Dirigidos pelo Espírito ou Orientados por Propósitos? – Parte 09

por: Berit Kjos

Como Lidar com os Resistentes

“Também acredito que os pastores sejam os agentes de mudança mais estratégicos para lidar com os problemas que a sociedade enfrenta.” – Rick Warren [1,  p. 20]

“Um agente de mudança… deve conhecer o processo de transformação, deve saber como ele ocorre e as atitudes, valores e comportamentos que normalmente agem como barreiras… Ele deve conhecer quem em seu sistema são os ‘defensores’ ou resistentes às inovações…. Procure identificar os resistentes antes que eles começem a criticar e a falar com os outros.” ,  p. 122] Ronald G. Havelock, The Change Agent’s Guide to Innovation in Education

“Os líderes da transformação também precisam estar preparados para lidar com os membros que decidem ‘ficar e lutar'” [3,  p. 91] Leading Congregational Change.

Após a publicação da Parte 8 desta série, Os Grupos Pequenos e o Processo Dialético, recebemos uma torrente de cartas de cristãos preocupados do mundo inteiro. Eles observaram como o foco de suas igrejas mudou do ensino baseado na Bíblia para as experiências orientadas por propósitos. Muitos sentiam que havia alguma coisa errada mas não conseguiam definir o problema. Alguns ficaram imaginando como a direção de Deus se enquadra nesse sistema rigidamente controlado criado pelo homem. Eles tinham feito perguntas, mas ninguém conseguia acalmar suas preocupações. Eles tinham tentado advertir seus pastores e amigos, mas foram refutados. Alguns até ouviram a orientação que deveriam procurar outra igreja. Todos compartilhavam a dor da rejeição. A carta a seguir de Pat Johnson ilustra a luta enfrentada por aqueles que não podem, com uma consciência limpa, continuar em uma igreja que adota os métodos transformacionais de administração e de marketing do mundo.

“Acabo de ler ‘Os Grupos Pequenos e o Processo Dialético’. Absolutamente certeiro! No fim dele, li este parágrafo que chamou minha atenção: ‘No Movimento de Crescimento de Igrejas de hoje, os resistentes normalmente são peneirados bem cedo no processo. Na próxima parte, veremos alguns dos modos como os não-conformistas são avaliados, expostos, vilificados e removidos das igrejas que eles amavam, serviram e suportavam.'”

“Fui forçada a sair de duas igrejas por ser esse tipo de ‘resistente’. Sou uma mulher normal, mãe de filhos e professora que não se conformava e, como você disse acima, tem sido evitada e vilificada. Isso me causou uma considerável dor no coração e muito tormento. Há anos, venho lutando com o choque de perder a família de minha igreja e por ser rotulada como divisiva.”

“O único modo em que pude passar por isso foi retornar para meu Senhor e confiar em Sua Palavra somente. Durante anos, eu não percebi realmente que tinha me afastado Dele. Então, quando a tempestade chegou, eu não tinha os meios para resistir. Mas, pela graça e misericórdia de Deus, consegui superar o inferno mental que a vergonha e a exclusão criaram…”

Vilificar e envergonhar os ‘resistentes’ não é nada novo. Os profetas do Antigo Testamento, como Jeremias e Isaías descreveram a rejeição e zombaria que suportaram por falarem a verdade de Deus. Pelo menos uma igreja primitiva foi dividida por hostilidades similares. O apóstolo João nos fala sobre uma igreja que modelava os tipos de táticas usadas no atual Movimento de Crescimento de Igrejas:

Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja. Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus.” [3 João 9-11]

Na Inglaterra do século XVII, os peregrinos e os separatistas enfrentaram a ridicularização, a tortura e a prisão por se recusarem a se conformar com a exigência da Igreja Anglicana por total conformidade e participação universal. Durante a Inquisição na Espanha, os protestantes não-conformistas foram decapitados enquanto os aldeões se aglutinavam para assistir a execução. Na China hoje, milhões de cristãos que adoram seu Senhor fora da igreja controlada pelo Estado arriscam-se a sofrer surras e morte nas mãos arbitrárias dos guardas das prisões comunistas. A natureza humana não muda, e as barreiras sociais para a crueldade contra os cristãos que não se conformam ruem quando a moralidade bíblica cede à sensualidade do mundo.

Quem foi visado pela mídia após o trágica explosão do Edifício Federal em Oklahoma? Os cristãos, os apresentadores conservadores de programas de rádio, e os pais que não enviam seus filhos para a escola pública, mas que lecionam para eles em casa, juntos com os grupos de milícia e os criminosos! Dia após dia, a mídia apontava para os suspeitos de serem inimigos da unidade americana – aqueles que tinham uma “retórica enfurecida” tinham criado um “clima de ódio e paranóia” no país. E os apelos emocionais da mídia funcionaram! É mais fácil gritar, “Pare de espalhar o ódio!” do que encorajar o debate racional.

O mesmo é verdadeiro nas igrejas pós-modernas. Como os agentes de transformação seculares, dos visionários da ONU aos educadores locais, os líderes de igreja estão sendo treinados nas mais recentes teorias de gestão dos negócios. Eles planejam uma comunidade unificada em que todos os membros participam no requerido “aprendizado permanente” e grupos de consenso facilitados. Ninguém estará dispensado das contínuas avaliações que medem a cooperação, monitoram a adesão e fornecem aos líderes o retorno necessário para ajustar periodicamente o processo. Todos serão acompanhados por meio de uma vasta rede de bancos de dados disponíveis, não apenas para a igreja e para os governos locais mas, eventualmente, também para as Nações Unidas! [Veja An International Information System]

E os resistentes – aqueles que se levantam e questionam o processo – tornam-se inimigos nessa busca por unidade e solidariedade. [Veja A Infiltração Ocultista na Igreja Cristã, Visando Destruí-la a Partir de Dentro]

E não é de se admirar!

Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu SENHOR. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.” [João 15:19-21]

Uma razão por que as pessoas se conformam ao sedutor “processo de transformação” nas igrejas evangélicas é o medo da perda. A rejeição machuca. No entanto, esse temor é útil para os agentes de transformação de hoje. Exatamente como a punição pública severa foi usada ao longo dos tempos para atemorizar as massas à conformidade exterior, assim também o temor da rejeição pessoal agora faz as pessoas de todas as idades “a seguirem em frente e serem simpáticas com todos”.

Para transformar as igrejas dos antigos caminhos (em que os pastores pregam e todos aprendem as Escrituras) para o modelo da Gestão da Qualidade Total, “os líderes transformacionais” precisam encontrar caminhos para restringir a resistência à mudança. O famoso manual de gerenciamento de igrejas, Leading Congregational Change, promovido pela Leadership Network (Rede de Liderança), de Bob Buford, oferece um plano bastante utilizado. “Este é um livro que você deve ler antes de alterar qualquer coisa.”, diz Rick Warren em seu caloroso endosso. Considere esta definição de resistência e o tom que ele define:

Trate os Bolsões Específicos de Resistência. A resistência é a ‘reação oposta’ à transformação… Ela pode vir de diferentes formas – confrontacional ou passiva-agressiva, de conhecidos criadores de problemas a leais apoiadores, como resultado de uma transformação específica ou de uma percepção incorreta.” [3,  p. 90-91]

Uma vez que os agentes de transformação precisam estar totalmente comprometidos com sua missão ou propósito estratégico, precisam também ver os dissidentes como errados. Embora algumas questões possam ser negociadas, esta não é uma delas. A transformação bem sucedida depende de persuadir a vasta maioria a compartilhar o foco resoluto deles. Aqueles que discordam com suas estratégias manipuladoras são vistos como barreiras intoleráveis para o objetivo final: um novo modo coletivo de pensamento, de ser e de servir. [Veja o artigo Reinventing the World]

No fim, a visão específica ou os propósitos declarados importam pouco. O que conta é a unidade e a conformidade derivada dos focos comuns, as experiências de sentir-se bem em grupo, a pressão dos pares, e o processo facilitado. Os únicos obstáculos reais à adesão da massa são aqueles (geralmente membros fiéis) que se opõem aos passos essenciais para o controle de cima para baixo e infectam os outros com suas dúvidas. Talvez você reconheça alguns dos passos:

1. Identifique os Resistentes. No Movimento de Crescimento de Igrejas, os resistentes são aqueles que questionam a necessidade de uma transformação sistêmica (total), desconfiam do processo dialético e criticam os métodos transformacionais. O que é pior, ele se recusam a mudar de seu foco principal nas Escrituras para as frases mais positivas como “propósito”, “visão”, ou “declaração de missão”. O livro LCC adverte os líderes da transformação sobre esse problema:

“Os líderes da transformação devem esperar resistência ao aprendizado em equipe…. Reconhecer e tornar essa resistência explícita para os outros membros do grupo tende a reduzir sua força. Leva tempo para um grupo emergir como uma equipe, e todas as preocupações e resistências relacionadas com as equipes aparecerão novamente na superfície durante este período. [3,  p. 133]

Rick Warren é mais sutil, e suas referências à saúde versus doença escondem sua hostilidade em relação aos membros “não saudáveis” que resistem à sua agenda. Em Uma Igreja com Propósitos, ele escreve:

“Quando um corpo humano está fora de equilíbrio, chamamos isso de doença… Da mesma forma, quando o corpo de Cristo fica fora de equilíbrio, a doença acontece… A saúde ocorrerá somente quando tudo for trazido de volta ao equilíbrio. A tarefa da liderança da igreja é descobrir e remover as doenças que restringem o crescimento e as barreiras para que o crescimento normal e natural possa ocorrer.” [1,  p. 16]

Scott Peck, o famoso autor de The Road Less Travelled, usa a mesma analogia. Em Reflections on Leadership (Reflexões Sobre a Liderança), ele diz: “Existe um termo que os terapeutas usam – ‘resistência’ – que refere-se às pessoas que não gostam ou não querem ser curadas ou convertidas, de modo que resistem.” [5,  p. 92]

O livro Change Agent’s Guide to Innovation in Education (Guia do Agente de Transformação Para a Inovação na Educação), de Ronald G. Havelock nos diz da forma como isto ocorre. Esse conhecido manual para líderes transformacionais foi patrocinado pelo Escritório da Educação e Departamento de Saúde, Educação e Bem-Estar Social, do governo dos EUA, em 1973, e continuou a receber patrocínio do governo até os anos 1980. Desde então, ele tem sido fundamental para o treinamento de professores, pastores, políticos e agentes de transformação em diversos campos. Alguns anos atrás, ele foi promovido no site churchsmart.com (Esta página foi depois removida). Comparando o modelo de Havelock para a transformação para mudança com o processo de gerenciamento ensinado por Bob Buford, Rick Warren e o mentor comum deles, Peter Drucker, pode-se ver rapidamente as similaridades. Todos usam as mesmas fórmulas básicas revestidas com diferentes palavras, frases e ilustrações. Como o LCC, o livro de Havelock recomenda que os agentes de transformação fiquem tentos para a existência de resistentes.

“Muitos sistemas sociais também contêm alguns membros que assumem o papel ativo de resistentes ou críticos da inovação. Eles são os defensores do sistema do modo como ele está, o auto-indicados guardiões dos padrões morais, éticos e jurídicos… Os resistentes de diversas ordens têm sido muito bem sucedidos em impedir ou em reduzir o ritmo… de diversas inovações.” [2,  p. 120]

Os ‘resistentes’ podem ser identificados por terem falado previamente contra a inovação ou por terem vindo até você com objeções… É importante, entretanto, tentar identificar os resistentes antes que eles se tornem vogais e comprometidos com essa inovação em particular.” [2,  p. 122]

Charlotter Iserbyt, em seu livro revelador, The Deliberate Dumbing Down of America, (“O Deliberado ‘Emburrecimento’ da América) compartilha suas observações de uma reunião da qual ela participou muitos anos atrás quando trabalhava no Departamento de Educação dos EUA:

“O apresentador (agente de transformação) nos ensinou como ‘manipular’ os contribuintes/pais a aceitarem os programas controversos. Ele explicou como identificar os ‘resistentes’ na comunidade e como contornar a resistência oferecida por eles. Ele nos instruiu a ir aos membros mais respeitados da comunidade… e a manipulá-los para que apoiassem os programas controversos/não acadêmicos e fazer calar os resistentes… Saí desse treinamento – com meu valioso livro-texto, The Change Agent’s Guide to Innovations in Education debaixo do braço – sentindo-me enojada e rejeitando totalmente aquilo com que eu tinha me envolvido. Este não era o país em que eu tinha crescido; algo muito perturbador aconteceu entre 1953, quando sai dos EUA, e 1971, quando retornei. [4]

2. Avalie os resistentes e determine o grau da resistência. Atitudes negativas ou sem compromisso serão rastreadas usando os sistemas de dados sofisticados que monitoram cada membro. “Retorno contínuo” desses sistemas de alta tecnologia (tornados disponíveis para muitas grandes igrejas por meio da Leadership Network, de Bob Buford), fornecem os dados necessários para fazer os ajustes necessários. É tudo parte da Gestão da Qualidade Total. Como lemos em The Change Agent’s Guide, “Os resistentes devem ser julgados pela sua relativa sofisticação e influência.” [2,  p. 122]

As sugestões do LCC se enquadram perfeitamente:

Trate Cada Nova Iniciativa Como uma Experiência. … As pessoas são menos resistentes a uma experiência de curto prazo do que são a uma transformação ‘permanente’. .. Uma experiência sinaliza que os líderes não reivindicam ter todas as respostas. As experiências dão às pessoas mais espaço para inovar, aprender e aprimorar com menor risco de repercussão… Meça, meça, meça. Antes de iniciar uma experiência, um cientista define o resultado desejado e estabelece procedimentos para medir o resultado. A implementação da medição requer clareza sobre o objetivo e os processos para avaliar o progresso.” [3,  p. 82]

“Monitore continuamente o Nível de Comprometimento. As congregações saudáveis têm bons sistemas de retorno (feedback). À medida que a mudança ocorre, os níveis de comprometimento variarão. Para algumas pessoas qualquer transformação prevê uma ‘retirada da conta bancária das emoções’ (Covey, 1989). Quando a conta está negativa, as pessoas se tornam indispostas a fazerem mais mudanças. À medida que as retiradas são feitas, os líderes da transformação devem intencionalmente reabastecer a conta com atos de bondade, boa comunicação, amor e preocupação.” [3,  p. 104]

3. Torne-se amigo, envolva e persuada os resistentes que estão na linha fronteiriça. A participação nos diálogos nos grupos pequenos pode incentivar os resistentes fronteiriços a negociarem suas convicções tradicionais por uma comunhão mais permissiva. Alguns poderão reconsiderar suas objeções e se conformarem às exigências do grupo. Outros se retirarão caladamente por sua livre e espontânea vontade.

“O poder coercitivo somente fortalece a resistência”, escreveu Robert Vanourek em Reflections on Leadership (Reflexões Sobre a Liderança. “… em vez disso, as habilidades do líder em ‘facilitar’ o grupo devem ser usadas. As idéias devem se desenvolver a partir do grupo. Em seguida, os líderes podem simplificá-las em uma forma persuasiva. Então o comprometimento com a visão pode ser obtido.” [5,  p. 301; ênfase adicionada]

“Simplificá-las”, significa aqui refazer a frase e adaptar as visões do grupo ao resultado pré-planejado – um modo astuto e sutil de dar às pessoas a impressão que elas realmente conceberam e criaram os resultados. Essa estratégia funciona bem nos foros de comunidades em todo o mundo. Como Ronald Havelock escreveu em seu Change Agent’s Guide: “A pressão crescente contra as forças oponentes normalmente aumentará a pressão da resistência. Freqüentemente, mas não sempre, o modo mais sábio e o curso de ação mais eficaz é enfocar nos modos de compreender e de reduzir a resistência em vez de tentar massacrá-la.” [2,  p. 301]

A solução mais eficaz é a persuasão amigável. “Para o bem da unidade, nunca devemos permitir que as diferenças nos dividam”, escreveu o pastor Rick Warren. “Precisamos nos manter focados naquilo que mais importa – aprender a amar uns aos outros como Cristo nos amou, e cumprir os cinco propósitos de Deus para cada um de nós e sua igreja”. [6,  p. 161-162]

Isto parece bom. Mas como podem os cristãos preocupados abraçarem uma unidade que envolve a contemporização da verdade? Somente se nosso foco principal estiver fixo em Jesus e em Sua Palavra podemos verdadeiramente compartilhar Seu amor ágape em um mundo entenebrecido. Por amor ao Seu nome, não podemos permitir que uma visão humana de unidade nos force a minimizar Sua verdade.

Os agentes de transformação têm pouca tolerância por esse tipo de posição bíblica que não contemporiza. Ele se coloca como um obstáculo no caminho da transformação total e contínua. Portanto, o LCC adverte seus leitores a permanecerem vigilantes, a promoverem continuamente a visão (ou o propósito) e ganhar o suporte da congregação. Observe que a visão estratégica, não o Espírito Santo, precisa guiar o processo:

“Nunca pare. O processo de transformação nunca termina de verdade… A arte da liderança é saber quando fazer uma pausa e quando forçar um avanço… É fácil ser atraído a uma sensação prematura de vitória após a primeira rodada de implementações. O momento estabelecido e o alinhamento irão:

  • Espalhar a visão… em um esforço de toda a congregação
  • Continuamente quebrar os locais residuais de resistência
  • Instilar uma nova abordagem para a tomada de decisão estratégica guiada pela visão em toda a congregação.
  • Criar a mentalidade e sistemas que ajudem a igreja… a manter ou aumentar o impacto em sua comunidade.” [3,  p. 93; ênfase adicionada]

“Não há um ‘próximo estágio’, pois o processo de transformação nunca tem fim. Os oito estágios do processo de transformação precisam ser revisitados freqüentemente. Esse ciclo torna-se uma parte da cultura da congregação e um modo de vida.” [3, p. 94]

4. Marginalize os resistentes mais persistentes. Eles obstruem o progresso e solapam a necessária unidade, o momento e a paixão pela mudança. É por esse motivo que os pastores freqüentemente sugerem aos membros divisivos que talvez eles se sintam mais contentes em outro lugar. Quando os membros insatisfeitos partem, normalmente, por uma questão de obediência ao seu Senhor, seguem o pedido do pastor de não falarem com ninguém sobre suas razões para partirem. A congregação será instruída a não fazer perguntas. Assim, os líderes da mudança evitam potenciais conflitos. O LCC sumariza este estágio:

“Alguma perda dos membros provavelmente ocorrerá durante o processo de transformação. Mesmo neste estágio avançado, algumas pessoas decidirão que não aderiram à visão e que precisam partir. Quando isso acontece, os líderes precisam estar dispostos a permitir que as pessoas encontrem um local diferente para adorar… O pior erro é contemporizar a visão de modo a tentar reter alguns membros.”

“Os líderes da transformação também precisam estar preparados para lidar com os membros que decidem ‘ficar e lutar’. Quando a resistência é declarada e destrutiva, deixar de atuar contra o problema é muito pior do que a cura. A Bíblia dá princípios claros em Mateus 18 sobre como lidar com esses conflitos.” [3,  p. 91]

Na verdade, Mateus 18:15-17 mostra o modo cristão de lidar com um pecado real – uma violação da lei ou das diretrizes de Deus – não alguém que, em obediência à Palavra de Deus, toma uma posição. No entanto, a despeito da tolerância imposta em relação ao pecado moral e espiritual dentro do Movimento de Crescimento de Igreja, há pouca tolerância com relação àqueles que parecem desobedecer os mandados de cima para baixo desse sistema manipulador de gestão. Totalmente entregue ao pragmatismo, ele freqüentemente se mostra cego para as Escrituras, como Atos 5:29, que diz: “Importa antes obedecer a Deus do que ao homem.”

O pastor Warren é mais sutil, porém modela uma atitude que produz intolerância e julgamento em relação aos indivíduos que violam suas diretrizes politicamente corretas com relação à unidade e à sinergia nos relacionamentos. Como você viu anteriormente, ele compara os cristãos sinceros que questionam a adoção das metodologias mundanas com os germes e doenças no corpo. E ele conclama a liderança da igreja a “remover as doenças e barreiras que restringem o crescimento para que o crescimento natural e normal possa ocorrer.” [1,  p. 16]

Quais são essas barreiras? São elas os pensamentos e ações que as Escrituras chamam de pecado, ou são atitudes e valores que se chocam com os critérios psicológicos para uma “igreja saudável” politicamente correta? Como o pastor Warren demonstra em todo seu livro Uma Vida com Propósitos, é muito fácil provar um ponto revestindo as noções psicológicas do mundo com citações bíblicas curtas, simples, parafraseadas e tiradas fora de seu contexto.

5. Vilifique aqueles que ‘ficam e lutam”. Neste estágio, rótulos negativos, acusações e difamações são permitidos, se não incentivados, a circular. Os resistentes – agora rotulados como criadores de problemas divisivos – são acusados pela desunião, por retardarem o processo de transformação e por distraírem o corpo da igreja do foco com todo o coração em sua visão, missão ou propósito. Considere as sutis sugestões e os rótulos negativos que o pastor Warren coloca nos indivíduos que questionam seu sistema de gestão orientado por propósitos:

“A Bíblia não diz nada sobre santos solitários ou eremitas espirituais isolados dos outros crentes.” [6,  p. 130]

“A cultura atual do individualismo independente criou muitos órfãos espirituais – ‘crentes-cangurus’ que pulam de uma igreja para outra sem qualquer identidade, responsabilidade ou compromisso. Muitos acreditam que uma pessoa possa ser um “bom cristão’ sem participar (ou até mesmo freqüentar) uma igreja local, mas Deus discorda totalmente disso.” [6,  p. 133]

“Uma igreja que é uma família leva você para fora do isolamento auto-centrado.” [6,  p. 133]

O isolamento gera o engano“. [6, p. 134; ênfase adicionada em cada item]

Observe a implicação derrogatória em cada afirmação. Discutimos alguns dos “santos solitários’ especiais de Deus anteriormente. Confiando unicamente em Deus, eles cresceram fortes no Espírito. Aqueles que procuraram longamente uma igreja bíblica com ensino sólido e comunhão edificante podem se identificar com aquilo que Rick Warren zomba, chamando de “crentes-cangurus”. E o “isolamento” de um cristão fiel que obedece ao chamado de Deus para a separação do mundanismo e da comunhão que está fora dos padrões bíblicos produz pureza, não engano. [II Coríntios 6:12-18]

Todavia, rótulos injustos e enganosos continuam a solapar a credibilidade de crentes fiéis. No artigo “165 Membros Excluídos da Igreja Batista de Gardendale”, Brad Olson escreveu:

“Os membros da Igreja Batista de Gardendale votaram no domingo a exclusão de 165 membros da sua congregação por que eles não apoiavam a liderança do pastor da igreja… Em uma carta para a congregação, Micah Davidson, o pastor da igreja, convocou uma assembléia administrativa após um serviço de batismo em 18 de julho em que os membros votariam na seguinte declaração: ‘O pastor Micah é o pastor chamado por Deus para Gardendale e está nos liderando na direção de Deus ou não.’ … Se a igreja votar para eu ficar’, ele escreveu, ‘aqueles que votarem contra mim serão removidos do rol de membros imediatamente.’

“De acordo com John Gilbert, pastor administrativo da igreja, o resultado da votação foi aproximadamente 750 a 165 a favor do pastor. Imediatamente após o voto de confiança, os membros votaram a exclusão daqueles que votaram contra Davidson. Gilbert disse que dos 165 membros que foram ‘removidos do rol ‘, todos poderão voltar para a igreja se ‘assinarem um pacto pela unidade da igreja…’

“Gilbert disse que a controvérsia surgiu com relação à liderança de Davison e as mudanças relacionadas com certos programas da igreja. ‘A maioria centrava-se em torno da liderança de Micah”, Gilbert disse. ‘Algumas pessoas gostavam e outras não.’ A coisa toda foi como um divórcio. Você tem uma nova liderança e alguns que faziam parte da antiga liderança decidem que não querem seguir a nova liderança.’

“Nossa igreja é totalmente comprometida em alcançar as pessoas na comunidade. Algumas pessoas estavam dispostas a sacrificar algumas preferências pessoais [colocar de lado Escrituras ofensivas e ensino bíblico de modo a ganhar mais membros?] e tradições e alguns não estavam dispostos a fazer isso.”

“Gilbert disse que a oposição na igreja estava impedindo o progresso da igreja. Ele disse que os membros não puderam votar em todas as decisões que Davidson tomou, mas puderam votar se ele era ou não chamado por Deus para ser o pastor.’ Eles simplesmente não podiam continuar com a fofoca, difamações e informações erradas.’, ele disse.” [http://www.groupsrv.com/religion/about59720.html] [Veja também os comentários de Paul Proctor em http://www.newswithviews.com/PaulProctor/proctor55.htm]

Fofoca, difamações e informações erradas? As afirmações daqueles que foram forçados a deixar a igreja que amavam mostram que as preocupações deles com a mudança para um modelo mais contemporâneo eram válidas. Durante a entrevista televisada, uma pessoa chorou ao expressar a dor da rejeição e as confusas novas regras para a igreja. A verdadeira “desinformação” parece vir do novo pastor e de outros gerentes da igreja, que têm pouca tolerância por aqueles que questionam seu poder absoluto e suas ordens sem base bíblica. Não é de se admirar, pois “líderes de igreja” contemporâneos são treinados para usar palavras duras de modo a desacreditar os dissidentes.

Em uma análise do livro Making Change Happen One Person at a Time: Assessing Change Capactity Within Your Organization, os resistentes são rotulados como “joio no meio do trigo”. [7] Em outras palavras, uma imagem bíblica negativa foi usada para desgraçar aqueles que não queriam se conformar. Aqueles que seguiram com a mudança eram o “campo de trigo” e os resistentes eram o joio!

“Na extremidade oposta da faixa espectral da liderança estão os resistentes, que se parecem como o joio no campo de trigo. Eles parecem dispostos a mudar, mas usam diversos meios táticos tão sutis para impedir que a organização alcance seus objetivos.” [7]

Onde o pragmatismo predomina, qualquer todo pode acontecer. Como o The Change Agent’s Guide to Innovation in Education nos diz: “Algumas vezes, a colaboração não funciona e, quando ela falha, existem diversas alternativas que devem ser consideradas, indo do completo abandono ao completo engano.” [2,  p. 131]

Não há dúvidas que muitos estão sendo enganados. E todos os que adotam esse processo de ‘transformação gerenciada’ tendem a compartilhar sua hostilidade com os resistentes. Alguns de vocês podem se identificar com o pastor que nos enviou a seguinte carta:

“Sou pastor de uma pequena congregação na Austrália que cresceu a partir de um desejo pela verdade… Tendo sido rotulado de rebelde e fora da ordem divina por desafiar a liderança sênior de uma grande igreja (da qual eu era um dos pastores) – e tendo sido disciplinado pelo pastor titular e pelos diáconos por ter me atrevido a enfocar os erros e a desafiar a visão e os programas da igreja (que estavam ferindo mais pessoas do que sarando) – minha mulher e eu logo nos encontramos ‘sem-igreja’.”

“Depois de algumas experiências dolorosas de ostracismo e rejeição espiritual, busquei a Deus em jejum e oração por uma semana em isolamento. .. Nosso glorioso e fiel Pai Celestial finalmente nos atendeu e, após muitas lágrimas, quebrantamento e arrependimento pelos pecados do esforço próprio e de tentar agradar aos homens em vez de agradar a Deus, fomos levados ao Seu deserto para as provações e testes. Ficamos mais fortes na fé e mais profundos na Palavra do que éramos antes, e encontramos refúgio e força em Deus somente.”

“Desde então Deus tem nos levado a um período de procura nas Escrituras, a jejum e oração por Sua igreja. Em tempo, Deus enviou aqueles que também tinham sido ‘rejeitados’ ou que tinham deixado a igreja por que não podiam mais tolerar o pecado, a contemporização e os ensinos falsos ou diluídos, e nos encontramos reunindo e adorando nos lares, como em Atos 2. Agora nos reunimos semanalmente e estamos crescendo em Sua gloriosa Palavra, e na comunhão bíblica uns com os outros.”

“O programa ’40 Dias de Propósito’ de Rick Warren está tomando conta deste país e quase todas as igrejas estão aderindo a ele. Antes mesmo de examiná-lo, senti um peso em meu coração e uma restrição em meu espírito… Comecei a ler o livro. Tendo já ouvido do dano feito a muitas igrejas pelo livro Uma Igreja com Propósitos anos atrás, eu estava relutante de fazer isso, mas achei que era meu dever pelo menos ler o material. Não demorou muito para eu ver a enganação, não tanto pelo que ele ensina, mas pelo que deixa de ensinar…” [ênfase adicionada]

6. Estabeleça regras, regulamentos, leis e princípios que silenciem, punam ou afastem os resistentes. Na Igreja da Comunidade de Saddleback, todo novo membro precisa assinar o “Pacto dos Membros”. Ele inclui esta inofensiva promessa: “Protegerei a unidade da minha igreja… seguindo os líderes.”

Esse pacto é apoiado por Escrituras como Efésios 4:29 (“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.“) e Hebreus 13:17 (“Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.“)

Mas tomar uma posição pela Palavra de Deus dificilmente é aquilo que a Bíblia chama de “palavra torpe”. E, se os líderes da igreja seguirem os sistemas administrativos do mundo em vez de o caminho de Deus, a ordem para “obedecer seus líderes e se submeter a eles…” seria anulada por outras Escrituras relevantes. Por exemplo, quando os líderes religiosos em Jerusalém disseram a Pedro e a João para pararem de pregar “no nome de Jesus”, eles responderam:

Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus.” [Atos 4:19; ênfase adicionada]

O consultor em gestão de igrejas e pastor interino Jim Yperen deve discordar. Ensinando sobre submissão em uma igreja onde ele tinha sido contratado para liderar o processo de mudança, ele diz:

“É pecado não se submeter… Por minha recusa em admitir que é pecado, causo ainda outro problema. É isso que Satanás quer fazer. Ele quer nos separar. Se ele puder me dar a idéia que estou certo e você está errado, então não vou me submeter a você, por que você é louco, ou eu não gosto de você, ou não gosto de ouvi-lo, ou não vou à igreja… Este é um ato de pecado; é rebelião; é pecado. É preciso se arrepender, confessar e obter o perdão. A maior parte do que acontece na igreja e que nos coloca em problema são esses pecados de relacionamentos que queremos minimizar e dizer, “Não, eu apenas discordo.’ Vamos falar sobre desacordo. Não existem muitas coisas com as quais você tem a permissão de discordar.[8; ênfase adicionada]

Van Yperen escreveu um capítulo intitulado: “Conflito: O Fogo Purificador da Liderança”, para o livro Líderes em Ação, de George Barna, em 1997. Barna o chama de “um líder de líderes”. Como outros principais agentes de mudanças, ele é “um estrategista de marketing e um consultor de comunicações.”, que trabalha em uma ampla variedade de igrejas, ministérios para-eclesiásticos e organizações não-lucrativas nas áreas de desenvolvimento de visão, planejamento estratégico, comunicações, desenvolvimento de recursos e resolução de conflitos.” Sua influência internacional torna sua próxima afirmação significativa. Observe a ênfase no coletivo, holístico, ou “pensamento de sistemas” – um dos resultados mais importantes do novo sistema de gestão do mundo e de seu processo do consenso. Considere as implicações de longo alcance desse princípio pós-moderno:

“Pense no todo, não nas partes… Deus vê o pecado como uma responsabilidade da comunidade. Quando uma pessoa da comunidade peca, toda a comunidade leva a culpa.” [9]

Você viu evidências das visões holísticas do pastor Rick Warren no capítulo sobre “Unidade e Comunidade“. Algumas das regras ou princípios a seguir também refletem um ideal coletivo. As violações abrem as portas para várias disciplinas:

Deus abençoa as igrejas que estão unificadas. Na Igreja de Saddleback, todo membro assina um pacto que inclui uma promessa de proteger a unidade da nossa comunhão. Como resultado, a igreja nunca teve um conflito que provocasse a divisão da comunhão.” [6,  p. 167; ênfase adicionada]

“As Regras de Crescimento de Rick Warren… Terceira:Nunca critique aquilo que Deus está abençoando, mesmo que seja um estilo de ministério que o faça se sentir em desconforto.” [1,  p. 62]

Quem determina o que Deus está abençoando? O crescimento vem por meio do Espírito Santo ou das estratégias mais modernas de modificação do comportamento? As avaliações que medem o progresso em direção ao resultado pré-planejado não discerne as influências espirituais – se de Deus ou de outras fontes. Como as escolas públicas, eles medem a transformação pessoal em direção ao pensamento coletivo e à disposição de cooperar, mas não podem testar o coração ou medir a obediência aos estímulos do Espírito. Portanto, a questão permanece: são novos membros acrescentados por que estavam buscando a Deus ou por que gostaram da comunhão que os fez se sentirem bem, a sensação de pertencer e o respeito incondicional?

Leia as palavras que Jesus disse às multidões que estavam fascinadas com Sua mensagem e com Seu poder de curar:

Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.” [Mateus 6:26-27]

A ênfase sem base bíblica de Peter Drucker no sucesso de acordo com os padrões do homem deveriam provocar grande alarme entre os cristãos. O que acontece com as pessoas que não se encaixam em seu modelo para recursos humanos produtivos? Sarah Leslie, uma das co-autoras de The Pied Pipers of Purpose, um documento vital que torna compreensíveis as conexões que estão por trás do nossos sistemas de administração, escreveu:

“Encontramos numerosas referências na literatura Com Propósitos a um conceito chamado “abandono.” É um conceito de Peter Drucker que tem a ver com as empresas abandonarem as partes de seus negócios que não são lucrativas. No setor privado (igrejas) ele se traduz em igrejas abandonarem os projetos que não produzem os ‘resultados’ predefinidos (o tipo mensurável, ‘resultados’, etc.) Isso também significa abandonar as pessoas que não seguem o fluxo – os retardatários e vagarosos que não participam na transformação. Uma igreja dividida é vista como uma boa coisa, em que ela se livra das pessoas que estão bloqueando o progresso com vistas à reestruturação da igreja.”

Se alguém fosse reescrever a parábola do pastor que deixou as 99 ovelhas para procurar a que se tinha perdido, você pode se perguntar se o pastor se certificaria antes que a ovelha perdida realmente se enquadraria nos novos padrões de administração.

Uma das regras padrão para o diálogo nos grupos pequenos diz que os membros devem respeitar toda posição ou ponto de vista divergente. Não viole a zona de conforto de alguém implicando que um comportamento ou estilo de vida incoerente com a Bíblia constitui pecado. Como o livro LCC nos diz, “Crie um ambiente seguro. Os participantes no processo precisam sentir que têm a permissão para fazer perguntas, desafiar os pressupostos, e explorar as opções. No planejamento transformacional, não podem existir vacas sagradas.[3,  p. 124; ênfase adicionada]

Você vê a inconsistência? Há pouco respeito para as antigas visões e normas. Os resistentes dentro da igreja não têm permissão para questionar ou desafiar o processo de transformação. Por que então seus agentes de transformação incentivariam os desafios críticos da verdade em um ambiente de grupo que desencoraja as respostas bíblicas claras? E por que seriam as estratégias de “pensamento crítico” usadas pelas escolas públicas para modificar os valores que ensinamos às crianças em nossos lares agora seriam usadas para transformar as igrejas?

A resposta é simples, mas chocante. Primeiro, o livro LCC diz aos líderes cristãos que, “Usar o pensamento crítico intencionalmente para desafiar os modelos mentais de uma organização é uma habilidade-chave. O pensamento crítico é o processo de dar uma nova olhada em um problema, removendo as pressuposições e as restrições que possam ter sido impostas no passado. Ele requer um exame mais profundo que a maioria dos grupos estão dispostos a fazer.” [3,  p. 120-121]

Segundo, o objetivo para os agentes de mudança nas mega-igrejas corresponde ao objetivo da UNESCO para os sistemas educacionais do mundo inteiro. Os pais preocupados que estão observando o sistema educacional em transformação conhecem o termo pensamento crítico. No glossário de nosso livro Brave New Schools (Admiráveis Novas Escolas), publicado em 1995, definimos Pensamento Crítico como “Desafiar os valores, crenças e as autoridades dos alunos por meio de estratégias de clarificação de valores e Domínio da Aprendizagem”. [Veja Sex Education and Global Values e Three Sets of Meaning of Educational Buzzwords]

Não minimize o paralelo significativo entre a escola e a igreja orientada por propósitos. As palavras e frases usadas pelos dois sistemas podem diferir algumas vezes, mas os métodos manipuladores de gestão e os processos de mudança são os mesmos. Ambos se encaixam na estrutura uniforme e contínua do sistema global de administração. Ambos concordam que é bom criticar e destruir os antigos modos de pensar e de crer. Mas não é bom criticar a visão global para um futuro utópico ou a marcha em direção à solidariedade em uma nova ordem mundial. A visão e os métodos foram planejados por líderes socialistas entre 1945 e 1948, quando Alger Hiss, Julian Huxley e Brock Chisholm (os primeiros presidentes da ONU, da UNESCO e da OMS (Organização Mundial da Saúde)) delinearam o plano ambicioso para a solidariedade global por meio dos padrões de educação e de saúde mental em todo o mundo. A visão deles não mudou nos últimos 59 anos. Na verdade, ela é mais forte e mais aceitável para nossa cultura e igrejas do que nunca antes. [Veja Legalizing Mind Control e The Revolutionary Roots of the UN]

Onde é que Deus, o Espírito Santo e a Bíblia se encaixam nesse sistema global monstruoso que usa o engano e a modificação do comportamento para moldar os Recursos Humanos para a Força de Trabalho Global? Eles não se encaixam. É por isto que as escolas precisam banir ou adaptar a religião para os objetivos finais dos administradores globalistas. É por isto que os agentes de mudança designados a transformar as igrejas precisam redefinir os termos bíblicos, usar versos parafraseados das Escrituras e determinar quais verdades são úteis e quais são ofensivas. Atrás da familiar firme declaração de missão, de visão e de propósitos está um sistema que deixa pouco espaço para a verdadeira direção do Espírito Santo. Não há espaço para os caminhos de Deus se eles não puderem ser conformados aos planos detalhados criados pelo homem para a mudança.

Confiança e Paz no Meio da Mudança e Luta

Os objetivos grandiosos e as estratégias enganosas dos homens nunca surpreendem a Deus. Ele vê o fim bem como o início e nos adverte a observar os sinais das coisas por vir. Ele nos diz para nos guardarmos das ilusões do mundo e nos promete Sua força em nossa fraqueza. Ele nos chama para a separação para Ele ao mesmo tempo que devemos amar os perdidos e compartilhar a verdade de Deus com eles.

Ele nos diz que Seus caminhos, Sua verdade e Sua natureza nunca mudam, pois “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje, e eternamente” (Hebreus 13:8). O Pai todo-poderoso e soberano Senhor do Antigo Testamento ainda é nosso Pai e Senhor nos tempos do Novo Testamento. E esse santo de justo “Senhor julgará Seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hebreus 10:30-31)

Por Sua graça, Seus fiéis seguidores encontram “refúgio ….. uma âncora da alma, firme e segura.” (Hebreus 6:18-19). Aqueles que pulam para dentro do vagão da mudança não têm essa âncora. Eles também não sabem aonde a viagem os levará, pois deixaram para trás os absolutos imutáveis da Palavra de Deus.

Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” [Filipenses 3:18-20]

Aqueles cujos corações estão voltados para a vida eterna nos céus, mas que caminham com Jesus nesta vida, compartilharão os sofrimentos e a rejeição que Cristo também enfrentou. Até mesmo alguns de seus discípulos reclamaram de alguns de Seus ensinos, que não eram em nada politicamente corretos. Em João 6, lemos a resposta de Cristo às suas murmurações:

Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disse-lhes: Isto escandaliza-vos? Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?” [João 6:61-67; ênfase adicionada]

E quanto a você? Caminhar com Jesus significa que você precisará falar verdades que as pessoas não querem ouvir, compartilhar a ofensa da cruz e separar-se da multidão. Mas quando você enfrentar a hostilidade, a rejeição e o abandono, Jesus estará ali ao seu lado – suavizando a dor e substituindo-a por Sua doce presença.

Após ler a carta inicial de Pat Johnson, eu lhe perguntei como Deus a fortaleceu e sustentou durante a dolorosa exclusão de sua igreja e a perda dos amigos. Que as respostas dela sirvam de encorajamento para você:

  • Nunca me deixando, mesmo quando eu me afaste Dele por estar ferida e com raiva;
  • Perdoando-me diariamente por confiar na carne e misericordiosamente aguardando que eu retornasse para Ele;
  • Falando comigo claramente por meio da Sua Palavra;
  • Aumentando minha fé, uma oração do meu coração há muito tempo;
  • Afastando-me para longe da gratificação momentânea que as igrejas do Rock and Roll tendem a promover
  • Ensinando-me a ter maior confiança que sou Sua filha e que posso ouvir Sua voz;
  • Ensinando-se sobre Sua providência;
  • Revelando amorosamente meu próprio pecado em resposta por ter sido excluída;
  • Dando-me um marido maravilhoso que me ama incondicionalmente, embora com toda a certeza essa provação tenha sido um teste para nós e para nosso casamento;
  • Restaurando meu relacionamento com meus pais e meus irmãos carnais. (Eles acreditavam que pertencíamos a uma seita)
  • Dando-me três filhos muito ativos que me ajudaram a continuar ocupada, com o foco nas coisas certas, e sentindo amor, mesmo quando eu me sentia muito rejeitada (Fiquei muito preocupada que eles se afastariam de Deus e rejeitariam a igreja, mas até aqui isso não aconteceu.)
  • Purificando-me da minha auto-piedade;
  • Mantendo-me saudável e dando-me disposição para correr.
  • Enviando-me o encorajamento de outros cristãos que conheci pela Internet, quando eu não tinha outras pessoas a quem recorrer que compreendessem a dinâmica das igrejas e dos líderes controladores.
  • Mostrando-me que não há outro caminho que não o da humildade.
  • Libertando-me da perigosa prática de agradar aos homens (um pecado de uma vida inteira)
  • A coisa pela qual mais sou agradecida é a primeira com a qual iniciei: Ele nunca me deixou nem se esqueceu de mim (embora muitos tenham feito isso). Isto, para mim, é admirável e requer uma fé que somente se desenvolve em decorrência de uma severa rejeição por parte daqueles que amamos e confiamos.

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos.” [II Coríntios 4:7-10]


Notas

1. Rick Warren, Uma Igreja com Propósitos, Editora Vida, http://www.editoravida.com.br.

2. Ronald G. Havelock, The Change Agent’s Guide to Innovation in Education (Educational Technology Publishing, Englewood Cliffs, New Jersey, 1973). De acordo com Charlotte Iserbyt (Nota 4) “Este guia, que contém estudos de casos autênticos sobre como inserir furtivamente estratégias de ensino e currículo controverso ou fazer com que sejam adotados por juntas escolares ingênuas, é o manual do educador para provocar transformações no sistema de valores das nossas crianças. O guia de Havelock foi patrocinado pelo Escritório de Educação e Departamento de Saúde, Educação e Bem-Estar Social do governo norte-americano, e recebeu patrocínio continuamente até os anos 1980. Ele foi republicado em uma segunda edição em 1995 pelos mesmo editores.

3. James H. Furr, Mike Bonem e Jim Herrington, Leading Congregational Change (San Francisco, Jossey-Bass, 2000. Essa é a principal editora para a Fundação Peter Drucker (agora chamada de Leader to Leader) e para a “cristã” Leadership Network, fundada por Bob Buford.

4. Charlotte Iserbyt, The Deliberate Dumbing Down of America, http://www.deliberatedumbingdown.com/

5. Larry C. Spears (editor), Reflections on Leadership, Nova York, John Wiley Sons, 1995; p. 92, 301.

6. Rick Warren, Uma Vida com Propósitos, Editora Vida, http://www.editoravida.com.br.

7. Análise do livro Making Change Happen On Person at a Time: Assessing Change Capacity Within Your Organization (Amacon, 2000), publicado originalmente em: http://www.booksunderreview.com/Society/Genealogy/Surnames/Organizations/Organizations_13.html

8. Jim Van Yperen. Transcrição de uma mensagem em fita cassete. Chain of Lakes Community Bible Church (CLCBC), Illinois, noite de domingo, 14 de abril de 2002.

9. George Barna, Líderes em Ação, Editora United Press, http://www.upi.com.


Fonte: A Espada do Espírito

Tradução: Maria Stella Tupynambá


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