Verdades e Mitos: Mensagem Subliminar na Música

por: Joêzer Mendonça

O que é a verdade? Essa pergunta ressoa há muito tempo, inclusive sendo feita pelo hesitante Pôncio Pilatos a Jesus. A filósofa Marilena Chauí apresenta uma perspectiva tríplice do que compreendemos hoje como “verdade”:

  1. Em grego, verdade é aletheia, que seria algo evidente e plenamente visível para a razão. Essa concepção de verdade está embasada no demonstrável hoje, no presente.
  2. Em latim, verdade é veritas, e tem a ver com o rigor e a precisão de um relato. Essa noção está relacionada à fidedignidade no relato de um acontecimento passado.
  3. Em hebraico, verdade é emunah, que significa uma crença fundada na confiança e na esperança. A palavra “amém”, que quer dizer “assim seja”, tem raiz no termo emunah. Quando dizemos amém, o dizemos baseados na confiança presente, mas também firmados na esperança para o futuro.

Nossa concepção de “verdade” tem a ver com o verificável, com o fidedigno, com a confiança.

E o mito, o que é? Mito é uma forma que apresenta uma solução imaginária para compreender e justificar os fenômenos. Os conflitos e contradições havidos num fato histórico são diluídos em prol de uma visão apaziguadora e falsamente real. As causas do falso e do erro são as opiniões preconcebidas, as falhas de percepção, os enganos da memória, mas, ainda segundo Marilena Chauí, as causas do erro encontram-se na vontade.

Nas discussões sobre música sacra, os mitos são notórios. E mitos não possuem precisão histórica, sociológica e até teológica. Portanto, precisamos compreender a diferença entre o parecer e o ser das coisas a fim de não ser levados por qualquer vento de doutrina ou tradição de homens, pois muitos não passam de mitos propagados como verdade.

As mensagens subliminares foram até uns tempos atrás o motivo de atração de palestras sobre música. Pregadores, pastores e palestrantes agitavam as congregações e platéias com as demonstrações de que, por baixo de camadas de som, estava ali uma mensagem satânica para manobrar os incautos.

Porém, o que era uma moda pseudocientífica nos anos de 1970, hoje não passa de uma lenda urbana. Sabe-se que a maioria das supostas mensagens subliminares da música era preparada propositalmente para:

  1. vender mais discos;
  2. fazer troça com a onda da mensagem subliminar

Além disso, se tem uma coisa que o rock não precisa é de mensagem oculta. As mensagens (positivas ou negativas) do rock estão bem explicitadas nas letras, nas performances e na vida de vários de seus astros.

Pergunta: as mensagens invertidas na música existem?

Existem, sim. Na cabeça poluída de quem ouve frases claras em meio a um zumbido ininteligível. Experimente ouvir uma música que tenha uma “clara mensagem subliminar” sem ninguém lhe dizer antes o que você irá ouvir.

“Se você tocar um hino em rotação invertida, e por muito tempo em várias velocidades, ele dirá qualquer coisa que você queira escutar” – James Walker.

E o que disse Evan Olcott à revista Music and Technology: “Você provavelmente não ouvirá mensagens [invertidas] até primeiro alguém apontá-las para você. Percepção é influenciada pela expectativa e a expectativa é afetada pelo que os outros falaram para você”.

E tecnicamente é possível esconder uma mensagem na gravação de uma música?

O mesmo Evan Olcott me socorre quando o assunto é engenharia de som: “De fato, planejar um reverso fonético é algo próximo do impossível, e mais difícil ainda quando se tenta fazê-lo com palavras que caibam numa canção”.

Vemos, então, que os propalados efeitos das mensagens subliminares na música são, na verdade, um MITO. Sem mais perguntas, meritíssimo


Fonte: Nota na Pauta