Principais Compositores Renascentistas

por: Clarindo Gonçalves de Oliveira

William Byrd (1542 – 1623)
Josquin des Préz (1440 – 1521)
G. P. Palestrina (1525 – 1594)
Giovanni Gabrieli (1555 – 1612)
Cláudio Monteverdi (1567 – 1643)

William Byrd (1542 – 1623)

Compositor inglês, nasceu em Londres (?) em 1542 ou em 1543 e faleceu a 4 de julho de 1623 em Stondon Massey, Essex. Filho de um músico, teve como professor Thomas Tallis. Tornou-se organista da Lincoln Cathedral em 1563, cantor do coro da Capela Real em 1570, e em 1575 recebeu o título de Organista da Capela Reall.

Ligada à tradição polifônica do século XVI, sua obra se destaca graças às sua variações para o virginal, canções, motetos e hinos. É o mais representativo dos compositores da Renascença inglesa. É considerado o maior compositor de contraponto de sua época na Inglaterra, chamado de “o Palestrina Inglês”. Foi o primeiro compositor inglês a escrever madrigais, forma de composição originária na Itália no século XIII e que alcançou maior desenvolvimento nas mãos dos mestres do século XVI. Organista e exímio executante do virginal, Byrd escreveu para este último, grande número de composições, muitas das quais ainda são tocadas hoje em dia.

Byrd também exerceu importante atividade no ramo das edições. Em 1607 publicou uma coleção de gradualia para um ano eclesiástico inteiro. Uma moderna edição deste álbum foi publicada em 1899. Em 1611 aparece a primeira edição de “Psalms, Songs and Sonnets, Some Solemn, Others Joyful, Framed to the Life of the Words, Fit for Voyces or Viols, etc.” Provavelmente neste mesmo ano é publicada “Parthenia”, uma coleção de peças para o virginal, que compreende 21 composições de Byrd, Bull e Gibbons. Três missas – para três, quatro e cinco vozes, respectivamente – pertencem ao melhor período de Byrd como compositor. A missa para cinco vozes foi reeditada pela Musical Antiquarian Society em 1841, e em 1899 o mesmo trabalho foi editada por Breitkopf e Hartel. Dois de seus motetos, “Domine, ne irascaris” e “Civitas sancti tui”, com textos ingleses, fazem parte do repertório da maioria das catedrais Anglicanas.

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Josquin des Prez, Després, ou Deprés (1440 – 1521)

Josquin des Prés era chamado de “Príncipe dos Compositores”, pelos músicos de sua época, que admiravam sua obra naquilo que esta tinha de comovedor e o modo de como ele ressaltava o sentido das palavras no canto.

Josquin des Prés nasceu em Condé-sur-l’Escaut, Hainaut, província pertencente aos Países Baixos. Como a maior parte de seus contemporâneos, fez carreira na Itália, onde morou quase initerruptamente de 1459 a 1505. Em 1474 já aparece como mestre de capela particular do duque Galeazzo Maria Sforza, em Milão. Mais tarde, em Roma, entra para o serviço do papa Sisto IV, até o ano de 1499.

Retornando a Milão, transferiu-se em seguida para Ferrara (1501 a 1505), contratado por Hércules I d’Este.

Depois de 1505, seu novo lugar de trabalho é a corte do rei Luís XII. Há traços de sua passagem pelos Países Baixos, sabendo-se que faleceu quando era prior da igreja de Notre Dame, em Condé, sua cidade natal.

Grande compositor, é considerado o mais moderno dentre os de sua época. Sua produção musical compreende mais de 20 missas completas a 4, 5 e 6 vozes; 104 motetos, hinos e salmos, 74 canções.

Entre suas obras religiosas mais conhecidas estão as missa Hercules dux Ferrarie, o moteto Miserere e, principalmente, as duas últimas missas compostas depois de 1505, De Beata Virgine e Pange Lingua.

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Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525 – 1594)

Palestrina é considerado o maior representante da música polifônica da Renascença. Foi duas vezes mestre de coro da Capela Júlia, em São Pedro do Vaticano (1551-55 e 1577-94). Após ter sido mestre-de-capela de São João Latrão (1555-58) e Santa Maria Maggiore (1561-67), foi diretor do ensino musical do seminário romano.

Conta-se que Palestrina teria salvo a música sacra polifônica quando os bispos e prelados, reunidos no Concílio de Tentro, pretenderam expulsá-la das igrejas, nas quais seria permitido apenas o canto gregoriano. Palestrina, então, apresentou-lhes um novo estilo, digno e elevado e sem sutilezas contrapontísticas capazes de atrapalhar o bom entendimento das palavras do texto litúrgico. Este estilo de música contrapontística mais serena passou a ser conhecido como “estilo Palestrina”.

A produção musical de Palestrina é considerável: 104 missas, de quatro a oito vozes, escritas com temas gregorianos ou populares; 375 motetos, 68 ofertórios, 65 hinos, 35 magnificats, cinco lamentações, 56 madrigais espirituais e nove ricercari, para órgão. No gênero da música profana, deixou três coletâneas de madrigais publicadas em 1555, 1581 e 1586.

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Giovanni Gabrieli (1555 – 1612)

Sobrinho e sucessor do compositor e organista da Basilica de São Marcos, Andrea Gabrieli (1510-1586), o italiano Giovanni Gabrieli compôs as Sacrae Symphoniae (1597) e as Canzoni, nas quais permaneceu fiel ao estilo criado por seu tio: o estilo policoral.

Seria impossível falar de Giovanni sem mencionar a história de seu tio, Andrea Gabrieli. Andrea foi cantor em São Marcos quando jovem e organista em uma pequena catedral quando Giovanni era ainda criança.

Por volta de 1562, Andrea foi trabalhar em Munique, na corte do Duque da Bavária. Logo retornou para Veneza, onde tornou-se o mais popular compositor de seu tempo. Logo após o seu retorno, foi nomeado organista de São Marcos.Durante o tempo em que foi organista, Andrea foi o tutor do jovem Giovanni

Por volta de 1575, como o seu tio fizera antes, Giovanni foi para a corte de Bavária e trabalhou sob a orientação do compositor Orlando di Lasso. Andrea já havia conhecido Lasso em Munique e isso ajudou Giovanni a conseguir o emprego na corte.

Giovanni deixou Munique depois da morte de seu patrono, o duque Albrecht, em 1579, voltando para Veneza. Em 1584, o organista Claudio Merulo demitiu-se de seu posto como organista em São Marcos. Um concurso foi realizado, em janeiro de 1585, para a contratação de um novo organista. Giovanni venceu e passou a trabalhar com o tio, ambos organistas de São Marcos.Infelizmente esta união durou pouco, devido à morte de Andrea, em 1585. Giovanni ocupou o seu posto até sua morte, em 1612.

Conseguir os dois postos em São Marcos como organista e compor música para as grandes cerimônias não era ainda suficiente; Giovanni também ensinava música. Foi um dos mais famosos professores em seu tempo. Um de seus alunos mais famosos foi Heirich Schutz.

Depois da morte de Giovanni, sua música foi logo esquecida. Alguns amigos publicaram seus trabalhos após sua morte, mas as novas ideias musicais do Barroco logo tomaram lugar do “velho” estilo da Renascença.

Giovanni Gabrieli é importante para a história da música pois foi um dos primeiros compositores a usar grupos instrumentais que favorecem os diálogos em eco e qua constituem a base do estilo concertante.

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Claudio Monteverdi (1567 – 1643)

Monteverdi foi regente do coro da basílica de São Marcos, em Veneza. No entanto, Monteverdi foi um antitradicionalista. Ao invés de continuar com as tradições da música polifônica, tornou-se um inovador, empregando acompanhamentos instrumentais, dissonâncias e cromatismos.

De 1591 até 1612, esteve a serviço da corte de Mântua como violinista, cantor e depois mestre de câmara e de capela. Em 1613 foi nomeado mestre-de-capela em São Marcos, Veneza, cidade onde passou a morar. Viúvo e tendo perdido seus dois filhos devido à peste, ordenou-se em 1632. Compôs para a catedral de São Marcos e para as festas da cidade. Foi também um professor famoso e teve numerosos alunos: G. B. Rovetta, Schütz, Cavalli entre outros.

Monteverdi escreveu obras religiosas ( Madrigais Espirituais, 1583; Vésperas da Virgem, 1610) e profanas ( Canzonette, 1584; Scherzi Musicali, 1607), nove livros de madrigais (1587-1615) e óperas ( L’Orfeo, 1607; L’Arianna, 1608; Il ballo delle ingrate, 1608; Tirsi e Clori, 1616; Il combattimento de Tancredi e Clorinda, 1624; Il ritorno d’Ulisses in patria, 1641; L’incoronazione di Poppea, 1642).

O Orfeo de Monteverdi é considerada a primeira grande ópera da História da Música. Uma das primeiras orquestras que conhecemos é a que Monteverdi formou para a o Orfeo e compunha-se de uns 40 instrumentos, amplamente variados. Monteverdi anexou à partitura a seguinte lista dos instrumentos que ele queria para a sua ópera:

  • Dois cravos
  • Duas violas contrabaixo
  • Grupo de dez cordas ( violinos, violas e violoncelos).
  • Uma harpa dupla
  • Dois violinos pequenos
  • Dois alaúdes baixo
  • Dois órgãos pequenos com tubos de madeira
  • Três violas baixo
  • Quatro trombones
  • Um órgão do tipo regal
  • Duas cornetas
  • Uma flauta doce pequena
  • Um clarino (trompete agudo) e três trompetes “brandos”

Na época de Monteverdi não havia um padrão estabelecido quanto à combinação de instrumentos na formação das orquestras.

Monteverdi foi o último dos grandes compositores polifonistas, mas os seus últimos madrigais tendem para a música dramática do período Barroco.

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Fonte: http://www.oliver.psc.br