Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 06 – Adoração, Música e Louvor

Comentários de Maria José F. Vieira


Texto Central: “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor todas as terras.” (Salmos 96:1)


A vida de Davi está registrada na Bíblia abordando tanto seus momentos de espiritualidade plena como os momentos em que se afastou de Deus e cometeu pecados abomináveis, entre eles, adultério e assassinatos. As conseqüências deste afastamento de Deus tiveram que ser vividas por este grande rei, mas apesar desta fase escura de sua vida, ele é chamado de o homem segundo o coração de Deus.

Estes registros bíblicos permitem a vivência de esperança e crescimento de nosso caráter na direção de Deus, pois podemos ser homens e mulheres segundo o Seu coração.

Creio ser este o desejo de todo seguidor sincero de Cristo, que vive em meio a este confuso mundo pecaminoso, mas que ao mesmo tempo sente o vazio interior, que poderá ser preenchido, quando se permite sentir a presença do Criador, por meio da oração, comunhão e leitura da Bíblia.

A música faz parte da adoração e na vida de Davi podemos refletir sobre a influência que teve no seu desenvolvimento como ser humano e como isto foi usado por Deus para um propósito específico.

A lição compara os reis Saul e Davi. Saul foi escolhido, porque “ele tinha as características que o povo havia requerido”; porém, na escolha de Davi, Deus olhou para o seu coração (I Samuel 16:7).

Deus conhecia Davi desde antes de nascer (Salmo 139), como conhece a cada um de nós. Sabia o que existia na mente de Davi, como sabe e sempre soube o que há na nossa mente. Deus sabe os conflitos, desejos, medos, influências de cada um, personalidade, fraquezas e pontos fortes. Ele escolheu Davi como escolhe cada um de nós para um fim específico na Sua causa. Ele sabia que este pequeno, ruivo e futuro rei que vivia em meio à natureza, apascentava as ovelhas, cuidava delas, limpava as feridas, defendia de lobos e animais selvagens, e da chuva e do sol muito forte e se preocupava com a alimentação destes frágeis animais, louvava-O como Criador do Universo. Pelos registros dos Salmos, pode-se imaginar um garoto Davi, que a cada por do sol, observava os diferentes matizes de cores, e agradecia e louvava a Deus, já preparando sua mente ainda adolescente, para escrever cânticos que até hoje são lidos e cantados por pessoas de várias denominações e credos. Só um coração que cresce com intimidade a um Deus Criador é capaz de transformar em palavras e música o temor a Deus e a reverência.

Davi conhecia a Deus por meio da comunhão com Ele e por este motivo sabia do perdão, do amor e que o arrependimento sincero colocava a sua mente em harmonia com a mente de Deus.

No livro Patriarcas e Profetas, pag. 746, Ellen White descreve as seguintes características da vida de Davi: “A primeira parte da vida de Davi, como pastor, com suas lições de humildade, trabalho paciente e terno cuidado pelos seus rebanhos; a comunhão com a natureza na solidão das colinas, desenvolvendo o seu gênio para a música e poesia, e dirigindo seus pensamentos ao Criador; a longa disciplina de sua vida no deserto, pondo em exercício a coragem, constância, paciência e fé em Deus, foi designada pelo Senhor como preparo para o trono de Israel. Davi desfrutara experiências preciosas do amor de Deus, e fora ricamente dotado do Seu Espírito; na história de Saul vira a completa inutilidade da mera sabedoria humana.”

Nos Salmos escritos e cantados pelo povo de Israel em suas peregrinações e que muitas vezes relembravam os grande feitos de Deus e mantinham a esperança do povo, há tanto a tristeza pelo afastamento de Deus, como a alegria pelo Seu perdão. Somente um coração quebrantado, como no versículo 17 do Salmo 51, pode reconhecer a necessidade de um Salvador. Esta deveria ser a nossa experiência como pessoas necessitadas de Jesus. Temos altos e baixos na nossa vida, seja física, emocional, social e espiritual. Porém, as coisas acontecem e “tudo contribui para o bem dos que amam a Deus” (Romanos 8:28), para revisarmos nossos conceitos, nosso temperamento, nossas limitações e escolher qual o caminho a seguir por meio da direção divina. A perfeição do caráter só ocorrerá após a volta de Jesus, mas até lá, ou até a nossa morte, temos a oportunidade de revermos nossas características e conflitos, para podermos oferecer a Deus um louvor puro que represente fielmente a nossa real adoração e chegue a Ele como perfume suave. Davi por meio da música acalmava a mente de Saul, que era afetada pelo mal e quão importante é a escolha dos sons que subirão aos Céus junto com o cântico dos anjos e a influência que ela pode ter sobre outras pessoas levando-as à atmosfera do Céu ou não.

Qual é a “atmosfera do Céu”? Não temos capacidade de entendê-la por meio da nossa natureza e mentes deturpadas pelo pecado, mas podemos saber o que é a “atmosfera desta Terra”. A influência que a música pode ter no desenrolar da vida de uma pessoa está registrada na mídia. Não é difícil distinguir o que é sagrado do profano nos dias de hoje.

Há um registro do espírito de profecia muito pertinente para o momento atual e quão importante é a busca do equilíbrio no louvor a Deus: “Assim como os filhos de Israel, jornadeando pelo deserto, suavizavam pela música de cânticos sagrados a sua viagem, Deus ordena a Seus filhos hoje que alegrem a sua vida peregrina. Poucos meios há mais eficientes para fixar Suas palavras na memória do que repeti-las em cânticos. E tal cântico tem maravilhoso poder. Tem poder para subjugar as naturezas rudes e incultas; poder para suscitar pensamentos e despertar simpatia, para promover a harmonia de ação e banir a tristeza e os maus pressentimentos, os quais destroem o ânimo e debilitam o esforço.” (Educação, págs. 167 e 168).

Davi com seus cânticos influenciou o povo positivamente. Ele adorava e levava os outros a olharem em direção a Deus, o que é nossa missão hoje até a volta de Jesus, levando em consideração, que não sabemos quando isto ocorrerá, mas os nossos atos hoje, influenciarão as gerações vindouras positiva ou negativamente.

Em I Crônicas 16:8-36, podemos sentir a grandiosidade deste louvor “Rendei graças ao Senhor, invocai o Seu nome, fazei conhecido entre os povos os Seus feitos. Cantai-Lhe, Cantai-Lhe salmos; narrai todas as Sua maravilhas….Tributai ao Senhor a glória devida ao Seu nome; Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, desde a eternidade até a eternidade”.

Davi pecou e arrependeu-se; aprendeu a amar ao Deus maravilhoso e a obedecê-Lo e adorá-Lo por meio de sua vida e usando o dom que Deus lhe deu, por meio da música. Devemos fazer o mesmo, pois estamos nos preparando para a segunda vinda de Jesus nas nuvens do Céu. Não devemos esquecer do cântico do Cordeiro,que será entoado pelos que estiverem vivos na volta de Jesus. A música torna os momentos solenes e para a glória de Deus.

Atualmente, existe muita discussão em torno da música, especialmente nos ritmos. Como já foi citado, não há dúvida do que é profano e do que é sagrado e não devemos esquecer que a música é parte integrante do Céu antes que tudo existisse. Todos nós também sabemos quem era o regente e que foi lançado para a Terra, trazendo toda deturpação possível à adoração a Jesus. “A música faz parte do culto de Deus, nas cortes celestiais, e devemos esforçar-nos, em nossos cânticos de louvor. O emprego de instrumentos de música não é absolutamente objetável. Eles eram usados nos serviços religiosos dos antigos tempos. Os adoradores louvavam a Deus com a harpa e o címbalo, e a música deve ter seu lugar em nossos cultos”. (Evangelismo, pág. 501).

No tempo antigo a música era natural. Não existiam recursos que aumentassem o som, mas a acústica era perfeita. Deus atua na música e muitas vezes em nossos cultos podemos sentir a presença dos anjos cantando e louvando a Deus junto ao nosso coro.

A música deve ser dirigida para a glória de Deus e não para a glória do ser humano Isto não é fácil, pois o próprio Davi caiu em tentação quando sentiu “o poder” em suas mãos. “E, todavia, o êxito e a honra mundanos de tal maneira enfraqueceram o caráter de Davi que ele foi repetidas vezes vencido pelo tentador”. (Patriarcas e Profetas pag. 746)

A música deve ser respeitável e não criar conflitos e levar as pessoas a pecarem. Daí deve-se buscar o equilíbrio, olhando sempre para Jesus, pois Ele já mostrou o que é melhor. “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, nisto deveis pensar” (Filipenses 4:8)

Devemos observar também a altura do som. Muitas vezes, as pessoas que o controlam, perdem a audição progressivamente por ouvirem músicas acima da capacidade que o ouvido interno pode suportar e precisam do volume mais alto para conseguir escutar. É semelhante ao que ocorre com pessoas que colocam muito tempero, ou sal ou pimenta no alimento. Quando não tem, acham que está sem graça. Isto é muito arriscado, pois leva a destruição do que Ellen White chama das “avenidas da alma” que são nossos órgãos dos sentidos e que precisam ser usados para a glória de Deus até o fim das nossas vidas. Hoje são registrados níveis de perda de audição muito altos na juventude, pelo uso de fones de ouvido acima do desejável para manutenção da capacidade auditiva.

Não devemos esquecer que os cultos são freqüentados por pessoas de todas as idades, desde recém nascidos até idosos. A capacidade de escutar varia e nos idosos ocorre ressonância e não conseguem distinguir a letra das músicas e nos bebes, há destruição dos pequenos ossinhos do ouvido interno.

Se fosse possível observar o que ocorre, quando o som é muito alto, com as delicadas estruturas chamadas estribo, bigorna e martelo, que fazem parte do ouvido interno e que se comunicam por meio dos nervos ao cérebro, talvez tivéssemos mais consideração por estas partes anatômicas tão perfeitas criadas por Deus e pudéssemos colocar em prática o que diz o texto do apóstolo Paulo em I Coríntios 10:31 “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”

Que o nosso cântico possa ter a beleza e a capacidade de levar outras pessoas aos pés de Jesus. Que possamos cantar com as vozes dos mais idosos, dos mais jovens e das crianças em uníssono para que os anjos venham nos acompanhar neste cântico e que permaneçam conosco até o glorioso dia da volta de Jesus.


Fonte: http://iasdmoema.org.br/escolasabatina.html


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