudiosos citados no livro. Os dois textos citados por Tom (Salmos 68:24,25; I Crônicas 25:6), não apóiam sua alegação de que “em meio às donzelas com adufes iam ao santuário”. O fato é que não eram permitidas mulheres no Pátio Interior do Templo. Elas tinham acesso somente ao que era conhecido como “O Pátio das Mulheres”, uma área ao oriente do templo e separado por uma parede.

Uma leitura cuidadosa de Salmos 68:24,25 em seu contexto, indica que salmo celebra a liderança vitoriosa do Senhor e Sua jornada desde o tempo do Êxodo até os dias do salmista. Considerando-se que o Santuário é o lugar onde a vindicação de Deus sobre Seu povo é revelada, o Senhor é retratado, figurativamente, como conduzindo uma jornada para Seu santuário. Na realidade, esta é a tradução da Nova Versão Internacional: “Já se vê a tua marcha triunfal, ó Deus, a marcha do meu Deus e Rei adentrando o santuário“. As donzelas participam nesta marcha figurativa celebrando a vitória sobre os inimigos de Israel. Isto não tem nada a ver com tocar tamborins nos verdadeiros serviços do Templo.

O segundo texto citado por Tom é I Crônicas 25:6: “Todos estes estavam sob a direção respectivamente de seus pais, para o canto da Casa do Senhor, com címbalos, alaúdes e harpas, para o ministério da Casa de Deus“. Aparentemente Tom assume que o uso de címbalos indica que a música no Templo tem uma batida rítmica como a música rock de hoje, e, conseqüentemente, a Bíblia não proíbe instrumentos de percussão e a música rock na igreja de hoje.

Tal argumento ignora o fato de que, como John Kleining explica em sua tese The Lord’s Song: The Basis, Function, and Significance of Choral Music in Chronicles, [O Cântico do Senhor: A Base, Função e Significado da Música de Côro em Crônicas] “os címbalos não eram usados pelo líder do canto para dirigir o cântico batendo o ritmo da canção, mas, ao contrário, para anunciar o início da canção ou de uma estrofe. Uma vez que eram usados para introduzir o cântico, eles eram manejados pelo líder do coro em ocasiões ordinárias (I Crônicas 16:5) ou pelos três líderes das dos naipes em ocasiões extraordinárias (I Crônicas 15:19)… Visto que os trompetes e os címbalos eram tocados juntos para anunciar o início do cântico, os músicos de ambos os instrumentos eram chamados ‘os que haviam de tocar’ em I Crônicas 16:42.

Em seu livro Jewish Music in Its Historical Development, [Música Judaica em Seu Desenvolvimento Histórico] A. Z. Idelsohn observa que na adoração do Templo apenas um par de címbalos era utilizado, e apenas pelo próprio líder. “Os instrumentos de percussão eram reduzidos a apenas um címbalo que não era empregado na música propriamente dita, mas somente na marcação das pausas e interlúdios”.

De modo semelhante, e seu livro Rhythm and Tempo, [Ritmo e Tempo] Curt Sachs explica, “A música no templo incluía címbalos, e o leitor moderno poderia concluir que a presença de instrumentos de percussão indicaria ritmos precisos. Mas há pouca dúvida de que os címbalos, como em qualquer outro lugar, marcavam o fim de uma linha e não o ritmo dentro de um verso… Não parece existir uma palavra para ritmo no idioma hebraico”. O termo “Selá”, que ocorre em alguns salmos para marcar o fim de uma estrofe, poderia indicar o lugar onde os címbalos seriam tocados.

Bater Palmas no Santuário. Para sustentar sua alegação de que a Bíblia apóia a adoração a Deus com aplauso (bater palmas) em Seu santuário, Tom cita sem qualquer comentário os seguintes textos: I Reis 8:22, 38, 54; II Reis 11:11-12; II Crônicas 6:12, 13, 29; Neemias 8:6-10; Salmos 282; 47:1,2, 5-7; 63:1-4; 66:1-2; 88:9; 98:1, 4, 6, 9; 119:48; 138:1; 141:2; 143:6; Is 55:12; Lamentações 2:19; 3:41; I Timóteo 2:8; Hebreus 13:15.

Não precisamos nos deter nessa alegações, porque nenhum destes textos citados se referem à adoração a Deus com aplauso em Seu santuário. Muitos dos textos falam em “erguer as mãos” para o céu. Parece que Tom acha que isto significa aplaudir. Mas não significa. Erguer as mãos era uma postura de respeito durante a oração. Nós enlaçamos as nossas mãos e eles erguiam as deles. Isto não tem nada que ver com bater palmas durante o serviço de adoração.

Em minha visão, aplausos durante o serviço de culto, não apenas não possuem sanção bíblica, mas também dão a impressão de estarmos em um lugar de entretenimento onde os apresentadores são aplaudidos. Aplaudir um palestrante ou cantor na igreja pode levar as pessoas a esquecer que estão na igreja para adorar a Deus, e não para louvar um apresentador.

Um Esclarecimento Final. Tom e outros assumem que aqueles que contribuíram para O Cristão e Música Rock, são um grupo de radicais, que condena todas as formas de Música Contemporânea, e defende o uso exclusivo dos hinos tradicionais, ou ao que o Tom chama “a tragédia tradicional”. Esta suposição está errada. O objetivo deste estudo não é rejeitar toda música contemporânea como sendo “rock”. Acredito que não falo só por mim, mas também pelos contribuintes deste projeto quando digo que há muitas canções contemporâneas com músicas e palavras apropriadas para a adoração divina.

Durante os últimos dez anos preguei em muitas igrejas adventistas onde pequenos grupos conduzem o “Serviço de Louvor”, usando hinos e canções contemporâneas que são normalmente projetadas em uma tela. Algumas dessas canções são triviais e superficiais na melodia e na letra, mas o mesmo também é verdade para alguns hinos. Posso suportar alguns corinhos triviais repetindo a mesma palavra ad nauseam, contanto que eles não sejam o único repertório do culto na igreja.

Porém, algumas das canções contemporâneas exalam genuína devoção, tal como “Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus!” Tanto a melodia quanto as palavras desta canção, expressam adequadamente o anelo espiritual de uma alma sincera. Assim, seria injusto rotular todas as canções contemporâneas como “rock”. Aliás, meu filho mais novo, Gianluca, informou-me que a música “Bem-vindos ao Lar, Filhos”, que nós usamos numa gravação especial em vídeo há alguns anos atrás, intitulada “Sabbath in Songs” (O Sábado em Cânticos), é uma canção contemporânea. Isto me mostrou que usei música contemporânea em meu ministério sem nem me aperceber disto.

Para mim, o critério não é se uma canção é velha ou contemporânea, mas sim se sua música, letra e a maneira de cantar estão em conformidade com o princípio bíblico da música de adoração. Ao contrário das concepções erradas prevalecentes, a Bíblia diferencia claramente a música usada para o entretenimento social e a música digna da adoração a Deus. Esta distinção vital é apresentada no Capítulo 7, “Princípios Bíblicos de Música” que é o mais longo e, provavelmente, o mais importante deste livro.

Algumas canções contemporâneas estão em conformidade com o princípio bíblico de música para adoração. Por exemplo, a canção mencionada anteriormente “Bem-vindos ao Lar, Filhos”, tem uma melodia e letra que falam ao meu coração quando cantadas de maneira reverente. Atente às palavras:

Um grande dia está chegando
os portões do céu amplamente se abrirão,
e todos nós que amamos ao Senhor entraremos.
Unidos com nossos familiares
que em Jesus Cristo morreram
nossa vida eterna juntos começaremos.

É difícil não se comover pela música e mensagem desta canção contemporânea. Esperamos que estas experiências e comentários pessoais assegurem aos leitores que este livro não foi escrito por um “grupo de fanáticos” determinados a atacar toda a música contemporânea como “rock satânico”. Nosso objetivo é sermos construtivos e não destrutivos. Queremos ajudar os cristãos sinceros, de todas as correntes de opinião, a entenderem melhor os princípios bíblicos que deveriam nos guiar na escolha da música apropriada para uso pessoal e para o uso na igreja.

Conclusão. Os cristãos deveriam responder à música rock, escolhendo boa música que respeite o equilíbrio apropriado entre melodia, harmonia, e ritmo. O equilíbrio apropriado entre estes três reflete e promove a ordem e o equilíbrio em nossa vida cristã entre os componentes espiritual, mental e físico de nosso ser. A música boa e equilibrada pode contribuir e contribuirá para manter nosso “… espírito, alma e corpo … conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Tessalonicenses 5:23).

No limiar de um novo século e de um novo milênio, os cristãos têm uma oportunidade sem precedentes de construir sobre sua rica herança de música religiosa. Numa época quando a tentativa é substituir hinos sacros por canções seculares, que estimulam fisicamente as pessoas em vez de enlevá-las espiritualmente, é bom lembrar que Deus chama-nos a adorá-Lo na “beleza de Sua santidade” (I Crônicas 16:20; cf. Salmos 29:2; 96:9).

Santidade na adoração evita repetições triviais na música e nas palavras. Santidade na adoração rejeita a batida degenerada e o estilo sussurrado de artistas pop. Santidade na adoração exige comprometimento razoável aos padrões mais elevados da apresentação. Santidade na adoração é verdadeiramente adorar ao Senhor com nossa máxima reverência e respeito.

Nossa música de adoração deveria refletir a música que esperamos cantar na companhia do Pai e do Filho no mundo porvir. Pai, Filho e Espírito Santo são honrados por nossa música? Podemos imaginar cantar a música da nossa igreja no dia em que nos levantarmos diante da indescritível majestade do Deus triúno? Paulo nos lembra que “nossa cidadania é celestial” (Filipenses 3:20, NVI). Isto significa que cada aspecto de nossas vidas, inclusive nossa música, deveria ser vista como uma preparação para aquela experiência gloriosa na Nova Terra, onde, como Ellen White expressa, “uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação” (O Grande Conflito, p. 678).


Fonte: Boletim Informativo Endtime Issues No. 48 de 23 de Junho de 2000, disponível em http://www.biblicalperspectives.com/endtimeissues/eti_48.html

Traduzido por Mauro Brandão em Dezembro de 2008