Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 08 – Conformidade, Concessão e Crise na Adoração

Comentários de Gilberto G. Theiss


Texto Central: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal”. (Hebreus 5:14)


Sábado

Quanto mais nos aproximamos da segunda vinda de Cristo, parece que mais limitada é a capacidade de discernir o que é certo e errado. Conseqüentemente, a conformidade e as concessões vão negociando espaço dentre os que professam ser seguidores de Jesus Cristo.

O povo de Israel, por diversas vezes enfrentaram esta crise e na maioria delas caíram como prezas fáceis nas mãos do paganismo. De igual forma, hoje, todos nós estamos suscetíveis aos mesmos acidentes de percurso. Não deve ser surpresa para nós a revelação de que haverá uma sacudidura em nosso meio!

Infelizmente, não temos sido melhores do que o Israel do passado e por esta razão, precisamos ser um pouco mais atentos e francos conosco mesmos. Até que ponto podemos confiar em nossa sinceridade? Aquele que, verdadeiramente teme a Deus jamais confiará em sua própria sabedoria e interpretação dos fatos. Sempre buscará respostas em Deus subjugando seu gosto, sua maneira de achar e pensar, seus vícios e sua lógica.

Deus pretende preparar um povo para enfrentar a grande crise que se aproxima de nós e muitos estão brincando de cristão enquanto que Satanás não está brincando de ser Satanás. Observe esta advertência séria na leitura adicional abaixo e reflita por alguns minutos a respeito.


Domingo
Aos Olhos de Deus
(Gênesis 6:5; Deuteronômio 12:8; Deuteronômio 13:18; Jeremias 17:5-9; João 2:25; Romanos 3:9-12)

O coração humano está repleto de maldade. Sem a atuação do Espírito de Deus o homem é capaz de praticar as maldades mais nefastas. Se permitirmos que nossa vida seja guiada por nossas impressões, sentimentos, pelo impulso de nossa natureza, fatalmente seriamos arrastados para uma incontrolável perversidade sem limites como se fossemos arrastados para o fundo do mar por uma âncora de navio se estivéssemos amarrados a ela.

Infelizmente, a maldade alcançou dimensões tão ridículas que muitas das perversidades do homem passaram a ser consideradas como estando dentro de uma esfera de normalidade. Até o adultério, na mente de alguns, tem sido considerado como uma necessidade para manter o sabor do casamento. Li a entrevista de uma especialista em relacionamento afirmar que, pular o muro no relacionamento só trará benefícios e que este tabu a este respeito deve ser combatido. Sexo antes do casamento já tem sido mais do que comum – uma necessidade. Tão normal que muitos pais estão aconselhando seus filhos adolescentes a andarem com preservativos. Enfim, poderia escrever muitas páginas a este respeito. Por mais normais que alguns comportamentos pareçam ser, aos olhos de Deus continua sendo imorais e perversas. Falar de pureza em nossos dias significa ser ultrapassado e completamente ridículo. No entanto, o plano de Deus para os sinceros é o que vai totalmente contra a maré. Os que pretendem fazer a vontade de Deus estarão visivelmente do lado oposto desta grande avenida que está conduzindo a maioria à perdição eterna.

Na adoração, os mesmos problemas podem ser notados. Muitas formas de adorar a Deus têm sido criadas com roupagem de santidade. Música, louvor e comportamento de hoje, tem mais haver com estilos mundanos e baseados em culturas místicas do que essencialmente deveria ser. A esta altura do campeonato, parece que estamos em rumo sem volta. Não dá para ser muito otimista quanto a tudo o que está acontecendo. A cegueira espiritual tem angariado muitos discípulos – mesmo dentro das igrejas. O profano, trazido do mundo, tem sido oferecido a Deus sem nenhum escrúpulo de consciência. A este respeito bem escreveu Ellen White, “Ao nos aproximarmos do fim do tempo, a falsidade estará tão misturada com a verdade que somente os que têm a guia do Espírito Santo serão capazes de distinguir a verdade do erro” (SDA Bible Comentary, v. 7, p. 907). Também escreveu que Deus “removerá Seu favor dos que continuam pecando, exaltando a si mesmos e misturando o sagrado com o profano. Terríveis juízos destruirão os que O representam mal, dizendo: “Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jr 7:4), quando seu exemplo é enganoso” (Signs of the Times, 31 de outubro 1900).

Aleluias, realmente estamos no fim…


Segunda-feira
A Arte (e o Mal) das Concessões
(I Reis 11:1-13)

Para refletir no tema da lição de hoje, uma pergunta pode nos ajudar a entender melhor o significado das concessões. Se não tivéssemos o conhecimento científico de que a Terra, sustentada pelo nada, gira em torno de si mesma e do sol, seríamos capazes de saber com absoluta certeza esta verdade? É claro que não. Apenas o fato de ser dia e noite não seria capaz de nos revelar que a Terra esteja girando em torno de um sol gigantesco e em torno de si mesma. Pelo conhecimento que temos hoje, sabemos que a Terra esta girando e andando em torno do sol, mas, não conseguimos sentir esta rotação. Da mesma forma, quando fazemos concessões na vida cristã, gradativamente nos apostatamos sem apercebermos. Cegamente e gradualmente começamos a trilhar o caminho do mal como se estivéssemos no caminho do bem. Assim como não percebemos ou sentimos a rotação da terra, assim também não percebemos ou sentimos a rotação de nossas concessões para o erro. O rei Salomão cometeu este gravíssimo erro ao fazer alianças com nações pagãs. Ele acreditava que, se aproximando desta maneira das nações vizinhas e fazendo concessões para facilitar a compreensão da verdade perante esses povos, mal sabia que estava arruinando a nação de Israel comprometendo a verdade misturando-a com o mundo. Elles White revelou que “tão gradual foi a apostasia de Salomão que antes que dela se advertisse, tinha-se afastado de Deus. Quase imperceptivelmente começara a confiar cada vez menos na divina guia e bênção, e a pôr a confiança em sua própria força. Pouco a pouco deixou de prestar a Deus aquela obediência retilínea que devia fazer de Israel um povo peculiar, e conformou-se cada vez mais intimamente aos costumes das nações ao redor.” (Profetas e Reis, p. 55). Também esclareceu que “a apostasia de Israel havia-se desenvolvido gradualmente. De geração a geração Satanás tinha feito repetidas tentativas para levar a nação escolhida a esquecer os mandamentos, os estatutos e os juízos que eles haviam prometido guardar para sempre” (Profetas e Reis, p. 296). No entanto, como a revelação nos alertou “a conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo” (O Grande Conflito, p. 509). Falando a respeito do povo de Israel, Ellen White nos adverte que “Os israelitas não compreendiam que serem neste sentido diferentes de outras nações era um privilégio e bênção especiais. Deus havia separado os israelitas de todos os outros povos, para deles fazer Seu tesouro peculiar. Eles, porém, não tomando em consideração esta alta honra, desejaram avidamente imitar o exemplo dos gentios! E ainda o anelo de conformar-se às práticas e costumes mundanos existe entre o povo professo de Deus. Afastando-se eles do Senhor, tornam-se ambiciosos dos proveitos e honras do mundo. Cristãos acham-se constantemente procurando imitar as práticas dos que adoram o deus deste mundo. Muitos insistem em que, unindo-se aos mundanos e conformando-se aos seus costumes, poderiam exercer uma influência mais forte sobre os ímpios. Mas todos os que adotam tal método de proceder, separam-se desta maneira da Fonte de sua força. Tornando-se amigos do mundo, são inimigos de Deus. Por amor à distinção terrestre, sacrificam a indizível honra a que Deus os chamou, honra esta de mostrarem os louvores dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. I Ped. 2:9 (Patriarcas e Profetas, p. 607).

Como bem expressou o pastor Erton Koller, “precisamos modernizar, porém sem mundanizar” (Fonte: Associação Paulistana)


Terça-feira
Falsa Adoração
(I Reis 12:25-33)

O tema da verdadeira e falsa adoração tem sido tratado de forma muito leviana em nossos dias. Infelizmente, assim como no passado, o culto do Senhor tem sido misturado com costumes que estão além dos nossos próprios portais. Neste caso em específico, temos o exemplo de Jeroboão que virou as costas para Deus. Este ímpio rei, para impedir que o povo fosse até Jerusalém, providenciou templos com altares de adoração ao norte em Dã e ao sul em Betel na divisa com Judá. Além de impedir que seu povo descesse a Jerusalém, ainda serviu de influência para a decadência de Judá. O surpreendente desta história é que ela se repete em nossos dias, porém em uma dimensão muito maior. Hoje, as divisas entre o santo e profano são quase que imperceptível. Assim como Judá e Israel caíram no engodo de serem absorvidos pela cultura pagã da época, em nossos dias muitos do Israel e Judá contemporâneos vivem aos moldes da cultura religiosa atual amalgamada com o misticismo e paganismo de nosso século. Fogo estranho e cultos a baal tem sido comuns em meio a cultura cristã. Diante deste grande dilema, precisamos aprender a não subestimar a inteligência de Satanás e suas artimanhas. O tempo em que vivemos é solene e a brevidade do desfecho do conflito entre o bem e o mal está por chegar ao fim. Por este motivo, Satanás está mais do que nunca enfurecido e suas estratégias para comprometer a vida do povo de Deus com o mundanismo serão gradativamente maiores e certeiras. Ou acordamos para esta realidade ou estaremos a mercê da perdição eterna. A igreja Adventista não está imune a estes enganos e por esta razão é que Deus providenciará uma sacudidura. Quando este dia chegar, quem ficará de pé? Quem viver neste tempo saberá…


Quarta-feira
Elias e os Profetas de Baal
(I Reis 18)

Esta surpreendente história, muito conhecida, é uma das marcas mais destacáveis da verdadeira e falsa adoração. Deus não necessita de euforia, gritaria, músicas dançantes e muito menos de emocionalismo e barulho para estar presente e operar no meio do seu povo. Há pessoas que acreditam que, quanto mais barulho maior será o poder. Ledo engano, pois o que geralmente faz muito barulho é lata vazia e não cheia. A maneira como Deus agiu no monte camelo pode nos indicar algumas diferenças que permeiam a verdadeira e falsa adoração. Observe:

  1. Se baseia na verdade. Uma vida em erro não é capaz de mover o braço Deus a nosso favor. O Espírito Santo é sempre concedido ao homem de coração contrito, sincero e desejoso em fazer a vontade Deus – independente de qual seja ela.
  2. Se baseia na sinceridade, porém sobre a plataforma da vontade de Deus. A sinceridade não anula a obediência e a retidão. A sinceridade não bonifica uma vida e escolhas contrárias a vontade de Deus. Minha sinceridade não inseri um selo de aprovação ao tipo de música que me agrada ou comportamento e lugares que freqüento seguindo minha própria vontade e gosto.
  3. Se baseia na solenidade, e os aspectos emocionais não suplantam os racionais. Não é o êxtase emocional que nos favorece a receber o poder ou a presença do Espírito Santo. Na verdade, quem se utiliza desses métodos são as religiões pagãs. Este tipo de culto pode ser visto inclusive no confronto do monte Carmelo onde os profetas de Baal gritavam e dançavam em volta do altar. Elias, ao contrário dos profetas, moveu o braço de Deus apenas com uma simples oração silenciosa.
  4. Deve refletir as determinações, ensinamentos e vontade de Deus. A maior diferença entre verdadeira e falsa adoração se baseia na vontade de Deus em detrimento da vontade e determinação humana. O que teria acontecido se Moisés tivesse se recusado a retirar as sandálias e entrado na presença do Senhor com elas nos pés! O que teria acontecido se o povo de Israel não tivesse passado o sangue de cordeiros nas umbrais! O que teria acontecido caso o povo tivesse se recusado a erigir o santuário diferente do modelo que fora mostrado! Nossa vontade, sabedoria, gostos e convicções devem ser subordinadas inteiramente à vontade de Deus – isto é verdadeira adoração na vida prática e na devoção cultual. Pense nisso!

A falsa adoração está diretamente ligada à vontade humana em detrimento da vontade de Deus. No que diz respeito à igreja, por exemplo, não vamos à igreja para fazer nossa vontade mas para realizar o que Deus deseja. Não estamos na congregação para participar de um culto, mas para oferecê-lo ao Senhor. Nossos gostos, desejos e achismos não devem permear absolutamente nada no que diz respeito à adoração. Se isto ocorrer, não estaremos adorando ao Deus do Céu mas o anjo caído.


Quinta-feira e Sexta-feira
A Mensagem de Elias
(Malaquias 3:16-18; Malaquias 4:1-6)

A mensagem de Elias ultrapassa gerações chegando em pleno século XXI como se a experiência fosse exatamente em nossa época.

A mensagem de Elias inserida em três períodos da história é interessante e reflete a essência do conflito em todos os tempos. Os três períodos refletem o conflito na essência tempo de Elias. O período de João Batista e o período em que as três mensagens angélicas seriam proclamadas seriam os outros dois tempos em que Elias, simbolicamente, seria enviado. O Elias de hoje são os que, com poder do Céu, proclamam a mensagem para o tempo presente.

O curioso é que, se a mensagem de Elias alcança os nossos dias através dos proclamadores das três mensagens angélicas. Isto pode significar que este mesmo impasse deve ser travado em nosso tempo. Também significa que o confronto entre verdadeira e falsa adoração devem ser travados mesmo dentre o povo de Deus. A mensagem de Elias, assim como no passado, deve alcançar e advertir não apenas os de fora, mas também os de dentro.

Ellen White considerou que o que tempo em que vivemos é um tempo de grande apostasia geral e que “Deus convida Seus mensageiros a anunciar Sua lei no espírito e no poder de Elias. Assim como João Batista, na preparação de um povo para o primeiro advento de Cristo, chamou sua atenção para os Dez Mandamentos, da mesma forma, nós devemos dar, com som muito definido, a mensagem: ‘Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo’ (Ap 14:7. Com a seriedade que caracteriza o profeta Elias e João Batista, estamos envidando esforços para preparar o caminho para a segunda vinda de Cristo. Requer-se de cada trabalhador resolução, abnegação, esforço e consagração. Prontidão e zelo consagrado devem tomar o lugar da indiferença apática. Apelos fervoroso, misturados com oração, provenientes de um coração governado pelo espírito que atuava em Elias, trará convicção para os sinceros de coração” (The Southern, 21 de março de 1905).


Leitura Adicional


Fonte: http://gilbertotheiss.blogspot.com


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