Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 13 – Adoração no Livro do Apocalipse

Comentários de César Luís Pagani


Texto Central: “Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da Terra.” (Apocalipse 14:3)


As mensagens divinas de advertência são sempre enviadas em tempo e ocasião oportunos. Misericordioso e compassivo como é, Deus aprecia dar bastante tempo para que as pessoas recebam a luz e se convertam à verdade.

A ordem do primeiro anjo clama à população mundial (cerca de sete bilhões de pessoas hoje) que temam a Deus e lhe deem glória. Em outras palavras: “Reverenciem [tratem com todo o respeito devido; prestem culto”] a Deus e tributem-Lhe glória [do gr. Didomi, que tem como sentido também “dar-se a alguém, segui-lo como um líder ou mestre].

Há algum tempo tive conhecimento de que algumas celebridades não acreditam na existência de Deus. Isso não é novidade! Filósofos, cientistas, homens de saber, estadistas e mesmo milhões de pessoas não aceitam a existência do Criador e Soberano Deus. Os perversos é que dizem que não há Deus (Sl 10:4). Também os insensatos o fazem (Sl 53:1). Para justificar sua libertinagem, corrupção, depravação e pecados, é melhor que não haja no Céu um Deus Justo e Julgador. Mas no dia final de acerto de contas, que vão dizer os ateus, os apóstatas, os famosos do mundo dos espetáculos e dos esportes, da política e dos negócios?

O pior é que mesmo protegidos pelas paredes de um templo, muitos entendem que devem viver a vida a seu gosto, estando isentos de qualquer responsabilidade moral. Lei dos Dez Mandamentos? Para que serve?

A Associação de Ateus e Agnósticos lançou uma campanha internacional em Londres no ano de 2009, que se estendeu pelos EUA e Espanha e, entre outras ações, fixa cartazes em meios de transporte público com imagens como a de Charles Chaplin e Adolf Hitler, e frases como “Religião não define caráter”. Em outro cartaz, a frase é: “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”. No Brasil, além de Salvador baiana (com cinco ônibus com cartazes) também foi exibida em Porto Alegre (em dez ônibus), por um mês.

Há um chocante declínio da religião cristã mesmo em igrejas protestantes e católicas. As formalidades ou a manipulação emocional e campanhas de arrecadação substituem a vera pregação do evangelho de Cristo.

Em meio ao caos das religiões e do mundo, Deus apela para que os homens venham a Ele, que está disposto a salvar todos os que se aproximarem.

O Apocalipse é um livro glorioso. “No Apocalipse são pintadas as coisas profundas de Deus. O próprio nome dado às suas inspiradas páginas, ‘revelação’, contradiz a afirmação de que é um livro selado. Uma revelação é alguma coisa que foi revelada. O próprio Senhor revelou a Seu servo os mistérios contidos neste livro, e propõe que seja aberto ao estudo de todos. Suas verdades são dirigidas aos que vivem nos últimos dias da história da Terra, como o foram aos que viviam nos dias de João. Algumas das cenas descritas nesta profecia estão no passado e algumas estão agora tendo lugar; algumas apresentam-nos o fim do grande conflito entre os poderes das trevas e o Príncipe do Céu e algumas revelam os triunfos e o regozijo dos remidos na Terra renovada.

“No Apocalipse todos os livros da Bíblia se encontram e se cumprem. Ali está o complemento do livro de Daniel. Um é uma profecia; o outro uma revelação. O livro que foi selado não é o Apocalipse, mas a porção da profecia de Daniel relativa aos últimos dias. O anjo ordenou: ‘E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo. ‘ Dn 12:4.” AA, 584, 585.


Domingo
“Caí a Seus Pés Como Morto”
(Jó 42:1-6; Apocalipse 1:13-18)

A descrição de Cristo nessa visão (ver o verso 14) é semelhantíssima à do Ancião de Dias que Daniel viu em Dn 7:9.

João estava acostumado à visão do Cristo terreno. Estava familiarizado com as feições de Cristo, Seus olhos, cabelos, estatura e demais características.

O apóstolo ouviu uma voz, que não reconheceu de pronto, falando por trás dele. Era uma voz poderosa e retinente como o som de uma trombeta. Essa proferiu uma ordem: “Escreve…” Concluída a primeira frase, João voltou-se para ver quem falava com ele. O cenário em que estava a divina figura foi logo identificado com um santuário, tendo sete candeeiros de ouro. Jesus estava no Lugar Santo do santuário celestial.

Mas não era o mesmo Jesus que João conhecera na Terra. Ele contemplou a Divindade e ficou em estado de choque, tamanha a glória que incidiu sobre si. Ap 2:18 diz que os pés do Filho de Deus são semelhantes a bronze polido (ver tb 1:15). Ainda nessa visão foi relevado o domínio do Cristo glorificado sobre as igrejas que continuaram Seu trabalho na Terra. De Sua boca saía uma espada cortante de dois gumes, que é a Santa Palavra de Deus (ver Hb 4:12). Com ela Cristo Se dirige às igrejas. Ela é a norma de toda aferição, o manual de justiça, a reveladora de mistérios, a guia da vida eterna e a única fonte pela qual viverá o homem.

A grandeza do Verbo encarnado intimidou João, o vidente de Patmos, a tal ponto que ele sofreu uma síncope cerebral. Desmaiou e ficou inerte.

A reação física e emocional de João nos dá uma pálida ideia do poder da presença de Deus. A extrema santidade que dela emana é tão possante que mesmo um homem consagrado como João não pôde resistir.

Somente os limpos de coração verão a Deus e isso quer dizer uma santificação completa iniciada e concluída pela ação constante do Espírito do Senhor. Daí poderemos ver a Cristo em pessoa somente depois de atingirmos tal maturidade santa, que será selada com o derramamento da Chuva Serôdia.

Deus quer que nos humilhemos para exaltar-nos

“Muitos se esquivam de uma vida como a que viveu nosso Salvador. Sentem que requer muito sacrifício imitar o Modelo, produzir frutos em boas obras e então, pacientemente suportar a poda divina, para que possam produzir mais fruto. Mas quando o cristão se considera apenas um humilde instrumento nas mãos de Cristo e se esforça por cumprir fielmente todo dever, confiando no auxílio prometido por Deus, então tomará o jugo de Cristo e achará fácil fazê-lo; então assumirá responsabilidades por Cristo, e dirá serem agradáveis. Ele poderá olhar para cima com ânimo e confiança, e dizer: ‘Eu sei em quem tenho crido e estou bem certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia. ‘ II Tm 1:12.” Santif., 82.

Orar por humildade – “Em vossos negócios, nas amizades das horas de lazer, e na aliança matrimonial, que todas as relações sociais que tiverdes sejam empreendidas com fervorosa e humilde oração. Mostrareis assim que honrais a Deus e Deus vos honrará a vós. Orai quando estiverdes abatidos. Em ocasiões de desânimo, nada digais aos outros; não espalheis sombra no caminho do próximo; mas contai tudo a Jesus. Levantai as mãos em demanda de auxílio. Em vossa fraqueza apegai-vos à força infinita. Suplicai humildade, sabedoria, coragem, aumento de fé, para que possais ver luz na luz de Deus e rejubilar no Seu amor.” CBV, 513.

Você já experimentou “cair aos pés de Jesus” todas as manhãs. Você me responderá: “Sim, eu me curvo de joelhos e oro a Deus antes de sair de casa.” Cair aos pés de Jesus em humildade e adoração é prostrar-se com o rosto no chão, encurvado como um escravo diante do Imperador. Ore nessa posição. Tente. A prostração é várias vezes recomendada nas Escrituras quando estamos invocando o Senhor (Js 5:14; Ne 8:6; Sl 99:5, 9; 86:9; 138:2; Ap 4:10 e outros).

“Humilha diante de Deus o vosso pobre coração altivo e presunçoso; prostrai-vos bem baixo a Seus pés, completamente quebrantados pela vossa pecaminosidade. Dedicai-vos à obra de preparação. Não descanseis até que possais dizer sinceramente: Meu Redentor vive, e, porque Ele vive, eu também viverei.” Maranata, 11.


Segunda
Santo, Santo, Santo…
(Apocalipse 4:8-11; Apocalipse 5:8-14; Apocalipse 7:9-12; Apocalipse 11:15-19; Apocalipse 15:1-4; Apocalipse 19:1-5)

Num de seus textos, EGW chama os templos locais de “casa de adoração”. Sim, um lugar especial em que podemos conviver com a santidade do Senhor.

A Escritura é um livro pleno de adoração. Já no Gênesis a personalidade de Deus se mostra na criação. Os que tiveram a felicidade de contemplar Deus criando não puderam conter-se em adorar e proclamar as habilidades criadoras de Jeová. O Êxodo entoa o louvor do Deus Libertador e implanta as regras de culto que Ele bem merece. Como bem afirma a lição, Apocalipse é um livro pleno de ensinos adoracionais.

Os motivos e razões para a adoração originam-se:

  • Da absoluta santidade de Deus. Ele é separado personalmente de todas as Suas criaturas e infinitamente superior a elas.
  • Do absoluto poder do Senhor. Ele é Todo-Poderoso e pode realizar qualquer coisa que desejar. “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.” (Sl 147:5)
  • De Sua eternidade. É-nos impossível compreender a eternidade, visto que somos seres finitos e tudo quanto nos rodeia teve um início e terá um fim. Tentar encontrar parâmetros com que comparar a eternidade divina é uma tarefa desvairada. Ele já existia antes de tudo, continuará existindo por todo o sempre e voltará para nos conceder vida longeva igual à Sua.
  • De Sua incomensurável bondade. As ações de graças que devem compor o culto a Ele devem-se ao Seu constante amor, bondade e extremado carinho que tem por nós.
  • A adoração de Deus compõe-se de honra ao Seu nome. Não simplesmente honra labial, mas a honra da obediência aos mandados divinos. Obras desinteressadas e feitas em amor trazem glória ao nome divino.
  • Adoração a Deus exige humildade por parte do adorador. Deus resiste aos adoradores soberbos. Lembremo-nos de que o fariseu da parábola, por sua ostentação e orgulho, não foi justificado. Prostrar-se perante Ele é reconhecer Sua divindade e nossa dependência integral de Seu poder.
  • A prostração (curvar-se com o rosto no solo) é verdadeiro ato de adoração. Veja que no verso 8, os quatro seres viventes (provavelmente exaltados querubins) e os 24 anciãos (possivelmente resgatados da Terra) prostram-se perante o Cordeiro Salvador e cantam em louvor ao sacrifício de Cristo.
  • Terminado o conflito, quando todos os remidos estiverem na presença do Rei dos reis, ninguém ficará em pé por muito tempo. “Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes e, ante o trono se prostraram sobre os seus rostos e adoraram a Deus”, reconhecendo-Lhe a total perfeição de caráter e amor infinito.
  • A cada menção da obra magnífica de criação e redenção, os seres celestiais levantam-se de seus tronos (Ap 11:16) e se prostram no piso sagrado do Céu.
  • Em Ap 15:1-4 até mesmo a ira divina rende-Lhe louvor e adoração, porque Ele é justo em todos os Seus caminhos e lida com o pecado com justa severidade. Os registros celestiais “inocentarão” a Deus de qualquer suposta ação injusta no dia final de ajuste de contas.
  • Ele não deixará passar impune nenhum pecado, por mínimo que seja. A menos que a transgressão esteja coberta pela justiça de Cristo, o pecador impenitente há de pagar por ela. Mas a salvação de Cristo é tão ampla, tão abrangente e profunda que ninguém precisa se perder. Onde abundou o pecado, superabundou a graça.
  • Como autor de nossa salvação, Ele merece todo louvor. Um dia entenderemos mais plenamente o quanto custou ao Senhor a redenção do homem, e cair-lhe-emos aos pés adorando-O e agradecendo-O porque nos fez dignos de participarmos de Seu reino.
  • Dar louvores a Deus faz bem à nossa alma. Está alguém alegre, cante louvores (Tg 5:13).

Terça
Apocalipse 13

Apocalipse 13 é o capítulo dedicado a descrever a besta que sobe do mar. Ela, fortalecida no futuro por sua imagem, os Estados Unidos da América e pelo mundo que lhe seguirá o exemplo, reclamará a adoração do mundo. Como sinal de imposição de sua autoridade, exigirá de todos que santifiquem o primeiro dia da semana como sábado sagrado, contrariamente ao compreensivo mandamento da Lei de Deus que ordena sacralizar o sétimo dia.

A disputa pela adoração girará em torno da aceitação do mandamento de Deus ou da tradição da igreja majoritária.

Fica claro também que Ap 13 contém para nós hoje fatos históricos consumados e profecias a serem cumpridas. Não poucos intérpretes erroneamente identificam essa besta como Antíoco Epífanes I, perseguidor dos judeus. Porém, a sustentação dessa tese é bastante frágil. Não vamos discuti-la neste ensejo para não perder o foco da identificação da besta que o Apocalipse retrata.

O contexto histórico do cap. 13 é dado pelas figuras dos 10 chifres e das sete cabeças, dos diademas que as encimam e dos nomes de blasfêmia.

Dez chifres: A menção desse número somente é feita nos livros de Daniel e Apocalipse. Ap 17:12 diz que os dez chifres são dez reis (basileus = líderes, chefes de povos, príncipes – ver também Dn 7:24), o que é respaldado pelas revelações de Daniel acerca do carneiro com dois chifres (Medo-Pérsia – Dn 8:20), do bode com um chifre (Alexandre Magno), dos quatro chifres que saíram posteriormente da cabeça do bode (Cassandro, Lisímaco, Ptolomeu e Selêuco). Os chifres eram coroados ou desfrutavam posições reais. As sete cabeças, segundo Ap 17:9, são o posicionamento geográfico ou residência da besta; são sete montes (Aventino, Palatino, Quirinal, Célio, Esquilino, Campidoglio e Viminal). Como Roma papal herdou o poder de Roma pagã, alguns entendem que os dez chifres sejam dez dos mais poderosos césares, começando com Júlio e terminando com Vespasiano.

O gráfico ao lado mostra as disposições das colinas romanas, tendo do lado esquerdo do Rio Tibre o Estado do Vaticano.

 

Não seria possível identificarmos as sete cabeças se não fosse a visão de Ap 17.

As sete cabeças também são mencionadas no cap. 12 como pertencentes ao dragão vermelho que é Satanás (Ap 12:3), o qual deu seu trono à besta (Ap 13:2). Com isso inferimos que o maligno já dominava Roma pagã e passou o domínio ao romanismo.

A interpretação da cabeça golpeada de morte é bem fundamentada no fato histórico da prisão do Papa Pio VI. Também é documentada pela história a recuperação da dignidade papal através do Tratado de Latrão, de 7 de junho de 1929. Um tratado político reconhecendo a total soberania da Santa Sé no Estado da Cidade do Vaticano.

Os fatos futuros ainda reservados na Inspiração preveem o retorno da besta ao domínio religioso mundial e nova perseguição aos santos e fiéis, que, como Sadraque, Mesaque e Abedenego, recusam-se a adorar um poder humano. Todos os que habitam sobre a Terra adorarão a besta (Ap 13:8). Uma escassa minoria manterá, contudo, sua fidelidade a Deus. Os santos guardam os mandamentos de Deus; os ímpios guardam os mandamentos da besta.


Quarta
Apocalipse 14
(Apocalipse 14:6-12)

Apocalipse 14 encerra um ponto polêmico a que muitos adventistas, até hoje, não conseguiram chegar a uma conclusão: os 144.000. Há apenas três versos (todos apocalípticos) referentes a esse grupo especial (Ap 7:4; 14:1 e 3).

Vamos ao que está revelado, sem qualquer pressuposição. A visão de João refere-se a Cristo com Sua exaltada figura sobre o Monte Sião (celestial – ver Hb 12:22), onde está o trono de Deus. Fazem parte da cena também 144.000 remidos que tinham em suas testas escritos o nome de Deus e do Cordeiro.

Informações de seu perfil simbólico

  1. Foram selados com o selo de Deus porque são Seus servos. Antes do caos final em que Satanás mergulhará a Terra, após os quatro anjos haverem liberado os quatro ventos de guerras, batalhas e confusão.
  2. Os escolhidos pertenciam às 12 tribos de Israel (cap. 7, versos 5-8).
  3. Foram comprados da Terra (cap. 14:3)
  4. São castos. Não se macularam com mulheres.
  5. São seguidores fiéis do Cordeiro.
  6. Primícias para Deus e para o Cordeiro.
  7. São irrepreensíveis diante de Deus.
  8. Entoam um cântico novo e exclusivo diante do Senhor. Outras vozes celestiais não os acompanharão, porque esse é um hino de experiência que só os 144.000 viveram. “Cantavam um ‘cântico novo diante do trono – cântico que ninguém podia aprender senão os cento e quarenta e quatro mil. É o hino de Moisés e do Cordeiro – hino de livramento. Ninguém, a não ser os cento e quarenta e quatro mil, pode aprender aquele canto, pois é o de sua experiência – e nunca ninguém teve experiência semelhante. ‘Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá.’ Ap 14:1-5. ‘Estes, tendo sido trasladados da Terra, dentre os vivos, são tidos como as primícias para Deus e para o Cordeiro.’ Ap 15:3. ‘Estes são os que vieram de grande tribulação’ (Ap 7:14).” EF, 268.

O que estavam fazendo diante de Deus e do Cordeiro? Louvando, adorando. Parece-nos ser esse o primeiro culto de adoração pessoal no Céu dedicado a Deus e em Sua majestosa presença.

Uma advertência oportuna

“Não é Sua vontade que eles se metam em discussões acerca de questões que os não ajudam espiritualmente, tais como: Que pessoas vão constituir os cento e quarenta e quatro mil? Isto, aqueles que forem os eleitos de Deus hão de sem dúvida, saber em breve.” ME1, 174.

Passaram pela Grande Tribulação

“No mar cristalino diante do trono, naquele mar como que de vidro misturado com fogo – tão resplendente é ele pela glória de Deus – está reunida a multidão dos que ‘saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome’. Ap 15:2. Com o Cordeiro, sobre o monte Sião, ‘tendo harpas de Deus’, estão os cento e quarenta e quatro mil que foram remidos dentre os homens; e ouve-se, como o som de muitas águas, e de grande trovão, ‘uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas’. E cantavam um ‘cântico novo’ diante do trono – cântico que ninguém podia aprender senão os cento e quarenta e quatro mil. É o hino de Moisés e do Cordeiro – hino de livramento. Ninguém, a não ser os cento e quarenta e quatro mil, pode aprender aquele canto, pois é o de sua experiência – e nunca ninguém teve experiência semelhante. ‘Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá’. ‘Estes, tendo sido trasladados da Terra, dentre os vivos, são tidos como as primícias para Deus e para o Cordeiro’. Ap 14:1-5; 15:3. ‘Estes são os que vieram de grande tribulação’ (Ap 7: 14); passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus. Mas foram livres, pois ‘lavaram os seus vestidos, e os branquearam no sangue do Cordeiro’. ‘Na sua boca não se achou engano, porque são irrepreensíveis’ diante de Deus. ‘Por isso estão diante do trono de Deus, e O servem de dia e de noite no Seu templo e Aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a Sua sombra’. Ap 7:15. Viram a Terra devastada pela fome e pestilência, o Sol com poder para abrasar os homens com grandes calores, e eles próprios suportaram o sofrimento, a fome e a sede. Mas ‘nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem Sol nem calma alguma cairá sobre eles’.” GC, 646 e 647.

Hoje o culto a Deus nas igrejas ainda é livre, mas chegará o tempo em que as igrejas serão proscritas e fechadas e cada seguidor de Cristo considerado um inimigo do Estado. Deixarão eles de cultuar a Deus por causa dos interditos dos homens durante o pequeno tempo de angústia (antes do fechamento da porta da graça)? E também depois, quando for expedido o decreto de morte semelhante ao tramado por Hamã contra os judeus no império persa? Absolutamente! Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito. Fiéis adoradores na liberdade; fiéis adoradores na tribulação extrema!


Quinta
Adore a Deus
(Apocalipse 19:10; Apocalipse 22:8-9)

Os versos de nosso estudo de hoje estão envolvidos por um contexto arrebatador. Um dos anjos que estava com uma taça das sete últimas pragas, veio até João e mostrou-lhe a glória da Nova Jerusalém. Em visão o ser celeste levou o apóstolo ao futuro justamente no momento em que a Cidade de Deus descia dos céus (Ap 21: 10).

Como bom escritor, João descreveu em detalhes toda a sua arquitetura e ornamentos, as gigantescas pedras preciosas que fazem parte de seus fundamentos. Mais os portais de pérola, ouro fino de que a cidade é feita, seu brilho deslumbrante, as condições climáticas que a envolvem, a paz e a santidade reinantes, o Rio da Vida, a Árvore da Vida, o trono de Deus e do Cordeiro.

O impacto dessa criação de Deus foi tão grande que, num impulso prodigioso, João se prostrou aos pés do mensageiro celestial para adorá-Lo. Foi, então, docemente, repreendido e orientado a só adorar o Deus dos Céus. O anjo apresentou-se como conservo, isto é, como alguém servidor do mesmo Deus de João e companheiro celestial.

As obras de Deus nos fascinam, às vezes até a ponto de paralisar-nos, de extasiar-nos. Mas elas não são Deus. São mostras de Seu caráter, bondade, poder, amor, misericórdia e sabedoria.

Um autor anônimo escreveu: “Fomos criados para a glória de Deus. Na verdade, este é o objetivo fundamental de todo o Universo: Demonstrar (refletir) a glória de Deus. Deus fez tudo para a glória dEle, desde a menor forma de vida microscópica até a Via Láctea. Tudo foi criado para a glória de Deus. Se não fosse a glória de Deus não haveria nada.

“Pois bem, uma vez que o propósito principal de Deus ter-nos criado foi a Sua glória, então, viver para glória de Deus (refleti-la) é a maior realização que podemos alcançar em nossa vida. Refletir a glória a Deus deve ser o objetivo supremo da nossa vida.”

Ao adorarmos a Deus em Sua glória estamos cumprindo o propósito para o qual fomos criados. Nunca é demais rememorarmos que a adoração a Deus é ampla e exige todo o ser. Ela é envolvente absorvendo 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, até que a vida chegue ao fim. Adorar a Deus requer ao mesmo tempo amar o próximo, por mais aborrecível que ele nos possa parecer. Aquele que não ama não conhece a Deus porque Deus é amor.

O Senhor Se satisfaz muito mais quando Seus servos vivem de modo semelhante ao de Cristo, têm o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus; são Seus imitadores. A religião de Cristo é servir e construir o reino de Deus.

Boas obras também O glorificam: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5:16). É bom dizer que não são as boas obras consideradas pelo homem, mas por Deus, onde a abnegação, o sacrifício, o amor, a santidade estão presentes. Fariseus também faziam “boas obras”, mas para serem vistos pelos homens.

Adoração no templo

Deus criou um lugar especial de adoração – o templo. O templo é o lugar onde fala o coração e a boca se cala (Ha 2:20). Mas, confessemos que o templo é o lugar onde nós mais conversamos e nos distraímos. Onde observamos com olho criticista o comportamento de nossos irmãos e irmãs. Muitas vezes dá-se o caso de conversarmos até sobre esportes e moda no santo templo. Dentre as reformas de que estamos necessitados, a reforma na adoração é uma das mais urgentes.

A forte tentação da irreverência no tempo de adoração – “Estamos vivendo num tempo em que todos devemos atender ao preceito do Salvador: ‘Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. ‘ Mt 26:41. Uma de vossas mais fortes tentações é a irreverência. Deus é altíssimo e santo; e, para a humilde alma crente, Sua casa na Terra, o lugar em que Seu povo se reúne para adorá-Lo, é a porta do Céu. O cântico de louvor, as palavras proferidas pelos ministros de Cristo, são instrumentos designados por Deus para preparar um povo para a igreja de cima, para aquele mais elevado culto de adoração em que nada do que é impuro ou não santificado poderá ter parte.” MJ, 265.

“O sentimento moral dos que adoram a Deus no Seu santuário tem de ser elevado, apurado e santificado. Eis o que tem sido deploravelmente negligenciado. É assunto que foi votado ao desprezo e o resultado disso é a desordem e irreverência que passaram a imperar e Deus é desonrado. Se os dirigentes de igrejas, os pastores, o povo, os pais, não têm ideias mais elevadas a esse respeito, que poderão esperar de crianças inexperientes? Estas são muitas vezes encontradas em grupos, afastadas dos pais que deviam tomar conta delas; e embora se encontrem na presença de Deus, cujos olhos sobre elas repousam, põem-se a cochichar e a rir, portando-se inconvenientemente, e mostrando-se desrespeitosas e desatentas.” TS2, 199.

O vestuário que adora – “Todos deveriam ser ensinados a trajar-se com asseio e decência, sem, porém, se esmerarem no adorno exterior que é impróprio para a casa de Deus. Cumpre evitar toda a ostentação em matéria de roupa, que somente serviria para estimular a irreverência… Deve-se cuidar estritamente de toda a questão do vestuário, seguindo à risca as prescrições bíblicas; a moda é uma deusa que impera no mundo, e não raro se insinua também na igreja. A igreja deve também a esse respeito fazer da Bíblia sua norma de vida, e os pais fariam bem em meditar seriamente nesse assunto.” TS2, 201 e 202.


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