O Culto – Capítulo 27

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

Lições para a Igreja hoje

01 – Em nenhuma época da Igreja a liturgia foi desordenada.

Sempre houve parâmetros para que todas as comunidades, no essencial, celebrassem o mesmo culto. Nunca a Igreja deixou a liturgia ficar à mercê de “estilos” individuais do ministro, evitando introdução, pelas portas do individualismo, de elementos estranhos ao culto ou de influências modernizantes.

02 – Devemos fazer hoje o que os nossos antepassados fizeram.

A Igreja não pode olvidar suas raízes bíblicas do culto. Jesus declarou à mulher samaritana que a adoração mantém vínculos com o velho povo, pois a salvação vem de Israel: “Vós adorais o que não conheceis, nós (os judeus) adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). O Divino Mestre universaliza o culto (Jo 4,21) e espiritualiza a adoração (Jo 4.23,24), mas não rompe o liame entre a antiga e a nova ordem cúltica, pois a última procede da primeira.

03 – Nexos ou heranças da velha liturgia de Israel:

a. A idéia de um Deus presente, não invocável. No Velho Testamento o culto realizava-se no pressuposto da “presença” de Javé que, antes “tabernaculava” com seu povo; ia no meio dele.

Depois, no Templo, “residia” no “Santo dos Santos”, onde recebia o culto que seus escolhidos lhe prestavam: “O Senhor está no seu Santo Templo”. A glória de Javé (Shekinah) não se afastava do lugar santíssimo. O Culto, portanto, era o meio pelo qual o adorador podia aproximar-se do Deus presente.

Na Igreja o fato se repete: “Onde se reúnem dois ou três em nome de Jesus, aí ele está” (Mt 18.20), o Deus que tabernacula conosco: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28.20b).

b. A confissão de pecados: A oferta não podia ser oferecida sem a devida confissão de pecados a Deus por meio do sacerdote.

No novo povo de Deus também é assim: Sem confissão verdadeiramente contrita de nossos pecados a Deus por meio do Sacerdote, Jesus Cristo, não receberemos o perdão. O arrependimento leva à confissão, que não é simplesmente declaração formal de culpa, mas arrependimento sincero, contrição, entrega de nossas vidas a Jesus Cristo em “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional”. Arrependimento lá, arrependimento aqui; Confissão lá, confissão aqui. O nexo permanece.

c. Sacrifício: Os nossos antepassados judaicos ofertaram animais, simbolicamente para nós, mas realmente para eles. A nova humanidade ofertou-se em holocausto na pessoa de Jesus Cristo, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. A Santa Ceia nos faz lembrar tal mistério:

“Isto é o meu corpo, que será partido”; “Isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”. Toda a teologia reformada sustenta que a Santa Ceia substituiu a Páscoa; logo, ela não morreu, seu conteúdo e significado foram transferidos para a Santa Ceia. Eis porque a Igreja primitiva e também a reformada deram muito valor ao “Culto do Aposento Alto”, isto é, eucarístico.

d. O Batismo: o batismo, para os reformados, é substituto da circuncisão. O que aconteceu com a Santa Ceia aplica-se igualmente ao batismo: Mudou-se a forma; mudaram-se os elementos, mas não se alteraram o simbolismo, o significado e o conteúdo. O que a Circuncisão realizava, em relação a Israel, realiza o Batismo em relação à Igreja.

e. Outros elementos litúrgicos: Os outros elementos litúrgicos do Culto de Israel como: Adoração, louvor, gratidão, súplica, intercessão, dedicação, consagração, petição… estão presentes, e muito atuais, na liturgia da Igreja.

Somos pois herdeiros de Israel, porque a nossa salvação vem dele por Jesus.

04 – Ordem fixa:

Não defendemos uma ordem rígida, inflexível, de culto. Isto seria insensato por ignorar a própria dinâmica da vida e da história. Porém, há coisas que não podem ser mudadas por fazerem parte da natureza do fenômeno, do fato ou do ser. Exemplos: Pode-se achar a lei da gravidade muito velha, antiquada, mas não se há de mudá-la. O Batismo, a Ceia, o sacrifício de Cristo, a ressurreição do Salvador, a confissão de pecados, a recepção do perdão são coisas velhas, mas não superadas. Fazem parte do culto hoje como fizeram nos primeiros anos da Igreja.

Também você não pode mudar a ordem lógica das coisas. Na ordem numérica o “dois” vem depois do “um”. Antes de o crente receber o batismo não pode tomar a Santa Ceia. Esta é a ordem lógica, teológica, psicológica e até cronológica.

Na liturgia, o perdão não pode vir antes da confissão por questão de ordenação psicológica.

O Culto, portanto, possui uma ordem psicológica, que não deve ser invertida, especialmente no essencial ou fundamental: Ei-la: (próximo capítulo)


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


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