Pragmatismo na Igreja – Capítulo 11

por: Mac Dominick

Pragmatismo na Igreja – Uma Religião Orientada Para Resultados: Uma Apostasia com Propósitos

Brincando de Igreja com o Jogo dos Números — Parte 4

Regra 6
A música na igreja deve ser no estilo que o público-alvo ouve no rádio.”

O vento que soprava nas plantações de algodão do Delta do Mississipi não conseguia aliviar a estranha opressão da noite e a lua pelejava contra as trevas para conseguir iluminar pelo menos tênuemente a solitária figura com uma guitarra na mão que se aproximava do cruzamento entre as Rodovias 61 e 49, perto de Clarksdale, no estado do Mississippi. Essa solitária figura tinha um encontro marcado com o destino e seu coração certamente pesava e palpitava tanto que o homem mal sentia o incômodo vento leste que soprava seu lamentoso uivo pela plantação. Quando chegou à desolada encruzilhada, recitou um antigo encantamento invocando o espírito de Legba para abrir o caminho para os espíritos apropriados canalizarem suas energias por meio de sua guitarra — exatamente enquanto o curandeiro do vodu que o tinha instruído canalizava um espírito usando seu próprio corpo. A figura solitária então se sentou na encruzilhada e começou a tocar a guitarra. Quando deu meia-noite, uma figura sombria de um enorme homem negro materializou-se diante de seus olhos, pegou a guitarra, afinou-a e entregou-a de volta ao músico solitário antes de desaparecer em pleno ar. Mais uma vez, o músico solitário começou a tocar, mas desta vez, o espírito de Legba permeou cada fibra do homem à medida que sua guitarra espontaneamente produzia o estilo musical que viria a ser conhecido como “The Blues”. Tivesse o homem sido capacitado com clarividência para ver o futuro, certamente teria ficado arrasado com o fato que tinha acabado de ser o progenitor de um estilo musical que varreria toda a civilização ocidental — pois ao fazer um pacto com Legba, (que é a versão no vodu para aquele que os cristãos chamam de Lúcifer), Robert Johnson tinha acabado de se tornar o “Pai do Rock and Roll”. Assim, pode-se afirmar que a música Rock é “uma derivação do vodu, a versão americanizada da religião africana”. (1).

Essa descrição deriva da lenda de Robert Johnson, o homem que recebe o crédito de ter criado o gênero musical que se tornaria a base para a música Rock contemporânea. Por essa distinção, o nome Robert Johnson está colocado de forma permanente no Salão da Fama do Rock and Roll em Cleveland, em Ohio. Embora o relato precedente seja parte de uma lenda, o fato é que o Rock and Roll realmente tem suas origens no vodu africano. Para evitar qualquer mal-entendido, essa observação não é uma acusação racista, mas simplesmente aponta para a música e os ritmos derivados das práticas profundamente ocultistas daqueles que estavam escravizados não somente pelos homens, mas também pelos poderes demoníacos em religiões que descendem diretamente das religiões cananitas no Velho Testamento. Esses escravos africanos trouxeram consigo para o Novo Mundo a adoração aos seus falsos demônios-deuses, suas danças rituais e suas batidas de tambores. De acordo com Eileen Southern:

“Não há dúvidas que o Haiti foi o local central em que as tradições religiosas africanas… sincretizaram-se com as crenças do catolicismo romano para produzir o vodu… as cerimônias giravam em torno da adoração ao deus-serpente Damballa por meio do canto, das danças e da possessão espiritual”. (2).

Ela também diz:

“Não se pode negar que há um forte relacionamento entre o que descobrimos no vodu haitiano demoníaco e seu correspondente na cidade de New Orleans e outras cidades do sul dos EUA. Não se pode negar também que o movimento do Rock and Roll moderno evoluiu parcialmente de algumas das danças descritas anteriormente, progredindo por diversos estágios: dança Rumba, Rhythm and Blues, Rock and Roll, Disco, Heavy-Metal, etc… dizer que uma conexão africana com os ritmos do Rock não existe é igualmente enganoso e desonesto.” (3).

As origens da música Rock contemporânea não somente tiveram suas raízes no reino demoníaco do espiritismo e do vodu, mas também produziram exemplos morais como Marilyn Manson, Janis Joplin, KISS (Knights in Satan’s Service, ou Cavaleiros no Serviço de Satanás), Ozzy Osbourne e Black Sabbath, ACDC (Anti Christ Devil’s Child, ou Anticristo Filho do Diabo), e outros numerosos demais para mencionar. Além disso, a cultura do Rock and Roll gerou o abuso generalizado das drogas, introduziu as religiões orientais na sociedade ocidental e facilitou a revolução sexual. O clímax da nova geração do Rock and Roll veio nas agitações sociais do final dos anos 60 quando aqueles que nasceram no período pós-guerra lançaram fora os padrões morais absolutos de seus pais em um esforço de criar uma sociedade baseada no relativismo “faça aquilo que você quiser e do modo como quiser”. Como resultado da “nova moralidade” e da adoção generalizada das “novas realidades da vida”, a fibra moral da geração da Segunda Guerra Mundial foi completamente perdida na nova contracultura (veja o Capítulo 4). O epicentro dessa nova cultura estava localizado nos campi universitários de todo o país e foi liderada por grupos de universitários radicais como os Estudantes Por uma Sociedade Democrática (SDS, de Students for a Democratic Society). A partir desse clima político e social emergiu um exército virtual de indivíduos jovens e contrários ao sistema, que ficou conhecido como hippies.

A cultura hippie adotou um estilo de vida que promovia o anticapitalismo, a vida em comunidades, o abuso das drogas, o pacifismo, um estilo relaxado de se vestir, religião oriental, ambientalismo radical, e tudo o mais que parecesse estar em conflito direto com os padrões e valores da geração anterior — porque esses indivíduos viam a si mesmos como revolucionários com um “chamado justo” para mudar o mundo. O movimento hippie não era nem remotamente cristão, mas um segmento do movimento começou a ver Jesus Cristo como o “primeiro revolucionário”. Eles viam o Deus encarnado como “um rebelde barbudo com uma causa de 2000 anos atrás” (4) Embora muitos tenham começado a professar fé em Jesus Cristo, havia um grande problema: eles queriam possuir o dom eterno oferecido pelo Salvador, mas sem qualquer vestígio de santificação pessoal. Em essência, desejavam continuar em seu estilo de vida contrário à Bíblia, anti-sistema, ao mesmo tempo em que faziam profissão de fé em Cristo. Esses indivíduos ficaram conhecidos como “Malucos Por Jesus”, ou “Povo de Jesus”. Havia outros sinais dentro do movimento Malucos Por Jesus que imediatamente começaram a levantar bandeirolas vermelhas para os fundamentalistas bíblicos. Por exemplo, em Seattle, “o Exército do Povo de Jesus” foi criado em resposta a uma visão recebida pela evangelista Linda Meissner, que viu um ‘exército de adolescentes marchando para Jesus’.” (5) Incidentes como esse introduziram as filosofias carismáticas no movimento e somente serviram para obscurecer ainda mais uma situação teologicamente confusa. Uma vez que pastores conservadores começaram a recrutar ligações com os hippies em suas equipes ministeriais, esses indivíduos tiveram efeitos dramáticos nas igrejas. Billy Graham começou a comparecer aos encontros do “Povo de Jesus” e instruía os jovens a “ficarem doidões por Jesus sem bloqueios e sem ressaca”. (6) Alguns ministérios formados fizeram tentativas genuínas de alcançar esses jovens com o evangelismo bíblico autêntico, mas outros, como Billy Graham, usaram a filosofia neo-evangélica da infiltração (veja o Capítulo 3) e adaptaram seus ministérios para atenderem especificamente a esse segmento populacional.

Para os propósitos desta discussão, o desenvolvimento mais dramático concebido dentro do “Movimento de Jesus” foi a criação de uma síntese da música Rock e com as letras religiosas que levou o Movimento Carismático (veja o Capítulo 5) para o evangelicalismo dominante até que essa síntese se transformou naquilo que é agora chamado de Música Cristã Contemporânea (MCC). Assim, a música do Movimento de Jesus que começou em cafés, clubes noturnos religiosos, grupos de igrejas como Son City (liderados por Bill Hybels, o pastor atual da Igreja da Comunidade de Willow Creek), deram à luz bandas de Rock religioso, e festivais organizados de Rock religioso tornaram-se o novo padrão para a música sacra para muitos milhares de evangélicos. A desculpa popular dada em todos os níveis para esse novo padrão paradoxal era comumente definido como “Eles estão combatendo a influência negativa da música Rock dominante”. (7) Essa desculpa faz a falsa suposição que a música em si é amoral, como declarado no “Credo do Roqueiro Cristão”:

“Acreditamos que essas verdades são auto-evidentes — que toda a música foi criada igual — que nenhum instrumento ou estilo musical é em si mesmo maligno — que a diversidade da expressão musical que emana do homem é uma evidência da ilimitada criatividade do nosso Pai Celestial” (8).

Os “roqueiros cristãos” que redigiram esse credo deveriam ou estar caminhando adormecidos durante suas vidas inteiras, ou estavam sendo totalmente desonestos. A música não é amoral. Existem estilos de música, cultura ou arte que têm uma virtude intrínseca — virtude baseada na própria beleza. (9) Por outro lado, existem estilos musicais, culturais, ou artísticos que são intrinsecamente imorais — imoralidade que não somente apela e exalta a carne, mas que produz comportamento inadequado nos indivíduos. Por exemplo, no caso do “Rap”, esse tipo particular de expressão está associado com “matar policiais, estuprar mulheres, e vender bebida”. (10). O fato é que não é a letra que constitui a imoralidade desta e de outras formas do gênero Rock, mas a música Rock tem uma imoralidade intrínseca e um apelo distinto à natureza carnal do homem. De acordo com o Dr. Max Schoen, em The Psychology of Music, “a não-neutralidade da música é tão esmagadora que francamente fico admirado que uma pessoa séria diga o contrário”. (11) (O Dr. Schoen fez essa observação em 1940 — muito antes do advento do “Rock and Roll”.) Richard M. Taylor acrescentou: “Não podemos mudar o efeito básico de certos tipos de ritmos e batidas simplesmente inserindo algumas palavras religiosas ou semi-religiosas.” (12) Finalmente, até mesmo tipos como Frank Zappa (da banda Mothers Invention), na edição de 28/6/1969 da revista Life declarou, “O Rock é sexo. A batida combina com o ritmo do corpo.” (13). A Bíblia, em total contraste, instrui os cristãos, na epístola aos Filipenses, a “pensar em tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama”. [Filipenses 4:8-9] A pergunta que então precisa ser feita é: o gênero de Rock com letras “cristãs” produz conformação ou rebelião a Filipenses 4?

De acordo com o Dr. Jack Wheaton, autor de Crisis in the Christian Music, existem muitos perigos em adotar o formato do Rock, adicionar letras cristãs e então pensar que você tem uma nova forma de música realmente sacra:

  • O corpo estará recebendo a mensagem sensual da música Rock.
  • A mente disparará a “síndrome de voar ou lutar”, estimulando a agressividade e aumento da energia.
  • O espírito receberá uma mensagem aguada e simplista. (14)

Essa é precisamente a questão em muitos serviços contemporâneos. O serviço de adoração é transformado em uma experiência de grupo em que a música física e emocionalmente substitui a genuína adoração com uma experiência física que inibe não somente a mensagem da “letra cristã”, mas também a mensagem do pregador após o serviço da música. Talvez esse fenômeno é que tenha levado o ícone da Música Cristã Contemporânea Michael W. Smith a expressar a seguinte opinião: “Odeio dizer desta forma, mas o cara da adoração precisa ter tanto prestígio quanto o pastor que está na liderança.” (15) Infelizmente, no caso de uma Igreja do Novo Paradigma, a avaliação de Michael Smith está absolutamente correta. Quando o “líder de adoração” coreografa uma apresentação que inclui música Rock contemporânea com letras cristãs, “a repetição constante da corda de baixo pode produzir um estado hipnótico leve que torna o ouvinte menos ciente de sua individualidade e mais consciente de uma experiência grupal… quando isso acontece, falsa doutrina pode ser facilmente introduzida goela abaixo com pouco ou nenhum reconhecimento.” (16). Existem diversas novas questões que podem ser levantadas nesse cenário:

  • Não existe o ofício de “líder de adoração” mencionado na Bíblia como um cargo da igreja do Novo Testamento e, assim, capacitar esse indivíduo além do controle do pastor é claramente antibíblico.
  • Isso traz novamente o cenário do “pensamento de grupo”, que é ocultista em sua origem (veja o Capítulo 7). Deus lida com o indivíduo, e perder a identidade individual de alguém no serviço da igreja resultará na falta de vidas transformadas a partir da convicção do Espírito Santo na vida do indivíduo.
  • A Música Cristã Contemporânea está saturada com falsa doutrina. Uma razão básica para isso é o fato que a maioria dos ícones populares do movimento da MCC é carismática em sua teologia, e a música deles ecoa temas carismáticos e da Teologia do Domínio.

A despeito de tudo isso, Rick Warren novamente exerce sua filosofia pragmática nessa arena crucial dizendo o seguinte em seu livro Uma Igreja com Propósitos:

“Rejeito a idéia que os estilos musicais possam ser julgados como música boa ou ruim… O tipo de música que você gosta é definido pela sua formação e pela sua cultura.” (17).

A segunda sentença dessa afirmação pode ter alguma validade, mas a segunda sentença não tem correlação lógica alguma com a primeira. O estilo musical de preferência pode bem ser determinado principalmente pela formação e cultura do indivíduo, mas esse fato não neutraliza a moralidade ou imoralidade da música. Por exemplo, como no caso mencionado anteriormente do vodu, existem culturas inteiras que são inquestionavelmente controladas pelo ocultismo e pela feitiçaria; e, como resultado, o estilo musical preferido por um membro dessa cultura é com toda a probabilidade também demoniacamente inspirado (Na verdade, o mesmo pode ser dito a respeito da cultura do Rock and Roll.).

Além disso, a afirmação do Dr. Warren sobre a matéria do estilo musical e cultura é muito desconcertante, pois ao igualar a preferência de um estilo musical com base na cultura de um indivíduo, ele está essencialmente descartando qualquer forma de absolutismo. Dizer que “não existe estilos musicais bons ou maus, mas somente uma preferência cultural” equivale à idéia que “a verdade” da minha cultura é tanto “verdade” quanto a “verdade” da sua cultura. (ou) Nenhuma “verdade” é superior à qualquer outra “verdade”. Para mover a terminologia de volta à arena musical, essa visão está declarando a igualdade de todos os estilos musicais, e a tolerância pós-moderna (veja o Capítulo 6). Ele faz isso simplesmente para defender sua afirmação que “a música na igreja deve ser do mesmo estilo musical que a clientela-alvo ouve no rádio”, e ele cria essa regra para o participante do Jogo da Igreja do Novo Paradigma como um veículo para alcançar o resultado do resultado exponencial da igreja.

Para sermos honestos, Rick Warren realmente apresenta alguns pontos muito bons (juntamente com outros muito ruins) em seu livro Uma Igreja com Propósitos. Entretanto, não existem pontos bons no capítulo sobre música. Ele está tão preocupado com o crescimento da igreja que aparentemente se estende longamente em sua tentativa de justificar qualquer filosofia pragmática que resulte no crescimento exponencial. Ele insiste repetidamente que a música é amoral sem apresentar nenhuma documentação para essa sua posição, além de sua opinião. Além disso, ele novamente insulta a inteligência de seus leitores com sua enganosa “torção das Escrituras”, destruindo completamente o contexto do Salmo 96:1. O salmo diz, “Cantai ao SENHOR um cântico novo”. O Dr. Warren então utiliza essa Escritura para criticar as igrejas que entoam “cânticos antigos” (18). O contexto da Escritura reflete um “novo cântico” devido à mudança no coração, não um cântico contemporâneo para atrair os “sem-igreja” a um serviço de adoração que sirva para entreter e não seja ameaçador.

Não somente Rick Warren abraça o relativismo cultural com base em correlações ilógicas e furadas e na distorção enganosa das Escrituras, mas também não corrobora nenhuma de suas opiniões sobre música na igreja com a Palavra de Deus. Exatamente o que, então, é a base para suas opiniões? A resposta é óbvia — O fato que aquilo funciona! Novamente, o uso do pragmatismo obscurece a direção e os ensinos da Palavra de Deus. O Dr. Warren reconhece que “… a música é o comunicador principal dos valores da geração mais jovem.” (19) Essa é uma afirmação com a qual este autor concorda plenamente, mas ainda permanece a pergunta, “Quais valores?” Será se Rick Warren quer dizer que as igrejas devam utilizar o estilo musical de Alice Cooper, Ozzy Osbourne, ou ACDC para comunicar os valores desses indivíduos aos jovens cristãos? Será se quer dizer que as igrejas devam garantir a presença da batida do Heavy-Metal em todos seus cânticos e coros de louvor para efetivamente comunicar sensualidade, satisfação da carne, ou apenas transmitir os valores da música derivada do vodu demoníaco? Logicamente, ele realmente não quer dizer esses valores. Ao invés disso, quer usar a música contemporânea para difundir os valores de Deus para “… que Satanás não tenha um acesso irrestrito a toda uma geração.” (20).

Entretanto, com base em fatos em vez de em opiniões, essa estratégia produzirá resultados opostos em toda a Igreja do Novo Paradigma. Com base no fato da origem ocultista e dos efeitos físicos e emocionais da música Rock contemporânea, no fato dos valores e estilo de vida dos ícones famosos e mais conhecidos da música Rock contemporânea, e no fato que a Música Cristã Contemporânea é doutrinariamente deficiente ou contém erros, como alguém poderia querer trazer esse estilo musical para dentro da igreja? Isso não equivale a realmente fazer um convite para Lúcifer vir e participar na comunhão? O que aconteceu com “não dar a Satanás um acesso irrestrito”? Como também afirmado sucintamente pelo ex-líder da adoração da MCC Dan Lucarni, “Quando convidamos a música Rock, trazemos com ela um espírito de imoralidade com o que essa música está inevitavelmente associada.” (21).

Isso também leva a uma discussão sobre o conceito de adoração. Os animadores dos serviços contemporâneos acusam os “tradicionalistas” (a terminologia do tradicionalismo será discutida no final deste capítulo) de ignorância da verdadeira adoração, e assim colocam uma grande ênfase na “adoração e louvor”. O problema, entretanto, é o conceito contemporâneo de adoração ser totalmente baseado na experiência. Dan Lucarni novamente afirma, “Nossa adoração precisa estar baseada na verdade ‘conforme ela está escrita’ e não na nossa experiência, nossas sensações ou emoções, as necessidades sentidas do consumidor, ou nossa versão da verdade centrada no homem.” (22) Como a própria Bíblia diz, “Deus é Espírito, e importa que os que o adorem o adorem em espírito e em verdade.” [João 4:24]. A adoração contemporânea baseada na experiência ignora a verdade da Palavra de Deus e traz o mundo para dentro da igreja. Essa nova redefinição da adoração resultou em uma assembléia que equivale mais a um programa de variedades do que uma preparação humilde para a pregação da Palavra de Deus. (Após uma visita à Igreja da Comunidade de Saddleback, este autor achou que tinha acabado de participar de uma versão religiosa do programa do Ed Sullivan na televisão. As questões dos serviços contemporâneo versus tradicional começam no coração da matéria (como novamente definido por Dan Lucarni):

Propósito principal da adoração:

  • Contemporânea — Trazer as pessoas à presença de Deus.
  • Tradicional — Preparar os corações para a pregação da Palavra de Deus.

Ênfase da Adoração:

  • Contemporânea — Música.
  • Tradicional — Pregação.

Motivo principal para a adoração:

  • Contemporânea — As pessoas gostam dela?
  • Tradicional — Deus se agrada dela?

Indicador de sucesso:

  • Contemporânea — “Eu realmente adorei a Deus hoje.”
  • Tradicional: “Fui realmente convencido pela Palavra de Deus hoje.” (23)

A verdadeira adoração a um Deus santo leva o indivíduo à prostração espiritual diante da justiça infinita de Deus. O serviço bíblico de adoração envolve uma atitude e uma atmosfera que exalta a santidade de Deus e mostra a indignidade do adorador. Uma análise muito rápida do Antigo Testamento revela que todos aqueles que se encontraram na presença de Deus prostraram-se em humildade, sentindo-se indignos diante da infinita magnificência e santidade de Deus. Os exemplos incluem alguns indivíduos muitos espirituais — Abraão, Moisés, Josué, e outros que se aproximaram de um Deus Santo em abjeta humildade. A adoração deles não terminou com o adorador proclamando suas emoções, sua auto-estima, e sua euforia sobre a ótima sessão de adoração que realmente agradou a Deus. Todos eles saíram da presença de Deus com temor, tremendo e com um profundo senso de sua própria indignidade não somente para entrar em Sua presença, mas também para serem escolhidos como Seus servos. Em contraste, o freqüentador assíduo do serviço de adoração do Novo Paradigma sai sentindo-se melhor consigo mesmo.

A outra falácia que os contemporâneos precisam encarar é o conceito bíblico que as pessoas são salvas não pela música, mas sim pela pregação. A Bíblia não diz que os pecadores serão convertidos pela manipulação emocional e sensual da batida da música mais animada, mas a Bíblia diz enfaticamente, “… aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” [1 Coríntios 1:21]. Historicamente, em algumas ocasiões, pessoas vieram a Cristo por meio dos grandes hinos da fé, como “Há Poder no Sangue”,mas esses hinos literalmente pregam a Palavra de Deus ao pecador. Por outro lado, a Música Cristã Contemporânea é muito fraca sob o ponto de vista doutrinário. Essa fraqueza não é coincidência, pois essa música é feita para vender, não para convencer. A MCC é feita para despertar as emoções, não transmitir as coisas profundas de Deus. Como afirmado diversas vezes neste manuscrito, a doutrina divide porque a verdade divide — portanto, para que uma nova canção ou CD resulte no enriquecimento de seus produtores, precisa cruzar as fronteiras sociais e teológicas de modo a apelar a uma clientela maior. Por outro lado, as igrejas bíblicas estão incumbidas de guardar, viver e perpetuar as doutrinas fundamentais da Palavra de Deus. A Música Cristã Contemporânea é uma funesta deterrência a essas instruções para a igreja neotestamentária.

Conclusões da Regra 6

  • A música em si mesma não é amoral.
  • A música Rock tem suas raízes nas religiões demoníacas de origem africana e pode ter sido introduzida no mundo ocidental pela influência direta do próprio Lúcifer.
  • As letras religiosas não purificam a música Rock, mas, ao invés disso, os valores intrínsecos da música Rock corrompem as letras religiosas e limitam a influência do ensino bíblico devido aos efeitos físicos da música sensual.
  • Os serviços contemporâneos de adoração enfatizam uma experiência de grupo, como evidenciado nas religiões ocultistas, em vez de uma responsabilidade individual diante de um Deus que é santo.
  • O fato que a MCC utilizada nos serviços da igreja atraia uma multidão maior não significa que Deus esteja abençoando por meio desse gênero de música.
  • Os ensinos doutrinários dos “grandes hinos da fé” são perdidos por aqueles que descartam esses hinos e os substituem pela Música Cristã Contemporânea, que é muito superficial sob o aspecto doutrinário.
  • Embora potencialmente muito influente, a música não é o veículo principal para o evangelismo ou para a edificação no serviço da igreja. Essa distinção está reservada para a pregação da Palavra de Deus.
  • A insistência que o estilo musical é uma preferência cultural ou da formação do indivíduo leva às filosofias do relativismo e da tolerância pós-moderna.
  • Será se isso significa que toda a música cristã moderna é inapropriada para a igreja? Certamente que não. Existe uma vasta seleção de música cristã criada recentemente que não está baseada no gênero Rock and Roll, não utiliza as vãs repetições, não utiliza a batida característica do Rock, e é doutrinariamente sólida. (Um bom exemplo de música sacra sólida, bíblica e moderna é a produzida por Ron Hamilton e publicada pela Majesty Music, de Greenville, SC, EUA.).

Após toda essa reflexão, pode-se concluir que a MCC é um “cavalo de Tróia” moderno que entrou descaradamente na igreja e está sutilmente (ou não tão sutilmente) liberando os inimigos do evangelho em membros insuspeitos da igreja, em um esforço de levá-los a fazer a transição para o pensamento do novo paradigma. Os cristãos que crêem na Bíblia devem estar plenamente cientes que como regra geral, a música é a primeira coisa a passar pelo plano de transição da igreja. Exatamente como discutido na questão da tradução Almeida da Bíblia, chegou o tempo para os pastores e indivíduos piedosos fixarem uma estaca no solo e se posicionarem pela verdade da Palavra de Deus e a defesa da fé. Embora isso não signifique necessariamente que as melodias geradas pelo coro, a orquestra, o piano e órgão sejam mais “sacras” do que a que pode ser produzida por outras formas de música; mas as igrejas precisam proclamar um enfático “não” às bandas de louvor, guitarras elétricas, baterias e outros instrumentos suspeitos de introduzirem o gênero do Rock no serviço da igreja. Outro aspecto que precisa ser tratado é o fato simples que se é errado ter música Rock com baterias, guitarras e teclados, etc., ao vivo -, é igualmente errado introduzir esses instrumentos e estilos na igreja por meio das fitas cassetes de acompanhamento. Na verdade, toda essa tendência pode facilmente começar com solistas que utilizam fitas de acompanhamento de MCC em vez de fazer um esforço adicional de combinar com um pianista, organista ou orquestra o acompanhamento para seus solos.

Como foi dito anteriormente neste manuscrito, mais do que qualquer outro mandamento nas Escrituras, Deus chama seu povo para a santidade pessoal — e a santidade envolve a separação do mundo. A inclusão da música Rock na igreja desafia o chamado à santidade convidando o mundo para entrar na igreja. Aqueles que estão trabalhando arduamente para fazer a transição da igreja para o modelo do novo paradigma não somente estão desconsiderando totalmente a Doutrina da Separação, mas também estão abraçando o mundo de modo a alcançar o resultado do crescimento exponencial da igreja sob o disfarce do evangelismo.

Regra 7
Aqueles Que se Opõem à Visão Para a Mudança Precisam Ser Marginalizados ou Eliminados

Pedro e Marlene Guilhermino tornaram-se membros da Igreja Batista Beira-Rio cinco anos atrás. A seqüência de eventos que os levou à igreja começou quando compareceram a uma festa de Natal na empresa em que Pedro trabalhava. O presidente da companhia solicitou que André Gomes, um colega de Pedro, fizesse uma leitura bíblica referente ao Natal. André era membro da Igreja Beira-Rio e ficou entusiasmado com a oportunidade de testemunhar para seus colegas. Devido a esse desejo de compartilhar o evangelho, André preferiu ler João 1, em vez de um relato mais familiar, como Lucas 2.

André terminou sua leitura com as palavras “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” [João 1:12-13] Essas palavras tiveram um profundo impacto em Pedro e em Marlene. Pedro tinha crescido em um lar secularizado e somente ia à igreja para assistir a casamentos e funerais. A família de Marlene freqüentava uma igreja protestante tradicional uma ou duas vezes por ano. Os dois abordaram André após o jantar e começaram a fazer perguntas sobre as razões para Jesus Cristo ter vindo ao mundo. André sugeriu convidar o pastor da igreja para fazer uma visita e responder à algumas das perguntas. Uma semana mais tarde, essa reunião resultou na salvação de Pedro e de Marlene. Em mais uma semana, ambos foram batizados e tornaram-se membros da Igreja Batista Beira-Rio.

Pedro e Marlene estavam famintos pela Palavra de Deus, e André os convidou a freqüentar sua classe na Escola Dominical. O professor era tudo o que eles queriam — ele fazia questão que seus alunos conhecessem não somente aquilo em que criam, mas por que criam. A classe da Escola Dominical consistia de lições bíblicas diretas da Palavra de Deus, e não lições enlatadas normais de literatura superficial de Escola Dominical que muitos na igreja ouvem desde os nove anos de idade. As aulas também não eram sobre questões sociais, políticas, relacionamentos ou psicologia. O professor fazia de tudo para tornar os estudos doutrinários em teologia interessantes e não cedia às pressões daqueles que o criticavam por não seguir o currículo prescrito da igreja. Esse professor tinha a coragem de ser relevante tornando-se bíblico. Pedro e Marlene não estavam apenas motivados para estudar a Palavra de Deus em busca da verdade, mas também em aplicar essa verdade em todos os aspectos de suas vidas.

Pedro e Marlene também aprenderam muitíssimo com a pregação da Palavra de Deus do púlpito. Entretanto, à medida que os meses foram passando, começaram a detectar uma mudança de direção por parte da liderança da igreja. A música na igreja deu uma notável guinada, dos hinos doutrinariamente sólidos que eles começaram rapidamente a amar para um estilo musical contemporâneo baseado no Rock que os faziam lembrar a música das emissoras seculares de rádio. A igreja logo acrescentou a bateria e uma guitarra baixo para ajudar na transição para um serviço contemporâneo de adoração, mais alegre e animado. O pastor sistematicamente começou a afastar-se da pregação expositiva da Palavra de Deus e acrescentou uma direção psicológica em seus sermões. Alguns domingos, eles saíam da igreja imaginando se o pastor tinha copiado seu sermão de uma palestra da Dra. Laura Schlesinger, em vez de prepará-lo sob a direção do Espírito Santo de Deus. Eles tinham a impressão de ouvir muito sobre a “visão do pastor para a igreja”, sobre como financiar essa “visão”, e como trazer os sem-igreja para os serviços. Eles achavam muito estranho que não eram instruídos a ir e proclamar o evangelho, mas ao invés disso, eram orientados a sair pelo bairro e exaltar as virtudes da Igreja Batista Beira-Rio.

Contemporizações adicionais por parte da liderança da igreja os deixaram em um desconforto cada vez maior, mas a classe na Escola Dominical era como um oásis em um virtual deserto de contemporização. Quanto mais a igreja parecia ser levada pelo vento, indo à deriva, mais o professor da Escola Dominical insistia que eles se posicionassem pela verdade da Palavra de Deus. Ele usava unicamente a tradução Almeida Corrigida e Fiel da Bíblia, mostrava os problemas com a Música Cristã Contemporânea, e não arredava o pé do ensino expositivo das Escrituras. Entretanto, os rumores de que ele era divisivo, não estava disposto a seguir as diretrizes do superintendente da Escola Dominical, e que demonstrava falta de vontade de apoiar a visão do pastor para a igreja pareciam proliferar na congregação. Parecia que a classe era um navio sendo agitado em um mar vasto e turbulento e a maioria dos membros percebia que a proliferação dos rumores de um motim contra a liderança da igreja pelos alunos da classe fazia com que a influência deles na igreja como um todo tivesse de ser marginalizada até o ponto de se tornar irrelevante. O professor fundamentalista e seus seguidores (que incluíam Pedro, Marlene e André) que se firmavam na Palavra de Deus foram rotulados de “obstrucionistas” que estavam inibindo a operação do Espírito Santo. Eles sabiam que a hora de sua partida tinha chegado e não podiam mais continuar tendo comunhão naquela igreja.

Esse cenário tornou-se hoje muito comum. De acordo com os proponentes da transição da igreja, todos eles enfrentam graus variados de oposição constante. Rick Warren, Dan Southerland, e outros, continuam a escrever e a proferir palestras em seminários a milhares de pastores sobre os modos mais eficazes de lidar com a oposição à mudança. Parece que eles vêem a si mesmos como Neemias durante a reconstrução dos muros de Jerusalém sob as mais adversas circunstâncias. Dan Southerland chegou ao ponto de basear todo o seu livro Transição: Conduzindo Pessoas Através da Mudança usando o pano de fundo o livro de Neemias e suas experiências para reconstruir os muros. Entretanto, existem grandes diferenças entre o trabalho de Neemias e o desses proponentes do novo paradigma:

  1. Neemias fez a obra de Deus do modo de Deus. A Igreja do Novo Paradigma não tem a menor disposição de seguir as instruções de Deus dadas aos pastores nas epístolas paulinas. O único padrão dela é o pragmatismo: CRESCIMENTO = BÊNÇÃO. Se uma interpretação literal das Escrituras contradiz os métodos que resultam no crescimento exponencial da igreja, então as Escrituras precisam ser distorcidas para suportar a metodologia pragmática.
  2. Neemias estava reconstruindo os muros; a Igreja do Novo Paradigma está derrubando os fundamentos do cristianismo bíblico.
  3. Neemias estava construindo muros que iriam proteger e separar os filhos de Israel das ameaças externas de uma cultura corrompida e preservar a fé de seus pais. A Igreja do Novo Paradigma dirige uma capitulação à cultura corrompida, produzindo uma síntese, ou um resultado, chamado de “uma coisa nova”.
  4. Neemias recebeu a oposição daqueles que eram os inimigos de Deus. A Igreja do Novo Paradigma recebe a oposição daqueles que se posicionam em defesa da fé.

A própria natureza da maioria dos seres humanos resiste à mudança, e até mudanças que são vistas como boas podem causar estresse indevido. Entretanto, uma “mudança de paradigmas” pode ser definida como uma mudança completa no modo de pensar de um indivíduo. De acordo com os assim chamados especialistas, as mudanças de paradigmas não ocorrem pacifica ou facilmente. Esse conceito foi exemplificado em uma afirmação sobre “evolução social” pelo globalista Ervin Laszlo quando disse: “Quando uma crise, descoberta, ou uma revolução de incríveis proporções ocorre, a sociedade existente é empurada para uma fase de instabilidade crítica, e uma nova sociedade evolui.” (24) Tal revolução está ocorrendo no cristianismo evangélico e seus efeitos estão também influenciando tremendamente o fundamentalismo. A mudança de paradigmas que está ocorrendo realmente está produzindo um período de instabilidade crítica, mas como Rick Warren observa, é um movimento que está operando “sob o radar” (25) (É somente “sob o radar” por que tantos nas igrejas evangélicas e fundamentalistas estão adormecidos, apáticos, ou ignorantes dos ensinos da Palavra de Deus.) De modo a implementar essa “coisa nova”, os agentes de mudança da transição da igreja introduziram conceitos para gerar essa instabilidade crítica que são também contrários aos seguintes ensinos da Palavra de Deus:

  • A ênfase do serviço da igreja é a pregação.
  • A ênfase da pregação é a doutrina.
  • O propósito principal da igreja reunida é a edificação dos santos.
  • A pregação deve redarguir, repreender e exortar.

Além de negar esses ensinos bíblicos, as filosofias pragmáticas da Igreja do Novo Paradigma fazem surgir falsos conceitos de adoração:

  • O falso conceito que a música é amoral.
  • O falso conceito que a igreja precisa identificar-se com a cultura popular.
  • O falso conceito que o atendimento às necessidades sentidas é uma prioridade para a igreja.
  • O falso conceito que a psicologia é um ingrediente necessário na pregação.
  • O falso conceito da tolerância pós-moderna.
  • O falso conceito que a freqüência à igreja deve dar ao freqüentador uma maior auto-estima e fazê-lo sair da igreja sentindo-se melhor consigo mesmo.

Finalmente, os resultados dos conceitos falsos e sem base bíblica engendram grandes questões doutrinárias:

  • Questões com a doutrina da divindade de Cristo.
  • Questões com a doutrina bíblica da separação.
  • Questões com a escatologia bíblica.
  • Questões com os ensinos carismáticos e a Teologia do Domínio.

Em face de todas essas questões, não deve ser absolutamente surpresa que aqueles que desejam permanecer firmes na defesa da fé resistirão à matança da Religião Orientada Para Resultados em suas comunidades cristãs. Entretanto, as “estrelas” do novo paradigma têm a resposta para esse problema e estendem-se longamente para ensinar uma fórmula de marginalização e eliminação dos dissidentes aos leitores de seus livros e participantes de seus seminários. Eles informam que a comunicação apropriada da “visão para a igreja” é fundamental para o sucesso do processo de transição, e qualquer resistência será derrotada se o processo for implementado de acordo com o plano. Dan Southerland relata, “Quando você define a visão e mantém a rota, determina quem estará partindo.” (26). O pastor Southerland experimentou e compreende que haverá oposição da parte dos fundamentalistas biblicamente militantes. Ele também compreende que aqueles que acreditam na Doutrina da Separação não permanecerão no rol de membros da igreja se o corpo da igreja adotar a filosofia baseada em resultados do novo paradigma. Ele não é o único que reconhece isso. Rick Warren fala do fato que haverá aqueles que são reconhecidos como “pilares da igreja” que abandonarão a comunidade devido à Religião Orientada Para Resultados e por propósitos. Logicamente, ele responde ao problema com sua típica analogia ilógica e distorcida, “Os pilares são pessoas que mantêm as coisas de pé… Você terá algumas benditas subtrações antes de ter as abençoadas adições.” (27) Bill Hybels, pastor da Igreja da Comunidade de Willow Creek, acrescenta o seguinte comentário sobre essa questão: “Você tem somente lágrimas suficientes para um grupo de pessoas: aqueles que estão vindo em sua direção ou aqueles que estarão se afastando de você. Escolha por quem você vai chorar.” (28).

Não é possível deixar de imaginar se esses pastores dedicados que têm um desejo ardente de alcançar os “sem-igreja”, construir igrejas para os “sem-igreja”, e conquistar seu mercado-alvo para Cristo alguma vez já leram a Bíblia? Em caso afirmativo, eles devem estar cortando grandes porções das Escrituras que contradizem totalmente as filosofias desse novo paradigma. A Bíblia é muito clara que as pessoas levadas a uma determinada igreja devem ser pastoreadas pelo pastor. A Bíblia também é muito prolixa em suas analogias que comparam o pastor e a congregação ao pastor de ovelhas e seu rebanho. Em termos bem claros, o pastor deve ser para a congregação como um pastor de ovelhas é para seu rebanho. Quando essas comparações são levadas um passo adiante, os ensinos de Jesus precisam ser incluídos. Ele descreveu a si mesmo como o “bom pastor que dá a vida pelas ovelhas.” Além disso, Jesus contou a parábola do pastor que deixou as 99 ovelhas e arriscou a própria vida para trazer uma única ovelha perdida de volta ao aprisco. O reconhecimento desse ensino das Escrituras leva à seguinte pergunta: “Como marginalizar e eliminar membros do aprisco se equipara ao conceito do pastoreio altruísta, sacrificial e competente?” Como pode um homem amar a menor ovelha de seu rebanho e “decidir quem abandona definindo a visão”? Como uma atitude de marginalização e eliminação daqueles que querem preservar os ensinos fundamentais da Palavra de Deus se equipara no coração de um homem chamado para ser o pastor do rebanho que Deus lhe deu? Dan Southerland relata que a igreja que ele pastoreava iniciou o processo de transição com 300 membros. Ao longo do período de transição, a igreja perdeu 300 membros e ganhou outros 2000. Dos 300 membros originais, mais da metade abandonou a igreja. Dan Southerland informa, entretanto, que valeu a pena a troca de perder esses 300 para ganhar 2000 “sem-igreja” para o “reino”. Em lugar dessa atitude, Dan Lucarni faz uma pergunta muito pertinente, “Que tipo de pastor é esse que decide que vale a pena perder algumas ovelhas?” (29).

Isso não quer dizer que a Bíblia omita o assunto da eliminação de membros da igreja. Por exemplo, houve um homem na igreja de Corinto que cometeu adultério com sua madrasta. O apóstolo Paulo ordenou que aquele indivíduo fosse excluído da igreja. O princípio da disciplina eclesiástica é muito bem definido nas epístolas de Paulo, e essa disciplina normalmente resultará na exclusão de um membro da comunhão na igreja local. Entretanto, em parte alguma da Palavra de Deus há qualquer indicação da expulsão de um membro por querer manter os princípios das Escrituras. Como informado anteriormente neste manuscrito, o livro de Atos elogia os bereanos por examinarem as Escrituras para confirmar as afirmações dos missionários de Antioquia. O desejo de marginalizar ou eliminar esses “pilares da igreja” que se opõem à visão do novo paradigma é completamente estranho às instruções da Palavra de Deus.

Conclusões da Regra 7:

  1. O pastor de uma igreja deve ser como o pastor de um rebanho e cuidar de suas ovelhas.
  2. A estratégia de marginalização ou eliminação é contrária ao caráter do pastor, conforme mostrado no Novo Testamento.
  3. A prática da disciplina da igreja neotestamentária permite a eliminação do rol de membros somente em caso de pecado ou de heresia.
  4. Não há base no Novo Testamento para punir um membro da igreja por se posicionar em defesa da fé.

Em conclusão, os líderes do Jogo da Igreja do Novo Paradigma referem-se àqueles que se opõem aos seus esforços como “tradicionalistas”. Isso é certamente verdadeiro no caso de muitos que se opõem aos esforços de transição da igreja, e muitos nas igrejas evangélicas e fundamentalistas estão mergulhados no tradicionalismo. Entretanto, não é a esse grupo de indivíduos que este manuscrito se propõe a apoiar. Qualquer indivíduo que se agarra às tradições da igreja está se colocando na mesma posição que o católico romano que dá tanto ou até maior importância às tradições da igreja que à Palavra de Deus. Aqueles que se opõem ao Jogo da Igreja do Novo Paradigma para preservar os vitrais, os bancos da igreja, a liturgia, o ritual, ou qualquer um dos outros itens religiosos da igreja têm prioridades tão mal colocadas quanto aqueles a quem se opõem. Entretanto, os agentes de transformação de transição da igreja tendem a classificar toda a oposição sob o rótulo de “tradicionalistas”. A verdade é que esses que se colocam em defesa da fé não são tradicionalistas nesse sentido, pois não vale a pena lutar pelas tradições concebidas pelo homem. É o precioso tesouro da doutrina dentro das páginas da Palavra de Deus que precisa ser defendido a todo o custo a partir não somente da matança das filosofias orientadas para resultados, mas todas as outras formas de apostasia.

Infelizmente, muitos que compreendem essa verdade não estão dispostos a pagar o preço associado com a oposição à “visão” do agente de transformação transicional. Como muitos não querem agitar o barco, ser divisivos, ou rotulados de “criadores de problemas”, sucumbem à ameaça da estratégia da marginalização e da eliminação usada pelo novo paradigma. Eles têm uma compreensão do problema, mas falta-lhes a coragem para se oporem abertamente à transição da igreja. Esses membros da igreja ponderarão sua posição de contemporização até que estejam totalmente autojustificados na desobediência à Palavra de Deus e autoconciliados diante do mandamento de se separar “dos irmãos que andam desordenadamente”. A despeito do fato de reconhecerem o problema, eles eventualmente tornam-se parte do problema.

Finalmente, a Regra 7 é a culminação das Regras de 1 a 6. É a Regra 7 que força o agente de mudança do novo paradigma a lidar com a realidade que estará perdendo aqueles que realmente se posicionam pelos princípios da Palavra de Deus. O jogo do pragmatismo está eliminando da igreja aqueles que realmente preservam os mandamentos das Escrituras que determinam a defesa das doutrinas fundamentais da Palavra de Deus a todo o custo, e os agentes de mudança do novo paradigma compreendem perfeitamente que os indivíduos que se mantêm fiéis ao Livro — e não os tradicionalistas — representam a maior ameaça ao sucesso deles. Assim, a ênfase precisa ser colocada em lidar com a oposição; pois aqueles que defendem a verdade mantêm a moral em um terreno elevado. A estratégia resultante de marginalização e eliminação é o plano perfeito. Aqueles que estão no ardor dessa batalha precisam orar e pedir coragem para enfrentar os que quererão desacreditar seus esforços. Entretanto, como Pedro, Marlene e o André descobriram, chega um momento em que a separação é o único recurso bíblico diante de tão grande apostasia.


Notas Finais

  1. Scotese, David W, Did Robert Johnson Sell His Soul at the Crossroads? [Robert Johnson Vendeu Sua Alma na Encruzilhada?], revista Mudcat Café, 1997.
  2. Southern, Eileen, The Music of Black Americans, W. W. Norton Publishing, Nova York, 1971, pág. 159.
  3. Ibidem, pág. 509.
  4. Pritchard, G. A., Willow Creek Seeker Services, Baker Books, Grand Rapids, Michigan, 2001, pág. 33.
  5. Di Sabatino, David, History of the Jesus Movement, McMaster Divinity College, Tese de Mestrado, 1994.
  6. Armstrong, Chris, Tell Billy Graham: The Jesus People Love Him, Christian History Newsletter, Christianity Today.com, 29/11/02, pág. 1.
  7. Di Sabatino.
  8. Lucarni, Dan. Why I Left the Contemporary Christian Music Movement, Evangelical Press, Auburn, MA, 2002, pág. 80.
  9. Payton, Leonard R., Congregational Singing and the Ministry of the Word, www.the-highway.com, julho de 1998, pág. 13.
  10. Ibidem, pág. 10.
  11. Schoen, Max, The Psycology of Music, The Ronald Press, Nova York, 1940 (conforme citação de David Cloud).
  12. Taylor, Richard M., The Disciplined Lifestyle, 1973, pág. 86 (conforme citado por David Cloud).
  13. Life Magazine, 28/6/1968 (conforme citado por David Cloud).
  14. Wheaton, Jack, Crisis in Christian Music, Hearthstone Publishing, Oklahoma City, 2000, pág. 64.
  15. Cloud, David, Friday Church News Notes, 29/8/2003, Vol. 4, Edição 33.
  16. Wheaton, pág. 77.
  17. Warren, Rick, The Purpose Driven Church [Uma Igreja com Propósitos, Editora Vida] Zondervan Publising, Grand Rapids, MI, 1995, pág. 281.
  18. Ibidem, pág. 288.
  19. Ibidem, pág. 280.
  20. Ibidem.
  21. Lucarni, pág. 42.
  22. Ibidem, pág. 55.
  23. Ibidem, pág. 120.
  24. Lalonde, Peter, One World Under the Antichrist, Harvest House Publishers, Eugene, OR, pág. 131.
  25. Warren, Rick, “The Purpose-Driven Seminar”, 1/98 (conforme citado por Dennis Costella).
  26. Southerland, Dan, Transitioning, Leading Your Church Through Change, Zondervan Publishers, Grand Rapids, MI, 1999, pág. 127
  27. Warren / Costella.
  28. Southerland, pág. 127.
  29. Lucarni, pág. 77.

Fonte: A Espada do Espírito


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