Estudos Bíblicos: Adoração – Lição 01 – Adoração em Gênesis: Duas Classes de Adoradores

Comentários de Gilberto G. Theiss


Texto Central: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E temendo, disse: Quão temível é esse lugar! É a casa de Deus, a porta dos Céus”. (Gênesis 28:16 e 17)


Sábado

O conflito entre o bem e o mal começou no Céu. Lúcifer desejou a adoração que pertencia ao único digno de ser adorado – Deus. Este conflito desceu para a Terra e Adão e Eva viveram sob este dilema. Lúcifer, agora Satanás, quebrou o elo que existia entre Deus e nossos primeiros pais humanos criando no meio deles sua própria adoração. Este elo quebrado trouxe consequências desastrosas estabelecendo na terra dois tipos de adoradores. Caim e Abel são uma demonstração clara de verdadeira e falsa adoração. Os que adoram a Deus são vistos pelo exemplo de Abel por sua disposição de oferecer a Deus exatamente aquilo que Ele deseja e pede. No caso de Caim, vemos a demonstração clara dos que servem a Deus, muitas das vezes com o melhor que possuem, porém, desprovidos da verdadeira essência da adoração – a vontade de Deus acima da nossa.

O conflito permanece ainda em nossos dias. Estas duas classes de adoradores existem em nosso meio. É importante ressaltar que, a adoração envolve pessoas dispostas a adorar. No entanto, a diferença entre ambos se prende na maneira de como adoram. Um adora a Deus moldando sua vida à vontade dEle. Outros adoram a Deus moldando-O aos gostos e desejos humanos.


Domingo
Adoração no Éden
(Gênesis 1; Gênesis 2:1-3; Gênesis 3:1-13)

No Éden, Deus era o centro da vida dos nossos primeiros pais humanos. Toda a devoção, razão de existência, todo louvor e gratidão eram oferecidos unicamente a YAHWÉH. O Senhor ocupava o primeiro e único lugar do pódio. Rotineiramente Adão e Eva caminhavam com Deus e ouviam Seus mais sublimes conselhos. Que privilégio o que estes primeiros seres da Terra desfrutavam. A alegria, a satisfação, o amor e confiança faziam parte de toda e solene vida de Adão e Eva e seus louvores e devoção ao Criador eram sublimes, constantes e total. A designação de paraíso não era apenas pela beleza exuberante do local, mas, principalmente pela mais excelsa pureza de amor, devoção e felicidade que Adão e Eva, naquele contexto, podiam devotar a Deus em seus relacionamentos e vivência com o Senhor. Tudo era majestoso e belo, mas nada podia ser mais majestoso do que a nítida e palpável presença dAquele que era responsável por todos os cuidados, bênçãos, amor, simpatia e existência. Os anjos constantemente visitavam aquele ambiente sem nenhum tipo de restrição. Eles também caminhavam com Adão e Eva pelo Éden e juntamente com eles, com grande alegria ofereciam louvores de adoração e amor para com o Seu Criador (História da Redenção, p. 31). É muito difícil descrever as cenas da adoração no Éden, pois ela era tão perfeita que nossa mente é incapaz de vislumbrar o que foi esta sublime realidade. Apenas sabemos que o egoísmo de Caim, a soberba dos filhos de Eli, as imprudências de Davi e a insanidade das adorações pagãs não faziam parte deste ambiente puro e cheio de verdade. Como diz a letra de uma música muito conhecida: “Deus, somente Deus”. Somente Deus era o centro de todas as coisas e somente Ele era o alvo de todas as nossas devoções mais significativas. Inclusive o sábado bíblico desempenhava o seu nobre papel de ser um memorial da existência do mundo, mas especialmente da existência de todos os seres humanos.


Segunda
Adoração Fora do Éden
(Gênesis 4:1-7)

A adoração no Éden deve ter sido extremamente significativa, pois nela não havia contaminação nenhuma com o pecado. Após a queda, quando se fala em adoração contaminada com o pecado, vemos nitidamente uma ação totalmente permeada de egoísmo e orgulho. Podemos melhor entender este dilema no exemplo de um presente egoísta. Este tipo de presente é aquele onde o namorado oferece um perfume à namorada de acordo com o seu próprio gosto e não de acordo com o gosto dela. Na adoração manchada com o pecado, é justamente o que acontece. Oferecemos nossa vida a Deus, nossos dons, nossos recursos e nosso tempo, porém, muitas das vezes, ou oferecemos a Ele somente o que sobrou de nós ou, ao contrário do que Deus deseja, oferecemos o que nós desejamos.

A adoração no Éden também pode ser vista pela ótica de que, Deus era o único ser que recebia todo o afeto, louvor e honra de Adão e Eva. No entanto, o pecado desfigurou esta situação e destronou Deus de sua real e digna posição. Hoje, a afeição e louvor humanos têm sido desviados para coisas, objetos, pessoas e para nós mesmos.

Entretanto, o mais importante princípio que permeia a adoração fora desfigurado e a mais sublime ação fora quebrada. O relacionamento com Deus, o caminhar com Ele no Éden e a entrega absoluta diária deixaram de existir. O amor, a confiança e a devoção ao Criador foram transformados em medo, desconfiança e insensibilidade à sua existência e propósitos. Enfim, a mais significativa adoração era aquela que oferecia-se a própria vida. Em um sentido mais exato, nosso convívio, louvor, pensamentos, comportamentos e nossas palavras refletidas nos princípios estabelecidos pelo Criador eram uma evidência fortíssima da única e verdadeira adoração. Esta é a adoração que Deus requer de nós hoje.


Terça
Duas Classes de Adoradores
(Gênesis 4:25-26; Gênesis 6:1-8; Gênesis 8:20)

No princípio, após a morte de Abel, vemos nitidamente dois grupos de pessoas muito diferentes. Sete e seus descendentes, enquanto permaneciam separados da geração de Caim, viviam em plena conformidade com a soberana vontade de Deus. Eles guardavam os mandamentos de Deus, honravam e adoração ao Senhor da maneira como foram orientados por Adão e estavam conscientes de suas obrigações perante o Pai celestial quanto aos deveres de uma vida pura e correta. No entanto, não demorou muito até que, através do jugo desigual começaram a perder toda e qualquer virtude que mantinham até o momento. As filhas da geração de Caim pareciam-lhe mais bonitas e atraentes e este encanto proibido lhes foi fatal para suas quedas. É aquela velha ladainha de sempre – o pasto do vizinho é sempre mais verde.

O pecado, misteriosamente, consegue tornar aos nossos olhos, tudo o que é proibido, mais saboroso e profundamente tentador. A atração pelo que é proibido parece torna-lo mais atraente, prazeroso e irresistível. Mas, tudo isto é apenas sedução, jogo de hipnótica e visão de ótica. Eva, no Éden, foi hipnotizada por Satanás e muitos, ou melhor, quase todos de nossa geração estão sendo também enfeitiçados e hipnotizados pelo poder de Satanás através da sedução pelo prazer do pecar.

Depois que a geração de Sete se uniu a geração de Caim através da falsa ilusão de que o pasto do vizinho era mais verde, ou seja, as mulheres lhes eram mais atraentes e belas, Satanás conseguiu segurar parte desses descendentes em seus enganos. Foram envolvidos pela cultura estabelecida pela geração de Caim e não mais possuíam discernimento da verdade. Se juntaram a essa geração corrupta e mesclaram suas vidas religiosas com os desvalores da religiosidade pagã. Neste caso em específico, duas classes de adoradores são claramente observáveis. Nem todos os povos de Sete se enveredaram para este engano, pois, alguns poucos homens e mulheres ainda permaneceram firmes e fiéis ao Deus verdadeiro. Continuaram sua jornada de fidelidade ignorando e se virando contra o pecado. Entretanto, a geração perdida de Caim seguiu seu caminho ignorando a vontade e o amor de Deus, fazendo de suas vidas o que bem entendem e seguindo suas próprias falsas concepções religiosas. Isto perdurou até o dia da destruição, pois a conduta deste povo era terrivelmente má perante os fiéis e principalmente perante Deus. Em nossos dias estas duas classes existem fora e dentro da igreja. Infelizmente, mesmo que no circulo religioso esta tem sido uma realidade muito infeliz e triste. No entanto, dentre tantos perversos, Deus encontrou Noé e sua família como sendo-lhe fiel e oferecendo-lhe a verdadeira adoração. Este nobre homem prontamente montou um altar e ali fez o verdadeiro sacrifício ao Senhor. Assim como naquele tempo, hoje, Deus tem seus verdadeiros adoradores que, como Noé, em meio a uma multidão de falsos adoradores, estão dispostos a permanecerem fiéis até o fim a ponto de, se necessário, dar suas próprias vidas pelo evangelho puro e imaculado – Jesus Cristo.


Quarta
A Fé Demonstrada por Abraão
(Gênesis 12:1-8; Gênesis 22:1-18)

Abraão, talvez um dos nomes mais conhecidos em toda a Bíblia. Muito bem Conhecido por Judeus, Cristãos e Muçulmanos, ganha posição de destaque nas principais religiões do mundo. Este grande homem foi chamado por Deus devido sua sensibilidade em servi-lo e amá-lo. Em seu tempo, havia muitas crenças diversas e sacrifícios variados com objetivos de adorar algum deus daquela época. Abraão quando recebeu o chamado de Deus, prontamente atendeu e seguiu rumo a uma terra que ele não conhecia, mas se deslocou pela fé. Foi submetido a provas das mais duras que um homem poderia suportar. Com exceção a algumas situações específicas, seus erros apenas serviram para lhes trazer maior maturidade espiritual e maior resistência contra o pecado. Sua maior demonstração de fé, sem dúvida alguma, não foi no início de sua jornada com Deus, mas um pouco mais adiante, quando Deus lhe pediu que sacrificasse seu amado filho. Naquele tempo era comum entre as religiões pagãs o sacrifício de crianças aos deuses. E como ironia do destino, Deus pediu que Abraão fizesse o mesmo para Ele. Com extrema dor e intenso sofrimento levou o filho até o monte, e lá, além de aprender, ensinou a nós a maior lição de todas já vistas. Por esta experiência, ele aprendeu e ao mesmo tempo nos ensina uma lição muito valiosa, que, o único meio de seguirmos a Deus verdadeiramente é oferecer-Lhe somente aquilo que ele deseja, gosta e pede em Sua palavra. Além do mais, junto com esta verdade, o fato que somente por intermédio do sacrifício de Cristo é que podemos alcançar graça diante de Deus. O anjo do Senhor segurou a mão de Abraão impedindo-o de dar sequência ao sacrifício que não traria nenhum tipo de remissão, pois o verdadeiro sacrifício humano já fora feito antes mesmo da fundação do mundo (1 Pe 1:18-20).

Esta narrativa é uma das mais intrigantes, pois, se Deus pedisse algo aparentemente escrupuloso para os cristãos de hoje, como pediu a Abraão, como seria suas reações? Em uma geração de cristãos que comumente oferecem a Deus seus gostos pessoais e aquilo que acham e pensam, não é difícil de entender qual seria a atitude ou resposta deles. Abraão deu o maior testemunho de fé que alguém poderia dar, por esta razão ele foi chamado de o pai da fé.


Quinta e Sexta
Betel, a Casa de Deus
(Gênesis 28:10-22)

Betel possui um significado mais do que especial. Na experiência de Jacó, em sua visão dos anjos subindo e descendo, ali, pode ele, impressionado pela visão, fazer um pacto de fidelidade com Deus. Sua experiência tornou este lugar em um ambiente marcante e decisivo. Para nós em pleno século XXI a experiência de Jacó, de desespero e solidão, pode ser a nossa própria experiência. Quantos hoje precisam passar por experiências como as de Jacó para receber uma visão clara da grandeza espiritual do reino celeste e de Deus, e assim, fazer desta experiência um símbolo de sua fidelidade definitiva para com Deus? Talvez não tenhamos a mesma experiência real de ter visto anjos descendo e subindo até o Céu, mas, infelizmente, tem sido os piores momentos de nossa vida que tem clareado nossos olhos para entender o quanto somos dependentes do Senhor. Ellen White faz um lindo comentário a este respeito e, se possível, que lê-se muitas vezes: “Enquanto Jacó estava assim prostrado e atribulado, o Senhor teve compaixão dele e o orientou para que fosse a Betel. Com a menção desse nome, o patriarca foi lembrado não apenas de sua visão dos anjos, subindo e descendo, e de Deus sobre eles pronunciando palavras de conforto, mas também do voto que havia feito ali, de que, se Deus o guardasse e abençoasse, o Senhor seria o seu Deus. E ele refletiu assim: Tenho sido tão fiel a minha promessa como Deus foi fiel à Sua? Ele viu e sentiu a necessidade de ser mais íntegro e decidiu com sua família afastar tudo o que tivesse sabor de idolatria. Decidiu limpar o acampamento, a fim de que sua família chegasse ao lugar sagrado livre de corrupção. Então, ele se ergueu e se dirigiu a eles: ‘Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa. Venham! Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da minha angústia e que tem estado comigo por onde tenho andado'” (Gn 35:3; Signs of the Times, 4 de dezembro de 1879).


Leitura Adicional


Fonte: http://gilbertotheiss.blogspot.com


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