O Culto – Capítulo 10

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

Artes litúrgicas

Sendo Deus o Criador e Senhor de todas as coisas, Salvador dos eleitos, dono de tudo o que existe, o melhor, evidentemente, tem de ser para ele, especialmente no campo das artes, onde a criatividade humana, por doação divina, evidencia a sensibilidade daquele que Deus criou à sua imagem e semelhança. As artes litúrgicas principais são:

01 – Recitativa:

Na Sinagoga havia pessoas treinadas para leituras bíblicas. Na Igreja também deve haver.

O que tem dificuldades, treine em casa. Repita muitas vezes a leitura em voz alta, cadenciada, respirando nas pausas virgulares, pronunciando bem as palavras. Não leia correndo, atropelando as palavras.

Leia para a Igreja, pausadamente, não para si mesmo, com a melhor entonação vocálica possível. Na leitura dos salmos, observe os versos paralelos, procurando a ênfase ideográfica.

02 – Arte da leitura comunitária:

Na leitura responsiva o dirigente não deve quebrar o texto com erros e pontuações inexistentes ou desrespeitar os acentos gráficos e as pausas marcadas pelas vírgulas. Cada ledor tem de ouvir a leitura dos irmãos para não se atrasar ou adiantar-se.

A leitura uníssona significa: Leitura feita a uma só voz, isto é, a Igreja fala a Deus em uníssono. No momento da leitura a Igreja é uma única boca e um só ouvido, falando e ouvindo ao mesmo tempo.

03 – Arte musical:

A melhor música de Israel era a cantada no templo e nas festas solenes como a da expiação.

Nota-se isto pela letra dos salmos, particularmente o “halel”, salmos de 113 a 118. As igrejas reformadas elevaram o nível da música popular não concupiscente, adaptando-a à reverência da adoração. A música sacra clássica deve muito à Reforma, prioritariamente ao luteranismo com sua figura máxima, J. S. Bach. Os antigos corais, luteranos a calvinistas, nobilitavam-se pela qualidade literária, zelo doutrinário e técnica musical de seus hinos e cantatas. Deus, certamente, é o Pai das artes, visto ser o Pai dos artistas. Além do mais, é o Rei dos reis, augusto, soberano. Não se há de louvá-lo com vulgaridade por meio de letras, melodias e ritmos popularescos, sem qualidade e nobreza.

A melhor música, como acontecia em Israel e nos tempos da Reforma, precisa voltar aos nossos templos, sublimar os cultos, enriquecer as liturgias modernas, engrandecer o Criador. A Igreja, em qualquer aspecto, tem de ser modelo para o mundo, influenciá-lo, criar para ele, jamais ser influenciada por ele. Quando se ouvem hinos, corinhos e canções originários da cultura popular ou advindos do folclore idolatrizado com ritmos de samba e linhas melódicas herdadas de “folias de reis” e candomblés, a tristeza invade o coração dos eleitos de bom senso, pois presenciam a antes imaculada noiva do Cordeiro sambando; fazendo coreografias cênicas, próprias das artes de representação nos palcos e nos palanques; reproduzindo gestos mímicos da adoração pagã, típicos de “mães- de- santo”, ou de “ôla” de estádios de futebol.

Longe, muito longe estão tais “cultos de louvor” da adoração instituída por Deus em Israel; do culto sinagogal; das celebrações cúlticas da Igreja primitivada; da liturgia reformada calvinista; da projeção do culto celeste revelado em Apocalipse. Deus, augusto e soberano, não deve ser exaltado e aclamado da mesma forma com que se ovaciona e se louva o “Rei Momo” ou se vulgariza um santo do folclore brasileiro. Atentem para os termos respeitosos e reverentes com que Cristo se dirigiu ao Pai. Igreja e mundo são antitéticos ente si. O povo sagrado continua separado do mundo profano, e assim há de ser eternamente.


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


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