Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 12 – Adoração na Igreja Primitiva

Comentários de César Luís Pagani


Texto Central: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.” (I Coríntios 13:1)


“Por isso, diz: Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.” (Ef 4:8) A igreja fundada por Jesus para dar continuidade ao plano de Deus. Cristo elevou-Se como absoluto vencedor na batalha contra o pecado e o diabo. Assumiu Seu lugar real no Céu e vestiu os trajes de Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Deu, assim, início à última fase da redenção mediante intercessão sacerdotal fundada nos méritos de Seu sacrifício no Calvário.

A igreja mudou de formato: do ritual judaico para o culto cristão. E a mudança foi total. Não mais bois, cordeiros, bodes, carneiros, pombos, rolinhas, bezerras ruivas, etc., para representar o Messias. O tipo encontrara o antítipo e deixara de existir.

O evangelho eterno tinha e tem como alvo alcançar cada nação, tribo, língua e povo. A igreja primitiva contava poucos membros para a imensidade da tarefa. Em sua maioria, os seguidores de Cristo não eram homens letrados, eruditos, doutores e de grandes habilidades. Porém, Cristo já havia providenciado dons para equipar Sua igreja a mostrar ao mundo a religião verdadeira. Ele deu dons aos homens. O maior de todos eles foi à dotação do Espírito Santo. Deus dirigiria diretamente Seus servos na obra universal que começava a tomar vulto.

Uma só pregação trouxe para as fileiras cristãs cerca de 3.000 pessoas. Já pensou termos uma festa batismal com milhares de almas? No segundo sermão feito no templo de Jerusalém, só de homens converteram-se quase 5.000, sem falar nas mulheres, adolescentes e idosos.

Com milhares de almas agora o problema era abrigá-las espiritualmente, arrebanhá-las e continuar a ensinar tudo quanto Jesus lhes passou.

As reuniões cristãs primitivas aconteciam nas casas de alguns membros. Visto não haver mais sacrifícios e rituais, exceto o batismo, o lava-pés e a ceia do Senhor, foi necessário estabelecer uma nova liturgia, um culto diferente daquele ao qual os judeus conversos estavam acostumados.

O foco do culto cristão era o conhecimento de Cristo mediante a pregação de Seus ensinos. Outrossim, havia cânticos, salmos, orações, ofertas. Sem dúvida, fortalecidos e animados pelas reuniões congregacionais, os irmãos primitivos se esforçavam para cumprir a Grande Comissão do Redentor: “Ide e pregai o evangelho a toda criatura…”

Assim como ocorre hoje e foi bem explicado por Cristo na parábola da rede: “O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.” (Mt 13:47) O evangelho é para todos, mas nem todos são para o evangelho. A rede da pregação recolhe “peixes” bons e maus. Diz EGW que Satanás tem seus conversos no seio da igreja. Esses “conversos” não ajuntam com Cristo; só espalham, só dispersam. Há escribas, fariseus e saduceus para estorvar a consagração à obra de Jesus.

Estudaremos como a igreja primitiva lidou com gravíssimos problemas e se manteve firme na obra de Deus.

Veremos a ardência do primeiro amor queimando egos e enfrentando perseguição, desterro e até mesmo a morte. O amor de Cristo constrangia os cristãos a darem valente testemunho do que é a fé no Salvador morto e ressurreto.


Domingo
Muitas “Provas”
(Atos 1:1-11)

A igreja primitiva começou com Jesus pregando sozinho (ver Mc 1:14, 15; Mt 4:17) o evangelho do reino. Depois os primeiros discípulos foram chamados pouco a pouco. Com a convocação de Pedro e André, Tiago e João, o grupo cresceu. No capítulo 9 do primeiro evangelho do NT temos o chamado de Levi Mateus para juntar a Cristo e aos quatro ex-pescadores. No capítulo 10, versos 1 a 4, outros nomes são citados para completar o apostolado de doze.

À medida que o trabalho liderado por Cristo prosseguia, Ele instruiu os discípulos a pregarem preferencialmente às ovelhas perdidas da casa de Israel, que ainda tinham sete anos de graça pela frente como nação, conforme a profecia de Daniel.

Àqueles homens simples Jesus conferiu poder de curar enfermos, ressuscitar mortos, purificar leprosos e expelir demônios.

Aquele pequeno grupo frequentava ainda as sinagogas e o templo de Jerusalém, inclusive Seu Grande Líder, onde davam testemunho da verdade do evangelho eterno.

Atendiam às festas judaicas e praticavam a religião segundo prescrita nos livros de Moisés. Lembremo-nos que somente após a morte e ressurreição de Cristo começou a formatação da nova dispensação.

A despeito de todos os esforços e métodos precisos de pregação, como diz a lição, o sucesso não era muito. Entendemos por sucesso o ganho massivo de almas. As pessoas se maravilhavam com o ensino de Cristo, porque Ele falava como quem tinha autoridade e não como os escribas e fariseus. O maior pregador que o mundo já conheceu beneficiou multidões com Suas poderosas palavras, mas não obteve muitas decisões.

Quando Jesus ascendeu aos céus, havia poucos discípulos declaradamente seguidores do Nazareno. Após a ressurreição, diz Paulo que Cristo foi visto por mais de 500 irmãos (I Co 15:6)

Porém, havia discípulos potenciais até mesmo na alta esfera do Sinédrio – Nicodemos, por exemplo. Na estirpe sacerdotal muitos estavam convictos da messianidade de Cristo.

Após a ressurreição de Cristo, nosso Senhor deu muitas provas incontestáveis de Sua deidade durante 40 dias e dando instruções complementares concernentes ao reino de Deus.

Ao elevar-Se ao Céu e entrar pelos portais gloriosos como o Rei da Glória, assumindo seu cargo de Sumo Sacerdote no Santuário Celestial, o Senhor outorgou dons variados aos seus seguidores, mormente o derramamento do Espírito no Pentecostes.

Todos os simpatizantes de Jesus que não se revelaram antes por medo dos judeus ou ameaças de excomunhão, agora se manifestaram sem qualquer timidez ou receio: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.” (At 6:7)

Atos 1:1-11 relata as revelações de Cristo aos discípulos sobre como Sua obra deveria prosseguir nos dias vindouros e até o fim do tempo.

  1. Ela seria realizada no poder do Espírito Santo, o Único que pode convencer do pecado, da justiça e do juízo.
  2. Com o recebimento do Espírito, e só então, eles poderiam testemunhar de Cristo. Não há evangelismo bem-sucedido sem o poder contínuo do Espírito.
  3. Como testemunhas de Cristo deveriam ensinar tudo quanto o Mestre lhes instruiu e batizar os que aceitassem os estudos bíblicos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
  4. Foi-lhes garantida a segunda vinda visível e pessoal de Cristo. A esperança da Segunda Vinda tem movido o coração dos discípulos de todas as eras. O reino de Deus (da glória) em breve substituirá este medonho mundo de pecado.

“Chegou o momento de Cristo ascender ao trono do Pai. Estava prestes a voltar para as cortes celestiais, como divino vencedor, levando consigo os troféus da vitória. Antes de Sua morte, declarara ao Pai: ‘Eu acabei a obra que Tu Me encarregaste que fizesse. ‘ Jo 17:4, Trad. Figueiredo. Depois de Sua ressurreição, demorou-Se na Terra por algum tempo, a fim de que os discípulos ficassem familiarizados com Ele em Seu corpo ressurgido e glorificado. Agora estava pronto para as despedidas. Tornara autêntico o fato de que era um Salvador vivo. Os discípulos não necessitavam mais de relacioná-Lo com o sepulcro. Podiam pensar nEle como glorificado perante o Universo celestial.

“Como local de Sua ascensão, escolheu Jesus aquele tantas vezes consagrado por Sua presença, enquanto habitava entre os homens. Não o Monte Sião, o lugar da cidade de Davi, não o Monte Moriá, espaço virtual do templo, deviam ser assim honrados. Ali fora Jesus escarnecido e rejeitado. Ali as ondas de misericórdia, voltando ainda em mais poderosa vaga de amor, foram devolvidas por corações duros como as pedras. Dali Jesus, fatigado e oprimido de coração, saíra em busca de descanso no Monte das Oliveiras. O santo shekinah, partindo do primeiro templo, pousara sobre a montanha oriental, como se relutasse em abandonar a escolhida cidade; assim estava Cristo sobre o Olivete, contemplando com o coração anelante a Jerusalém. Os bosques e depressões da montanha haviam sido consagrados por Suas orações e lágrimas. Essas mesmas encostas ecoaram as triunfantes aclamações da multidão que O proclamava rei. Na descida desse monte encontrara Ele um lar em companhia de Lázaro, em Betânia. No Jardim de Getsêmani, ao sopé do Olivete, orara e Se angustiara sozinho. Desse monte devia ascender ao Céu. No cume do mesmo pousarão Seus pés quando vier outra vez. Não como varão de dores, mas como glorioso e triunfante rei estará sobre o Monte das Oliveiras, enquanto as aleluias dos hebreus se misturarão com os hosanas dos gentios, e as vozes dos remidos, qual poderosa hoste, hão de avolumar-se na aclamação: ‘Coroai-O Senhor de todos. ‘ DTN, 829, 830.


Segunda
A Pregação da Palavra
(Atos 2:14-41)

O que é o Evangelho? Boa-nova de libertação do domínio do pecado, de seus efeitos morais, de vida perene e feliz. Onde está o Evangelho? Ora, visto ser ele o evangelho eterno, está na Palavra de Deus desde o princípio do mundo.

A pregação do evangelho é mais do que simplesmente contar histórias a respeito de Jesus. É, sim, revelar todos os Seus santos ensinos desde que ocorreu a queda do homem. Antigo Testamento e Novo Testamento – filho do Antigo – unem-se na obra de apresentar a verdade tal qual ela é em Cristo.

Ao ser proferida do púlpito pelos servos do Senhor, dá-se-nos a oportunidade de ouvir os pensamentos do Altíssimo e meditar em Seus preceitos e orientações. “E conhecereis a verdade [que é a Palavra de Deus] e a verdade vos libertará.” (Jo 8:32) Vejam que grande oportunidade: ouvimos a Palavra de Deus e conferimo-la nos Escritos Sagrados – duplo ensejo de fixá-la na mente e na alma. A propósito, nunca deixe sua Bíblia em casa ao vir para a igreja, pois assim perderá a ocasião de conhecê-la mais e gravá-la na mente.

No sermão de Pedro (At 2:14-41) observemos que o apóstolo faz longas citações escriturísticas, ensinando-nos que a Palavra de Deus é a base inamovível de toda boa pregação. Há vários tipos de sermões: 1) homiléticos, 2) históricos, 3) expositivos, 4) temáticos (estudos bíblicos inclusos), 5) textuais, 6) biográficos e 7) exegéticos (interpretativos de textos). Em todos eles é importante centrar-se em Cristo, a Palavra Viva e estar sob a influência direta do Espírito Santo.

Entende-se que a pregação deva trazer explicações práticas, isto é, a maneira de aplicar os ensinos escriturísticos à vida diária. De nada adiantam discursos bem elaborados se o povo não souber como se apoderar das verdades da Palavra e vivê-las.

Quando um pregador é possuído pelo Espírito Santo e se deixa usar como instrumento, a pregação tem poder convertedor, exortativo, repreensivo e animador.

O pastor batista Enéas Tognini redigiu uma interessante nota homilética sobre o verso 41 de At 2:41-47: “Uma igreja exemplar. 1) Formada de crentes batizados, unidos, com padrões definidos de doutrina, comunhão, amor e oração. 2) Rege-se pela autoridade dos apóstolos; seu ensino deriva-se de Cristo… 3) O centro da comunhão se manifesta no Agape (festa ou refeição de amor incluindo a Santa Ceia); comunidade de bens e socorros aos necessitados. 4) Louvor e alegria no Senhor. 5) Frequência no culto e 6)Crescimento e excelente reputação.”

“Quando os servos de Deus conhecerem realmente o sentido dessas palavras, encontrar-se-ão no ministério os elementos da vida eterna. Cessarão os sermões fracos, sem vida. As verdades fundamentais do evangelho serão apresentadas numa nova luz. Haverá uma sã percepção da verdade, uma clareza e vigor que todos hão de discernir. Os que têm o privilégio de se achar sob tal ministério, se são suscetíveis à influência do Espírito Santo, hão de sentir o poder revigorante de uma nova vida. O fogo do amor de Deus será ateado em seu interior. Suas faculdades serão avivadas para discernir a beleza e a majestade da verdade.” OE, 252, 253.

O sermão vivido

“Sanciona o Senhor os esforços do consagrado obreiro, o verdadeiro pastor. Pode ele dispor de pouco tempo para pregar sermões; pode, não obstante, viver sermões que serão muito mais poderosos. A verdade expressa em obra vivas, altruístas, é o mais poderoso argumento em favor do cristianismo. Aliviar os doentes, auxiliar os sofredores, é trabalhar segundo os métodos de Cristo, e demonstrar poderosíssimas verdades do evangelho que representam a missão e a obra de Cristo sobre a Terra. O conhecimento da arte de aliviar o sofrimento da humanidade é o abrir-se, sem número, de portas nas quais a verdade pode encontrar um abrigo no coração, e almas serem salvas para a vida – vida eterna. Mesmo as almas mais endurecidas e aparentemente encerradas pelo pecado, podem ser acercadas dessa maneira, e compreender alguma coisa do mistério da piedade e se tornarem tão encantadas que não descansarão enquanto não obtiverem o conhecimento de Jesus Cristo e de Sua graça salvadora…” CSS, 537.


Terça
Paulo no Areópago
(Atos 17:15-34)

O Areópago era o afamado tribunal de Atenas que funcionava numa colina consagrada a Marte ou Ares, deus da guerra. Essa corte, em princípio, não julgava em sua competência senão dos crimes capitais e foi ele, dizem, que primeiro aplicou a pena de morte. Sólon (594 a.C) aumentou consideravelmente as suas atribuições e os areopagitas foram chamados a punir o roubo, a impiedade a imoralidade; a reprimir o luxo, a preguiça, a mendicância; a velar pela educação das crianças e até penetrar no lar doméstico para dele banir a discórdia e assegurar-se da legitimidade dos meios de vida de cada cidadão. Esse tribunal supremo foi ao mesmo tempo o principal corpo político de Atenas, não contando senão magistrados virtuosos, animados dum grande espírito de sabedoria, de imparcialidade e de equidade, o que lhe valeu imensa reputação. Foi ele que condenou Demóstenes (324 a.C); foi diante dele que Ésquilo, seguindo a tradição, fez comparecer Orestes, acusado de assassínio de sua mãe Clitemnestra, e advogando a sua causa diante de Atena.

Os atenienses ficaram curiosos para ouvir a “filosofia” ou nova doutrina pregada por um homem muito culto e eloquente chamado Paulo de Tarso.

Paulo ficou revoltado ao ver a alastrada idolatria reinante na cidade. Afinal, Atenas era a cidade-líder das artes e da filosofia na Grécia. O panteão (conjunto de deuses) grego mostrava-se-lhe tão grande, que ele não podia imaginar como seres que se diziam lógicos, sábios, inteligentes e pais da filosofia cressem em tantos absurdos.

Resolveu trabalhar duro pregando tanto nas sinagogas como nas praças todos os dias, contra a insensata ordem de coisas.

Não demorou muito para ser contestado pelos filósofos epicureus e estóicos. Os epicureus eram seguidores de Epicuro (341-270 a.C), criador da filosofia de que o que realmente valia na vida era o desfrute dos prazeres, entre os quais a paz, ausência de dores, paixões e temores. Os estóicos eram seguidores de Zeno (340-265 a.C.) que defendia a filosofia de que a vida ideal era de conformidade com a natureza, da qual a maior expressão era o logos (razão). Eles adoravam vários deuses.

Paulo falou de Cristo crucificado e da ressurreição, temas ilógicos para ambas as escolas filosóficas. Eles os consideravam “coisas estranhas”.

Explorando uma brecha no panteísmo grego, ele descobriu um “deus desconhecido” cujo altar marcava-lhe a possível existência. Os filósofos não poderiam contestá-lo agora porque havia curiosidade de saber quem era esse “deus desconhecido.

Paulo O identifica como o Criador dos céus, da Terra e de todas as coisas e que não precisa de qualquer santuário ao Seu nome para habitar, porquanto reside no Céu dos céus. O apóstolo explicou a controvertida questão da origem da humanidade dando-a como originária em Deus. Acrescentou que a própria vida que animava cada um dos atenienses provinha do Deus Criador. Em apoio a esse ponto citou declarações dos poetas Epímenes e Arato.

Combateu a idolatria dizendo que deuses de prata, de ouro ou de pedra, produtos da exaltada arte grega, não podiam ser divindades porque, pela lógica, foram criados por suas próprias criaturas.

Mostrou-lhes que Deus os amava e que não considerava pecaminosa a sua ignorância, mas apelava que todos se arrependessem de sua idolatria e se voltassem para o Deus verdadeiro. Proclamou-lhes que esse Deus, como Supremo Magistrado, julgaria todas as ações dos homens e os puniria ou recompensaria de acordo com elas.

A despeito de não haver um texto bíblico citado, a argumentação de Paulo fora inteiramente calcada na verdade bíblica e logrou seus efeitos conversores. Alguns creram, inclusive Dionísio, membro do colegiado areopagita, uma senhora por nome Dâmaris e muitas outras pessoas.

“A experiência do apóstolo Paulo ao defrontar-se com os filósofos de Atenas encerra uma lição para nós. Ao apresentar o evangelho no Areópago, Paulo enfrentou a lógica com a lógica, ciência com ciência, filosofia com filosofia. Os mais sábios de seus ouvintes ficaram atônitos e emudecidos. Suas palavras não podiam ser controvertidas. Pouco fruto, porém, produziu seu esforço. Poucos foram levados a aceitar o evangelho. Daí em diante Paulo adotou uma diversa maneira de trabalhar. Evitava os argumentos elaborados e as discussões de teorias e, em simplicidade, encaminhava homens e mulheres a Cristo como o Salvador dos pecadores.” CBV, 214.


Quarta
Adoração “Contrária à Lei”
(Atos 18:1-16)

“Adoração não é apenas o que você faz na igreja aos sábados.” Ela envolve a adesão integral ao concerto eterno feito por Deus em Cristo Jesus com a humanidade. Segundo o concerto ou aliança, somos adotados como filhos diletos e da luz (Ef 5:8). Deus espera a adoração de filhos e não de simples “cultuadores”.

Como tudo o que se refere ao concerto selado com o sangue de Jesus, a adoração só adquire seu verdadeiro valor quanto feita em nome de Cristo, por uma alma a qual Ele salvou, renovou e santificou. Culto não é simplesmente forma litúrgica; é vida controlada pela vontade de Cristo. É tornarmo-nos um “extensão do Salvador”.

Há nessa adoração a inclusão de um compromisso de reproduzir, no poder do Espírito Santo, o padrão de caráter de Jesus: “‘Desejo que me ensines, ó Deus. Fiz contigo o concerto de adotar o divino padrão de caráter e que faria de Ti o meu conselheiro e guia – um participante de todos os planos de minha vida; ensina-me, portanto.’ Que a glória do Senhor seja vossa principal consideração. Reprimi todo desejo de distinção mundana, toda ambição de obter o primeiro lugar. Incentivai a pureza e santidade de coração, para que possais representar os verdadeiros princípios do evangelho. Seja todo ato de vossa vida santificado pelo sagrado empenho de fazer a vontade do Senhor, para que a vossa influência não conduza os outros a caminhos proibidos. Quando Deus é o dirigente, Sua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda.” FEC,. 349.

Quando vamos aos cultos na casa de Deus, podemos deparar com toda ordem, reverência, espírito de temor e humildade por parte dos celebrantes e dos adoradores. A Palavra de Deus pode ser proferida sob a influência do Espírito Santo, os cânticos podem ser enlevantes e comoventes, mas, celebraremos contra as leis do culto se nosso espírito for mundano, irreverente, desatencioso, formal. A Lei nos ordena celebrar ao Senhor em espírito e em verdade. A verdade está presente na casa de Deus; nela Sua Palavra é pronunciada, mas nosso espírito poderá estar impermeabilizado às doces convicções do Espírito de Cristo.

Lembremo-nos da parábola do fariseu e do publicano. O que fez diferença na aceitação da parte de Deus: o formalismo escrupuloso do fariseu ou o espírito desprovido de qualquer orgulho espiritual por parte do coletor de impostos? Você vê? Há aqui dois espíritos diferentes no culto.

Culto em consonância com a Lei – “Tornar-se um batalhador, prosseguir pacientemente na prática do bem que requer esforço abnegado, é uma tarefa gloriosa, sobre a qual o Céu dispensa o seu sorriso. O trabalho fiel é mais aceitável a Deus do que o mais zeloso culto revestido da mais pretensa santidade. O verdadeiro culto é o trabalho junto com Cristo. Orações, exortação e palestras são frutos baratos, frequentemente artificiais; mas os frutos que se manifestam em boas obras, no cuidado dos necessitados, dos órfãos e das viúvas, são frutos genuínos, e produzem-se naturalmente na boa árvore.” Testimonies, vol. 2, pág. 24.

Processo contra Paulo por causa do “novo culto”

O ministério de Paulo na grande cidade de Corinto tinha como tema central a identificação de Cristo como o Messias prometido desde o Éden, e tipificado nas ofertas rituais do santuário. Todos os sábados ele ia à sinagoga e, no tempo determinado para a exposição da Palavra, persuadia ou convencia judeus e gentios de que Cristo era o Filho de Deus.

Porém, encontrou tenaz resistência por parte de judeus intolerantes e de corações endurecidos. Por mais evidentes e poderosos os argumentos do inspirado apóstolo, mas eles resistiam. Paulo, vendo-lhe a contumaz incredulidade, sacudiu suas vestes em sinal de protesto e conforme o mandado de Cristo: “Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles.” (Mc 6:11)

Quem sabe o apóstolo tenha ficado desapontado com a impertinência dos judeus. Tinha ele tanto amor pelos do seu povo que ficava frustrado quando se recusavam a crer em Cristo. Talvez tenha passado pela sua cabeça ir embora de Corinto e pregar em outra região. Porém, Deus lhe deu uma visão animando-o a permanecer pregando ali, porque tinha muito povo naquela cidade, inclusive judeus. Dezesseis meses perdurou a missão evangelística do apóstolo e, por certo, colheu muitos frutos como o Senhor lhe predissera.

Contudo, os judeus facciosos processaram Paulo acusando-o de pregar uma doutrina que não estava de acordo com a lei judaica. O procônsul Gálio, magistrado romano da cidade, sentiu-se importunado por ter de resolver uma questão religiosa controversa. “Batendo o martelo”, deu por encerrada a sessão e expulsou todos do tribunal.

Os oponentes pretendiam provar que Paulo estava fora de si e pregava agora um “Deus humano” totalmente contrário às leis judaicas. Ora, o judaísmo era reconhecido como religião no império romano. Tudo o que fosse contrário a essa religião, seria também oposto às leis romanas. O argumento não convenceu as autoridades, que sabiam ser os judeus um povo contencioso e beligerante (briguento).


Quinta
O Amor Supera Tudo
(I Coríntios 13)

Paulo escreveu: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.” (I Co 13:13)

Como costumava acontecer e ainda ocorre, a fé, a esperança e o amor, não eram práticas de muitos cristãos na igreja primitiva. Em suas epístolas Paulo censura situações divisórias existentes na igreja e que impediam seu progresso.

Na primeira carta aos coríntios, vemos, por exemplo, observações de Paulo sobre a divisão da igreja em partidos, que considerava como falta de profunda espiritualidade. Havia também crentes “ensoberbecidos” (algumas traduções dizem “inchados”) ou orgulhosos (ver I Co 4:18). Outro ponto de discórdia eram os processos judiciais movidos de irmão contra irmão (I Co 6:1-11).

Como se não bastasse, havia ainda devassidão e perversão, pois membros da igreja faziam uso de prostitutas para seu prazer (ver I Co 6:15).

Como tratar graves problemas espirituais aplicando a amorosa disciplina cristã? O primeiro procedimento de Paulo foi enviar uma carta franca denunciando pecados e sua gravidade. Caso falhasse a admoestação branda, Paulo propunha outra ação: “Que preferis? Irei a vós outros com vara ou com amor e espírito de mansidão?” (I Co 4:21). A preferência paulina era a aplicação de ternura e amor visando à conversão e ao arrependimento. Porém, em havendo resistência e inconversão, “expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (I Co 5:13)

A solução para os conflitos pessoais na igreja está neste conselho: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Rm 12:10). A NVI assim transverte o versículo: “Prefiram dar honra aos outros, mais do que a si próprios.”

O Dr. Ellet Waggoner escreveu em seu comentário sobre Romanos: “Jamais devemos dar lugar a conflitos, tanto quanto dependa de nós. Nem sempre podemos evitar que os demais promovam batalhas, porém, podemos continuar mostrando nossa paz. ‘Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em Ti. ‘ (Is 26:3) ‘Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. ‘ (Rm 5:1) ‘Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração… ‘ (Cl 3:15) ‘E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” (Fp 4:7). Aquele que possui permanentemente essa paz de Deus jamais se achará em conflito com os demais.”

“Os servos de Deus devem trabalhar unidos, fundindo-se em bondade e cortesia mútuas, preferindo-se ‘em honra uns aos outros’. Rm 12:10. Não deve haver indelicado criticismo, nem o desejo de fragmentar a obra de outros; não deve haver partes separadas. Cada pessoa a quem o Senhor confiou uma mensagem tem sua obra específica. Cada um tem sua própria individualidade, que não deve diluir-se na de outro. Não obstante, cada um deve trabalhar em harmonia com seus irmãos. Em seu trabalho, os obreiros de Deus devem ser essencialmente uma unidade. Ninguém deve colocar-se como padrão, falando desconsideradamente a respeito de seus companheiros, ou tratando-os como se eles fossem inferiores. Sob o cuidado de Deus, cada um deve desincumbir-se da tarefa que lhe foi indicada, devendo contar com o respeito, amor e animação dos outros obreiros. Unidos devem eles conduzir a obra rumo a sua terminação.” AA, 275, 276.


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