Ludwig Van Beethoven

por: Clarindo Gonçalves de Oliveira

Beethoven nasceu em Bonn na Alemanha dia 17 de dezembro de 1770, porém ele passou a maior parte de sua vida em Vienna na Áustria, lecionando, compondo.

Quando a sua primeira sinfonia foi executada em público pela primeira vez, ele ainda não tinha trinta anos. Transbordando de ambições, alegre e um tanto vaidoso, tentava conquistar a vaidade de Viena com o seu virtuosismo ao piano. E embora sentisse, dentro de si, uma chama imensa de inspiração e de força para compor música de câmara e apresentar respeitavelmente vestido e com um impecável camisa de renda. À sua volta reuniam-se alunos e admiradores dos melhores círculos de então.

Dentro de pouco tempo, começaram a revelar-se ao jovem autor, sinais alarmantes de surdez. Tentou, inicialmente, ocultar o que considerava uma fraqueza, evitando, por isso, as reuniões sociais. Porém, aos trinta e dois anos, tornou-se-lhe de todo impossível continuar a dissimular e retirou-se para Heiligenstadt, um pequeno subúrbio de Viena.

Sempre imoderado, tanto na alegria como na tristeza, Beethoven vazou, então, a sua desgraça num longo documento chamado “o seu testamento”:

“Era-me impossível dizer aos homens: falem mais alto, gritem, porque sou surdo. Como poderia eu admitir tal fraqueza naquele dos meus sentidos que deveria ser, precisamente, mais perfeito em mim do que nos outros, num sentido que havia possuído na mais alta perfeição? Que humilhação quando alguém ao meu lado ouvia o som de uma flauta à distância e eu nada ouvia ! Tais incidentes me levaram à beira do desespero. Um pouco mais e teria posto fim a minha vida”

Contudo, foi precisamente nesta época que ele compôs a sua sublime Segunda sinfonia ! É talvez cruel dizer, mas a surdez de Beethoven terá sido uma verdadeira benção para a música.

Renunciando à sua carreira como virtuoso, não ouvindo outros sons que não fossem os que criava no seu cérebro, afastado do mundo exterior, intensificou e aprofundou, assim, incessantemente, o seu sentido musical. Porém a medida em que se encerrava em si mesmo, tornava-se o seu comportamento exterior cada vez mais incoerente. Não permitia que alguém mexesse no seu quarto a tal ponto que tudo se encontrava numa incrível desordem: papéis espalhados pelas cadeiras, tinta derramada sobre o piano, restos de comida em pratos que deixava por debaixo dos papéis.

A surdez tonava-o cada vez mais desconfiado. Acusava os amigos, os editores e um empresário teatral de o enganarem. No dia seguinte mostrava-se arrependido e pedia desculpa.

No entanto, também sabia ser atencioso, delicado, afável e bondoso. Quando uma de suas amigas, a baronesa Ertmann, perdeu um filho, ele foi visitá-la e, sem dizer palavra, sentou-se ao piano e tocou durante largo tempo para a reconfortar.

Das centenas de sinfonias existentes, nenhuma pode rivalizar, em popularidade e interesse emocional, com as dez que Beethoven escreveu , (Ele compôs apenas o primeiro movimento da décima sinfonia cumprindo parte da carta endereçada à Royal Philharmonic Society). Que será que as diferencia de todas as outras? Serão mais notáveis no seu sentido melódico e Harmônico? Em nossa opinião, a razão primordial é esta: Beethoven tirou a música do pedestal de beleza formal onde Haydn e Mozart a tinham deixado e emergiu-a no sorvedouro da vida.

Rompendo com os moldes clássicos, conseguiu dela aquilo que pretendia: expressar problemas, evocar emoções e enternecer verdadeiramente. Nas suas sinfonias reproduziu ele, em música, as angústias e os sorrisos de todos no mundo. Em suma tornou a música humana.

É essa a razão porque mais público reage perante uma sinfonia de Beethoven do que perante qualquer outra.

Embora a imagem que dele formamos seja a de um indivíduo taciturno, surdo, melancólico e solitário, ela não corresponde totalmente à realidade. Um homem que conheceu Beethoven nos seus últimos anos descreveu-o como “uma águia olhando para o sol”.

Apesar de tudo isso, os seus amigos permaneceram-lhe sempre fieis e devotados.

Durante um violento temporal, no dia 26 de março de 1827, com a idade de cinqüenta e seis anos, ele partiu.

Ouça um pouco de Beethoven.

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Fonte: http://www.oliver.psc.br