Tudo o Que Está Dando Certo é Bom Diante de Deus?

Ricardo Coelho Moreira

Entende-se como pragmatismo uma corrente filosófica do século XIX e está associada a pessoa de Willian James. Muitos nunca ouviram esse termo e duvidam sobre a influência desse pensamento em nossos dias. Mas o pragmatismo há muito corre em nossas veias, estejamos conscientes ou inconscientes disso.

Na ética pragmática há um rompimento com a metafísica, ou seja, o que é bom ou mal nunca pode ser definido por uma questão transcendente. Aplicando, o bom ou mal não é definido por Deus ou pela Bíblia, nem mesmo pela subjetividade humana. Nessa escola filosófica o que é bom, louvável, o que deve ser procurado, é o que é útil. Logo, à pergunta: Deus existe? A resposta pragmática é: se essa crença te faz bem, então continue a crer nisso.

A influência do pragmatismo no meio evangélico brasileiro é tal, que não é incomum ouvirmos e vermos líderes em busca de novas táticas ou técnicas para o crescimento de sua igreja. Por causa do pragmatismo, o fato do crescimento impede a reflexão se essa técnica é bíblica ou não. O que importa é o crescimento. Buscar uma nova metodologia administrativa, homilética ou de ensino não é o problema. O problema está na visão pragmática de muitos líderes que abandonam princípios antes defendidos, em favor do que está dando “certo”.

O perigo e ameaça do pragmatismo está no fato de que em nome daquilo que está funcionando deterioramos princípios. Infelizmente não é incomum ouvir e ver companheiros ministeriais afirmando que “apesar de não concordar muito, o povo gosta, a igreja está crescendo…” , “isso é pecado, mas Deus está com ele, Ele tem abençoado, olha o tamanho da igreja…”.

Há rigidez na disciplina com uma pequena ovelha, mas com aquele “homem de Deus” que ora e o milagre acontece, somos mais leves, pois o ministério dele está dando certo. A visão pragmática no meio evangélico nos fez deixar de avaliar o ministério de um homem por seu caráter e fidelidade escriturística no ensino. Agora os bons ministérios são os grandes ministérios.

Nem tudo que é grande é saudável, o câncer é uma multiplicação doentia das células. “Disse Jesus: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai , que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7.21-23).

A pessoa aprovada por Deus nesse texto não é o que fez milagres, que clamou fervorosamente: “Senhor, Senhor!”. O que entrará no Reino de Deus não é o que deu certo diante dos homens, mas o que fez a vontade do Pai . Nem sempre fazer a vontade do Pai vai nos levar a grandeza e sucesso diante dos homens. Mas fazer a vontade do Pai é bom.

Concluindo, nem tudo que está dando certo diante dos homens é bom diante de Deus.


Fonte: O Jornal Batista, ano CXII, Edição 07, p. 4