Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 08 – Conformidade, Concessão e Crise na Adoração

Comentários do Dr. Bruce Cameron


Textos: (I Reis 11 e 19; Lucas 16; I Coríntios 9; Romanos 14)

Introdução: O estudante da Universidade Hillsdale, David Wagner fez uma pesquisa sobre a história do uso do órgão de tubos na adoração da igreja. Wagner relata que Thomas Brattle, um puritano da Nova Inglaterra, morreu em 1713. Ele deixou seu órgão de tubos para a igreja, mas a igreja rejeitou a doação “crendo que seria impróprio utilizar instrumentos musicais na adoração”. {01} A decisão daquela igreja Puritana foi uma recusa à conformidade com o mundo ou uma determinação de não fazer concessões em sua adoração a Deus? {02} Aparentemente, em 1713 havia uma polêmica sobre que tipo de música constitui uma adoração apropriada! {03} Três séculos mais tarde isto ainda é verdade. {04} Vamos mergulhar em nosso estudo da Bíblia e descobrir o que significa fazer “concessões” na adoração!


I. Exemplos de Concessão Pecaminosa

A. Leia I Reis 11:4-6. O que aconteceu a Salomão quando estava com a idade avançada?

1. Eu pensava que o normal seria a pessoa ficar mais sábia, conforme vai ficando mais velha! O que levou Salomão a escorregar? (Leia I Reis 11:1-2. Deus havia dito ao Seu povo para não se casar com mulheres que seguiam a outros deuses. Salomão desobedeceu e isto enfraqueceu a sua fé no verdadeiro Deus.)

B. Leia I Reis 11:7-8. Qual é o cerne da adoração falsa? (Construir um altar a um falso deus e adorá-lo.) {05}

C. Leia I Reis 18:19-20. Qual era a controvérsia na adoração que colocou Elias e o rei Acabe em conflito? (Pode ser necessário ler o contexto mais abrangente, mas {a controvérsia} era se Baal e Aserá {ou Astarote} ou Jeová eram o verdadeiro Deus.)

D. Leia I Reis 19:14-18. Este é um diálogo entre Deus e Elias. Qual foi a conclusão errada de Elias? (Ele pensava que somente ele era leal a Deus. Ocorre que pelo menos 7.000 haviam permanecido leais a Deus.)

1. Qual era o teste de Deus para separar aqueles que ainda estavam adorando a Ele daqueles que tinham feito concessões pecaminosas? (Se eles “se inclinaram” ou “beijaram” a Baal.)

a. O que significa {“se inclinar” ou} “beijar” Baal? (Inclinar-se seria um ato formal de adoração. Beijar Baal indicaria uma afeição por ele.)

II. Exemplos de Concessão Santificada

A. Leia Deuteronômio 4:1-4. Quais são os dois erros que os seguidores de Deus podem cometer em seu esforço para evitar a adoração a Baal? (Eles podem dizer às pessoas que práticas não pecaminosas são pecado e podem dizer que práticas pecaminosas não são pecado.) {06}

1. Uma prática é pior do que a outra? (Aparentemente ambas são uma violação da vontade de Deus.)

2. Quando eu estava na faculdade, usava barba (e ainda uso). Certo Sábado, estava visitando a igreja de minha namorada e fui convidado a dirigir a igreja em oração. Eu concordei, o que significava que deveria me assentar à frente, durante todo o culto. Aconteceu que o sermão era sobre o pecado de usar barba. O pregador terminou seu sermão dizendo alguma coisa como “Fidel Castro usa barba, e todos nós sabemos o que ele defende.” Eu estava pensando, “E os quadros de Jesus usando barba?” O pregador estava pecando quando fez o seu sermão? {07}

B.Leia Lucas 16:1-7. Este administrador é um homem bom ou mau? Este administrador fez concessões com relação aos seus princípios para viver uma vida melhor? (Ele claramente é desonesto, preferindo seus próprios interesses aos de seu senhor.)

C. Leia Lucas 16:8-9. Quem é o senhor? (Jesus está contando a história. Ele se coloca no lugar do senhor.)

1. O que Jesus vê de bom nesta história de desonestidade e traição? (Que o administrador é astuto. Jesus diz que seus seguidores precisam ser ainda mais astutos.)

D. Estude cuidadosamente Lucas 16:9. O que você acha que significa “a riqueza deste mundo”? (Devem ser coisas que o mundo considera valiosas: dinheiro, beleza, influência.) {08}

1. O que quer dizer “ganhar amigos”? (Uma vez que “moradas eternas” deve se referir ao céu, Jesus está nos dizendo para usarmos as ferramentas do mundo para ganhar pessoas para o evangelho.) {09}

E.Leia Lucas 16:10-12. Como esta pode ser uma conclusão apropriada para a história que acabamos de ler? (A princípio, isto não faz absolutamente qualquer sentido. A história defende um ponto de vista exatamente oposto! Mas, se olharmos mais profundamente, vemos que Jesus está nos ensinando com esta parábola que precisamos ser espertos (astutos) como o mundo, ao trazer o evangelho a outros – e precisamos usar as riquezas mundanas para fazer isso.) {10}

1. O que você acha da definição de Jesus de concessões? (Nós fazemos concessões ao evangelho quando não utilizamos todos os nossos recursos disponíveis para fazer avançar o reino do céu. Somos considerados servos infiéis se falhamos diante de Deus em fazer isto!) {11} {12}

F. Leia I Coríntios 9:19-22. O apóstolo Paulo explica sua abordagem em ganhar outros para Jesus. Ele está fazendo concessões?

1. Paulo é um hipócrita, acreditando uma coisa e fazendo outra?

2. O que você acha que Paulo quer dizer quando escreve “tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus”?

3. Leia Gálatas 2:11-13. Espere um minuto! Paulo condena Pedro por se tornar como um “judeu, a fim de ganhar os judeus”, certo? Não é isso que Paulo acabou de escrever que deveríamos fazer?

a. Que diferença você vê aqui? Como explica a repreensão de Paulo a Pedro? (Pedro não está tentando ganhar novos conversos, os homens “da parte de Tiago” já eram cristãos. O problema parece ser que a concessão de Pedro está prejudicando os novos convertidos gentios.)

b. Qual regra para a promoção do evangelho você extrairia do argumento de Paulo para fazer concessões e das concessões feitas por Pedro? (Paulo parece dizer que em situações diferentes ele se adapta à cultura para ganhar outros para o evangelho. Pedro está simplesmente ofendendo cristãos já convertidos.) {13}

III. Comprometimento Descomprometido

A. Leia Romanos 14:1-4. Eu sou vegetariano, então a minha fé deve ser fraca! Leia novamente I Coríntios 9:20. Você pode ter sorrido quando eu escrevi que sou vegetariano. Qual seria a tua reação se eu escrevesse que “estou debaixo da lei”? Uma destas opções parece ser uma questão polêmica inofensiva (exceto que eu estou mais saudável!), enquanto a outra parece um sério erro teológico. Até onde deveríamos levar a nossa disposição em fazer concessões?

B. Leia Romanos 14:13-18. Você chamaria o que Paulo está defendendo aqui de “concessão”?

1. Qual é o padrão de Paulo para um comprometimento descomprometido? (Não faça qualquer coisa que possa impedir que alguém venha para a fé.) {14}

C. Vamos ver se podemos chegar a algumas conclusões acerca da adoração. {15} Aprendemos que Jesus nos chama de servos infiéis se não usamos as ferramentas do mundo para promover o evangelho. {16} Aprendemos que Paulo defende a conformidade com diferentes pontos de vista culturais (e teológicos?) para promover o evangelho. {17} {18} Aprendemos que Deus nos diz que é pecado proibir coisas que Ele não proibiu (ou permitir coisas que Ele proíbe). {06} Também aprendemos que quando Salomão permitiu a entrada dos deuses culturais de suas esposas, ele pecou. Me diga, que regra(s) para a adoração você acredita que Deus exige? {19}

1.Vamos voltar no tempo 300 anos e aplicar esta regra. Você está na Comissão da Igreja Puritana que acaba de descobrir que Thomas Brattle fez a doação de um valioso órgão de tubos. Como você votaria? {20}

a. E se você acrescentasse que um grande número de pessoas que não tinham interesse na igreja Puritana viria à igreja, se pudessem ouvir algumas músicas de entretenimento tocadas no órgão de tubos? {21}

D. Amigo, meu ponto de vista é que a regra imutável de Deus para a adoração é não adorar falsos deuses. Sua regra secundária é que devemos usar o bom senso e a sabedoria para nos adaptarmos à cultura para promovermos o evangelho. Sua terceira regra é evitarmos insultar àqueles que são fracos na fé – aqueles que confundem suas preferências culturais com a lei de Deus. Para seguir de forma mais adequada todas estas regras, meu conselho é adorar em uma igreja que está crescendo, (uma que está promovendo o evangelho), e que tenha um estilo de adoração que você gosta. {22}


Notas do Tradutor:
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{01} – Algumas igrejas reformadas e puritanas recusam ainda hoje a utilização de instrumentos mecânicos na adoração.

{02} – Não fica claro no texto original qual é a intenção do autor com esta pergunta. Ambas as opções significam a mesma coisa, já que a conformidade com o mundo é uma concessão em nossa adoração a Deus.

{03} – Não deveria ser motivo de espanto que esta polêmica já existisse no século XVIII, uma vez que a real polêmica sobre o culto apropriado deve ter iniciado com Caim e Abel (ver Gênesis 4).

{04} – Também não deveria ser motivo de espanto que a polêmica continue até os dias de hoje, já que, como a própria lição de domingo enfatizou, a natureza humana caída continua a mesma e, uma vez que a tendência de satisfazer os desejos da carne faz parte desta natureza, esta polêmica só deixará de existir no céu (ver Gênesis 6:5; Jeremias 17:5, 9; Romanos 3:9-12).

{05} – Deve ser notado que além da adoração falsa (a falsos deuses) existe também a adoração vã, que consiste em adorar ao Deus verdadeiro, mas de maneira inaceitável a Ele (ver Gênesis 4:3-5; Êxodo 20:7; Isaías 1:11-15; Amós 5:21-23; Mateus 7:21-23; Marcos 7:6-7).

{06} – O problema com esta citação é que o contexto colocado pelo autor induz o leitor a pensar que qualquer interpretação divergente da que está sendo exposta é uma afronta a Deus. Para compreendermos o contexto da citação, devemos notar que entre outras exortações, Moisés também adverte no capítulo 12 contra a adoração vã (ver nota 5), além da adoração falsa (a outros deuses). Porém, a argumentação que o autor coloca nos parágrafos que se seguem viola este princípio. Portanto, podemos confirmar que esta síntese fornecida pelo autor está correta, mas a aplicabilidade dela depende de conhecermos a vontade revelada de Deus em sua plenitude

{07} – O autor pretende que a história citada sirva de exemplo para o texto de Deuteronômio, citado acima. Ao induzir o leitor a que responda com sim ou não, provaria o seu ponto de vista. Mas devemos compreender que esta seria uma postura demasiadamente simplista diante do problema apresentado. O pecado é sempre caracterizado por uma atitude de rebeldia com relação a Deus. Na história citada, o pregador poderia estar equivocado, mas desejoso de fazer a vontade de Deus e, neste caso, não estaria pecando. A verdade é que simplesmente não temos elementos para fazer este julgamento. Esta é a razão pela qual não somos autorizados a fazer este tipo de juízo que envolve os motivos interiores (ver Mateus 7:1; Lucas 6:37; Romanos 2:1; 14:13; I Coríntios 4:5), embora sejamos autorizados a fazer outros tipos de julgamento, que envolvem os resultados visíveis (ver João 7:24; I Coríntios 5:12; 6:3).

Para uma discussão mais detalhada do assunto, ver:
“Não Me Julgue!” – O Evangelho da Tolerância versus Disciplina Eclesiástica.

{08} – Ao chegar a esta conclusão o autor desconsidera o próprio ensinamento de Jesus nesta parábola, pois no verso 15 Ele deixa claro que não está falando das coisas que o mundo valoriza: “Aquilo que tem muito valor entre os homens é detestável aos olhos de Deus.” Na verdade, o contexto imediato do texto demonstra que Jesus está falando de riquezas literais, como os versos 10, 11, 13 e 14 (bem como o contexto da história) nos mostram. Além disso, o verso de Lucas 16:13 é repetido de forma exata em Mateus 6:24, no contexto das riquezas literais deste mundo, comparando-as com as riquezas eternas do porvir. Porém, quando o autor nos leva a ler o texto apenas até o verso 12, este contexto é perdido.

{09} – Ao chegar a esta conclusão o autor desconsidera outros ensinamentos bíblicos, como por exemplo: “Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação.” (I Coríntios 1:21) ou “Não se enganem. Se algum de vocês pensa que é sábio segundo os padrões desta era, deve tornar-se ‘louco’ para que se torne sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus (…).” (I Coríntios 3:18-19).

Para uma discussão mais detalhada do assunto, ver:
Artimanhas Evangelísticas: A Loucura da Pregação ou a Pregação da Loucura

{10} – Ellen G. White adverte contra os perigos desta metodologia: “Formalidade, sabedoria mundana, certa esperteza e métodos mundanos, parecerão a muitos o próprio poder de Deus, mas quando aceitos, ficam como obstáculo impedindo a luz de Deus em advertências, reprovação e conselho de atingir o mundo.” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 19)

{11} – Neste ponto, será útil uma consulta do livro “Parábolas de Jesus“, de Ellen G. White. O capítulo 26 trata exatamente desta parábola, analisando-lhe todos os detalhes. Este capítulo poderá ser lido clicando aqui. O leitor interessado notará que o ponto que Jesus defende aqui é que devemos abrir mão das riquezas mundanas e buscar o reino de Deus; se necessário, usando essas riquezas (literais) para fazer o bem aos pobres (Lucas 12:33-34), o que também nos colocará sob uma perspectiva favorável aos olhos das pessoas.

O Dr. Alberto Timm endossa este ponto de vista em seu artigo “Parábola Difícil”, acessível no Centro de Pesquisas Ellen G. White

{12} – Evidentemente, esta conclusão só tem valor caso tenhamos o cuidado de evitar os problemas causados pela abordagem pragmática, que leva a uma ênfase em resultados no que se refere às coisas de Deus. Devemos enfatizar que não somos chamados a atrair pecadores, pois esta é a obra de Jesus Cristo (João 12:22). Nem somos chamados a converter, pois esta é a obra do Espírito Santo (João 16:8). Somos chamados simplesmente a pregar (Marcos 16:15); os resultados são obra de Deus (E.G.White, Evangelismo, pp. 64, 173, 329). Além disso é evidente que a filosofia cristã é (ou deveria ser) contrária à noção de que os fins justificam os meios. John. F. MacArthur, em seu livro “Com Vergonha do Evangelho“, cita que “Qualquer filosofia de ministério do tipo “fins-que-justificam-os-meios” inevitavelmente comprometerá a doutrina, a despeito de qualquer proposição em contrário. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado, sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Em última análise, o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras.”

Para uma discussão mais detalhada do assunto, ver:
Eu Quero A Religião Show!,
A Discussão Cristã Contemporânea da Música na Adoração e
A Igreja Adventista do Sétimo Dia e os Aspectos Negativos da Ênfase Numérica

{13} – É importante compreender corretamente as palavras aqui: O Dr. Cameron afirma que Paulo adaptava seu comportamento às diversas culturas locais. Muitos confundem adaptação cultural com conformação cultural, que é o que o apóstolo nos adverte a rejeitar em Romanos 12:2. Na verdade, este é exatamente o tema central da lição desta semana. Não podemos usar este texto bíblico como um pretenso argumento para dizer que devemos adaptar o evangelho às culturas locais. Ellen G. White diz: “Nunca devemos rebaixar o nível da verdade, a fim de obter conversos, mas precisamos procurar elevar o pecador e corrupto à alta norma da lei de Deus.” (Evangelismo, p. 137)

{14} – A questão debatida neste texto não é a adoração e nem mesmo o evangelismo, mas a postura de algumas pessoas dentro da comunidade dos primeiros cristãos, face a problemas específicos de interpretação das regras judaicas à sua nova realidade espiritual. O próprio autor fez anteriormente um estudo sobre o texto de Romanos 14 e afirmou claramente que, conforme I Coríntios 10:18-29, a questão em discussão neste texto é que alguns “pensam que Deus exige (ou não) o consumo de vegetais para evitar qualquer questão com a adoração de ídolos”.

Para acesso a este estudo visite:
http://brucecameron.blogspot.com/2010/09/redencao-em-romanos-licao-13.html (ver item I-B).

Para compreender melhor a postura de Paulo com relação à adoração, veja:
A Adoração Segundo Paulo

Para uma discussão mais detalhada do assunto, ver:
“Fiz-me Fraco Para com os Fracos” – Até Que Ponto? e
Artimanhas Evangelísticas: A Loucura da Pregação ou a Pregação da Loucura

{15} – O autor discorreu sobre adoração somente na seção I, onde analisou as concessões de Salomão. Nas seções seguintes, buscou apenas defender certas práticas evangelísticas duvidosas. Embora haja uma clara ligação entre uma vida de adoração e os esforços evangelísticos, um culto de adoração não é um evento evangelístico. Adoração é o resultado de reconhecermos quem Deus é, quem nós, pecadores, somos diante dEle; além de compreendermos o que Ele tem feito, faz e fará em nosso favor, apesar de sermos indignos. Um descrente pode assistir a um culto de adoração mas não participa dele, pois não tem o necessário conhecimento de Deus para chegar ao espírito de adoração. Por isso, a frase: “Culto não se assiste, se presta”, continua verdadeira.

Para uma discussão mais detalhada do assunto, ver:
A Igreja e a Adoração,
Adoração Essencial e
A Adoração Verdadeira

{16} – O Novo Testamento nos diz que quando Cristo veio ao mundo, “o mundo não o conheceu” (João 1:10), porque Ele “não era deste mundo” (João 8:23). O que nos faz crer que poderemos ter sucesso onde Cristo falhou? O próprio Jesus mencionou que os cristãos “não são deste mundo, como Eu mesmo não sou” (João 17:16, cf. versos 9 e 14). Ele afirmou enfaticamente que as obras deste mundo são más (João 7:7). Além disso, Ellen G. White contradiz frontalmente a conclusão do autor, quando escreve: “Os mensageiros de Deus não devem seguir, em seus esforços para atrair o povo, os métodos do mundo. Nas reuniões que se realizam eles não devem confiar em cantores do mundo e exibições teatrais para despertar o interesse.” (Obreiros Evangélicos, p. 357)

{17} – Que a utilização de métodos mundanos de evangelismo perverte a própria teologia fica evidente, pela expressão que o autor coloca entre parênteses nesta frase. Com isto o autor sugere que poderíamos “adaptar” a nossa teologia à cosmovisão do mundo. Não é esta, contudo, a posição dos apóstolos, que deram a vida defendendo a pureza do evangelho (ver Gálatas 1:6-10). Este evangelho, que é chamado de “eterno” no Apocalipse, envolve a conclamação de todos os povos à adoração do verdadeiro Deus, que está prestes a executar Seus juízos (Apocalipse 14:6-7). Ellen G. White corrobora este ponto de vista ao escrever: “Não devemos adular o mundo nem pedir-lhe perdão por ter que dizer-lhe a verdade; devemos desprezar toda dissimulação. Arvorai a vossa bandeira para pelejar pela causa dos homens e dos anjos. Entenda-se que os adventistas do sétimo dia não devem fazer acordos. Em vossas opiniões e fé não deve haver a menor aparência de incertezas; o mundo tem direito a saber que esperar de nós.” (Evangelismo, p. 179)

{18} – Contrariamente à conclusão do autor, o apóstolo Paulo não nos incita a tentarmos “fisgar” pessoas através da “isca” do entretenimento, para que assim elas sejam “pescadas” para o evangelho. Se Paulo estivesse determinado a alcançar as massas a qualquer custo, teria se tornado um evangelista popular, atraindo grandes platéias onde quer que fosse. Mas este não foi o caso. Pelo relato de Atos dos Apóstolos e através de suas epístolas sabemos que em quase todos os lugares sofreu oposição, perseguição, e algumas vezes, até mesmo apedrejamento. A razão é que Paulo escolheu pregar o evangelho, e a forma como ele fez isso é claramente delineada por ele mesmo, quando escreve:

E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com ostentação de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (I Coríntios 2:1-5)

E ainda, de maneira mais específica:

Pois nossa exortação não tem origem no erro nem em motivos impuros, nem temos intenção de enganá-los; ao contrário, como homens aprovados por Deus para nos confiar o evangelho, não falamos para agradar pessoas, mas a Deus, que prova o nosso coração. Vocês bem sabem que a nossa palavra nunca foi de bajulação nem de pretexto para ganância; Deus é testemunha.” (I Tessalonicenses 2:3-5 – NVI)

{19} – Dos textos analisados pelo autor, somente a história de Salomão nos fornece regras claras para a adoração. Cabe aqui a pergunta: Por que motivo o autor desviou-se do assunto da lição, deixando de analisar as histórias de Jeroboão e Elias? Provavelmente, porque já possuía uma agenda predeterminada, na qual estas histórias não se encaixavam.

Ao citar os textos de Lucas 16, I Coríntios 9 e Romanos 14, o autor pretendeu que tratassem de questões relacionadas ao evangelismo (embora o assunto foco da lição fosse a adoração), o que vimos que também não é o caso. Porém, muitos outros textos, não citados pelo autor – além daqueles abordados pela lição desta semana – nos fornecem regras aplicáveis para a adoração e demonstram o perigo de nos desviarmos dos propósitos de Deus nesta área. Por exemplo:

– O foco da adoração só pode ser Deus. Seu propósito nunca é a satisfação pessoal, mas unicamente a glorificação de Deus (I Crônicas 16:8-11; Salmos 96:1-2; 117; 146:1-2; Isaías 12:5-6; Romanos 5:1; Efésios 5:19)
– O louvor, como parte da adoração, serve para a edificação dos crentes (Efésios 5:19; Colossenses 3:16)
– Deus não aceita uma adoração vã (ver nota 5)
– O povo de Deus (e sua adoração) deve ser separado do mundo. Não pode haver na adoração a Deus qualquer mistura do santo com o profano (Levítico 10:10-11; 20:26; 22:32; I Reis 18:21; Ezequiel 22:26; 44:23; II Coríntios 6:14-20; Tito 2:12; Tiago 4:4; I Pedro 1:14-16; I João 2:15-17).

{20} – Mais uma vez o autor pretende induzir o leitor a uma decisão cartesiana (sim ou não). Porém, não temos elementos do contexto sociocultural da época para fazermos este julgamento. De acordo com o próprio texto de Romanos 14, citado pelo autor, se a minha escolha, mesmo estando correta, escandalizar o meu irmão, devo abrir mão desta escolha, por amor e respeito ao meu irmão.

{21} – É um erro pensarmos que programas musicais são a fonte do poder de uma igreja. Embora Ellen G. White tenha instruído que a música instrumental é desejável em nossos cultos e que pode aumentar o interesse, ela também escreveu o seguinte:

“Aparelhamento faustoso, ótimo canto e música instrumental na igreja não convidam o coro angélico a cantar também. À vista de Deus estas coisas são como galhos de figueira infrutífera, que só mostrava folhas pretensiosas. Cristo espera fruto, princípios de bondade, simpatia e amor. Estes são os princípios do Céu, e quando se revelam na vida de seres humanos, podemos saber que Cristo, a esperança da glória, está formado em nós. Pode uma congregação ser a mais pobre da Terra, sem música nem ostentação exterior, mas se ela possuir esses princípios, os membros poderão cantar, pois a alegria de Cristo está em sua alma, e esse canto podem eles dedicar como oferenda a Deus…”.

“Quando os professos cristãos alcançam a alta norma que é seu privilégio alcançar, a simplicidade de Cristo será mantida em todo o seu culto. As formas, cerimônias e realizações musicais não são a força da igreja. No entanto, estas coisas tomaram o lugar que deveria ser dado a Deus, tal como se deu no culto dos judeus. O Senhor revelou-me que, se o coração está limpo e santificado, e os membros dão participantes da natureza divina, sairá da igreja que crê a verdade um poder que produzirá melodia no coração. Os homens e as mulheres não confiarão então em sua música instrumental, mas no poder e graça de Deus, que proporcionará plenitude de alegria. Há uma obra a fazer: remover o cisco que se tem trazido para dentro da igreja”. (Evangelismo, pp. 511-512).

{22} – Felizmente, o autor concede que o que está sendo apresentado é o seu ponto de vista pessoal. Porém, este não é o ponto de vista da lição da Escola Sabatina, que representa a teologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia a ser ensinada à comunidade mundial dos crentes.

A lição desta semana tratou sobre as concessões ou a condescendência para com um adversário, o qual, se não cuidarmos em nos mantermos à distância, com o tempo, corremos o perigo de passar a ver como aliado, pois somos pecadores vivendo em um mundo de pecado.

Salomão, por influência de suas muitas esposas, permitiu o ingresso sutil e gradual de costumes e práticas pagãs em sua casa e terminou adorando ídolos.

Jeroboão pretendeu reformar o estilo e as práticas do culto a Deus, misturando a verdade com a mentira, acrescentando ao culto práticas adotadas de seus visinhos pagãos. Ele pretendia utilizar no culto aquilo que fazia sucesso no mundo. Porém esta linha de ação era frontalmente contrária às instruções divinas e terminou levando todo o reino do Norte a uma apostasia que levou à sua ruína e exílio.

A história de Elias nos mostra o contraste entre um ritual de êxtase e emoções descontroladas, e o poder de uma oração sincera e confiante. Vemos a diferença entre rituais carnais e a verdadeira adoração, que brota de um relacionamento com Deus.

A mensagem de Elias (a qual é extremamente atual para os nossos dias) nos impele a fazermos escolhas e tomarmos uma posição na questão da adoração: “Até quando vocês vão oscilar entre duas opiniões? Se o Senhor é Deus, sigam-nO; mas, se Baal é Deus, sigam-no” (I Reis 18:21, NVI). Este é um resumo das três mensagens angélicas, que definem a adoração como sendo a linha divisória entre os santos e os ímpios nos últimos dias.

A lição de quinta-feira diz o seguinte sobre este texto: “cada pessoa precisa responder à seguinte questão: Será que adoro e sigo o Deus verdadeiro, ou não? Podemos ser capazes de ‘oscilar entre duas opiniões’ por algum tempo, mas cedo ou tarde, todos ficam de um lado ou outro. No fim, quando o grande conflito terminar, toda a humanidade terá sido dividida para sempre, em duas classes: “O que serve a Deus e o que não O serve” (Malaquias 3:18). Como Jesus disse, de modo tão claro e direto: “Quem não é por Mim é contra Mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Lucas 11:23). Como Ele poderia ter sido mais claro?”

E você, amigo, de que lado pretende estar? Ao lado daqueles que fazem concessões aos métodos e à linguagem do mundo ou ao lado daqueles que adoram ao verdadeiro Deus, de maneira aceitável a Ele?


Direito de Cópia de 2011, por Bruce N. Cameron, J.D. Todas as referências das Escrituras são da Bíblia de Estudo na Nova Versão Internacional (NVI), editada em 2003 pela Editora Vida – São Paulo, a menos que indicado de outra forma. As citações da NVI são usadas com permissão. As respostas sugestivas encontram-se entre parênteses. As frases entre chaves { } foram acrescentadas pelo tradutor e não constam no original.

Tradução: Levi de Paula Tavares


Fonte: http://brucecameron.blogspot.com


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