O Funk e o Culto Evangélico

Carlos Renato de Lima Brito

A recente e primeira enquete do meu blog continha a seguinte pergunta: “É correto usar o funk no culto?”. Dos seletos 7 que participaram da pesquisa os 7 responderam que não. Posso afirmar que esta opinião não é compartilhada por muitos evangélicos. As crenças de que a música é neutra, de que a música pode ser uma ferramenta na evangelização e de que uma letra cristã, por si só, pode converter uma música qualquer em música cristã fizeram surgir em anos recentes DJs e bondes gospel para alguns gostos questionáveis. Ouvi que até os funks mais conhecidos e sensuais foram parodiados para forçarem uma mensagem de salvação e de adoração.

Discordo do uso do funk nos cultos por três razões. A primeira razão é que o funk possui uma estrutura musical bastante sexualizada. Ele possui uma batida sincopada, ou seja, fora do ritmo mais quadrado, em que a ênfase recai sobre o considerado tempo fraco da música tradicional. Esta batida do funk é repetitiva à exaustão. Os recursos vocais dos funkeiros incluem nas falas ritmadas a rouquidão, as notas indefinidas, os grunhidos, os gritos, etc. Por vezes, incluem-se vocalistas mulheres para dar mais clareza ao apelo sonoro sexualizado. As letras da música funk, com toda sintonia com a música, possuem o que há de mais vulgar, acentuada por recursos eletrônicos e uso minimalista de motivos musicais populares.

A segunda razão é que a apresentação do funk mais difundido pela mídia é bastante sensual. Não é preciso dizer que prevalecem as coreografias apelativas, a exposição depreciativa da mulher e o machismo opressor do homem associado à criminalidade.

A terceira razão por que o funk não pode ser utilizado nos cultos evangélicos é que toda esta carga de significado, amplamente estudada por várias abordagens, não pode ser separada na mente do ouvinte comum ou bem estudado. A associação do culto com o erotismo do funk é prejudicial para o adorador e uma ofensa a quem está sendo adorado. O Senhor que escolheu Israel ordenou que seu povo deixasse de lado a sensualidade em preparação ou quando estivesse no culto (Êxodo 19.15; 20.26), apesar de Israel viver num contexto cultural e religioso que via a sensualidade como parte da adoração (Números 25:1-2).

Sei que há pessoas sinceras no meio evangélico que vão discordar desta opinião. Há de se ter, porém, mais sensatez e consideração à verdade que se publica a respeito do caráter da adoração revelado nas Escrituras e do que se tem afirmado a respeito deste estilo musical, até por pessoas que não professam a fé evangélica. Precisamos nos posicionar sobre a música na igreja mais do que pelos resultados, isto é, pelo número de pessoas em nossas reuniões. Precisamos nos posicionar à luz das Escrituras, da pesquisa, da razão, da observação e dos resultados.


Fonte: http://violabrito.blogspot.com