Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 11 – Em Espírito e em Verdade

Comentários do Pr. Otoniel Tavares de Carvalho


Texto Central: “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para Seus adoradores.” (João 4:23)

Leitura Bíblica da Semana: Deuteronômio 11:16; Lucas 1:46 a 55; Lucas 4:5 a 8; Lucas 19:37 a 40; João 4:1 a 24.


Introdução

Muitas pessoas se impressionam com a QUANTIDADE de adoradores em determinados cultos. Saber que há milhares de pessoas, e até milhões, arrolados no livro de membros da igreja causa um certo ufanismo, uma espécie de “orgulho santo”, se é possível dizer isto. No entanto, não é a QUANTIDADE DE PESSOAS o elemento fundamental na adoração; é, antes, A QUALIDADE DA ADORAÇÃO que conta. Ir ao templo, muito vão a cada semana. Mas vão fazer o quê? Com que espírito e postura se acham ali, no templo? O que há no coração desses chamados “crentes em Jesus”?

A mulher de Samaria (leia João 4), com quem Jesus se encontrou, vivia em meio a questionamentos sobre ADORAÇÃO. Os judeus apontavam Jerusalém como sendo o lugar verdadeiro para adorar IAVÉ. Os samaritanos apontavam para o Monte Gerisim como sendo o lugar certo. Ela discutia assuntos periféricos da adoração, tais como etnias, geografia, tradições nacionais, etc. Jesus foi ao centro do problema: a questão da ADORAÇÃO é questão de fé pessoal, de convicção pessoal. Deve adorar a Deus “em espírito [de maneira espiritual, não na aparência física, tais como gritos, gestos, palmas, mãos erguidas, choro, etc.]e em verdade [uma adoração verdadeira, não fingida, não hipócrita]” (João 4:23, comentários nossos interpostos). Deus, o Pai, procura na Terra esses ADORADORES VERDADEIROS. Quem se habilita?


Lição de Domingo
O Cântico de Louvor e Adoração de Maria
(Lucas 1:46-55)

Leia todo o cântico de Maria, e, com uma caneta, sublinhe os trechos mais destacados. Preste atenção na maneira como Maria abriu sua alma diante de Deus, e Lhe confessou o que ia no coração. Um lindo cântico de louvor, ação de graça e adoração. Um modelo a ser seguido por nós.


Lição de Segunda-Feira
Adoração e Serviço
(Deuteronômio 11:16; Lucas 4:5-8)

Satanás dedicou todo empenho e arte na tarefa de fazer Jesus o adorar, pecando assim contra Deus, como o fizera, no Éden, o primeiro Adão. Toda sua maligna tentativa tinha um objetivo: “…se, prostrado, me adorares” Lucas 4:7. Satanás exigia que Jesus o reconhecesse como “senhor”. Ele prometeu dar a Jesus tudo o que uma pessoa cobiça ter: riqueza, fama, sucesso, aplauso público, e outras coisas mais que satisfazem o orgulho e a vaidade dos humanos. Tudo seria dado a Jesus sob uma única condição: “…se, prostrado, me adorares”. Mas Jesus recusou fazer a vontade de Satanás, pois Jesus estava cem por cento comprometido em fazer a vontade de Seu Pai Eterno.

Quando os humanos creem cem por cento em Deus, e se comprometem a cumprir Sua vontade, nada resta para ser dado a Satanás. Isto quer dizer que cada crente deve se entregar a Jesus de tal maneira, e de tal maneira deve estar comprometido com Jesus e Sua Obra, que nada fica para ser dado ao maligno. O maior problema dos cristãos é ter um coração dividido, o que faz com que eles prestem a Jesus um serviço dividido. Não há um total comprometimento com Jesus e a missão que Ele veio cumprir na Terra. Na maioria, os chamados “cristãos”, incluindo os adventistas, prestam a Deus uma adoração sincrética: metade é para Jesus e a outra metade é para o mundo (Satanás). Misturam num mesmo ato de adoração algo para Deus e algo para o diabo, pois cultuam com um coração dividido. Servem a dois senhores porque adoram a dois senhores. Uma coisa está ligada à outra.


Lição de Terça-Feira
Adorando o que Não se Conhece
(João 4:1-24)

O encontro do judeu Jesus de Nazaré com aquela mulher samaritana, junto ao poço, em Sicar, território dos samaritanos, é uma daqueles episódios bíblicos recheados de ensinos teológicos e éticos, capazes de impactar corações humanos.

Jesus era um homem sem preconceitos, vivendo em meio de pessoas excessivamente preconceituosas. Predominavam os preconceitos de raça, de religião e de classe social. Judeus e samaritanos viviam às turras, como vivem hoje judeus e palestinos. Os judeus consideravam os samaritanos como sendo gentios, imundos. Os samaritanos odiavam os judeus por esse e outros motivos. O ódio e a agressividade prevaleciam entre eles. Jesus veio fazer a paz entre Deus e todos os povos, começando por Israel. Jesus não ficou ali, junto àquele poço, por acaso. Ele sabia o quanto poderia fazer em favor da paz entre judeus e samaritanos, ao dialogar com homens e mulheres samaritanos.

A conversa de Jesus com a mulher samaritana ensina a todos nós métodos corretos de abordagem evangelística. Jesus Se fez dependente da mulher samaritana, ao lhe pedir um pouco d’água. Ele ofereceu à mulher a oportunidade de ela ser-lhe útil. Daí em diante, o diálogo entre os dois fluiu naturalmente, em clima de paz. O conflito religioso entre judeus e samaritanos a respeito da ADORAÇÃO veio à tona e foi discutido com muita clareza. Jesus não omitiu a verdade, mas a expressou com amor e respeito. Ele foi tão cordial, honeste e correto no trato com aquela mulher samaritana, que ela saiu dali convencida de que Jesus era, de fato, o tão esperado Messias, ou seja, o “Ungido” de IAVÉ, para salvar Israel.

No que se refere à adoração, Jesus anunciou à mulher samaritana que Deus estabelecera uma nova metodologia de adoração. A partir de então, não seria mais necessário alguém ir a Jerusalém ou a outro lugar “sagrado” para prestar culto a IAVÉ, como foi exigido de Israel no Antigo Testamento. A partir da morte-ressurreição do “Ungido” do Senhor, o Messias-Cristo, todos os adoradores estavam livres para adorar a Deus sem restrições étnicas (raciais) nem geográficas (o lugar fixo da adoração). Jerusalém, Brasília, Washington, Tóquio, Madri, Recife, Caruaru, Jijoca de Jericoacoara, qualquer lugar do mundo serviria, desde que a adoração fizesse parte do coração e da alma do adorador, e este estivesse pronto para oferecer uma adoração espiritual e verdadeira, sem hipocrisia e sem exibicionismo de atributos e dotes físicos.

Os samaritanos adoravam quem eles não conheciam. Os judeus adoravam a IAVÉ, o Deus que a eles Se revelara de forma grandiosa, conforme relatos de Moisés e dos profetas hebreus, no Antigo Testamento. Mas nem samaritanos nem judeus estavam oferecendo a Deus a ADORAÇÃO IDEAL. Judeus e samaritanos cultuavam a Deus de forma deficiente e parcial. Não havia neles um comprometimento pleno e total com IAVÉ. Tanto é assim que Jesus, o “Ungido” do Senhor, veio para Israel, e Israel o rejeitou como nação (João 1:11). Escolheram “César”, imperador romano, como seu rei (leia João 18 e 19). Escolheram a Satanás como seu “senhor”.


Lição de Quarta-Feira
Os Verdadeiros Adoradores
(João 4:23-24)

“Deus é espírito [Pneuma]. E importa que os Seus adoradores O adorem em espírito e em verdade.” João 4:24.

Muitas pessoas capricham na mímica da adoração. Usam um rebuscado e múltiplo gestual para expressar essa adoração a Deus. Ajoelham-se, levantam as mãos, choram, gritam, falam palavras rebuscadas, usam de repetidos adjetivos para Deus, gritam aleluias a plenos pulmões, movem o corpo, alguns rolam pelo chão, outros imitam sons de animais, outros se mostram muito sérios, sem nenhum sorriso, outros maceram o rosto para indicar contrição, e a mímica se repete em cada adorador e em cada ato de adoração. Muitos fazem questão de expressar em atos físicos, corporais e externos, sua adoração a Deus. Outros fazem penitências, carregam cruzes mas costas, levam pedras na cabeça, ajoelham sobre pedrinhas ou grãos, surram seus próprios corpos em atitude de autoflagelação. Tudo isso para expressar fisicamente e exteriormente que são verdadeiros crentes em Deus, o Pai, em Jesus, o Filho, e no Consolador, o Espírito Santo. Seriam tais atos físicos e exteriores prova de um coração verdadeiramente convertido e de uma adoração sincera, espiritual e verdadeira? Toda essa mímica, esse gestual, alguns deles bem exagerados, é prova de corações convertidos e adoração espiritual? Geralmente, não.

Em relação à oração da fé, aquela oração que produz resultados positivos para o adorador, Jesus ensinou: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” Mateus 6:6. Então Jesus revelou um modo errado de orar, o qual era praticado por um grupo de adoradores em Seu tempo: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.” Mateus 6:7 e 8. E disse mais: “E quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa [o aplauso e louvor dos homens, mas não de Deus]” Mateus 6:5.

Jesus citou como adoração e oração erradas: (1) exibicionismo na oração/adoração, para ser visto e elogiado pelos homens. Isto pode acontecer por meio de orações cheia de termos floreados, gritos de aleluia em tom muito alto, (2) repetições excessivas das mesmas palavras na mesma oração; (3) orações muito longas, fingindo ser muito religioso e ter muita intimidade com Deus, etc. Deus conhece a nós todos. Não precisamos fingir que amamos a Deus. Não devemos ter uma adoração somente para consumo externo e aplauso humano. Deus sabe o quão verdadeiro ou falso está sendo nossa adoração a Ele. Não precisamos provocar dó ou pena em Deus, para que o Senhor tenha misericórdia de nós, pois Ele já provou que nos ama e tem misericórdia de nós desde que Adão e Eva pecaram, lá no Éden, e Deus não os consumiu, mas lhes anunciou o Plano da Salvação por Substituição, através da vinda do “Descendente” da mulher, o qual esmagaria para sempre a cabeça da Serpente (leia Gênesis 3:15). Paulo afirma que Deus já provou que nos ama (Romanos 5:6 a 8), ao nos dar Jesus para viver e morrer/ressuscitar pelos pecadores. Um grito a mais, uma mímica exagerada, palavras repetidas, exibição de religiosidade, nada disso acrescenta coisa alguma ao amor de Deus por nós, nem à Sua Graça redentiva. Leia João 3:16, e note o quanto Deus nos ama, apesar de saber quão falsos nós somos em relação a Ele.


Lição de Quinta E Sexta-Feiras
Adorando aos Seus Pés
(Mateus 2:11; Mateus 4:10; Mateus 9:18; Mateus 20:20; Marcos 7:7; Lucas 19:37-40; João 9:38)

ADORAÇÃO está relacionada com fé, confiança, entrega, serviço, discipulado. Adoração é a inclinação da alma humana em direção a Deus, pela fé, num ato de entrega. Na adoração, a pessoa diz a Deus, com toda sinceridade e pureza de alma, o quanto confia nEle, e o quanto dEle precisa. Diz também, mais em atitudes que em palavras, até aonde está disposto a ir por amor ao Senhor Deus. Na adoração há fé, compromisso, doação de si mesmo a uma pessoa – Deus – e a uma causa – a obra que Deus comissiona Seus servos realizarem na Terra. É muito fácil uma pessoa abrir a boca para dizer palavras bonitas a Deus. A boca fala tudo aquilo que a pessoa quer falar, quer seja falso, quer seja verdadeiro. Mas a vontade humana, seu livre arbítrio, somente se doa à pessoa em quem acredita e a quem verdadeiramente ama. Daí se ver na Terra todo tipo de adorador -falsos e verdadeiros. Adoradores de palavra, de mímica, de gestos exteriores, mas de corações divididos, de almas comprometidas com o mundo e seus valores. Há, porém, uma minoria de adoradores honestos, crentes, comprometidos com Deus e Sua obra. São poucos, mas são valiosos e valorosos. Este grupo menor forma sempre uma pequena igreja dentro de grandes igrejas. É o REMANESCENTE FIEL, que somente Deus conhece em sua plenitude. Esse REMANESCENTE FIEL é a igreja invisível de Deus em cada igreja visível, formal.

Nós, humanos, nos impressionamos muito com gestos, mímicas, expressões externas de adoração. Uma pessoa que prega bonito; um cantor que louva belamente, com voz cativante; pessoas que se vestem sobriamente; pessoas que zelam pela alimentação e evitam coisas imundas; pessoas que gritam amém e aleluia bem alto no culto; Essas coisas nos impressionam. Se são atitudes verdadeiras ou não, no ato de adorar, somente Deus o sabe. Deus vê o coração, e julga todas as atitudes humanas. Por isso, seja um adorador sincero, intenso, honesto e fiel. Faça todas as coisas de coração, para a glória de Deus (I Coríntios 10:31).


Fonte: http://comentarioes.blogspot.com


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