Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 12 – Adoração na Igreja Primitiva

Comentários do Pr. Albino Marks


Texto Central: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.” (I Coríntios 13:1)


Sábado
Introdução

A igreja primitiva ou apostólica passou pelo período de transição entre a Igreja tipicamente israelita, e nos dias de Jesus, realmente judaica, para a Igreja judaica-gentílica. A Igreja israelita era a nação-Igreja, enquanto a Igreja judaica-gentilica é a Igreja-nações. Israel devia inundar o mundo com a proclamação do plano da salvação. Deus declarou: “Assim diz o Soberano, o Senhor: esta é Jerusalém, que pus no meio dos povos, com nações ao seu redor”. – Ez 5:5 – Nova Versão Internacional.

Israel falhou na sua missão: “Portanto, assim diz o Soberano, o Senhor: Você tem sido mais rebelde do que as nações ao seu redor e não agiu segundo os meus decretos nem obedeceu às minhas leis. Você nem mesmo alcançou os padrões das nações ao seu redor”. – Ez 5:7 – Nova Versão Internacional.

Da adoração ao Deus Criador, os judeus caíram para o formalismo na adoração. Introduziram o mercantilismo nos serviços espirituais e para justificá-lo sobrecarregaram o povo com tradições humanas. Jesus condenou esta prática na adoração: “Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens”. – Mt 156:9 – Nova Versão Internacional.

Na Igreja primitiva os princípios da adoração segundo o plano de Deus, não foram alterados. O Deus vivo e criador continuava o centro da adoração. No entanto, uma motivação nova e igualmente gloriosa foi adicionada à adoração: Jesus, o Salvador.

Como o brilho da luz da aurora crescendo mais e mais, a Igreja apostólica compreendeu que Aquele que veio para ser o Salvador, era Ele também o Criador. “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito”. – Jo 1:1 e 3 – Nova Versão Internacional.

Pense: “Adorem aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas”. – Ap 14:7 – Nova Versão Internacional

Desafio: “Todas as coisas foram criadas por ele e para ele”. – Cl 1:16 – Nova Versão Internacional.


Domingo
Muitas “Provas”
(Atos 1:1-11)

A questão fundamental, básica para os apóstolos que receberam a incumbência de proclamar o plano da salvação por meio de Cristo Jesus, era se realmente Ele é o Messias prometido, o Príncipe do Céu. Esta questão é fundamental para a adoração verdadeira. Toda a Escritura, para os discípulos, o Velho Testamento, ensina que somente o Deus vivo e eterno, Criador e Mantenedor de todas as coisas, merece adoração.

Os discípulos tiveram evidências poderosas da divindade de Jesus durante os dias do Seu ministério. Nas muitas curas de enfermos, na multiplicação dos pães, alimentando multidões, no acalmar das tempestades, no andar sobre as águas, no Seu domínio sobre os demônios e especialmente no poder de Sua palavra sobre o pensamento humano. Porém, todas as suas grandes esperanças se evaporaram na trágica sexta-feira da morte de Jesus. Se era Deus, não podia morrer. Não compreendiam todas as implicações do conflito cósmico entre Jesus e Satanás e Sua morte redentora.

Assim, durante os quarenta dias depois de Sua ressurreição “apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo”. At 1:3 – Nova Versão Internacional. Versões diferentes trazem expressões diferentes para provar o mesmo fato: Ele é o Messias. A versão parafraseada, “A Bíblia Viva”, traz uma idéia poderosa: “e provando para eles de muitas maneiras que era realmente Ele que estava ali”.

Ele é o Messias, o Cordeiro morto, o Deus Eterno, o Criador, o Redentor, Aquele que é digno de nossa adoração.

Pense: “Dia e noite repetem sem cessar: ‘Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir'”. – Ap 4:8 – Nova Versão Internacional.

Desafio: “E eles cantavam um cântico novo: ‘Tu és digno… pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus gente de toda a tribo, língua, povo e nação'”. – Ap 5:9 – Nova Versão Internacional.


Segunda-feira
A Pregação da Palavra
(Atos 2:14-41)

Jesus deixou muitas evidências e provas inquestionáveis de que Ele era o Messias prometido por Deus e aguardado durante milênios. Foi sob o impacto dessas provas que Pedro, depois de experimentar a conversão genuína nas praias do mar da Galiléia, onde Jesus confirmou aos discípulos a comissão de anunciar o evangelho, pregou o convincente sermão do Pentecostes.

Com suas convicções abaladas, Pedro e companheiros seus, decidiram voltar ao seu trabalho de pescaria. Jesus chamou Pedro à parte e o confrontou com a desafiadora missão: “Vai e apascenta as minhas ovelhas”.

Pedro havia ouvido esse desafio, sem compreendê-lo, antes do drama da Cruz: “Ide, e pregai”.Jesus confirmou-o mais uma vez pouco antes de ascender para o Céu: “Recebereis poder e sereis minhas testemunhas”.

Pedro e os discípulos não tiveram nenhuma desculpa de como tornar-se omissos a tão grandiosa tarefa, que lhes fora confiada por Jesus. As provas foram irrefutáveis e contundentes.“Pedro levantou-se com os Onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão”. – At 2:14 – Nova Versão Internacional.

A Palavra exerceu o seu poder e convicções inabaláveis se formaram em milhares de corações. As decisões foram surpreendentes para os apóstolos, mas não para o poder de Deus em ação. A grandeza das decisões fez brotar o louvor e a exaltação espontâneos ao poder transformador.

“Durante Sua vida na Terra Ele semeara a semente da verdade e regara-a com Seu sangue. As conversões havidas no dia do Pentecostes foram o resultado dessa semeadura, a colheita da obra de Cristo, revelando o poder dos Seus ensinos”. – Atos dos Apóstolos, pág. 45.

Pense: “Mas o Espírito Santo com divino poder convenceu o coração pelos argumentos. As palavras dos apóstolos eram como afiadas setas do Todo-Poderoso, convencendo os homens de sua terrível culpa em haverem rejeitado e crucificado o Senhor da glória… Com que abrasante linguagem vestiam suas idéias quando testificavam dEle”. – Atos dos Apóstolos. págs. 45 e 46.

Desafio: Spurgeon, grande pregador do passado, exclama: “Um coração abrasado logo encontra uma língua inflamada. Quão gloriosas são as palavras do pregador cujos lábios são abrasados pelo fogo de Deus.”


Terça-feira
Paulo no Areópago
(Atos 17:15-34)

Em suas viagens pregando a Cristo, Paulo chegou a Atenas. Atenas era o centro intelectual e cultural do mundo de então. Cidade de Aristóteles, Platão, Sócrates, Epicuro e outros intelectuais da época.

O maior anseio do homem sempre foi compreender o verdadeiro sentido da vida, Obter felicidade, paz interior e segurança. Sempre foi assim. Em todos os tempos, em todas as raças e classes sociais.

O homem moderno continua o mesmo de todos os tempos. Sente o mesmo vazio interior, a mesma insegurança, a mesma solidão, a mesma falta de paz.

Paulo encontrou esta mesma situação em Atenas, cidade de grandes pensadores e intelectuais. Era também uma cidade dominada pela superstição, pela religiosidade paganizada. Paulo não se conteve. Ele tinha uma mensagem de fé, de inspiração e de esperança. Com ousadia pregou o evangelho de Cristo.

No areópago pregou para epicureus e estoicos. Os epicureus endeusavam Venus e Afrodite, a encarnação do sexo. Os estoicos endeusavam a razão. O homem deve independer-se da idéia de um ser superior, a quem adorar. O homem pode viver por si mesmo.

Paulo valeu-se do altar dedicado ao “Deus Desconhecido”. O Deus que adorais e não conheceis, é este que eu vos anuncio. Paulo anunciou o Criador do céu e da Terra, o único que merece adoração.

Você conhece a Deus e mantém relação pessoal com Ele? Se O conhecemos teremos a resposta para todas as nossas dúvidas e inquietudes, porque descansaremos à sombra do Todo-Poderoso. William James, pai da psicologia moderna chegou a esta conclusão: “À medida que os anos passam, me vejo cada vez mais impossibilitado de continuar o meu caminho sem Deus”.

Pense: “Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio”. – At 17:23 – Nova Versão Internacional.

Desafio: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos”. – At 17:28 – Nova Versão Internacional.


Quarta-feira
Adoração “Contrária à Lei”
(Atos 18:1-16)

Adoração contrária a que lei? Qual era o real problema de Paulo com os judaizantes? Uma tendência dos estudiosos é trazer os escritos de Paulo para os dias atuais e considerá-los como mensagens dirigidas em primeira instância para os nossos dias e para solucionar problemas atuais na compreensão da conduta espiritual. Aplicam-se os ensinos no sentido de que Paulo considerava obsoleta a lei moral e especificamente o sábado como dia de adoração.

Não compreendem que Paulo estava combatendo e sanando um problema específico surgido entre os crentes por pressão dos judaizantes.

Desconsiderando este importante aspecto de interpretação, com facilidade são usados argumentos que não encontram apoio sustentável naquilo que foi escrito a uma distância de dois milênios no passado.

É, pois, de suma importância levar em consideração nos escritos de Paulo, os objetivos específicos como alvo: 1. Esclarecer sobre o que Jesus fez em favor do pecador quando morreu sobre a cruz. 2. Desfazer as dúvidas em relação às cerimônias simbólicas depois da morte de Jesus. 3. Demonstrar que as cerimônias desempenharam o seu papel até a vinda “do Descendente”, Cristo o Redentor. 4. A justificação e a salvação são uma dádiva da graça de Deus, que se tornam reais para o pecador que as aceita pela fé.

A acusação do texto em foco nada tem a ver com a vigência da lei moral. O problema que se gerou entre Paulo e os judaizantes é que ele declarava sem sentido e sem valor os ritos e os símbolos das cerimônias, porque em Jesus tudo isto encontrou o seu fim. A adoração não mais necessitava dos rituais, mas a comunhão direta com Jesus. Esta era a acusação da “adoração contrária à lei”. (Veja mais em Estudo Adicional).

Pense: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”. – Gl 6:14. – Almeida Revista e Atualizada.

Desafio: “A lei de Deus é tão imutável quanto Seu trono” – Patriarcas e Profetas, pág. 379.


Quinta-feira
O Amor Supera Tudo
(I Coríntios 13)

“Um novo mandamento vos dou: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, vós também amai-vos uns aos outros. Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos; no amor que tiverdes uns para com os outros”. – Jo 13:34 e 35 – Tradução Ecumênica da Bíblia.

O que Jesus estava dizendo quando declarou: “Um novo mandamento vos dou, amai-vos uns aos outros?” Os discípulos não se amavam? Não sabiam como amar? Ou não tinham compreensão correta do tipo de amor que deviam manifestar uns para com os outros?

Jesus declara de que pela maneira de amar uns aos outros, “todos reconhecerão” quem são os Seus verdadeiros discípulos. Esta maneira de amar que revela aos outros quem são os verdadeiros discípulos de Jesus, certamente não é uma maneira comum de amar. Portanto, esta maneira de amar é muito importante e é preciso conhecê-la para orientar nosso amor de uns para com os outros como discípulos de Jesus.

Como Jesus colocou esta maneira de amar para os Seus discípulos? Que princípios Jesus estabeleceu para definir este amor que forma convicções poderosas na mente dos observadores da conduta de Seus seguidores?

Jesus usa o verbo agape – agapate – para ensinar aos seus seguidores a maneira correta de amar e que se constitui o sinal de identidade com Ele, perante aqueles que não amam desta maneira.

A definição de Jesus é concludente e não oferece margem para divagar. Ele declarou: amai-vos, assim como Eu vos amei. “Deus é amor – ágape”. Jesus é amor. Este amor é regido por princípios, não pelos sentimentos. A lei de Deus é a lei dos princípios, é a lei do amor. A adoração verdadeira se fundamenta na lei do amor porque se fundamenta no caráter de Deus.

Pense: “Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso”. – Mt 5:46 – Nova Versão Internacional.

Desafio: “Nisto sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, mas não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade nele não está. Mas aquele que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito; e nisto reconhecemos que estamos nele”. – 1Jo 2:3-5 – Tradução Ecumênica da Bíblia.


Sexta-feira
Estudo Adicional

Como a liderança israelita desvirtuou os símbolos e transformou os serviços espirituais em fonte de lucro material, o povo, como adoradores, não receberam o ensino correto sobre o significado dos símbolos e ritos como tipos da graça. Sem o ensino correto, não compreenderam as importantes lições espirituais de todo o seu culto e, por esta razão não reconheceram em Cristo o verdadeiro Cordeiro de Deus, a manifestação da graça salvadora, a Quem adorar. O centro do plano da salvação e da adoração foi desvirtuado e, portanto, torna-se fácil compreender porque não entendiam esta mudança pregada por Paulo, o fim dos ritos e sacrifícios para a experiência espiritual centralizada diretamente em Cristo. Consequentemente continuavam ensinando e praticando o ritualismo como fora feito durante séculos através de gerações. Sob estas circunstâncias, o cerimonialismo, que era o ensino sobre a graça, transformou-se em jugo legalista. A lei cerimonial, com todos os seus tipos, que deveriam conduzir a Cristo, tornaram-se pesado e inútil fardo, da salvação pelas obras.

Em face dos falsos ensinos, Paulo demonstra a sua oposição de modo decisivo. Era um homem que sabia em Quem depositara fé, e cônscio da grandeza de sua tarefa. Ainda que anjos anunciassem algo novo além do evangelho por ele pregado, ou se ele mesmo o fizesse, devia ser rejeitado.

Os ritos e símbolos cerimoniais haviam desempenhado o seu papel antes da vinda do Messias – Jesus. Depois da cruz, tornaram-se instrumentos inoperantes para a salvação e na adoração. A salvação é um dom da graça de Deus e nunca conquistada por méritos e práticas humanos.

Pense: “Estes falsos ensinadores estavam misturando tradições judaicas com as verdades do evangelho. Desconsiderando a decisão do concílio geral de Jerusalém, impuseram aos crentes gentios a observância da lei cerimonial”. – Atos dos Apóstolos, pág. 383.

Desafio: “Ali o Senhor reunira Seu povo para que os pudesse impressionar com a santidade de Seus mandamentos, declarando de viva voz a Sua santa lei”. – Patriarcas e Profetas, pág.308.


Fonte: http://www.escolanoar.org.br


Índice Geral por Tema

Índice Geral por Autor