O Culto – Capítulo 6

por: Rev. Onézio Figueiredo [1]

Igreja, um santuário

O culto no Velho Testamento era estritamente sacerdotal. Os sacerdotes, e somente eles, tinham acesso à parte mais sagrada do templo, isto é, aquela inteiramente santificada, completamente separada do mundo e das coisas profanas. Os leigos ficavam no exterior, incluídos no profano, onde a sensorialidade se expandia e onde o espiritual se confundia com o material na liturgia das festas. As paixões, os sentimentos e as emoções espirituais misturavam-se com as naturais e as carnais nos atos “cúlticos”. Hoje, igualmente, o culto é sacerdotal, pois a Igreja toda é um reino de sacerdotes, e o templo todo passou a ser um “hekal”, lugar santo, reunião do povo sacerdotal em Cristo Jesus, o Sumo Sacerdote do templo, Cabeça da Igreja. A solenidade do “hekal” vetotestamentário deve ser mantida no “hekal” neotestamentário, a Igreja reunida.

Onde quer que os sacerdotes de Deus se reunem, aí estará o Tabernáculo, Jesus Cristo, Deus conosco. E o local básico de reunião é o templo. Toda a Igreja, à semelhança do coral levítico, é um coral sacerdotal reverente, respeitoso, zeloso, bíblico e artístico. Um povo sacerdotal não apresenta a Deus música de má qualidade, de procedência duvidosa, de rítmos que levantem associações mundanas concupiscentes. O verdadeiro cântico espiritual somente a Igreja invisível dos verdadeiros eleitos aprende, apreende e executa, pois não procede dos cérebros humanos irregenerados, mas da revelação de Deus: “Também a voz que ouvi era como de harpistas quando tange as suas harpas. Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pode aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra” (Ap 14. 2b,3).

O novo saltério da Igreja, verdadeiramente espiritual, difere, e muito, da hinologia transitória, emergente dos sentimentos e das circunstâncias culturais. Os eleitos, iluminados pelo Espírito, separam bem o cântico realmente sacro daquele com pretensões de sacralidade. A espiritualidade do canto é uma obra do Espírito e não um produto comercial destinado ao seguimento religioso do mercado consumidor.


Notas:

[1] O presente texto foi escrito por um Reverendo da Igreja Presbiteriana. Por este motivo, o leitor encontrará algumas referências relacionadas ao culto de domingo, ou ainda alguns temas diretamente vinculados a esta denominação religiosa. Apesar deste detalhe, os editores do Música Sacra e Adoração compreendem que a leitura do texto do Reverendo Onézio Figueiredo é de suma importância para o contexto da adoração e do culto a Deus na Igreja Adventista do Sétimo Dia, justificando assim esta publicação.


Fonte: www.monergismo.com


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