Unidos em Adoração – Parte 8 – Adoração na Casa de Deus

por: Ellen G. White

O que significa comparecer à presença de um Deus Santo

“O Senhor, porém, está em Seu Santo templo; diante dEle fique em silêncio toda a Terra.” (Habacuque 2:20, NVI)*

Para a alma crente e humilde, a casa de Deus na Terra é como que a porta do Céu. Os cânticos de louvor, a oração, a palavra ministrada pelos embaixadores do Senhor são os meios que Deus proveu para preparar um povo para a assembléia lá do alto, para aquela reunião sublime à qual coisa nenhuma que contamine poderá ser admitida.

Da santidade atribuída ao santuário terrestre, os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde o Senhor Se propõe encontrar-se com Seu povo. Houve uma grande mudança, não para melhor mas para pior, nos hábitos e costumes do povo em relação ao culto religioso. As coisas sagradas e preciosas, destinadas a ligar-nos a Deus, estão quase perdendo sua influência sobre nossa mente e coração, sendo rebaixadas ao nível das coisas comuns. A reverência que o povo antigamente revelava para com o santuário onde se encontrava com Deus, em serviço santo, quase deixou de existir. Entretanto, Deus mesmo deu as instruções para Seu culto, elevando-o acima de tudo quanto é terreno.

A casa é o santuário da família; e o aposento particular ou o bosque o lugar mais recôndito para o culto individual; mas a igreja é o santuário da congregação. Devem existir aí regulamentos quanto ao tempo, lugar e maneira de adorar. Nada do que é sagrado, nada do que está ligado à adoração a Deus, deve ser tratado com negligência ou indiferença. …

Quando os adoradores entram na igreja devem guardar a devida compostura e tomar silenciosamente seu lugar. … Conversas vulgares, cochichos e risos não devem ser permitidos na igreja, nem antes nem depois das reuniões. Ardente e profunda piedade deve caracterizar os adoradores.

Se faltam alguns minutos para o começo do culto, devem eles entregar-se à devoção e meditação silenciosa, elevando a alma em oração a Deus a fim de que a adoração se torne para eles uma bênção especial e produza convicção e conversão em ouras almas. Devem lembrar-se de que estão presentes ali mensageiros do Céu. Perdemos geralmente muito da suave comunhão com Deus pela nossa inquietação, por não promovermos momentos de reflexão e oração. O estado espiritual da alma necessita muitas vezes ser passado em revista, e a mente e o coração serem elevados ao Sol da Justiça. Se ao entrar na casa de adoração, o povo o fizesse com a devida reverência, lembrando-se de que se acha ali na presença do Senhor, seu silêncio redundaria em testemunho eloqüente. Os cochichos, risos e conversas, que se poderiam admitir em qualquer outro lugar, não devem ser permitidos na casa em que Deus é adorado. A mente deve estar preparada para ouvir a Palavra de Deus, a fim de que esta possa exercer a devida influência e impressionar adequadamente o coração.

A influência da oração – O pastor deve entrar na casa de oração com uma compostura digna e solene. Chegado ao púlpito, deve inclinar-se em silenciosa oração e pedir fervorosamente o auxílio de Deus. … Uma profunda solenidade se apodera de todos, e os anjos de Deus são trazidos para bem perto. Cada um dos congregados deve também, de cabeça inclinada, unir-se ao pregador em silenciosa oração, e suplicar a Deus que abençoe a reunião com Sua presença, imprimindo poder à palavra ministrada por lábios humanos.

Ao ser aberta a reunião com oração, todos devem ajoelhar-se na presença do Altíssimo e elevar o coração a Deus em silenciosa devoção. As orações dos fiéis adoradores serão ouvidas e o ministério da palavra provar-se-á eficaz. … Todo o culto deve ser efetuado com solenidade e reverência, como se fora feito na visível presença do próprio Deus.

Quando a palavra é exposta, vocês devem lembrar-se… de que é a voz de Deus que lhes está falando por meio de Seu servo. Escutem com atenção. Não dormitem nessa hora; porque assim fazendo é possível que lhes escapem nesse momento justamente as palavras que mais necessitam ouvir – palavras que, atendidas, os livrariam de enveredar por algum caminho errado. Satanás e seus anjos estão ativos, criando uma espécie de paralisia dos sentidos, de modo a não serem ouvidas as admoestações, advertências e repreensões; ou, se ouvidas, não terem efeito sobre o coração, transformando a vida. Às vezes é uma criança que desvia de tal modo a atenção dos ouvintes, que a semente preciosa não cai em terreno fértil para produzir fruto. Outras, são moços e moças que revelam tão pouco respeito pela adoração e pela casa de Deus, que se entretêm a conversar durante a pregação. Se estes pudessem perceber os anjos que os estão observando e anotando seu procedimento, corariam de vergonha com raiva de si mesmos. Deus quer ouvintes atentos. Foi enquanto os homens dormiam que Satanás aproveitou para semear o joio.

Ao ser pronunciada a bênção, todos devem conservar-se quietos, como temendo ficar privados da paz de Cristo. Saiam então todos sem se atropelar e evitando falar em voz alta, sentindo que estão na presença de Deus e lembrando-se de que Seus olhos repousam sobre todos e devem agir como se estivessem em Sua visível presença. Ninguém deve deter-se nos corredores para encontros e tagarelice, impedindo a passagem aos outros que buscam a saída. Os arredores imediatos da igreja devem caracterizar-se por uma sagrada reverência, evitando os crentes a fazer deles lugar de encontro com os amigos, a fim de trocarem frases banais ou tratarem de negócios. Tais coisas não convêm na casa de Deus. Deus e os anjos têm sido desonrados em algumas igrejas pelas risadas barulhentas e irreverentes e o ruído dos pés. …

Reverência quase extinta – É um fato deplorável que a reverência pela casa de Deus esteja quase extinta. As coisas e lugares sagrados quase já não são discernidos; as coisas santas e elevadas não são apreciadas. Não haverá uma causa para essa falta de legítima piedade nas famílias? Não será acaso por que a elevada norma da religião esteja abatida até ao pó? Deus deu a Seu povo na antigüidade procedimentos precisos e exatos. Porventura Seu caráter foi mudado? Não é mais o Altíssimo e Todo-Poderoso que domina sobre o Universo? Não conviria lermos com freqüência as instruções que Deus mesmo Se dignou dar aos antigos hebreus para que nós, que temos a verdade gloriosa radiando sobre nós, os imitemos em sua reverência para com a casa de Deus? Temos motivos de sobra para alimentar espírito de fervor e devoção na adoração a Deus. Temos até motivos para ser mais ponderados e reverentes em nosso culto do que os judeus. Mas um inimigo tem estado a trabalhar, a fim de destruir nossa fé na santidade da adoração cristã. …

Os jovens devem ser educados e elevar em seu conceito o caráter das coisas sagradas e a praticar a verdadeira devoção na casa de Deus. Muitos dos que professam ser filhos do celeste Rei não apreciam devidamente a santidade das coisas eternas. Quase todos precisam ser ensinados como se portar na casa de Deus. Os pais devem não só ensinar, como exortar os filhos a entrarem no santuário divino com seriedade e reverência.

O sentimento moral dos que adoram a Deus no Seu santuário tem de ser elevado, apurado e santificado. Esse assunto tem sido deploravelmente negligenciado. Sua importância tem sido passada por alto e como resultado, desordem e irreverência passaram a imperar e Deus é desonrado. Se os líderes das igrejas, pastores e povo, pais e mães, não têm idéias elevadas a este respeito, que poderão esperar de crianças inexperientes? Estas são muitas vezes encontradas em grupos, afastadas dos pais que deviam tomar conta delas; e embora se encontrem na presença de Deus, cujos olhos sobre elas repousam, são levianas e frívolas, põem-se a cochichar e a rir, portando-se inconvenientemente, e mostrando-se desrespeitosas e desatentas. Raras vezes são instruídas que os pastores são embaixadores de Deus, que a mensagem que pregam é o meio por Ele determinado para a salvação de almas e que para todos os que têm o privilégio de ouvir constitui um cheiro de vida para vida ou de morte para morte.

A delicada e impressionável mente dos jovens avalia o trabalho dos servos de Deus pela maneira como seus pais tratam o assunto. Muitos chefes de família têm por costume criticar em casa o culto, aprovando umas poucas coisas e condenando outras. Deste modo a mensagem de Deus… é criticada e posta em dúvida e tratada levianamente. Que impressões são produzidas por essas observações imponderadas e irreverentes, só os livros do Céu o poderão revelar. Os filhos vêem e compreendem estas coisas muito mais facilmente do que imaginam os pais. Ao seu senso moral é assim dada uma orientação errada que o tempo nunca conseguirá retificar de todo.

Os pais muitas vezes se queixam da dureza de coração dos filhos e da dificuldade que têm em convencê-los de seu dever de atender às exigências divinas. Os livros do Céu registram, entretanto, com toda a precisão a legítima causa. Os pais não estavam convertidos. Não estavam em harmonia com o Céu nem com a obra do Céu. Suas idéias estreitas e mesquinhas acerca da santidade do ministério e do santuário de Deus foram entretecidas na educação dos filhos. É de duvidar que alguém que viveu sob a atmosfera corrupta de tal educação, consiga desenvolver a verdadeira reverência e respeito pelo ministério de Deus e pelos instrumentos por Ele destinados para a salvação de pecadores. Acerca dessas coisas se deve falar com respeito, em linguagem conveniente e com muito escrúpulo, a fim de mostrar às pessoas que nos ouvem que consideramos a mensagem dos servos do Senhor como a nós envida pelo próprio Deus.

Pais, vejam que exemplo e idéias dão a seus filhos! Sua mente é plástica e as impressões ali se fazem com a maior facilidade. Se, durante o culto de adoração no santuário, o pregador comete algum erro, guardem-se de referir-se a ele. Falem apenas das coisas boas que fez, das excelentes idéias que apresentou, e que devem aceitar como vindas de um instrumento de Deus. Pode-se compreender facilmente porque as crianças são tão pouco impressionadas pelo ministério da palavra e porque manifestam tão pouca reverência pela casa de Deus. Sua educação a esse respeito tem sido defeituosa. Os pais carecem da comunhão diária com Deus. Suas próprias idéias necessitam ser elevadas e enobrecidas; seus lábios precisam ser tocados com a brasa viva do altar; então seus hábitos e práticas em casa hão de produzir bom impressão sobre o espírito e caráter dos filhos. A norma religiosa será grandemente elevada. Nestas condições, os pais farão uma grande obra para Deus. Verão desaparecer cada vez mais de seu lar o mundanismo e a sensualidade, e a pureza e a fidelidade aumentarão. Sua vida se revestirá de uma solenidade que mal poderão conceber. Nada do que se refere à adoração a Deus será considerado comum.

A aparência afeta a atitude reverente – Sinto-me muitas vezes penalizada quando entro na casa em que Deus é adorado e noto ali homens e mulheres em trajes desordenados. Se o coração e o caráter se revelassem pelo exterior, nada de divino deveria haver nessas pessoas. Não têm exata compreensão da ordem, da decência e do decoro que Deus exige dos que se chegam à Sua presença a fim de adorá-lo. Que impressões essas coisas hão de fazer sobre os incrédulos e os jovens que têm discernimento perspicaz e estão prontos a tirar suas conclusões?

No entender de muitos não há maior santidade na casa de Deus do que em qualquer outro lugar dos mais comuns. … Por causa de sua irreverência na atitude, no traje, e comportamento, e sua falta de verdadeiro espírito de adoração, Deus muitas vezes tem afastado Seu rosto dos que se acham reunidos para adorar.

Todos devem ser ensinados a trajar-se com asseio e decência, sem, porém, se esmerarem no adorno exterior que é impróprio para o santuário. Não deve haver ostentação de vestuário pois isso provoca irreverência. … Deus deve ser o objeto de nossos pensamentos e de nossa adoração; qualquer coisa tendente a desviar a mente de Seu culto solene e sagrado constitui uma ofensa a Ele. …

Quando uma igreja for edificada e deixada na ignorância acerca desses pontos, o pastor negligenciou seu dever, e terá de dar conta a Deus pelas impressões que deixou prevalecer. A menos que aos crentes sejam inculcadas idéias precisas acerca da verdadeira adoração e da verdadeira reverência, prevalecerá entre eles uma crescente tendência para nivelar o que é sagrado e eterno ao que é comum. E os que professam a verdade serão uma ofensa a Deus e uma lástima para a religião. Com suas idéias destituídas de cultivo jamais poderão apreciar um Céu puro e santo, e estar preparados para se associarem aos adoradores de Deus nas cortes celestiais, onde tudo é pureza e perfeição, e onde toda criatura demonstra absoluta reverência a Deus e Sua santidade.

(Extraído de Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, págs. 491-500 – em preparo para publicação).

*Este texto bíblico foi acrescentado, não se encontra na citação do livro Testemunhos Para a Igreja.


Perguntas para debate
1. Que aplicação devemos fazer hoje do apelo de Ellen G. White quanto à reverência?
2. Que é reverência? Que envolve ela? Seria toda conversa ou barulho na igreja classificado como irreverência?
3. Como devemos considerar nossa responsabilidade pessoal de ser exemplos de reverência?


Ellen G. White figura entre os pioneiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Sua obra continua sendo uma voz profética entre os Adventistas.


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Fonte: Revista Adventista (Casa Publicadora Brasileira) Nº 10. Outubro, 2002. Ano 98. págs. 22 a 24.