O Culto – Capítulo 19

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

Fundamentos litúrgicos da Didaquê

A Didaquê (ou o Didaquê), documento originário do primeiro século, mostra, em princípio, como se celebravam os serviços litúrgicos na Igreja primitiva:

01 – Culto dominical:

“Reunindo-vos no Dia do Senhor, parti o pão e dai graças, depois de haver confessado as vossas transgressões”. Aqui a ordem inicial do culto aaraônico se obedece:

a. Confissão: Tal confissão se fazia à vista do reconhecimento da grandeza e majestade de Deus:

“Porque isto é o que foi dito pelo Senhor: Em todo lugar e tempo oferecer-me-eis um sacrifício puro, porque eu sou Rei grande, disse o Senhor, e meu nome é admirável entre as nações”.

b. Ação de graças: Gratidão pela certeza do perdão e da redenção, graciosas dádivas do Filho de Deus.

c. Comunhão: Ato memorativo de vinculação a Cristo e de fraternidade comunitária.

02 – Celebração eucarística:

“A respeito de ação de graças assim fareis”:

a. “Acerca do cálice: Damos-te graças (eucaristia), nosso Pai, pela santa vinha de Davi, teu servo, a qual nos fizeste conhecida por meio de Jesus Cristo, teu servo. A ti a glória para sempre”.

b. “E sobre o fragmento de pão: Damos-te graças, nosso Pai, pela vida e o conhecimento que nos deste a saber através de Jesus Cristo, teu servo”. “A ti seja a glória pelos séculos”.

“Como esse fragmento estava disperso sobre os montes e, recolhido, fez-se um, assim seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra em teu reino! Porque tua é a glória, teu o poder através de Jesus Cristo para sempre”.

c. “Depois da distribuição dos elementos eucarísticos: Somos-te gratos, Pai santo, por teu nome, que fizeste habitar em nossos corações, pelo conhecimento, e fé, e imortalidade, que nos deste a saber por meio de Jesus Cristo. A ti seja a glória pelos séculos”.

d. “Ação de graças pela criação e pela providência: Tu, Senhor onipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome, e deste alimento e bebida aos homens para deleite, para que te sejam agradecidos, mas a nós nos agraciaste com o alimento espiritual e a bebida da vida eterna por instrumentalidade de teu servo. Acima de tudo, damos-te graças porque és poderoso. A ti seja a glória para sempre”.

e. “Intercessão pela Igreja: Lembra-te, Senhor, de tua Igreja, para livrá-la de todo mal e fazê-la perfeita em teu amor, reune-a desde os quatro ventos, santifica-a em teu nome, que para ela preparaste. “Porque teu é o poder e a glória para sempre”.

f. “Súplica para volta de Cristo (Maranata): Venha a graça, e passe este mundo! Hosana ao Deus de Davi! Se alguém é santo, aproxime-se; se não o é, arrependa-se: Maranata. Amém”.

Note bem: Toda seção termina com uma doxologia, uma declaração exaltatória da glória de Deus, geralmente recitada pela congregação. Depois das doxologias comumente liam-se os seguintes textos: Ap 4.11; Mt 24.31; 21.9,15; I Co 16.22.

A Didaquê mostra-nos que a Igreja dos primeiros séculos possuía uma liturgia elabora, executada pelo dirigente com respostas da comunidade. Elaboração e regulamentação observam-se.

Nada de improviso e de influências localistas. Mantinham-se os vínculos com a velha dispensação, entendendo que a Igreja é, de fato, a consumada herança davídica.


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


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