Dirigidos pelo Espírito ou Orientados por Propósitos? – Parte 05

por: Berit Kjos

Evangelismo Orientado Pela Música

“Saddleback é assumidamente uma igreja de música contemporânea. Somos freqüentemente referenciados na imprensa como ‘o rebanho que gosta de Rock.’ Usamos o estilo de música que a maioria das pessoas em nossa igreja ouve no rádio.” [1]

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” [Romanos 12:2]


“O estilo de música que você escolhe para usar em seus cultos será uma das mais decisivas (e controversas!) decisões que você tomará na vida da sua igreja,” escreveu Rick Warren em um artigo intitulado Selecting Worship Music. “Você precisa fazer combinar a música com o tipo de pessoa que Deus quer que sua igreja alcance … A música que você usa ‘posiciona’ sua igreja na cidade ou bairro. Ela define quem você é … Ela vai determinar o tipo de pessoa que você atrai, o tipo de pessoa que você mantém e o tipo de pessoa que você perde.[1; ênfase adicionada]

A escolha do pastor Warren na área da música está de acordo com as principais tendências atuais de mudança – na cultura, nos negócios e também nas igrejas. Nosso mundo está se tornando cada vez mais uniforme, ao mesmo tempo em que nossas opções se multiplicam. Embora tenhamos inúmeras opções de comidas, livros, religiões e música; a vasta rede de sistemas corporativos gerenciais em todo o mundo segue as mesmas estratégias de marketing. O segredo deles para o “sucesso mensurável” é a monitoração e manipulação das “necessidades sentidas” das massas – uma estratégia astuta que requer contínuas pesquisas, avaliações, estimativas e sistemas de dados digitais. Juntos, como parte de um sistema holístico, eles não apenas expõem as necessidades e vulnerabilidades dos “consumidores” por toda parte, mas também promovem e manipulam essas “necessidades” e desejos.

E funciona! É por isso que governos, escolas, hospitais e grandes igrejas estão todos se reinventando para seguir as trilhas estabelecidas pelas grandes empresas. Eles podem chamar sua visão particular desse sistema de Gerenciamento de Qualidade Total (TQM), Educação Orientada para Resultados ou Igrejas com Propósitos. Não importa, todos seguem o mesmo modelo pragmático, apontam para “resultados mensuráveis”, falam em equipes, diálogo, facilitadores, “aprendizado durante toda a vida”, contratos e contínuas estimativas de “progressos” em direção ao resultado planejado. Todos devem se conformar ou deixar o sistema.

Mencionamos na Parte 01 que Rick Warren realizou uma pesquisa em sua congregação para descobrir quais eram as músicas contemporâneas mais ouvidas. [2] Agora, ele está usando pesquisas mais sofisticadas e software de rastreamento. Como mencionado, um de seus consultores gerenciais é a CMS, uma “agência de prestação de serviços personalizados de marketing e comunicação … que ajuda seus clientes a crescerem em seus negócios.” [3] Essa consultoria explica que “coletar, organizar e gerenciar informações é essencial para entender, avaliar e planejar qualquer promoção de sucesso.” [4]

Assim, quando Rick Warren ofereceu a música que a maioria das pessoas queria, elas se arrebanharam para a igreja. Mas o “sucesso mensurável” não prova que Deus ordenou ou inspirou esse plano em particular. De fato, Deus nos adverte para não “procurar agradar a homens“. [Gálatas 1:10; I Tessalonicenses 2:4] A popularidade no mundo nunca foi um sinal da aprovação de Deus.

Mais freqüentemente – em toda a Bíblia e também na história – a popularidade prova o oposto. “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.” [João 15:19; ênfase adicionada]

Quando o pastor Warren nos diz que “Deus ama todos os tipos de música” e que “Deus ama a variedade” [2] você pode imaginar onde ele traçaria a linha? Essa linha divisória vital curvar-se-ia de acordo com nossa cultura mutável? Ou com a crescente tolerância a todos os tipos de variações espirituais e escriturais? Essas são questões cruciais, pois a música se tornou uma força motriz no Movimento de Crescimento de Igrejas. Como diz o pastor Warren:

“A música é uma parte integral de nossas vidas! Comemos com ela, dirigimos com ela, compramos com ela, descansamos com ela, e alguns que não são batistas até dançam com ela! O grande passatempo americano não é o beisebol – é a música, e compartilhar nossas opiniões sobre ela!”

“Quando leio sobre a adoração bíblica nos Salmos, vejo que eles usavam baterias, címbalos, trombetas, tamborins e instrumentos de corda. Isso parece música contemporânea para mim!”

“Saddleback é assumidamente uma igreja de música contemporânea. Somos freqüentemente referenciados na imprensa como ‘o rebanho que gosta de Rock.’ Usamos o estilo de música que a maioria das pessoas em nossa igreja ouve no rádio.” [1]

Essas afirmações pedem pelo menos duas respostas. Primeiro, o pastor Warren escreveu: “Nos Salmos, vejo que eles usavam baterias…” [1] As traduções padrão da Bíblia não mencionam baterias, mas mencionam adufes, que são traduzidos algumas vezes por tamborins. Aparentemente, eram pequenos anéis ou molduras redondas de madeira, cobertos com peles de animais e usados pelas mulheres ou jovens na dança, louvor ou júbilo. Alguns comentários bíblicos os descrevem como pequenos tambores de mãos, “exemplos dos quais foram encontrados nas escavações mesopotâmicas e egípcias.” Obviamente, eles não eram como os grandes e vibrantes instrumentos de percussão de hoje, que a Bíblia não proíbe nem aprova. Eles também não são citados em I Crônicas juntamente com outros instrumentos prescritos para a adoração no templo. [5]

Segundo, nosso Pai prepara Ele mesmo os corações de seus escolhidos para responderem à verdade salvadora do evangelho e à demonstração de Seu amor. Ele não precisa de nossos hábeis esquemas de negócios. Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer.” [João 6:44]

Mas Deus não pode usar a música contemporânea para nos trazer a Ele? Claro que pode! Ele pode usar qualquer coisa que quiser! Repetidamente, Ele tira bênçãos de nossas escolhas humanas, sejam elas sábias, tolas, ou alguma coisa intermediária. Mas Sua maravilhosa graça e misericórdia nunca justificam nossa desobediência. Ele repetidamente alerta Seu povo para se guardar contra as forças sedutoras do sistema deste mundo [Romanos 12:2; I João 2:15; Salmos 1:1-3], e a música “cristã” está hoje totalmente nas mãos do corrupto “sistema” do entretenimento deste mundo.

Dois dos mais populares músicos cristãos são: Michael W. Smith e Amy Grant. Ambos têm contrato com a Word Music Company, que pertence à Word Entertainment, a divisão de música cristã da Warner Music Group, uma companhia da Time Warner. Isso explica por que alguns dos flautistas de Hamelin da igreja passam para o outro lado, levando milhões de fãs com eles. Quando isso acontece, os êxtases emocionais que estiveram ligados a Deus são transferidos para os novos temas que excluem Deus e exaltam a luxúria. [6]

Steven Curtis Chapman pode ser o artista mais famoso da Sparrow Records, uma parte da Sparrow Label Group, que pertence à EMI Music Publishing inglesa, a maior editora de música secular do mundo. Tendo apresentado os Beatles à América nos anos sessenta, ela agora é proprietária de selos como Capitol, Angel, Blue Note, Priority e Virgin. Tendo aproximadamente 1.500 artistas, ela comercializa todos os tipos de música popular: Rock, Rap, Jazz, Cristã, Sertaneja … [7] De acordo com a EMI:

“A EMI possui os direitos de mais de um milhão de composições musicais e tem escritórios em trinta países … Compositores e autores representados pela EMI incluem David Bowie, Janet Jackson, Carole King, Queen, … Savage Garden, Sting, … Aerosmith, …”

“A&R, a arte de identificar o próximo grande autor, a próxima grande música, é a função mais importante da EMI.” [8]

O website da EMI tem uma página sobre Responsabilidade Social que diz:

“Na EMI, acreditamos que os negócios devem ser lucrativos e também benéficos para a sociedade … Temos um compromisso com a igualdade de oportunidades para todos os funcionários independentemente do gênero, etnia ou nacionalidade, religião, deficiências físicias, idade, estado civil ou orientação sexual … Apoiamos e defendemos os princípios contidos na Declaração Universal de Direitos Humanos…” [9]

Se você ler nosso artigo Trading US Rules for UN Rules, descobrirá que a Declaração Universal dos Direitos Humanos é hostil – e não útil – aos cristãos e quaisquer outros que questionem a filosofia da ONU e seu projeto de solidariedade global.

Em abril de 2003, os executivos da EMI e da Time-Warner participaram de uma conferência que tratava de tópicos como “Coisas que você precisa saber para chamar a atenção” e “O futuro espiritual da música cristã.” O objetivo da primeira “mesa redonda”, moderada pelo diretor da A&R, a Divisão Cristã da Warner Brothers Records, era “compartilhar o que estamos procurando em um artista contratado hoje”. [10] Você acha que os participantes do painel – incluindo o gerente geral da Simple Records, um diretor da Sparrow Label Group, e o diretor da A&R Gospel e da Warner Brothers Records – permitiriam letras que expressassem algumas das mais “ofensivas” verdades bíblicas? Eles considerariam a vontade de Deus para a música cristã e para o louvor?

Provavelmente não. A preocupação deles é comercializar música nas culturas de todo o mundo. Cabe a nós conhecer o que está em II Coríntios 6:14-17, que adverte:

Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? … Por isso saí do meio deles, e apartai-vos…

No artigo “Um Novo Cântico – Parte 2”, o autor e ex-músico Paul Proctor resume o significado e o propósito do louvor cristão:

“Da maneira como entendo, louvar é chegar diante do Senhor como povo santo e peculiar, em obediência, humildade, reverência, arrependimento e fé; com uma atitude de gratidão para cantar Seus louvores, ouvir Sua Palavra, glorificar Seu nome e honrá-Lo com todo o nosso ser por quem Ele é e o que tem feito.”

“Contrariamente às tendências populares, o louvor NÃO é se reunir com qualquer um e com todo mundo para fazer festa em nome de Jesus para sentir-se bem consigo mesmo, com música intoxicante e psicoterapia.” [11]

Os membros da Igreja da Comunidade de Saddleback podem não chamar seu tipo de música de intoxicante, mas essa não é a questão aqui. O que realmente importa é a natureza da força que guia a igreja. É fácil listar alguns propósitos bíblicos que parecem indicar para aonde a igreja está se dirigindo. Mas bons propósitos ou “fins” justificam os “meios” ou os métodos que violam os padrões que Deus nos deu em Sua Palavra?

A resposta não importa para aqueles que adotam o pragmatismo – a crença de que a verdade é relativa e que os fins justificam os meios. É triste ver que em grande parte do Movimento de Crescimento de Igrejas, o principal padrão para métodos bons ou maus – ou para o que “Deus está abençoando” – parece ser o sucesso mensurável e não a obediência à palavra de Deus. A questão fundamental parece ser: “Isto funciona?” Deveríamos perguntar: “O que a Bíblia (não a paráfrase preferida) nos diz?”

A resposta para a primeira questão é, sim, isto funciona. Mas poucos membros de igreja realmente entendem a Teoria Geral dos Sistemas, a filosofia e cosmovisão que está por trás dos sistemas de controle que dirigem essa transformação mundial. Muitos de seus partidários entusiastas não percebem como ela expulsa o Espírito Santo do processo decisório. Mas podemos reconhecer seu processo de mudança mental por meio seus rótulos inócuos (deveriam ser bandeiras vermelhas) como: estimativas, bancos de dados, facilitador, diálogo e mudança planejada ou contínua. Lynn Stuter, uma respeitada pesquisadora e colunista do site NewsWithViews, resume isto muito bem:

“A filosofia de sistemas ou teoria geral dos sistemas … diz que podemos criar nosso futuro por meio da construção de sistemas, e levando esses sistemas ao equilíbrio com todos os outros sistemas em um modelo conceitualmente holístico (também referido como mudança sistêmica) usando uma infra-estrutura de sistemas que é análoga a todos os sistemas. Os cientistas referem-se à filosofia de sistemas como silogismocomo obter a mudança planejada de forma sistêmatica. Dentro da filosofia dos sistemas, o sistema e a colocação do sistema em equilíbrio com todos os outros sistemas é o mais importante de tudo. Essa colocação é alcançada por meio da análise dos DADOS DE REALIMENTAÇÃO obtidos dos sujeitos do sistema estabelecido; sejam esses uma agência, uma classe ou um indivíduo. Isso explica os bancos de dados invasivos da privacidade que estão sendo construídos em todos os sistemas – na área da saúde, na educação, na justiça, na área militar … e nas igrejas.”

“… você inicia desenvolvendo sua visão do futuro criado… A visão é então definida em termos de resultados de saída. No caso da reforma educacional, os resultados de saída são os requisitos essenciais do aprendizado “acadêmico” do estado. [No movimento por propósitos, isso estaria ligado ao “propósito”]

“No documento de referência Escolas Para o Século 21 (o fundamento da reforma educacional no estado de Washington e a base do American 2000), o conteúdo é definido como excelência em termos da agenda de mudança; o processo como produto … o destino …o que é o aprendizado; emoção e afetividade como meios pelos quais o conteúdo e o processo serão alcançados…”

“A medida dessa maestria é a avaliação… Se algumas poucas crianças falham na avaliação, elas são corrigidas para se ajustarem. As avaliações também avaliam os professores das classes. A avaliação fornece DADOS DE REALIMENTAÇÃO para o sistema…” [12]

É confortante pensar que Deus aprecia todos os métodos que amamos para a produção de crescimento e de estímulos para nos sentirmos bem. Entretanto, isso não é verdade.

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” [Isaias 55:8-9]

Em seguida, Ele nos dá um sóbrio lampejo do que aprecia ver em Seu povo:

Mas para este olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.” [Isaías 66:1-2; ênfase adicionada]

Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera. Saíste ao encontro daquele que se alegrava e praticava justiça e dos que se lembram de ti nos teus caminhos” [Isaías 64:4-5; ênfase adicionada]


Notas

1. “Selecting Worship Music” [Selecionando a Música de Adoração], Rick Warren, disponível em: http://www.pastorport.com/ministrytoday.asp?mode=viewarchive&index=18 (visitado em 02/04/08). Como a Bíblia não menciona “bateria”, não permite nem proíbe seu uso. Mas o restante das Escrituras nos ajuda a entender a visão de Deus sobre o uso de batidas vibrantes. Juntamente com numerosas advertências no Velho Testamento contra a imitação dos rituais e práticas sensuais dos vizinhos pagãos e “animistas” (que provavelmente faziam uso do andamento e do volume dos ritmos para induzir o transe da possessão), Romanos 14:15 diz: “Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.” O pastor Warren admite abertamente que a introdução da música Rock foi ofensiva para muitos cristãos em sua igreja. Para arrebanhar os jovens, ele escolheu um veículo popular que iria deixar agoniados e afugentar a muitos. Essa escolha parece violar as leis de amor de Deus – um princípio que o pastor Warren enfatiza repetidamente no contexto dos pequenos grupos e na construção do novo consenso comunitário solidário.

2. Rick Warren, citado por Dennis Costella na revista Foundation Magazine, Março-Abril de 1988.

3. Publicado originalmente em: http://www.christian-ministry.com/aboutus_who.htm

4. Publicado originalmente em: http://www.christian-ministry.com/services_promo.htm (visitado em 02/04/2008)

5. I Crônicas 15:16-24; 16:4-6, 42; 25:1-6. R. Laird Harris, Gleason L. Archer, Jr., Bruce K. Waltke, Theological Wordbook of the Old Testament (Chicago: The Moody Bible Institute, 1981), p. 978-979.

6. Word Music – about, em http://wordmusic.com/about-us (visitado em 02/04/08)

7. “Nokia and EMI form strategic alliance to offer innovative range of music services”

8. EMI Music Publishing (Infelizmente, com a dissolução da EMI Music em 2012, todo o material que estava no site da empresa ficou indisponível)

9. Política de Responsabilidade Social – 2003

10. INDUSTRY and ASSOCIATES April 5-10, 2003

11.Um Novo Cântico – Parte 2

12. Lynn Stuter, “Who Controls at the Local Level?”, em http://www.learn-usa.com/er018.htm (Em 02/04/08 este artigo não estava mais disponível. Outros artigos desta autora podem ser encontrados em http://www.newswithviews.com/Stuter/stuterA.htm)


Fonte: A Espada do Espírito

Tradução: Maria Stella Tupynambá


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