Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 10 – Adoração: do Exílio à Restauração


Sábado à tarde

Verso para Memorizar:“Vocês têm plantado muito, e colhido pouco. Vocês comem, mas não se fartam. Bebem, mas não se satisfazem. Vestem-se, mas não se aquecem. Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada” (Ageu 1:6, NVI).

Leituras da semana: Neemias 1; Jeremias 29:10-14; Ezequiel 8; Daniel 3; Ageu 1; Zacarias 1:1-6

De nossa perspectiva atual, mais de mil e novecentos anos após a destruição final do templo de Jerusalém, é muito difícil entender a importância do templo na vida política e religiosa da nação judaica. O templo era o ponto alto da adoração, o centro de sua identidade étnica e religiosa. Era o lugar em que o Senhor disse que habitaria, e do qual reinaria em Israel. Ali o seguidor do Senhor encontrava purificação, perdão, graça e reconciliação.

Muitas pessoas não acreditaram nas advertências proféticas de que o templo seria destruído por Babilônia, exatamente porque ele era, verdadeiramente, a casa do Senhor. Como o Senhor poderia permitir que Seu templo sagrado fosse destruído? Só podemos imaginar o choque que eles tiveram quando, de fato, como os profetas haviam advertido, os babilônios o devastaram. E ainda, mesmo em meio a toda a devastação, o Senhor prometeu que a nação seria restaurada, o templo, reconstruído, e Israel receberia outra oportunidade para cumprir seu destino profético.

Nesta semana, estudaremos algumas questões relacionadas à adoração durante o tempo do exílio e, então, a restauração prometida.


Domingo

“Filho do homem, você viu…?”

A apostasia não acontece da noite para o dia. Povos inteiros não se perdem completamente em um dia, uma semana, ou mesmo um ano. O processo é muito lento. Uma pequena mudança aqui, uma pequena concessão ali, um pouco menos de rigidez, a fim acompanhar o momento, ou para ser relevante, ou para se adequar melhor às tendências da sociedade e da cultura. Pouco a pouco, passo a passo e, depois de algum tempo, uma nação inteira está fazendo coisas que, talvez em uma ou duas gerações anteriores, teriam sido consideradas com horror. Esse foi o destino do antigo Israel e Judá; esse foi o destino do cristianismo em seus primórdios. Esse pode ser o destino de qualquer igreja, incluindo a nossa, que não guardar com zelo e cuidado as sagradas verdades e práticas que lhe foram dadas pelo Senhor.

1. Leia Ezequiel 8. O que estava acontecendo no templo sagrado, instituído pelo Senhor, o mesmo local em que o Senhor havia prometido colocar Seu nome? Como o povo, os líderes espirituais, poderiam ter caído em tal apostasia? Que lições podemos aprender desse episódio?

Os pecados secretos, acariciados pelos sacerdotes e anciãos, foram as abomináveis e repugnantes práticas de adoração de sua cultura. Aqueles que deviam ter guiado o povo de Deus na verdadeira adoração, estavam adaptando essa adoração aos costumes pecaminosos e corruptos de seu tempo e ambiente, trazendo assim as abominações da cultura que os cercava ao sagrado santuário de Deus. Como é irônico que o exército babilônico trouxesse um fim à profanação do templo de Deus, e nesse caso, unicamente pela destruição dele.

2. Leia cuidadosamente Ezequiel 8:12. Que tipo de lógica e raciocínio esses anciãos estavam usando para justificar suas ações? O que poderia tê-los levado a essas conclusões falsas?

Aquelas pessoas devem ter se afastado tanto do Senhor a ponto de acreditar que Ele não as via ou que não Se importava com suas práticas. O Senhor, que vez após vez mostrava Seu cuidado, Sua proximidade e Seu desejo de que elas obedecessem, agora havia abandonado a Terra, como eles pensavam? Precisamos ser cuidadosos, porque o pecado pode endurecer nosso coração e envenenar nossa mente, nos levando a justificar até as práticas mais horríveis.


Segunda

Adorando a imagem

Como temos abordado durante este trimestre, o teste final nos últimos dias trata da questão da adoração (Apocalipse 14:1-12). Toda a humanidade estará dividida em um dos dois lados: os que adoram o Criador, aquele que fez os céus e a Terra, e os que adoram a besta e sua imagem. Embora essa sequência no quadro profético ainda deva se manifestar, pode-se argumentar que, mesmo agora, todo o mundo está dividido em um dos dois grupos: os que são fiéis ao Senhor e os que não são. Além disso, não há meio-termo: estamos de um lado ou do outro.

Com isso em mente, a história dos três jovens hebreus no livro de Daniel se torna bastante relevante. Não é apenas uma história dramática de um resgate sobrenatural dos fiéis seguidores de Jeová. Torna-se, em vez disso, um símbolo, um tipo, do teste de adoração que sobrevirá ao mundo pouco antes da segunda vinda de Cristo.

3. Leia Daniel 3. Compare a adoração da imagem ali com a adoração da imagem em Apocalipse 14. O que podemos aprender dessa história, que pode nos ajudar a entender a questão da marca da besta?

O segundo mandamento, que proíbe a idolatria (Êxodo 20:4-6), estava em questão nessa ocasião; o quarto mandamento (Êxodo 20:8-11), a respeito do sábado, será a questão aparente nos últimos dias. O interessante é que esses dois mandamentos foram alterados e falsificados pelo poder da besta (Daniel 7:25). Ambos os mandamentos estão ligados diretamente à adoração; o segundo proíbe a adoração de ídolos, enquanto o quarto mostra a razão pela qual não devemos adorar ídolos: porque o Senhor da natureza, e não a natureza em si, é o único que nos criou e redimiu (Deuteronômio 5:12-15).

Em ambos os casos, também, existe uma entidade político-religiosa terrena, que deseja receber a adoração e fidelidade devidas somente ao Senhor e, em ambos os casos, esse poder está disposto a recorrer à violência para conseguir essa “adoração”.

Pense no significado de “adorar” alguma coisa. É sempre errado adorar outra coisa que não seja o Senhor? Por quê? Pode haver coisas que podemos adorar sem pecar, sem violar a lei de Deus? Pode dar exemplos? Como podemos ter certeza de que não estamos adorando algo ou alguém que não seja o Senhor?


Terça

“Vejam aonde os seus caminhos os levaram”

4. O que Jeremias 29:10-14 fala sobre o caráter de Deus? Que esperança podemos tirar desse texto, para nosso contexto pessoal?

Depois de setenta anos, como predito, o Senhor começou a trazer os exilados de volta à terra prometida. Israel devia receber outra oportunidade de cumprir seu destino profético.

O templo, o santuário, o lugar em que todo o plano da salvação era ensinado através de tipos e símbolos, certamente estava no centro dessa obra. Ali eram prefiguradas a obra e a missão do Messias, o qual poderia salvar o mundo (João 3:16; II Coríntios 5:19; Hebreus 8:1, 2).

No entanto, a obra de reconstrução do templo não foi tão tranquila nem tão rápida como devia ter sido. Forças internas e externas se colocaram no caminho, e a obra foi atrasada. Não era assim que o Senhor queria que acontecesse, por isso Ele falou através de Ageu, para que o povo soubesse do Seu desagrado.

5. Leia Ageu 1. O que desviava a atenção do povo da obra de Deus? O que tem desviado nossa atenção hoje? Como evitar esse problema?

Como é fácil permitir que trabalhos, desejos e mesmo necessidades materiais atrapalhem nossas responsabilidades espirituais. Deus fez com que eles soubessem que nunca teriam a verdadeira satisfação sem devoção a Ele e à obra que o Senhor lhes havia dado para fazer. Muito frequentemente, podemos cometer o mesmo erro, ficando tão envolvidos com as coisas do mundo que negligenciamos o que deveria ser o mais importante em nossa vida: nosso relacionamento com Deus. Talvez o Senhor esteja nos dizendo, quer coletivamente ou individualmente: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram” (Ageu 1:7, NVI).

Considere os seus caminhos. O que os seus caminhos, suas ações, as coisas que você faz ou deixa de fazer, dizem sobre seu relacionamento com o Senhor? Você pode ser culpado dos mesmos erros das pessoas descritas em Ageu? Por quê?


Quarta

Onde estão agora os seus antepassados?

A reconstrução do templo levou cerca de 12 anos. Esdras 5:1, 2 se refere a Zacarias como um dos “profetas de Deus, que os ajudavam”. Sua ênfase, como a de Ageu, estava na glória que um dia habitaria o templo.

No entanto, como acontece muitas vezes com a profecia, as promessas não são incondicionais. Os seres humanos, que receberam o livre arbítrio, devem fazer a escolha de obedecer ao Senhor, de fazer o que Ele manda, não como meio de salvação, mas para mostrar os frutos e os benefícios da salvação.

A liberdade humana é uma pressuposição implícita ao longo das Escrituras. As pessoas têm a opção de escolher a quem desejam servir e adorar, e o cumprimento das promessas depende das escolhas que as pessoas fazem. A Bíblia está cheia de promessas maravilhosas para todo aquele que fielmente buscar e servir ao Senhor.

6. Que tema, encontrado em boa parte da Bíblia, aparece em Zacarias 1:1-6? Como a realidade da livre escolha humana é revelada no texto?

Algumas das palavras mais duras nesse texto são encontradas no verso 5: “Onde estão agora os seus antepassados?” Em outras palavras, aprendam com os erros dos que viveram antes de vocês; não façam o que eles fizeram; aprendam com o passado, e com o que aconteceu antes de vocês.

É aqui que entra o ministério do pastor no púlpito. É aí que o pastor pode, na função de profeta, encaminhar as pessoas à guia do Senhor, às Suas promessas, e às condições dessas promessas. A pregação da Palavra não deve causar confusão teológica nem polêmica: ela deve ser cristocêntrica, apontando para o que o Senhor tem feito por nós, o que Ele Se dispõe a fazer por nós, e o que fará por nós, tudo sob a condição de nos achegarmos ao Senhor com fé e arrependimento. Isso era, essencialmente, o que Zacarias estava dizendo ao povo ali: arrependam-se, afastem-se de seus maus caminhos, aprendam com o passado e coloquem sua esperança no Senhor e nas Suas promessas para o futuro. Da mesma forma, hoje, com a revelação do significado do serviço do santuário (vida, morte e ministério sumo sacerdotal de Jesus), devemos nos aproximar do Senhor e adorá-Lo, em atitude de fé, arrependimento e obediência. É bom repetir que, embora a obediência não possa nos salvar (a salvação já ocorreu, na cruz), não existe salvação sem isso, independentemente de como nossa obediência possa ser imperfeita.


Quinta

A oração de Neemias

Apesar de todas as promessas de restauração, havia problemas em Jerusalém. O povo enfrentava um obstáculo após outro, muitos deles como resultado de sua própria desobediência. O profeta Neemias, enquanto servia o rei persa, recebeu notícia sobre a situação ali e respondeu com jejum, pranto e oração. Seu entusiasmo e preocupação diante das dificuldades são claramente revelados no primeiro capítulo do livro que leva seu nome.

7. Leia a oração de Neemias 1, em resposta ao que ele ouviu, e comente:
(1) Por que Neemias, que, tanto quanto sabemos, foi fiel, incluiria a si mesmo entre os que haviam pecado contra o Senhor? Daniel 9:5, 6

(2) Que tipo de oração é esse, e por que é tão importante? Êxodo 32:31-34; Tiago 5:16

(3) De que modo a condicionalidade da profecia está revelada nessa oração?

4) Com base em que ele fez seu apelo ao Senhor, em favor do povo? Em outras palavras, por que o Senhor devia ouvir essa súplica? Gênesis 12:1-3; Êxodo 6:4, 5

Escreva uma oração de intercessão pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, partilhe com a classe, e compare com a oração dos colegas. O que nossas orações dizem sobre nossa maneira de perceber as diversas necessidades espirituais da igreja? O que podemos aprender com cada uma dessas orações? O que as pessoas entendem ser a maior necessidade da igreja na atualidade? Ainda mais importante, como podemos ajudar a realizar as reformas que julgamos necessárias?


Sexta

Estudo adicional

Leia de Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 551-566: “A Volta do Exílio”; p. 567-581: “Os Profetas de Deus os Ajudavam”; p. 607-617: “Esdras, o Sacerdote e Escriba”; p. 618-627: “Um Reavivamento Espiritual”; p. 661-668: “Instruídos na Lei de Deus”; p. 669-678: “Reforma”.

“Os tempos de provação que estão diante do povo de Deus reclamam uma fé que não vacile. Seus filhos devem tornar manifesto que Ele é o único objeto do seu culto” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 512)

“Há o constante perigo de que cristãos professos venham a pensar que, para exercer influência sobre os mundanos, necessitem se conformar até certo ponto com o mundo. Mas embora semelhante conduta pareça propiciar grandes vantagens, acaba sempre em perda espiritual” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 570).

“Na obra de reforma a ocorrer hoje, há necessidade de homens que, como Esdras e Neemias, não dissimulem nem desculpem o pecado… não cubram o mal com o manto da falsa caridade… Eles se lembrarão também de que o Espírito de Cristo deve ser revelado naquele que repreende o mal” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 675).

Perguntas para reflexão:
1. Que lições podemos aprender com nossos “pais e mães” na igreja? Ou seja, que importantes lições espirituais a própria história da Igreja Adventista do Sétimo Dia pode nos ensinar?
2. Quais são as maneiras pelas quais, como igreja, em nossos esforços para alcançar a cultura que nos cerca, corremos o risco de comprometer verdades fundamentais? Por que tantas vezes nos tornamos cegos, quando isso acontece?
3. Enquanto há sempre o perigo de nos comprometermos na tentativa de ser relevantes, há também o perigo de nos fecharmos em crenças ou práticas que, talvez, precisem ser refinadas ou alteradas. Como podemos saber o que é imutável e permanente, em contraste com o que pode e deve mudar com o tempo?

Respostas Sugestivas: 1: Prática de idolatria no templo; pecado nos afasta de Deus e tira a sensibilidade; envolvimento com falsa adoração leva ao fracasso. 2: Diziam que adoravam falsos deuses porque Deus não via. Cegueira espiritual fazia com que imaginassem que o Senhor era cego. 3: Governos humanos tentam obrigar os servos de Deus a adorar ídolos; Deus pede que não adoremos outros deuses. 4: Deus é misericordioso; quer o nosso bem; deseja restaurar a vida do povo castigado; ele nos oferece paz e esperança. 5: O povo estava preocupado com suas casas luxuosas. Para evitar esse erro devemos colocar em primeiro lugar o reino de Deus. 6: Rebeldia do povo diante da pregação; chamado ao arrependimento; eles poderiam aprender com os erros do passado. 7: (1) Neemias intercedeu pelo povo e se sentiu identificado com seus pecados. (2) Moisés orou pelo povo e ofereceu a própria vida para que fossem perdoados. (3) Se o povo transgredisse a lei, seria castigado; se confessassem e se arrependessem seriam restaurados. (4) Com base na aliança entre Deus e Abraão, que se estendeu a Israel. Eles ainda eram o povo de Deus.