Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 09 – “Não Confie em Palavras Enganosas”: Os Profetas e a Adoração

Comentários de César Luís Pagani


Texto Central: “Quem então é como Eu? Que ele o anuncie, que ele declare e exponha diante de Mim o que aconteceu desde que estabeleci Meu antigo povo, e o que ainda está para vir, que todos eles predigam as coisas futuras e o que irá acontecer.” (Isaías 44:7 – NVI)


Muitos caminhos percorrem este mundo
Uns levam ao Sul, outros ao Norte,
Ao Leste, ao Oeste, ao céu e ao mar profundo.
Às alturas da vida e aos baixios da morte.

Certo que há apenas um caminho bem pavimentado.
Uma só Verdade pura, uma só Vida que vale.
Ele Se chama Cristo, o Libertador do pecado.
Deus revelado para que diante dEle tudo se cale.

Suas palavras benditas são espírito, vida e amor.
Ele é o exemplo perfeito de vida santa.
De justiça, mansidão, humildade e candor.
Que de contínuo nos magnetiza e encanta.

A corda que nos suspende sobre a voragem,
Para que por ela não sejamos tragados.
É Cristo bendito com Sua vera mensagem.
A Escada de Jacó, a Ponte dos resgatados.

Ninguém é como Ele ou se Lhe assemelha.
Deus Eterno, com o Pai coexistente.
Anuncia o fogo antes que haja centelha.
Desde o passado prediz o futuro e o presente.

Senhor dos senhores, Deus conosco, Pai da Eternidade.
Jeová, Castelo Forte, Rocha da Salvação.
Bom Pastor, Protetor Fiel de Seu rebanho e herdade.
Digno sempre de nossa amorosa adoração.

Luís Ortolani.


Domingo
Mil Carneiros?
(Deuteronômio 10:12-13; Miquéias 6:1-8)

Por vezes intrigo-me com o número de sacrifícios de animais relatados na Escritura. Não estamos nos referindo aos sacrifícios prescritos nas operações do Santuário, mas a outros, mesmo os comemorativos e de ações de graças.

A primeira menção de “sacrifícios por atacado” é feita no livro de II Sm 6:13. Alguns exegetas entendem que a cada seis passos que davam os sacerdotes, Davi, mediante esses, oferecia sacrifícios. Outros intérpretes opinam que apenas nos primeiros seis passos dados pelos sacerdotes é que foram oferecidos sete novilhos e sete carneiros. Mas, I Cr 15:26 afirma que esses sacrifícios foram feitos pelos que levavam a arca. O teólogo R. Wooden entende que os sacrifícios de Davi são contados à parte desse número.

“Sentindo que seu próprio coração não era inteiramente reto para com Deus, Davi, vendo o golpe desferido em Uzá, temera a arca, receoso de que algum pecado de sua parte acarretasse juízo sobre si. Mas Obede-Edom, embora se regozijasse com temor, acolheu gratamente o símbolo sagrado como a garantia do favor de Deus aos obedientes. A atenção de todo o Israel dirigiu-se agora ao geteu e sua casa; todos estavam vigilantes para ver o que lhes aconteceria. ‘E abençoou o Senhor a Obede-Edom, e a toda a sua casa.’ II Sm 6:12.

“A reprovação divina cumpriu a sua obra em Davi. Foi levado a compenetrar-se, como nunca dantes, da santidade da lei de Deus, e da necessidade de obediência estrita. O favor manifesto à casa de Obede-Edom levou Davi novamente a esperar que a arca pudesse trazer uma bênção a ele e a seu povo.” PP, 706.

I Rs 8:63 diz que: “Ofereceu Salomão em sacrifício pacífico o que apresentou ao Senhor, vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim, o rei e todos os filhos de Israel consagraram a Casa do Senhor.” Eram ofertas pacíficas e não pelo pecado. Deus os aceitou a todos.

Mas quando as ofertas são apresentadas sem o devido espírito, constituem-se abominação para Jeová (Is 1:10-17).

Todos sabemos que as ofertas tipificavam a Cristo e Sua vida imaculada, oferecida em favor da humanidade. Não havia validade intrínseca nos sacrifícios. Eram apenas alegorias das coisas que se acham nos céus (Hb 9:23) e da salvação em Cristo.

Quem oferecesse um sacrifício apenas para cumprir o ritual, não era aceito e seus pecados permaneciam nos registros do santuário.

A fé no Salvador vindouro é que dava validade ao rito. Ela se apossava da graça salvífica de Deus, de Suas misericórdias, promessas e mandamentos, então recebia justificação.

Para que boas obras?

“Não é apenas no início da vida cristã que se deve fazer essa renúncia. A cada passo de avanço em direção ao Céu, ela deve ser renovada. Todas as nossas boas obras são dependentes de um poder fora de nós; deve haver, portanto, um constante anelo do coração para Deus, uma contínua e fervorosa confissão de pecado, e humilhação da alma perante Ele.” CBV, 455.

A Igreja tem que manter seus princípios perante todo o Universo celeste e os reinos deste mundo, de maneira firme e decidida; uma inabalável fidelidade na manutenção da honra e da santidade da lei de Deus, despertará a atenção e admiração do mundo, e muitos, pelas boas obras que contemplarem, serão levados a glorificar nosso Pai celestial.Os que são leais e verdadeiros, são portadores de credenciais do Céu e não dos potentados da Terra. Todos os homens saberão quem são os escolhidos e fiéis discípulos de Cristo, e os conhecerão quando forem coroados e glorificados como hão de ser os que honraram a Deus, e a quem Ele honrou, tornando-os possuidores de um peso eterno de glória.” IR, 13.

As boas obras só terão mérito diante de Deus: 1) Se forem feitas sob influência do Espírito Santo. 2) Se provindas de um coração totalmente rendido a Cristo, convertido de todo. 3) Se o impulso para realizá-las provier de uma vida em pleno processo de santificação. 4) Se forem amorosa imitação da vida de Jesus Cristo, que andou fazendo o bem e curando os oprimidos do diabo.

A salvação sempre foi pela fé. Esse maravilhoso ensino foi primeiramente ministrado a Adão e sua companheira. Deus não é de dobre opinião: No AT a salvação era pelas obras e no NT pela fé em Cristo, como apregoam algumas correntes de pensamento teológico.

“Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo Seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a Si mesmo Se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hb 9:11-14). Notem: a consciência purificada de obras mortas e habilitada para obras vivas que constituem o serviço ao Deus vivo.


Segunda
O Chamado de Isaías
(Isaías 6:1-8)

Quem era Isaías? Um nobre que foi chamado ainda jovem para o ofício profético e ministrou nos reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Seu trabalho como porta-voz inspirado de Deus durou 47 anos.

A visão do trono divino e da Pessoa Magnífica de Deus deu-se por volta do ano 740 a.C. Para ele foi uma revelação inusitada e tremendamente impactante. Na hora ele sentiu sua pecaminosidade. A pureza, a imaculabilidade, a perfeição do ambiente celestial e a glória do Rei fizeram-no sentir como “um homem morto”. O senso de perdição abalou tanto o profeta que ele proferiu um patético lamento: “Ai de mim…” Viu que seu falar era profano e também o povo com o qual convivia.

Muitos santos homens das Escrituras, ao terem uma visão de Deus, pensaram que iriam morrer fulminados no momento. A santidade do Senhor suscita respeito, temor e reverência profunda.

Então a graça de Deus entrou em ação e foi tomada uma brasa viva do altar de incenso celestial e um glorioso serafim tocou com ela os lábios do profeta, afirmando que sua iniquidade ou injustiça havia sido coberta e seus pecados perdoados. A brasa viva representa o poder purificador do sangue de Cristo.

A sensação de perdão e aprovação divina foi tamanha que tão logo o Senhor fez o chamado: “A quem enviarei e quem há de ir por nós?”, Isaías prontificou-se sem qualquer ressalva a entregar-se totalmente ao ministério.

Sem purificação não pode haver comunhão. Sem comunhão não pode haver poder e sem poder não há o que faça da pregação um meio de comunicação ganhador de almas.

Com a consagração o profeta encheu-se de bravura e foi sozinho transmitir as reprovações e ameaças divinas ao povo apóstata.

Agora pondere o que tem ocorrido em nossa adoração, tanto particular como no templo. Temos, porventura, fé ou intuição da presença divina na congregação? Imagine como nos sentiríamos se Cristo aparecesse em glória em nossa igreja durante os cultos? Perceberíamos nossa imundícia? Teríamos verdadeira compreensão de nosso estado pecaminoso? Desejaríamos urgentemente que um serafim aplicasse em nossos pensamentos, coração e sentidos a brasa purificadora?

“A Palavra de Deus e Suas obras encerram o conhecimento dEle próprio, o qual Ele houve por bem revelar-nos. Podemos entender a revelação que, dessa forma, deu Ele de Si mesmo. É, porém, com temor e tremor, e com um senso de nossa própria pecaminosidade, que devemos fazer esse estudo; não com o desejo de procurar dar uma explicação de Deus, senão com o desejo de adquirir aquele conhecimento que nos habilitará a servi-Lo de maneira mais aceitável.” Medicina e Salvação, 91, 92.

“Muitos não têm o senso da pecaminosidade da própria natureza, nem da graça do perdão. Acham-se nas trevas da natureza, sujeitos às tentações e a grande engano. Estão longe de Deus; têm no entanto grande satisfação em sua vida, quando a conduta que seguem é aborrecível ao Senhor. Esta classe estará sempre em guerra com a direção do Espírito do Senhor, especialmente com a repreensão. Não querem ser perturbados. Sentem, acidentalmente, temores egoístas e bons propósitos, e por vezes pensamentos e convicções ansiosos; não têm, no entanto, profundidade de experiência, porque não se acham firmados na Rocha Eterna. Esta classe nunca vê a necessidade do testemunho positivo. O pecado não lhes parece tão excessivamente pecaminoso, pela própria razão de não estarem andando na luz como Cristo na luz está.” TS1, 345.

Os poderes da “brasa viva” são do Espírito Santo para produzir transformação espiritual ou assemelhação ao caráter de Cristo Jesus. A verdadeira religião prática abarca todo o ser sem deixar nada de fora.

Não existem 90% de conversão. Ou são 100% ou nada.

“Há muitos no ____________ que precisam de completa conversão. Que ninguém procure discernir o argueiro que está no olho de seu irmão, quando há uma trave no seu próprio olho. Cada um deve purificar de sua impureza o templo de sua própria alma. Seja toda inveja e ciúme expulsos juntamente com o lixo acumulado. Exaltados privilégios e realizações celestiais para nós adquiridos a imenso custo, são liberalmente apresentados à nossa aceitação. Deus nos faz individualmente responsáveis pela medida de luz e privilégios que nos tem concedido. E se recusarmos entregar-Lhe o lucro dos talentos a nós confiados, perderemos o Seu favor.”CE, 102.


Terça
Não Tragam Ofertas Inúteis
(Isaías 1:11-15; Isaías 58:1-10)

“Suprir formas externas de religião em lugar de santidade de coração e de vida, é ainda tão agradável à natureza não renovada como o foi nos dias desses ensinadores judeus. Hoje, como então, existem falsos guias espirituais, para cujas doutrinas muitos atentam avidamente. É estudado esforço de Satanás desviar as mentes da esperança da salvação pela fé em Cristo e obediência à lei de Deus. Em cada século o arquiinimigo adapta suas tentações aos preconceitos ou inclinações daqueles a quem está procurando enganar. Nos tempos apostólicos levou os judeus a exaltar a lei cerimonial e rejeitar a Cristo; no presente ele induz muitos cristãos professos, sob a pretensão de honrarem a Cristo, a pôr em controvérsia a lei moral, e a ensinar que seus preceitos podem ser transgredidos impunemente. É dever de cada servo de Deus opor-se firme e decididamente a esses pervertedores da fé, e expor destemidamente seus erros pela Palavra da verdade.” AA, 387.

“Sem a graça de Cristo, as formas exteriores da religião eram destituídas de valor para o antigo Israel. Elas são o mesmo para o Israel moderno.” E Recebereis Poder, 263.

O que são para Deus a religião e os cultos? “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.” (Tg 1:27)

“O apóstolo mostrou que a religião não consiste em ritos e cerimônias, credos e teorias. Se assim fosse, o homem natural poderia entendê-la pela pesquisa, como entende as coisas do mundo. Paulo ensinou que a religião é uma coisa prática, uma energia salvadora, um princípio inteiramente de Deus, uma experiência pessoal do poder renovador de Deus sobre a alma.” AA, 451.

“A verdadeira piedade é medida pela obra realizada. A profissão nada é; nada é a posição; um caráter semelhante ao caráter de Cristo é a evidência que precisamos apresentar, de que Deus enviou o Seu Filho ao mundo. Os que professam ser cristãos, mas não fazem como Cristo faria Se estivesse em seu lugar, ofendem grandemente a causa de Deus. Eles representam mal o seu Salvador e se mostram sob falsas cores…” BS, 37-38.

“A religião pura e imaculada não é um sentimento, mas a prática de obras de misericórdia e amor. Essa religião é necessária à saúde e à felicidade. Ela penetra no poluído templo da alma e, com um aguilhão, expulsa o pecado intruso. Apossando-se do trono, consagra-o por completo por sua presença, iluminando o coração com os brilhantes raios do Sol da Justiça. Ela abre as janelas da alma para o Céu, deixando aí penetrar o brilho do sol do amor de Deus. Com ela vêm a serenidade e o domínio próprio. Aumenta a força física, mental e moral, porque a atmosfera do Céu, como um instrumento vivo e ativo enche a alma. Cristo é formado em vós, a esperança da glória.” Review and Herald, 15 de outubro de 1901.

“Tornar-se um batalhador, prosseguir pacientemente na prática do bem que requer esforço abnegado, é uma tarefa gloriosa, sobre a qual o Céu dispensa o seu sorriso. O trabalho fiel é mais aceitável a Deus do que o mais zeloso culto revestido da mais pretensa santidade. O verdadeiro culto é o trabalho junto com Cristo. Orações, exortação e palestras são frutos baratos, frequentemente artificiais; mas os frutos que se manifestam em boas obras, no cuidado dos necessitados, dos órfãos e das viúvas, são frutos genuínos, e produzem-se naturalmente na boa árvore.” Testimonies, vol. 2, pág. 24.

“Devo dizer a todos os que pretendem estar convertidos: Está vosso coração verdadeiramente transformado e estais vigiando em oração, mantendo uma refletida, coerente conduta, para que possais ter não uma aparência de religião, mas a religião preciosa e genuína? Pastores e médicos, quando aceitastes a Cristo experimentastes um profundo senso de necessidade espiritual? Quanto significa para vós que deveis ser ministros da justiça, aceitar o dom celestial da luz, do amor, da paz e da alegria no Espírito Santo? Deveis estar imbuídos de tal amor a Cristo que consagreis a Ele todas as vossas afeições, rendendo vossa vida Àquele que deu a Sua vida por vós. Impregnados do amor de Cristo, deveis constranger-vos a realizar atos de serviço abnegado até que esses atos se tornem parte de vossa vida prática. O crescimento diário na vida de Cristo cria na alma um céu de paz; em semelhante vida há contínua produção de fruto.” CSS, 633.


Quarta
Sem Nenhum Valor?
(Isaías 44)

A intrigante pergunta milenária continua a reboar: “Qual é o significado da vida?” Por que nascemos, por que vivemos? Somos como insetos cuja curta vida é limitada a uns poucos dias na Terra? Ou há algo mais profundo, muito maior do que imaginamos envolvido no porquê de nosso nascimento?

O Marquês de Maricá dizia: “Vive de maneira que, ao morrer, não te lastimes de haver vivido.” Eurípedes afirmou: “Viver é ter desgostos.”

Cícero já entendia um pouco melhor o valor da vida: “Não me arrependo de ter vivido, pois vivi de tal forma que não me julgo ter nascido em vão; e da vida saio como de uma hospedaria, não como da minha casa.”

O capítulo 44 de Isaías revela o pensamento de Deus sobre o valor do homem, principalmente daquele que teme e serve a Deus. Ele nos considera servos, mas não no sentido negativo de um ser de categoria inferior, um lacaio ou escravo. Servo, para Deus, é o mesmo que filho. Nas Escrituras há vezes em que Deus chama de servos e outras denomina filhos àqueles que Lhe obedecem. Jesus era Filho de Deus, Filho do homem, Servo de Deus e Servo do homem.

No mesmo capítulo Deus chama Seu povo de “amado”. O ser amante aprecia o que tem valor representativo para si.

Ora, pensemos um pouco. Se Deus reclama nossa adoração fiel é porque sabe o valor que temos aos Seus olhos. Contentar-se-ia o Senhor com seres desvalorados dobrados de joelhos perante Ele? Não seria nulo o culto?

Deus é o Criador e o Redentor; é também o Mantenedor e o Protetor. Ele ama denodadamente Sua criação, principalmente àqueles que criou segundo Sua imagem e semelhança. Está envidando todos os esforços e empregando todos os recursos celestiais para salvar cada homem, cada mulher.

Diante da revelação do amor de Deus somos obrigados a contestar o derrotismo de Eurípedes (ver acima). Viver não é ter desgostos. Podem eles vir e certamente virão, mas para cada desgosto temos uma consolação do Espírito Santo. Paulo diz a Eurípedes de sua experiência: “Para mim o viver é Cristo!”

Temos milhares de promessas na Palavra de Deus que nos pertencem em Cristo. “Tudo é vosso”, garantiu o apóstolo Paulo.

“Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves!” (Lc 12:24)

“Somente à luz do Calvário pode o verdadeiro valor da alma humana ser avaliado.” AA, 273.

“O amor que é inspirado pelo amor que temos em Jesus verá em cada alma, rica ou pobre, um valor que não pode ser medido pela estimativa humana.O mundo desaparece na insignificância em comparação com o valor de uma alma. O amor que Deus revelou pelo homem está além de qualquer computação humana. É infinito. E o instrumento humano, que participa da natureza divina, amará como Cristo amou, trabalhará como Ele trabalhou. Haverá uma natural compaixão e simpatia que não falhará nem se desencorajará. Este é o espírito que deve ser animado a prevalecer em cada coração e a ser revelado em cada vida. Este amor só pode existir e ser conservado santo, refinado, puro e elevado mediante o amor na alma por Jesus Cristo, nutrido pela diária comunhão com Deus. Toda esta frieza da parte dos cristãos é uma negação da fé. Mas este espírito se derreterá diante dos brilhantes raios do amor de Cristo no seguidor de Cristo. Natural e voluntariamente ele obedecerá à ordem: ‘Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei a vós.’ Jo 13:34.” Manuscrito 60, 1897.

“O dono de todos os nossos tesouros terrestres veio ao nosso mundo na forma humana. O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. Não podemos avaliar que profundo interesse Ele tem pela família humana. Ele conhece o valor de cada alma. Que tristeza O oprimia ao ver a herança que Ele comprou encantada com as invenções de Satanás!” CSM, 136.


Quinta
“Este é o Templo do Senhor, o Templo do Senhor…”
(Jeremias 7:1-10)

As perguntas finais da lição de ontem na versão inglesa dão o que pensar: “Todos sabemos do perigo de fazer ídolos do dinheiro, do poder, do prestígio, etc. O que dizer do perigo de esculpir ídolos de coisas tais como a igreja, o pastor, nossas próprias atividades ou mesmo nossa fidelidade, estilo de vida ou piedade?”

Dá para acreditar que podemos idolatrar os próprios meios de graça que o Senhor usa para nos levar à Sua adoração? Isso é incrivelmente pavoroso!

“Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este.” (Jr 7:4). Através do profeta Jeremias Deus denunciou os cultos ímpios que lhe prestavam os israelitas. Durante os dias da semana e nas festas do Senhor todo o povo vinha para alimentar sua fantasia espiritual de que estariam protegidos e no gozo do beneplácito divino poder, apenas “frequentando a igreja”.

“Embora dissessem de si mesmos: ‘Templo do Senhor, templo do Senhor é este’ (Jr 7:4), crucificaram o Originador de todo o sistema judaico, para o qual apontavam todas as suas cerimônias. Deixaram de discernir o velado mistério da piedade; Cristo Jesus permaneceu oculto para eles. A verdade, a vida, o centro de todo o seu ritual, foi rejeitado. Eles mantinham, e ainda mantêm, simplesmente as cascas, as sombras, as figuras que simbolizavam o verdadeiro. Uma figura designada para aquele tempo, a fim de que pudessem discernir o verdadeiro, tornou-se tão deturpada por suas próprias invenções, que se lhes cegaram os olhos. Não compreenderam que o tipo encontrou o antítipo na morte de Jesus Cristo. Quanto maior sua deturpação de figuras e símbolos, tanto mais confusa ficou a sua mente, de modo que não puderam ver o perfeito cumprimento do sistema judaico, instituído e estabelecido por Cristo, e apontando para Ele como sendo sua essência. Comidas e bebidas e diversas ordenanças foram multiplicadas até que a religião cerimonial constituiu sua única forma de culto.” FEC, 398.

Assim aconteceu nos tempos de Jeremias, nos tempos de Jesus e por certo não seria diferente em nosso próprio tempo.

Deus pediu uma reforma nos dias do profeta. Queria prática de justiça, de piedade, conversão de caminhos e obras, amor ao próximo, compaixão e serviço em relação aos necessitados, abandono dos ídolos. O culto só seria aceito nesses termos.

A igreja empreende todos os esforços possíveis, mas não pode salvar da morte eterna aqueles que desprezam na prática a Palavra do Senhor. Julgar que a frequência regular ao templo, o estudo da Bíblia mediante a lição da Escola Sabatina e em particular, a devolução de dízimos e boas ofertas, e até mesmo algumas incursões missionárias podem escudar-nos da ira de Deus, enquanto praticamos abominações e desconhecemos o que é imitar a Cristo, nada mais é do que “confiar em palavras falsas”.

A história da nação judaica mostra o despojamento e a destruição dos dois templos judaicos (o de Salomão e o de Zorobabel reformado por Herodes I e existente quando Jesus aqui esteve), como prova de que Deus não pode tolerar um culto hipócrita. Ler Isaías 1:10-17.

No Sermão do Tempo, como é chamada a revelação feita por Deus mediante Jeremias, a presença do magnífico santuário era tida como fortaleza inexpugnável de Israel, como prova da incondicional proteção divina. Mas o estado dos adoradores desmentia frontalmente sua pretensão. Diz D. Hare, já citado: “Assim como Silo (29 quilômetros ao norte de Jerusalém), o centro mais antigo de adoração, foi destruída (cerca de 1050 a.C. nos dias de Samuel)… semelhantemente aquela casa contaminada pela idolatria, seria destruída. Imediatamente depois desse sermão, Jeremias foi aprisionado.”

Duro era aquele discurso que exigia reformas que ninguém estava disposto a fazer. Maltratar os servos de Deus que zelosamente clamam por despertamento, reavivamento e reforma é uma maneira fácil de fechar os ouvidos às advertências. Porém, o Senhor não Se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

“Sentimo-nos tristes quando vemos professos cristãos desviarem-se pela falsa e fascinante teoria de que são perfeitos, porque é muito difícil desenganá-los e levá-los ao caminho reto. Eles procuram tornar lindo e aprazível o exterior, ao passo que o adorno interior – a mansidão e humildade de Cristo – lhes está faltando. O tempo de prova virá a todos, quando as esperanças de muitos, que por anos se sentiram seguros, serão vistas como estando sem fundamento.Quando em novas posições, sob circunstâncias variáveis, alguns, que pareciam ser colunas na casa de Deus, se revelarão apenas como madeira carcomida debaixo da pintura e verniz. Mas os humildes de coração, que diariamente sentiram a importância de firmar seu coração na Rocha eterna, permanecerão inabaláveis no meio das tempestades de provações, porque não se confiaram a si mesmos. ‘O fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus. ‘ II Tm 2:19.” Santif., 12.


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