O Som no Cinema – A Luz Portando o Som

O Telefone Sem Fio de Landell de Moura
Um Invento precursor do Cinema Falado

por: Prof.Luiz Netto

A LUZ TRANSPORTANDO A INFORMAÇÃO DO SOM

Representação esquemática de um projetor

No projetor de imagens de cinema faz-se simultaneamente a projeção das imagens e a leitura ótica dos sons impressos fotograficamente na trilha sonora. Existe um sincronimo entre a imagem e o som.

Os fotogramas de uma película, diferindo ligeiramente um do outro, vendo-se do lado esquerdo da película a trilha sonora onde os tons de cinza ao negro, variam em frequencia de acôrdo com o sinal de audio gravado.

Como variam os tons de cinza ao negro na trilha sonora no modo “densidade variável”

O Som no cinema

Um dos inventos que tornaram possivel o advento do cinema sonoro foi uma das invenções de Landell de Moura: O telefone sem fio, (patente 775.337 – 22/11/1904 -U.S.Patent Office) que transformava as variações de frequencia e amplitude do sinal de audio em variações de intensidade de luz na mesma cadência. Obviamente que desde logo se pensou em registrar essas variações de intensidade de luz fotograficamente, para posterior reprodução.Como se pode verificar ao longo da história do registro de som em filme, muitos técnicos, engenheiros e cientistas estiveram envolvidos nisto e uma análise mais acurada demonstra a importância do invento de Landell de Moura.

Na projeção de um filme de 35 mm um dos maiores desafios é a exigência para fixar a imagem durante a fase de exposição e alcançar uma velocidade uniforme durante a leitura ótica dos sons gravados na trilha sonora, que é uma sucessão de variações no tom cinza até o negro, cuja frequência de variação segue fielmente o som gravado originalmente.

Na primeira figura acima vemos uma representação esquemática de um projetor sonoro de filmes.O filme move-se de um carretel para o outro, sendo a taxa de exposição dos quadros de 24 por segundo. Toda a parte mecânica da máquina deve prover meios para que a velocidade de leitura da trilha sonora seja uniforme. Há 18 frames entre a exposição do filme para a visada da luz de projeção e o lugar onde o som é lido. O Som está adiantado da imagem 1 segundo ou seja de 24 a 25 fotogramas. O filme de 35 mm anda a 90 pés por minuto e o de 16 anda a 36 pés por minuto.

Vamos nos ater aqui como o som é gravado fotoeletricamente e como é reproduzido. Esta interessante aplicação tem a ver com a evolução dos inventos Photophone de Bell e o posterior melhoramente de Landell de Moura (1861/1928) com o Telefone Sem Fio e naturalmente como já dissemos com a contribuição de muitos outros cientistas, como veremos através da cronologia dos eventos. É a utilização da idéia de transmitir o som através da luz, cuja intensidade e frequencia é passível de ser registrada fotograficamente.

O Som é captado por um microfone, passa por um amplificador, sendo que a saída deste alimenta uma Lâmpada cuja intensidade de luz e frequencia de luz varia com a forma de onda do som captado. Esta luz por sua vez é focada sobre uma lente que será dirigida sobre a trilha sonora do filme. O processo inverso deve ser aplicado para transformar as variações dos tons de cinza ao negro gravados na trilha sonora para reproduzir o som original da gravação.

Uma Montagem de Um Transmissor de Áudio Via Luz

O SISTEMA VITAPHONE

O sistema de sonorização no cinema Vitaphone era uma enorme máquina de projeção lançada em 1927, (vide cronologia), que imortalizaou o filme “The Jazz Singer”, com Al Jolson, que sincronizava a exibição do filme a um disco de 78 rotações, cujo som seria melhor do que aquele obtido no fonógrafo, inventado por Thomas A. Edison. Tinha naturalmente inconveniências, chiado inerente ao processo de gravação e os eventuais riscos produzidos no disco que tiravam a sincronização entre as imagens e o som.

O cinema, ao aplicar o sincronismo entre som e imagem, adquiria a capacidade de exibir filmes sem orquestras ou pianistas, a própria máquina reproduzia imagens e sons, a principio pelo Vitaphone, e que mais tarde foi aperfeiçoado pelo sistema Movietone, que como vimos deixava impresso na própria película o registro do som, acabando com o problema do chiado e desincronização.

George Eastman (à direita) e Thomas Edson tinham um bocado que conversar quando eles se encontraram pela primeira vez em 1920. Por essa época a industria do cinema, as quais eles ajudaram a criar tinha florescido e se tornado uma importante forma de arte.

Thomas Edison falando a respeito do “Kinetoscope”:

“….My plan was to synchronize the camera and the phonograph so as to record sounds when the pictures were made, and reproduce the two in harmony. … We had the first of the so-called “talking pictures” in our laboratory thirty years ago” – Thomas Edison 1925


Válvula Eletrônica Amplificadora Triodo – Invenção de Lee DeForest

Projetores de Cinema

Fotos tiradas na Pousada da Juventude – Moscavide – Lisboa – Out/2000


Cronologia da História de Gravação Ótica do Som, até 1953.

1878 – Alexandre G. Bell demonstra o Photophone usando uma fonte de luz modulada por sinais de voz transmitidas através do ar e recebidas por uma fotocélula.

1878 – Alexander Blake, professor na Brown University, inventa um dispositivo para fotografar vibrações do som em uma placa fotográfica em movimeto. Nenhuma providência é incluída para reproduzir o som.

Aproximadamente 1879 – A. G. Bell inventa um modo para fotografar a ação de ondas de som usando uma “chama manométrica”.

1884 – George Eastman começa fabricar o “paper-based film” para a sua máquina fotográfica.

Aproximadamente 1885 – A. G, Bell e C.S.Tainter trabalha na “Bells” no “Laboratório de Volta” – “Volta Lab” inventa um meio para registrar óticamente o som em um caminho espiral em um disco de vidro.

1893/4 – Roberto Landell de Moura, através de seu Telefone Sem Fio – transmite a palavra humana articulada utilizando um fonte poderosa de luz gerada por um arco voltaico, utilizando também uma fotocélula de selênio como detetor e o faz também através de um transmissor de ondas eletromagnéticas. A patente só foi registrada em 22/11/1904 – Patente n.775.337 – U.S.Patent Office – USA.

1895 – O Reverendo A.C. Fergusen de Brooklyn inventa um meio de registrar uma feixe de luz, modulado por ondas de som atuando em uma minúscula veneziana , em um disco de vidro coberto com emulsão fotográfica. O disco foi desenvolvido, e então gravou formando um entalhe físico, que então atuou como um fonógrafo convencional

1895 – Combinação de Cinetoscópio-fonógrafo anunciada por Edison; depois que um número pequeno de vendas, o produto deixa de ser vendido.

1899 – Thomas A.Edison demonstra o seu dispositivo de movimento de figuras, com som baseado no fonógrafo.

1900 – O inventor alemão Ernst Ruhmer de Berlim anuncia o seu Photographophone, um dispositivo que grava e reproduz o som em filme fotográfico.

1903 – Eugen Lauste demonstra um tipo de registrador de som que usa filme fotográfico. Um registro visível de ondas sonora foi reproduzido através de uma luz sobre o filme. A luz não bloqueada pelo registro poderia ser descoberta por uma fotocélula de selenio colocada atrás do filme, e convertida em som em um receptor de telefone ou altofalante.

1907 – Lee- DeForest inventa a válvula eletrônica, o triodo, para amplificar os sinais eletrônicos: modifica a abordagem de Laustes, amplificando o sinal de saída da célula de selenio. O sistema passa a ser utilizado comercialmente.A válvula eletrônica – o tríodo – válvula de três elementos, catodo, grade e placa é uma invenção que começa então a revolucionar as comunicações. Baseia-se no fato que um sinal eletrônico de amplitude pequena aplicado entre catodo e grande, tem o poder de controlar uma grande corrente entre catodo e a placa, e este sinal então aparece na placa muitas vezes maiores que o aplicado entre grade e catodo, ou seja, obtém um meio muito eficaz de amplificar muitas vezes o sinal eletrônico.

1914 – Edward Wente na “Esten Electric” e mais tarde no Laboratório de Bell retoma o estudo de gravações de sons que usam um espelho oscilográfico . Ao redor de 1920, o interesse é voltado para fazer gravações em filme . Esta técnica ao redor de 1922 é a base de um novo sistema de som de sincronizado.O Sistema foi demonstrado em 1924 mas não foi comercialisado durante vários anos.

1918 – Prof. J. T. Tykociner da Universidade de Illinois demonstra um sistema de som-em-filme que emprega um arco de mercúrio modulado para registrar e uma photocell de Kunz detetar e reproduzir o som.

1918 – O Tri-Ergon foi um avanço tecnológico que aconteceu neste ano, quando três alemães Hans Vogt, Josefh Engel e Joseph Massolle — criaram o sistema Tri-Ergon, que pela primeira vez possibilitou a gravação de som no próprio filme. Oito anos depois, a Fox comprou os direitos de exploração do produto e começou a usá-lo para adicionar trilhas sonoras em filmes mudos (o primeiro foi a comédia What Price Glory?, dirigida por Raoul Walsh, na qual Victor McLaglen e Edmund Lowe disputavam o amor de Dolores Del Rio).O registro era realizado por uma fonte de luz incandescente modulada, e a reprodução utilzava uma fotocélula.As patentes resultantes ficam comercialmente importantes na Europa através da ação de Tobis, e as licenças da Siemens e AEG.

Aproximadamente 1920 – Theodore Case da General Electric desenvolve um registrador fotográfico para telégrafo de sinais de rádio . Alguns elementos deste sistema foram usador por – GE som-em-filme movimento de quadro – sistema de 1927.

1922 – Jospeh T. Tycocyner, um professor da Illinois University, demonstra um sistema para gravação de som em filme.

1923 – Lee De Forest dá publicidade ao ” Phonofilm”sistema de som-em-filme que é comercialmente lançado mas que logo depois desaparece.

1924-26 – Os Laboratórios Case de Nova Iorque completa trabalho em um sistema de som-em-filme, eventualmente adotado pela Companhia Fox. A tecnologia da Fox Movietone gradualmente absorves a tecnologia da “Western Electric” depois de 1920.

1926-8 – A maioria dos estúdios principais adota ” Vitaphone ” da “Western Electric” – usando isto como base das primeiras “falas”.

1927 – Debut do “The Jazz Singer” que utiliza o sistema de Vitaphone

1927 – GE demonstra o movimento de Som chamado “Wings” que utilizam o sistema “Vitaphone”.

1928 – RCA Photophone organizou e continua a GE e a Westinghouse trabalhando em um sistema de som-em-filme.

1930 – Registro de som-em-filme, ainda principalmente em disco, inclue quase 95% de produções de Hollywood. Por esta data existe mais de 200 sistemas diferentes de som no mercado.

1934-35 – Os principais estúdios e cadeias de teatro começam a trocar sistema de som, principalmente para o RCA,ou o Sistema de Photophone ou o sistema de densidade variavel da “Western Electric, sistema introduzido ao redor de 1930.

Aproximadamente 1937 – Os estudios “Walt Disney” começam trabalho em um sistema de som-em-filme de multi-canal e culminam no lançamento de “Fantasia”.

1952-53 – Com o advento de formatos de tela largos como Cinerama e CinemaScope, vem um novo sistema multi-canal de sons estereofônicos.


O Prof.Luiz Netto é graduado em Matemática pela Faculdade de Filosofia de Ciências e Letras de Santo André – SP – Brasil


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