Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 03 – O Sábado e a Adoração

Comentários de Gilberto G. Theiss


Texto Central: “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós, povo do seu pasto e ovelhas da sua mão”. (Salmos 95:6 e 7)


Sábado

Como sempre, assim como é difícil não falar da segunda vinda de Cristo quando abordamos o final dos tempos, também é difícil não falar do sábado quando abordamos o mesmo tema. O conflito gira em torno de todos os elementos existentes entre adorar a Deus e a besta, o sábado mais uma vez entra em cena como um memorial e notável evidência de quem realmente estamos adorando.

A mensagem dos três anjos de Apocalipse 14 apresenta entre tantas, a mensagem de adoração registrada na teologia e essência do sábado bíblico. Como relatado em Ezequiel 20:9 e 12, o sábado é “um sinal entre Deus” e o seu povo, especialmente para o tempo do fim.

Certa vez um evangélico me perguntou, qual seria o motivo de nós falarmos tanto sobre o sábado. Eu disse que pregamos muito a respeito e a favor do sábado na mesma medida em que eles pregam contra.

Observe que João viu que, no final dos tempos, Deus teria um povo na Terra que O adoraria como Aquele que fez “os Céus, a Terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:7). A única maneira de adorar a Deus desta forma é obedecendo-lhe guardando o sábado como memorial da criação (Êx 20:8-11). Não se adora a Deus da maneira como pretendemos e achamos, mas na forma em que Ele nos ensina que devemos adorar. Não temos dúvidas que, o sábado será o ponto de toque entre os que servem a Deus e os que O não servem. Quem viver verá.


Domingo
Criação e Redenção: O Fundamento da Adoração
(Êxodo 20:8-11; Deuteronômio 5:12-15; Colossenses 1:13-22)

O sábado não é mais importante que o autor de sua criação: Jesus Cristo. No entanto, o papel que este dia representa o torna extremamente significativo. Não é de admirar o fato de Satanás se preocupar tanto em destruir o mandamento sabático ou diminuir o seu valor de importância para o crente atual. O sábado está além de um mero dia de guarda. Se todos neste planeta o guardassem aos moldes da revelação, com certeza não existiria idolatria e veneração a outros deuses, pois o sábado ensina que existe um único Deus. Não existiria a crença da evolução, pois o sábado ensina que existe um criador e que a Terra e tudo o que nela há fora criado por este Deus em seis dias literais. Não existiria tanta incredulidade e egoísmo, pois o sábado ensina que há um Deus que se preocupa conosco pensando em nosso bem estar ensinando-nos a lei do altruísmo mútuo. Enfim, poderíamos enumerar muitos outros benefícios que teríamos no mundo se todos fossem fiéis a este mandamento precioso.

O mais sublime ensino que podemos absorver de nossa comunhão com Deus neste dia especificamente, é que fomos criados e redimidos por Deus. O sábado é um marco histórico de nossa própria existência. Quando descanso neste dia estou sendo lembrado por meu próprio ato que somente existo graças a esse Deus maravilhoso que pensou mim. O sábado é como se fosse uma fotografia do dia do nosso nascimento. Ele nos faz lembrar que saímos das mãos de Deus e que fazemos parte desta história graças a Ele. Também nos fazer lembrar que fomos redimidos por Cristo. Jesus descansou no sábado mesmo em sua morte, pois somente ressurgiu dos mortos após passar as horas finais do sábado (Lc 4:16; 23:54-56). Esta verdade pode ser vista especialmente pela experiência de Israel ao terem sido libertados do Egito, pois, o sábado lhes foi dado com o objetivo primário de se lembrarem sempre que foi o Deus que os criou e que também os libertou da escravidão do Egito e dos pecados egípcios. Da mesma forma hoje, Deus, através da verdade do mandamento sabático, nos revela que, somos suas criaturas e que Ele deseja nos libertar da escravidão do pecado egípcio da atualidade (mundo).


Segunda-feira
Lembra-te do Teu Criador
(Isaías 40:25-26; Isaías 44:15-20; Isaías 45:12; Isaías 45:18; Isaías 46:5-7; Colossenses 1:16-17; Hebreus 1:2)

Embora o hebraico seja uma língua muito pobre, encontramos nesta língua a palavra bara’ (criar) usada exclusivamente para Deus. Sempre que Deus é o autor de algum ato que envolve criar algo ou alguém, a palavra bara’ entra em cena. O seu significado é abrangente podendo ser interpretado como, além de criar, também moldar, formar, dar forma, mas, sempre tendo Deus como sujeito. Como Deus fez todas as coisas pode não ser claro para nossa mente finita, mas, não podemos negar a realidade da vida e de tudo que é permeado por ela. Tudo na natureza é extremamente perfeito para não ter sido criado por alguém extremamente inteligente.

A natureza com suas cores, belezas e leis meticulosamente organizadas encanta até as mentes mais céticas existentes. O próprio Richard Dawkins, que, quando esteve no Brasil, em 2009, e visitou o Pantanal, disse aos repórteres que ficou deslumbrado com tanta beleza. Afirmou que se não conhecesse Darwin, ele se ajoelharia e diria com absoluta certeza que ‘isso é obra de Deus’ (1). É claro que, se ele pensasse por si mesmo, talvez se tornasse um criacionista nato. Infelizmente, muitos cientistas não compreendem a criação porque suas idéias preconcebidas os impedem de aceitar o óbvio. Certa vez houve um debate entre Quentin Smith, da Western Michigan University, e o teólogo e filósofo William Lane Craig. Confrontado pelos argumentos de Craig, Quentin, numa retórica, simplesmente disse: “O universo surgiu do nada, pelo nada e para nada.” (2). Diante disto podemos fazer uma pergunta bem capciosa para o nosso ilustre ateu: Se Deus não existe, como explicar que algo veio do nada por ela mesma se ela não existe? Se esse algo não existe, como ele pode ter provocado sua própria existência? Isto significa que é do que necessário existir alguém eterno e inteligente antes de qualquer outra coisa vir a existência

Bom, essas discussões são longas e cansativas. Cansativas e muito exaustivas pelo fato de os céticos e evolucionistas fazerem uso excessivo da fé mais do que os próprios cristãos. Na verdade, a fé verdadeira é tão racional quanto a própria evidência. Para provar, basta olhar para toda a complexidade da vida e de sua manutenção para entender que foi Deus quem trouxe todas as coisas à existência. O próprio Dawkins, ateu de carterinha, disse que a mensagem encontrada apenas no núcleo de uma pequena ameba é maior do que os 30 volumes combinados da Enciclopédia Britânica. Também afirma que a ameba inteira possui tanta informação em seu DNA quanto mil conjuntos completos da mesma enciclopédia (BORGES, Michelson. Práxis Teológica, SALT/IAENE, p. 56). Se existe alguém que pratica uma fé cega, podemos ter certeza que não são os que conhecem a Deus. A prática do fideismo não vem dos cristãos sensatos.


Terça-feira
Liberdade da Escravidão
(Deuteronômio 5:12-15; Romanos 6:16-23)

Tem sido comum e nossos dias, influenciados por uma teologia neoliberal desses movimentos evangélicos descomprometidos com a verdade, adquirir uma graça bastante vazia e barata. Dizem que, ser salvos pela graça nos isenta de qualquer responsabilidade quanto aos deveres cristãos. Por esta razão é que os conceitos têm mudado quanto à forma de se vestir, o que comer e beber, o tipo de música que se ouve em casa e oferece na igreja, o tipo de comportamento, uso de ornamentos e maquiagens extravagantes e o tipo de comportamento na relação conjugal. Os valores e princípios que permeiam estes exemplos citados têm sido minimizados ou até mesmo aniquilados pelos supostos cristãos de nosso tempo. A graça irresponsável que insistem em pregar tem destruído a visão de santificação e aberto as fronteiras para a perversidade e mundanismo. Isto é tão verdade que, mesmo entre muitos adventistas, tem sido muito comum chamar de fanático qualquer pessoa que deseje viver uma vida mais de acordo com a vontade de Deus. Parece que o errado hoje é se afastar do mundo e deixar o pecado. Pela maneira como alguns se comportam, parece sugerir que, pecado é deixar o pecado.

Liberdade da escravidão é um tema crucial e importante para os dias atuais, pois, é através deste tema que podemos entender melhor o papel da graça e da verdadeira adoração. Isto envolve verdadeira ou falsa adoração.. Ellen White é clara a este respeito quando diz que “Ao brado de – liberalidade – os homens se tornam cegos aos ardis do adversário” (O Grande Conflito, p. 522). Em nome do equilíbrio, muitos cometem as maiores atrocidades para facilitar a vinda dos que ainda não são da fé. Será que isto é sancionado pela palavra de Deus? Observe: “Cristãos acham-se constantemente procurando imitar as práticas dos que adoram o deus deste mundo. Muitos insistem em que, unindo-se aos mundanos e conformando-se aos seus costumes, poderiam exercer uma influência mais forte sobre os ímpios. Mas todos os que adotam tal método de proceder, separam-se desta maneira da Fonte de sua força. Tornando-se amigos do mundo, são inimigos de Deus” (Patriarcas e Profetas, p. 607).

Neste ínterim, a verdadeira graça nos salva pelos méritos de Cristo, porém, além de salvar, ela também nos leva a cumprir os deveres da vida cristã (Santificação, p.81 e 87). Graça que não santifica não é graça, pois o mesmo poder que salva é o mesmo que transforma. Paulo escreveu a este respeito dizendo que “É Deus quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segunda a sua boa vontade” (Fl 2:13).

Aqueles que ensinam que Deus não está interessado em nos resgatar da escravidão do pecado estão ensinando a doutrina que Satanás sempre pregou desde o Céu. O pecado só trás sofrimento, angústia, tristeza e infelicidade. Como então Deus não estaria tão interessado em nos livrar do poder do pecado? Pelo poder de Deus, através do poder de Sua graça, é óbvio que o pecado precisa ser abandonado e isto não é perfeccionismo, isto é entrega e santificação bíblica.


Quarta-feira
Lembra-te do Teu Santificador
(Êxodo 31:12-17; II Coríntios 5:15)

A Terra era sem forma e vazia e Jesus fez desse mundo desorganizado e caótico em um lindo planeta repleto de vegetação das mais vivas cores e de animais dos mais variados em esplêndida beleza. Toda a estrutura do planeta refletia o caráter do seu projetista. A obra mais sublime de tudo o que até o momento fora criado, era sem dúvida, a criação do homem e da mulher. Jesus trabalhou naqueles seis dias e logo após ter terminado descansou no sábado conforme o mandamento (Gn 2:1-3; Êx 20:8-11).

Infelizmente o pecado entrou neste mundo e a imagem de Deus fora destruída no homem. O homem não mais refletia o caráter de seu Criador. Por este motivo, o Filho de Deus se ofereceu a vir neste mundo maculado pelo pecado para pagar a pena da transgressão que deveria ser nossa. Jesus, agora, realizaria a obra da redenção se pendurando entre o Céu e a Terra para que pudesse nos religar novamente a Deus. Graças ao Seu sacrifício, a redenção pode alcançar a todos os que clamam por Seu poderoso nome. Após ter sofrido, mal tratado, cuspido, chicoteado, caminhado até o monte da crucifixão, pregado na cruz e dado o último suspiro, enfim, após ter concluído a obra da redenção Ele, na Sua morte, novamente descansa no sábado conforme o mandamento (Lc 23:54-56; 24:1-3).

Deus, através de Cristo, realizou a obra da criação, redenção e também da santificação. A santificação não significa apenas ser separado como se separa uma laranja podre de um monte de outras laranjas podres. A santificação também significa fazer uma laranja podre se tornar uma laranja boa. Através da santificação, Cristo mediante o Espírito Santo pretende realizar a obra da recriação, ou seja, imprimir novamente o caráter de Deus na vida dos Seus filhos. Quando o pecado entrou no mundo Satanás desfigurou o caráter de Deus no homem inserindo nele o seu próprio caráter pecaminoso. Porém, agora, pelo poder da graça verdadeira, Deus não somente perdoa e salva o homem perdido, mas, realiza nele a obra de preparação para viver no Céu. Longe de qualquer idéia perfeccionista, Ellen White esclarece que “Não podemos nunca igualar o modelo, mas podemos imitá-lo e nos assemelharmos a Ele segundo nossa capacidade” (Manuscrito 65, 1894). Também ensina que “Deus comprometeu-se a introduzir no coração dos seres humanos um novo princípio – o ódio ao pecado, ao engano, à presunção, a tudo que trouxesse as marcas da traição de Satanás” (Manuscritos 72, 1904). Bom, você poderia perguntar: qual seria a relação de uma vida transformada com a mensagem do sábado? Como bem expressou o autor da lição “No centro dessa tarefa estão a santidade e o caráter dos que proclamam a mensagem”. O sábado bíblico ao ser aplicado na vida cristã, Deus, através desta obediência realiza em nossas vidas a separação legítima impregnada nos princípios deste mandamento. A santidade do sábado representa e apresenta o caráter do Deus que o estabeleceu e o ideal a ser buscado pelos que se propõem inserir em suas vidas este mesmo princípio. Ser leal a Deus erguendo a bandeira do dia separado por Deus significa representá-Lo em todos os sentidos da vida, inclusive no caráter. Significa ser embaixador do Céu aqui na Terra. Um embaixador normalmente defende e vive os princípios e valores de sua nação. Desta forma, Deus não pede menos dos seus filhos. Como bem ilustrou Paulo “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17). White declara que “Dado ao mundo como sinal do Criador, o sábado é também o sinal de Deus como nosso santificador. O poder que criou todas as coisas é o que torna a nos restaurar à Sua própria semelhança. Para os que guardam o sábado, esse dia é o sinal da santificação A verdadeira santificação consiste na harmonia com Deus, na imitação de Seu caráter” (Testemunhos para a Igreja, v.6, p. 349, 350).


Quinta-feira e Sexta-Feira
Descansando na Redenção
(Mateus 11:28-30)

O sábado não representa apenas a lealdade e a verdadeira santificação, mas, antes disso, representa em sua mais pura essência a graça redentora de Cristo. Perceba que, Adão e Eva foram criados no sexto dia, e isto significa que o primeiro dia de existência deles foi especificamente no sábado. O primeiro dia de vida foi em descanso sabático. Isto pode sugerir que as obras vêm depois de uma vida descansada em Cristo em sua graça maravilhosa. Para nós, hoje, sustenta-se o mesmo princípio, além da libertação do cansaço, muitas das vezes escravatórios da semana.

A respeito do império romano, existe uma frase muito curiosa que diz que todas as estradas davam à Roma. Da mesma forma, no mandamento sabático há muitos princípios e doutrinas interligados. Por exemplo: (1) o sábado é um sinal de repouso na graça; (2) é um sinal de santificação; (3) é um sinal do cuidado paterno de Deus; (4) é um sinal de propriedade de Deus, ou seja, de pertencimento ao Criador; (5) é um sinal de lealdade; (6) é um sinal de fé e submissão; (8) é um sinal ou verdadeiro dia da família instituída por Deus; (9) e será um sinal de verdadeira adoração no conflito final envolvendo os que adoração a Deus e os que adoram a besta.

Além do mais, o sábado foi um presente dado a Deus para nossa felicidade e descanso. Para os que entendem sobre computador, seria como um meio de desfragmentar a vida ou reiniciá-la novamente, preparando-nos para mais uma nova fase de batalha diária. Existe um vazio inserido pelo Espírito Santo no coração humano que só Deus é capaz de preenchê-lo, e o sábado exerce o papel de contribuir ou ajudar nesse encontro e preenchimento deste vazio. O detalhe é que, o descanso sabático é um templo no tempo que nos reúne com Deus proporcionando um grandioso encontro entre as criaturas e o criador. Não há nada de especial no sábado em si, e não há nada que o diferencie dos demais dias da semana se não fosse o fato de Deus ter “descansado, abençoado e santificado” o dia do sábado (Gn 2:1-3). Estes três atos de Deus é que o torna diferente e especial. Mas o sábado somente é especial por causa dos que são diretamente afetados por este descanso – nós, seres humanos.


Leitura Adicional


Fonte: http://gilbertotheiss.blogspot.com


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