O Culto – Capítulo 30

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

Liturgia da Oração Dominical

A Oração Dominical, ensinada e recomendada por nosso Senhor Jesus Cristo, contém profundo conteúdo litúrgico e está formulada em ordem decrescente, partindo da majestade de Deus, entronizado nos céus e terminando com o homem em situação relacional de conflito com o seu semelhante e em estado de fragilidade diante do tentador. A doxologia final, “Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”, foi usada na Igreja primitiva, muitas vezes, como responso comunitário, depois de cada petição.

Eis a ordem do superior para o inferior, do Santo e soberano para o pecador incapaz e tentado:

a. Contemplação da glória e da majestade de Deus: “Pai nosso que estás nos céus”.

b. Reconhecimento da santidade de Deus: “Santificado seja o teu nome”. O pecador se confronta com o “Santo” e sente a necessidade de santificar o seu nome.

c. Reconhecimento da existência do reino de Deus: “Venha o teu reino”. A Igreja, reino messiânico presente, suplica a vinda do reino porvir, “maranata”.

d. Reconhecimento do reinado de Deus tanto nos céus como na terra: “Faça-se a tua vontade assim na terra como (é) no céu”. O pecador se inclui nos rol dos que fazem a vontade de Deus.

Fazer a vontade de Deus é servi-lo, e servi-lo e prestar-lhe culto.

e. Reconhecimento da diária providência divina: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.

f. Reconhecimento do perdão divina: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”. Deus tem uma relação de perdão com o redimido para que este tenha a mesma relação com o seu próximo.

g. Reconhecimento da proteção divina: “Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Segue a doxologia final.

A Oração Dominical é preferencialmente comunitária; litúrgica, portanto. Ela mostra a correta postura do adorador, eleito e redimido por Cristo, diante da majestosa divindade trina: Pai, Filho e Espírito Santo. Os mesmos princípios litúrgicos fundamentais, observáveis nas teofanias e nos cultos sacrificiais do templo, estão, em princípio, na Oração do Senhor na mesma ordem:

a. Contemplação da glória de Deus, o santíssimo.
b. Consciência da presença de Deus.
c. Que a vontade de Deus se realize pelo testemunho e missão de seu povo.
d. Confissão.
e. Consciência do perdão divino. Relações interpessoais de perdão. Convivência comunitária.
f. Enfrentamento do tentador e da tentação.Pode-se, pois, organizar uma ordem de culto, muito rica e muito bíblica, baseada nos temas peticionais da Oração do Senhor e sua doxologia final.

A Oração do Senhor procura confrontar a criatura com o Criador, o pecador carente de perdão com o Salvador, o desprotegido com o seu protetor. E isto se processa liturgicamente na realidade coinônica da Igreja e na vida de cada crente. Ela não pode, portanto, ser eliminada sistematicamente da ordem litúrgica. Além de ser uma ordenação de Cristo, é riquíssima em conteúdo e necessária à adoração e à compreensão do que Deus exige de nós e do que devemos suplicar a ele.


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


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