O Culto – Capítulo 7

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

O Culto da Igreja

Cristo presente, a “shekinah” divina, é o sujeito e o objeto litúrgicos. Culto não é uma festa de religiosos exaltando um ícone ou buscando bênçãos dos céus; é o encontro do Senhor, promovido por este, com seus servos na assembléia litúrgica, a comunhão dos salvos convocados por Cristo e reunidos pelo Espírito Santo para a edificação, a comunhão e a respeitosa adoração ao Redentor. Paulo entende que o motivo último do culto é a edificação do corpo de Cristo, habilitando o conjunto e cada membro para o exercício da fé e do testemunho cristão.

No culto, exatamente como acontecia no “hekal” do templo de Salomão, as expressões corporais devem ser reverentes e destinadas à reverência, consentâneas com o local de adoração, a sublimidade litúrgica, a presença do Rei. No “hekal” do templo os movimentos físicos não iam além de fechar os olhos, curvar-se, ajoelhar-se, levantar-se, mover suavemente as mãos. Nada de pulos, danças, coreografias, bateção de palmas, aplausos. O hedonismo e o ludinismo eram próprios dos cultos pagãos. No tempo da “nova era”, da teologia da prosperidade, do “Cristo da satisfação temporal”, a hilaridade confunde-se com a espiritualidade.

O Cristo da cruz tem sido substituído pelo “Cristo da glória terrena”; a fé salvadora foi trocada pela “fé positiva”, requerente de “direitos humanos” originais e inalienáveis. São deveres de Deus e direitos do ser humano, dizem, a saúde, a prosperidade, a realização dos desejos nobres e a felicidade. Semelhante teologia trocou a oração súplice, submissa à soberania de Deus, pela “confissão positiva”, oração que não admite resposta negativa, pois o suplicante não pede favor, reivindica direitos. A soberania do homem está sendo colocada no lugar da soberania de Deus. E o Senhor de todos e de todas as coisas converte-se em submisso servo do homem.

Lamentável!


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


Capítulo 8

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