Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 09 – “Não Confie em Palavras Enganosas”: Os Profetas e a Adoração

Comentários do Prof. Sikberto Renaldo Marks


Texto Central: “Quem então é como Eu? Que ele o anuncie, que ele declare e exponha diante de Mim o que aconteceu desde que estabeleci Meu antigo povo, e o que ainda está para vir, que todos eles predigam as coisas futuras e o que irá acontecer.” (Isaías 44:7 – NVI)


Sábado à tarde
Introdução

Que lições duras estão sendo estas! Desde que as estudo, nunca vi algo assim. Como estão indo direto ao ponto de nossas falhas! Aqui em nossa casa, estamos aproveitando para fazer uma faxina (limpeza) na vida espiritual. Onde encontramos algo errado, oramos, e humildemente pedimos a DEUS que nos dê as forças para mudarmos de hábito. Se os meus comentários da lição às vezes parecem duros, ou muito diretos, eles também são direcionados ao nosso lar. É que estamos em dias que satanás está usando seu máximo poder de enganar, e todos somos alvos dele. É tempo de reavivamento e reforma. E esse assunto centra na adoração, que é o modo de relacionamento com nosso DEUS e nosso Salvador.

No Israel antigo, eles cometeram muitos erros. Mas não podemos condená-los, pois somos ainda mais pecadores que eles, já que temos, a mais que eles, dois mil anos de degeneração. E temos ainda que enfrentar maior experiência do mal. Não esqueçamos: houve 1260 anos de severa perseguição, de cristãos contra cristãos. E aqui nos encontramos justo no auge do drama.

Nesses últimos tempos, pelo que se está vendo, grande parte do povo judeu assumirá uma importante e poderosa posição ao lado da verdade. Só eles podem dar um determinado testemunho que vai impressionar o mundo cristão e o pagão também. Essa parte de judeus, quando aceitar JESUS como Salvador, obviamente mantendo a santificação do sábado, dará uma força única e exclusiva aos demais santificadores do sábado. Imagina só, quando muitos deles tomarem essa decisão, com que moral aqueles que defendem a abolição da lei e do sábado continuarão mantendo essa idéia!? DEUS tem reservado grandes emoções para bem pouco tempo, quem sabe, para o próximo ano, mas se não for, não demora muito tempo mais. Preparemo-nos para nos posicionar, em definitivo, do lado certo quanto à adoração, pois essa é a grande questão. Para isto, façamos o reavivamento e a reforma em nossa vida, urgentemente.

Em que erro o povo judeu antigo caiu, e que nós, adventistas, também estamos caindo (e não adianta tentar esconder, pois isso é verdade)? Eles adentraram no formalismo. Acharam que o importante eram os rituais. Pois o que se vê em muitas de nossas igrejas não é diferente. As pessoas observam a liturgia (ritual eclesiástico, ordem das cerimônias), e se bem que ela tem sua importância, ela nunca substitui O adorado. Ela é apenas o meio respeitoso para se chegar a quem se adora. Então, se o nosso foco for em liturgia, o que vai acontecer? O que vemos por aí? Pessoas santíssimas dentro da igreja, e assim que saem, se tornam outras pessoas, bem diferentes, como o mundo gosta. E muitas vezes, esse estilo até entra junto na igreja. Ou seja, é “faz de conta”, mas não há genuinidade. Durante a semana, são em geral, apenas um pouco melhores que os do mundo. É por esse motivo que carecemos todos, de uma reforma em nossa vida. Estudemos bem as lições dessa semana, pois elas têm muito a ensinar. Mas também nós devemos mudar nossa vida.


Primeiro dia
Mil Carneiros?
(Deuteronômio 10:12-13; Miquéias 6:1-8)

Se pudéssemos ser salvos pelas obras, então o plano de salvação seria outro. JESUS não teria vindo morrer por nós. O Céu provavelmente teria enviado diretamente o ESPÍRITO SANTO para nos assessorar a praticarmos boas obras, e assim, aos poucos, nos tornaríamos pessoas boas. Ao longo do tempo a nossa natureza seria purificada, ela se transformaria, e, por esforço próprio, alcançaríamos outra vez a perfeição.

Achou absurdo? Mas essa pregação é a que mais se ouve pelo mundo afora. É só colocar um ingrediente a mais, e já vai entender. E aqui vai o ingrediente. Se a salvação fosse pelas obras, então faz sentido não haver morte de alguma parte do ser humano, digamos, o seu pensamento, que chamam de espírito, ou alma. Nesse caso, se uma vida não fosse suficiente para chegar outra vez ao ponto de ser aceito no Céu, então aquela alma reencarna e retorna à vida em outro corpo, e assim vai, e pelas obras vai se aperfeiçoando, até que se torne outra vez digna da vida eterna com corpo, ou seja lá como for.

De primeira, podemos ver que realmente essa idéia, de salvar-se (note, salvar-SE) pelas obras coloca o reino de DEUS em risco. Quer ver? A Lei de DEUS valeria pouco, quase nada, e DEUS também teria pouco poder. Afinal, o sujeito peca, depois, ele mesmo, com algum auxílio da divindade, se recupera e retorna a ser bom.Esse é, em nosso mundo, o princípio da impunidade. Por isso a nossa sociedade vai de mal a pior! Pode pecar, você mesmo se recupera. E se não conseguir, teríamos o ESPÍRITO SANTO para ajudar. É de se notar que nesse caso, o ESPÍRITO SANTO não transforma, ele ajudaria a pessoa a praticar boas obras. Seria a banalização da Lei, o rebaixamento do poder de DEUS, e o aviltamento de Seu Reino. Obedeça, ou não, você mesmo resolve a sua situação. Resumindo, seria um governo anárquico, no sentido direto dessa palavra, ou como dizem, a casa onde todo mundo manda, e do seu jeito.

E o que foram todos aqueles cordeiros e carneiros que se matavam todos os dias? Foram obras? Eles foram uma representação prática da dramaticidade do pecado. Indo direto ao ponto: pecado mata!Quem peca, morre por inteiro, não fica algo dessa pessoa para reencarnar. Nesse caso, a Lei tem força, o Rei tem poder, e esse é um reino onde a impunidade e a confusão não tem lugar. Resumindo isto, é um lugar 100% seguro para quem obedece, pois há lei e ela tem valor.

Mas o povo de DEUS naqueles tempos transformou o ritual do santuário, em que se matavam animais, em o fim em si mesmo. O ritual era procedido por seres humanos, e o povo participava. Então, enfatizar no ritual é o mesmo que enfatizar no ser humano e em suas obras, não em quem o ritual representa, que era JESUS. Nesse caso, é o mesmo que dizer: faça sacrifícios que por meio deles você se salva.

Mas o que DEUS quer mesmo, conforme Miq. 6:1 a 8? Ele quer que pratiquemos a justiça, que amemos a misericórdia e que andemos humildemente com nosso DEUS.Ou seja, Ele quer nos perdoar para que, tendo o perdão, não pequemos mais.E não pecar mais é praticar boas obras. Resumindo, por meio da prática de obras más (desobediência) podemos nos perder, pois estamos desobedecendo a Lei, e ela tem que nos condenar. Portanto, sempre que praticarmos uma obra má, anulamos a graça em nossa vida, e necessitamos outra vez ser perdoados. Mas depois de perdoados, aí sim, devemos obedecer, e obediência é a prática de boas obras, que estão em conformidade com a Lei de DEUS.

Qual é a lógica de tudo isso? Ela é bem simples. O ser humano pecou, portanto tem que morrer, pois o salário do pecado é a morte. Assim exige a Lei. E atentem, a Lei não perdoa, ela condena. A função dela não é perdoar, mas condenar à morte, e esse é o seu poder. Por isso a lei serve também para prevenir contra a morte, orientando a não pecar para não morrer. Mas pecando, entra o amor de DEUS, que vendo-nos condenados, quer nos salvar. Veio o Seu Filho, para morrer em nosso lugar. Isso satisfaz a Lei, que exige a morte do pecador. JESUS colocou-Se em nosso lugar nessa morte. A partir dessa morte, como Ele pagou o preço do pecado dos pecadores, tem todo direito de perdoar a quem sinta a necessidade e queira ser perdoado. E isso é a graça. Ele perdoa, e a pessoa está livre de morrer para sempre. Mas atenção, ela estará livre até que cometa outro pecado, aí o processo reinicia, se ela desejar ser salva. Se não desejar, esteve por um tempo livre de morrer, mas pecando outra vez, voltou à condição de condenada. Portanto, uma vez aceita a graça, precisa ter o desejo de não pecar mais, isto é, ter o desejo de praticar somente boas obras. E é para isso que o ESPÍRITO SANTO foi enviado: nos ajudar no processo de santificação, que é a capacidade de cada vez mais conseguir praticar boas obras evitando as más obras. Resumindo mais uma vez: as boas obras, obras da obediência à lei de DEUS, se praticadas antes do perdão, são louváveis, mas não servem para obter o perdão de pecados anteriores, e, se praticadas após o perdão pela graça, servem para não ser condenado outra vez e manter-se salvo.


Segunda
O Chamado de Isaías
(Isaías 6:1-8)

Isaías, filho de Amoz, que, segundo o Talmude era irmão do rei Uzias, profetizou no tempo dos reis Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Isaías viveu 79 anos, iniciou seu ministério em 740 aC, aos 20 anos, ano em que Uzias morreu. Era contemporâneo dos profetas Amós, Oséias e Miquéias. Consta que Isaías tenha sido serrado ao meio pelo iníquo rei Manassés.

Uzias foi um rei bom por muitos anos, mas não no final. Reinou 55 anos, e levou Judá à grande prosperidade espiritual como material. Mas, o rei Uzias, no auge de seu sucesso, tornou-se orgulhoso e convencido de seu poder. Esqueceu que DEUS era seu superior, exaltou-se sobre o sacerdócio, e foi realizar tarefas que só eram permitidas, por DEUS, aos descendentes de Arão. “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o SENHOR seu Deus, porque entrou no templo do SENHOR para queimar incenso no altar do incenso” (2 Crônicas 26:16-17). Ele foi repreendido pelo sacerdote ao que se indignou tanto que contraiu lepra. Foi separado do palácio, perdeu o poder, e assim morreu, e seu filho Jotão assumiu o poder. Uzias omeçou bem, mas terminou mal.

Seu sucessor, Jotão, foi um bom rei. Reinou por 16 anos, e fez muitas construções. Mas a corrupção na adoração começou em seus auxiliares. Morrendo, assumiu seu filho Acaz, e este foi um rei mau. Levou o reino ao declínio, vindo a tornar-se vassalo da Assíria. Judá estava se corrompendo. Depois de Acaz, reinou seu filho Ezequias que foi um rei à semelhança de Davi, seu ancestral.

Isaías iniciou seu ministério, por chamado de DEUS, no final do reinado de Uzias. Judá já estava se corrompendo, por causa do rei que se tornara mau sujeito. A situação piorou muito no tempo do neto de Uzias, que foi Acaz.

Como foi o chamado de Isaías? Era o último ano do reinado de Uzias. Iniciava-se a corrupção no reino, a partir do seu rei. Ele foi, em visão, levado até diante do trono de DEUS. Lá viu a DEUS. O cenário é descrito em Isaías 6:1 a 8, e foi para ele algo tão impressionante que foi indescritível. Ao ver a DEUS, Sua santidade, Seu poder, Sua imponência, Isaías exclamou: “Ai de mim! Estou perdido, porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isa. 6:5). Então um anjo tomou, com uma tenaz, uma brasa acesa, e com ela tocou os lábios de Isaías, assim ficando purificado. É que Isaías, arrependido de seus pecados, se confessou como pecador, num povo pecador, vendo-se perdido. Por isso foi perdoado. Logo veio a pergunta por parte de DEUS: “a quem enviarei, e quem há de ir por nós?” Isaías disse: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isa. 6:8).

Isaías sentiu o contraste de seu estado de pecador e a santidade do Criador à Sua frente. Ele reconheceu sua pecaminosidade e sentiu a necessidade de perdão. Por isso ele falou que seus lábios eram impuros.

Agora a lição nos leva a uma reflexão. E nós hoje, sentimos esse contraste? Ou achamos que não necessitamos de perdão, isto é, de mudança? Os nossos cultos são coerentes com as nossas doutrinas? Nossos hinos todos são como DEUS deseja? Esses cultos são solenes e ao mesmo tempo alegres, inspiradores e que nos deixam mais santos que quando entramos? Ou saímos assim como entramos? Seguimos os escritos deixados pela Bíblia, pelo Espírito de Profecia e pelos atuais pastores pesquisadores que escrevem atualmente, ou seguimos costumes e ritmos vindos do mundo? Enfim, há coerência entre nossa fé e o nosso culto?


Terça
Não Tragam Ofertas Inúteis
(Isaías 1:11-15; Isaías 58:1-10)

O contexto do estudo de hoje está em Isa. 1:11 a 15 e 58:1 a 10. São duas situações bem parecidas.

O que se passava entre o povo de DEUS? Havia dois problemas: um era o ritual do santuário, outro, era o estilo de vida deles. Mas o que havia de errado com o ritual? Nada, exceto que eles estavam, digamos, adorando esse ritual, e não O que havia estabelecido o ritual, ou a quem ele apontava. É algo como comprar uma bíblia muito bonita, cheia de recursos, de elevado preço, e colocá-la, aberta, sobre uma estante na sala de visitas, e por essa razão exigir que DEUS derrame as Suas bênçãos. Esses estão adorando a Bíblia, e não o Senhor que ela apresenta. E talvez façam ainda pior: dizendo que servem ao DEUS da sua bíblia, no entanto, na sociedade e na igreja dão mau testemunho. Agora tente refletir: deve DEUS abençoar alguém assim? Ora, se Ele abençoar, que mensagem estará dando aos demais? Alguém assim serve de embaixador da vontade de DEUS nessa Terra?

O povo de DEUS naqueles tempos jejuava, e no entanto, DEUS não lhes abençoava. E eles estavam reclamando disso. Hoje em dia, ir à igreja para receber bênçãos é usual. Muitos vão à igreja para enriquecer, para receber saúde ou ser curado em caso de doença, para obter a solução de qualquer tipo de problema. Vão por muitos motivos, mas não para serem transformadas pelo Salvador. Isso nas igrejas populares. Mas nós também, em parte, estamos sendo afetados. Já não somos mais o povo “bom de Bíblia” como éramos no passado recente. Mas nos imaginamos ser o povo de DEUS, que tem a verdade, mas que em grande parte a desconhece. Aliás, muitos de nós não conhece bem nem mesmo o Salvador. E queremos ser abençoados, queremos ter poder do alto.

À semelhança do antigo povo de DEUS, também devemos mudar. Eles tiveram que mudar, pois praticavam os rituais como uma mera rotina, que assim, perdeu o sentido e o significado. Desprezando os escritos, viviam conforme imaginavam ser bom. Eles exploravam uns aos outros e não amparavam o necessitado. DEUS lhes disse que já estava farto dos rituais que Ele mesmo havia estabelecido. Não porque havia enjoado dos rituais, mas porque o Seu povo perdeu de vista o significado deles. Praticavam os rituais mas viviam conforme o diabo gostava. Alguém iria gostar de um ritual assim?

Comparando, vamos supor um aniversário seu. E você resolveu dar uma festa. Prepara tudo: bolo, doces, bebida, ambiente agradável, etc. Mas quando chegam os convidados, o que acontece? Eles comem, bebem, mas falam mal um do outro, fazem fofocas, criticam os ausentes, e assim por diante. Em pouco tempo, você mesmo ficará farto da festa, que era para ser algo bom para confraternizar. E mais um pouco, é capaz de dizer: ‘pessoal, vamos encerrar a festa por aqui mesmo, pois já estou cansado de ouvir tanto falatório da vida alheia.’ A festa era para comemorar um aniversário, não para falar mal dos outros.

Assim era o ritual do santuário. Era para preparar as pessoas para a vinda do Salvador, para serem perdoadas e para serem salvas do pecado, não para afundarem mais ainda no pecado, como estava acontecendo.

Que jejum DEUS pediu? Um jejum das maldades desse mundo. Que deixassem essas coisas, e praticassem a justiça. Que fizessem o bem aos pobres, que fossem cuidadosos no que falavam, e que se arrependessem de seus pecados e andassem humildemente diante de DEUS.

Não seria isso que Ele também pede de nós hoje? Nossos cultos são bonitos, sem dúvida, e neles, especialmente na Escola Sabatina, pode-se aprender muitas coisas boas. Mas se nada mudar em nossa vida, DEUS vai ficar farto de irmos e voltarmos da igreja e seus cultos, e continuarmos sendo sempre os mesmos, ou piorando em nossa vida espiritual.


Quarta
Sem Nenhum Valor?
(Isaías 44)

O “fardo da insignificância” – gostei da idéia. Não conhecia. O que vem a ser esse fardo citado na lição? Vamos a alguns fatos da história. Lembrem dos faraós. Eles enriqueciam explorando o povo, se proclamavam até como deuses. Mas morriam como qualquer súdito. E curiosamente, iam com eles, muitas de suas riquezas. Atentem bem, morriam e levavam junto riquezas. E para quê? Tempos depois outros saqueavam tudo! Perceba que com a morte, foi-se a glória. A glória, a honra, o poder, só existem para os vivos; os mortos, perderam tudo, outros levam e fazem o que bem desejarem com seus bens.

Na verdade, com o orgulhoso faraó, que se gabava pelo seu poder e riquezas, ao morrer, tudo foi para a sepultura. Acabou tudo, só restou história, que na verdade pouca gente conhece. O que adianta ter sido famoso, se não existe mais, e se um dia vai acordar para ser queimado no fogo do inferno? Conquistou tanto, só para perder tudo. Diria Salomão, tudo foi vaidade.

Agora reflitamos em outro personagem: Moisés. O que ele tinha na vida? Poderia ter sido um faraó, mas renunciou às honras. Então ficou pobre, tornou-se pastor de ovelhas em lugares de gente humilde. Hoje se diria de Moisés, que ele fez uma péssima troca. É o que parece. Mas onde ele está atualmente? Não embaixo de alguma pirâmide, que não passa de um montão de pedras, mas num lugar que faraó algum sequer poderia sonhar, e pode falar com o Criador do Universo, e está aguardando que JESUS volte à Terra para buscar os demais amigos e irmãos, para estarem junto com ele.

Entre o faraó do tempo de Moisés e Moisés, quem fez a melhor escolha da vida? E nós, o que estamos escolhendo? Há coisas que nesse mudo aparentemente valem muito, mas que, no máximo, podemos deixar para outros, ou levar para o túmulo. Só um bom caráter irá junto para a eternidade. E bom caráter só pode ser formado em pessoas humildes.

É bom ler Isaías 44. Lá descreve uma das capacidades de DEUS, a de conhecer o futuro. Não consigo explicar como Ele consegue isso. E fico fascinado com esse poder, tanto que gosto de estudar profecias. Um dos motivos dessa predileção é poder adentrar nesse conhecimento. Alguém revelou o futuro, e é algo impressionante poder ver o futuro se tornando presente, e nós já sabermos de muitos detalhes. A revelação profética tem um grande motivo, o maior de todos: é quando o previsto se tornar fato, rigorosamente como previsto, que creiamos que DEUS é realmente DEUS. Porque, quem mais nesse Universo é capaz de tal proeza? Ora, se DEUS tem tanto poder assim, e se Ele é amor, então, qualquer ser razoavelmente inteligente certamente optará por segui-Lo, pois com alguém assim o futuro estará garantido. Afinal, Ele conhece o futuro. Imagina se alguém assim não seria capaz de cumprir suas promessas!

Mas em Isaías 44 também o profeta ridiculariza das pessoas que adoram ídolos. Um homem pegou seu machado, cortou uma árvore, e com parte dela fez lenha, e fez fogo, e assou carne e dela comeu. E com outra parte daquela arvore esculpiu um ídolo, e se ajoelhou perante ele e disse: ‘livra-me, pois tu és meu deus.’ Alguém assim é digno de ser internado num hospital psiquiátrico, mas não haveria lugar para tantos. Hoje a maioria dos seres humanos confia nesses tipos de ídolos, feitos de papel (dinheiro); feitos de material (ouro, pérolas, imóveis); feitos de conceitos (fama, prestígio, honra); feitos de alegria passageira (festanças, orgias, drogas); feitos de todo tipo de material como aquela madeira, que também servia para assar carne. Ora, se o tal deus serve também para algo tão comum, como fazer fogo para cozinhar, a mesma matéria certamente não poderia servir para salvar. Assim é com os nossos deuses de hoje, cujo principal é a ganância por dinheiro e o que ele pode proporcionar.

Será que nós, povo de DEUS, não estamos sendo afetados pelos deuses modernos? É só parar para pensar, em quem confiamos mais!


Quinta
“Este é o Templo do Senhor, o Templo do Senhor…”
(Jeremias 7:1-10)

DEUS incumbiu Jeremias de proclamar uma palavra ao povo judeu. Eles estavam adorando a Baal e outros deuses pagãos; furtavam, oprimiam os pobres e as viúvas, adulteravam, mentiam, juravam falsamente, entre outras coisas. E, contraditoriamente, confiavam no templo do Senhor, e não no Senhor do templo. O templo tornou-se um amuleto. Confiavam no prédio e nos rituais, mas não adoravam o Senhor, nem lhe prestavam culto, e também não lhe obedeciam.Viviam como os pagãos, mas queriam a proteção de DEUS. E falavam: “templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jer. 7:4). Em resumo, eles gostavam das bênçãos e do poder de DEUS, ao mesmo tempo em que gostavam da adoração aos deuses pagãos, e também gostavam de se aproveitar dos outros em benefício próprio, assim como faziam os pagãos. Viviam a cultura dos povos ao redor. Ai de nós, que estamos na mesma direção. Muitos de nós!

Foi nesse cenário que DEUS chamou Jeremias, que era um rapaz muito humilde, filho de Ilquias, sacerdote descendente de Arão. Jeremias era estudioso, escritor, historiador e profeta. Viveu em uma época de decadência espiritual, política, social e econômica de Judá, e viu a queda do reino ante Babilônia. Por ele DEUS tentou salvar a nação, mas, eles escolheram o caminho que a história registrou.

Em Jeremias 7:11, ele escreveu algo pesado que DEUS disse: “Será esta casa que se chama pelo meu nome, um covil de salteadores?” Por que DEUS falou assim? Porque eles praticavam tudo de mau que acima descrevemos, e tentavam se proteger pelo templo, pelo prédio, o edifício.Ou seja, a casa do Senhor tornou-se o esconderijo de gente de má índole, assaltantes, exploradores, adoradores do demônio, etc. Um verdadeiro covil de salteadores. Moravam na morada de DEUS, e praticavam as maldades dos mundanos.

Naqueles tempos antigos, os salteadores, ao menos muitos deles, viviam escondidos em cavernas e covas naturais, e a sua vida era assaltar pessoas de bem, e refugiar-se nesses lugares. Esses professos, que praticavam muitas coisas condenáveis, transformaram o templo do Senhor em algo assim.

E em relação a nós, hoje, como será? Para muitos não é tão diferente. Ouvir bons sermões no sábado, confraternizar com amigos na igreja, dar alguma oferta, participar do louvor, participar de diversos rituais. Durante a semana, negociar com astúcia, mentir aqui e ali, não ser de todo honesto, ser ganancioso por dinheiro, ser invejoso e/ou orgulhoso, etc. Ora, quem age assim, está em igual situação. São pessoas que querem ser salvas, não há dúvida, mas, ao mesmo tempo, também não querem largar das coisas e dos métodos do mundo. Querem o bem que DEUS promete, a vida eterna, a proteção divina, prosperidade sob Suas bênçãos, enquanto também apreciam, sem disposição de mudança, o que de mau o mundo oferece. Um caso típico, é aquele crente que sábado pela manhã vai à igreja, à tarde dorme e à noite assiste filmes não recomendáveis a cidadãos do Reino de DEUS, durante a noite toda.

Excetuando-se os verdadeiros servos de DEUS, e existem muitos, esses que se assemelham aos que Jeremias condenou, são o joio, que estão, ainda, e por pouco tempo, não só dando mau testemunho, mas servindo para que outros lhes sigam o exemplo, para se perderem e serem sacudidos fora da igreja, por ocasião do decreto dominical.

Por enquanto, e por pouco tempo, ainda se pode mudar de vida.


Aplicação do estudo
Sexta-feira, dia da preparação para o santo Sábado:

Sempre houve compreensão errada sobre DEUS, e em nossos dias continua assim. Nos tempos antigos, e durante a Idade Média, DEUS era visto como os deuses pagãos (a influência do paganismo na formação do conceito sobre DEUS foi forte). Ele era visto como um Ser majestoso e poderoso, em extremo exigente e vingativo, que mandava para o inferno quem não se comportasse conforme os requisitos. Era visto como perseguidor, que exigia perseguição e morte de quem fosse herege.

Em nossos dias, a idéia que em geral fazem de DEUS é um ser de amor e liberal, que salva todo mundo. Pode viver como quiser, pois uma vez salvo, salvo para sempre. Além disso, é visto como um DEUS que, como pensavam os judeus no tempo de JESUS, vai fundar o Seu reino aqui mesmo. Por isso ganha cada vez mais força a “Teologia da Prosperidade”, pois a maioria das pessoas se torna cada vez mais gananciosa e presa aos negócios desse mundo.

Se durante a Idade Média DEUS era visto como um tirano, hoje Ele está sendo visto quase como permissivo. O foco centra no “eu”; essa é a visão atual, chamada de pós-moderna. E há os ultra liberais, que com a Bíblia na mão, pregam e ensinam exatamente ao contrário das normas da própria Bíblia, como os atuais casamentos entre pessoas de mesmo sexo. E dizem que DEUS aprova. Para esse foco, a oração seria assim: ‘faça-se a minha vontade assim na Terra como no Céu.” É isso mesmo que muitos pregadores pensam, e que atrai tanta gente: faça o que quiser, assim mesmo vai se salvar, pois DEUS é amor. Mas esquecem que DEUS também é justiça.

Ainda há outras compreensões a respeito de DEUS, muitas, e cresce o número delas. Há, por exemplo, aqueles que não acreditam na existência de DEUS. São os ateus. Esse é um mundo típico de pecadores, pois, a respeito de um assunto, DEUS, como é que pode haver tantas diferenças de entendimento? É evidente que um só entendimento pode estar correto, pois não há como existirem duas explicações diferentes e as duas serem corretas. Assim, está estabelecida a confusão sobre esse assunto, que favorece os interesses de satanás.

Em meio a essa confusão babilônica de conceitos, e de aviltamento sobre o que se pensa a respeito de DEUS, cabe a nós, povo adventista do sétimo dia, ensinar e testemunhar a verdade sobre DEUS.Não é só ensinar, é também demonstrar através da vida diária, em todos os lugares e momentos. Para isso, o requisito inicial é ser humilde. Quem não for humilde estará fechando o coração ao trabalho do ESPÍRITO SANTO.


Sikberto Renaldo Marks é professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)


Fonte: http://www.cristovoltara.com.br


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