Panorama Atual da Música Religiosa – Parte I

por: Dr. Harold Lickey [1]


Existem certos tipos e estilos de música incompatíveis com a verdadeira espiritualidade. Que espécie de música deve ser evitada? Quais são os princípios básicos a serem levados em conta? Este artigo traduzido pelo Prof. Harry Bennett Jr. traz importantes conselhos do Espírito de Profecia.


Sempre houve variedade de opiniões e gostos com respeito à música e seu uso para os muitos propósitos na igreja. Muito antes da Reforma Protestante os pais da Igreja já lutavam para manter a pureza da música da Igreja contra o que eles consideravam ser elementos seculares. A história da música religiosa apresenta um movimento pendular entre austeridade e inovação. O que há na atual situação, que concentra tão vivamente nossa atenção sobre esse tema?

Vamos especificar. Tem sido aceito, pela maioria dos Adventistas do Sétimo Dia deste século, que algumas formas de música são impróprias para o cristão apresentar ou apreciar, seja dentro ou fora da Igreja. Este conceito baseia-se em diretrizes das Escrituras e do Espírito de Profecia referentes à separação do mundo. “Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e Eu vos receberei” (II Coríntios 6:17). E então:

“É desígnio de Deus manifestar por meio de Seu povo os princípios de Seu reino. A fim de que lhes seja possível revelar esses princípios na vida e no caráter, Ele os deseja separar dos costumes, hábitos e práticas do mundo. Os adventistas, acima de todos os povos, devem ser modelos de piedade, puros de coração e de linguagem”. – Ellen White[2] . – Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 289.

Ainda mais, tem sido indicado que Satanás emprega a música, uma das suas armas mais sutis e sedutoras, para manter o povo absorvido pelo mundo (ver Mensagens aos Jovens, p. 295). Certas frases dão uma idéia do tipo de música que deve ser evitado. “Canção frívola, própria para um salão de baile”, “canções frívolas e os sucessos populares do dia”, “valsas frívolas”, “canções baixas”, e outras expressões semelhantes foram usadas por Ellen White para indicar música perigosa, incompatível com a vida cristã levada a sério. Embora a maioria dos adventistas não conheça este material por si mesmos, eles têm uma vaga noção sobre o assunto “por ouvir dizer”. Durante os últimos cinqüenta anos, mais ou menos, houve sempre alguns tipos de música “religiosa” com características, até certo grau, dos estilos levianos, seculares, de “show” e teatro musical. Como em séculos passados, alguns líderes da igreja têm censurado e condenado esta prática, geralmente com pouco resultado. Muitos ainda se lembram do estilo romântico de canções como “Stardust” e “Laura”. Um cântico evangelístico escrito no mesmo estilo que se tornou bastante popular foi “Overshadowed” (“Coberto Estou com Seu Grande Amor”). Embora em nossos dias as incursões da música popular dentro da igreja continuem ocorrendo de maneira semelhante, alguma coisa em nossa situação atual tem gerado uma sensação de crise na atmosfera[3] .

A presente controvérsia sobre música de igreja (usando o termo em sentido amplo), começou a se agravar em meados da década de 60, quando a música religiosa em estilo folclórico recebeu apoio institucional entre nós. Ao viajar pelo país, muitos me perguntavam o que eu achava do novo fenômeno. Pessoas, amantes da música, estavam preocupadas quanto a aderir ou não a esse novo tipo de música. Uma inundação de discos começou a invadir nossas livrarias, à medida que as notícias se espalhavam, de que música folclórica, com uma certa dose de ritmo, agora era lícita para apreciar aos sábados. Daí para cá, as barreiras foram tombando e os primeiros cânticos folclóricos introduzidos tornaram-se suaves ante as músicas atualmente usadas.

A idéia de que certos tipos ou estilos de música são incompatíveis com a verdadeira espiritualidade, já está sendo denominacionalmente abandonada. Membros da igreja já aceitaram a liderança daqueles que estão em posição de estabelecer tendências e normas de procedimento. Esta aceitação tem sido tão entusiástica que grandes somas têm sido gastas liberalmente para manter e patrocinar, em tempo integral, executantes de música “evangelística” popular.

Muitas vozes já se levantaram, nos Estados Unidos[4] , demonstrando preocupação. Mas a aprovação da atual tendência musical de nossa denominação está longe de ser universal. Muitos crêem que chegamos à hora de uma crise séria. Particularmente, vejo a música como apenas uma parte de um quadro bem maior de nossa atual posição como um povo. Nesta altura devo afirmar que um fato em questão aqui é a nossa confiança nos conselhos do Espírito de Profecia e sua prática. Nas centenas de discussões que tive sobre o assunto em anos recentes, ainda não encontrei alguém que conheça bem o que Ellen White tem a dizer sobre este tema e outros correlatos, a não ser um ou dois colegas. Nossa tarefa seria muito mais difícil sem os seus conselhos.

Durante muitos anos a serviço da música denominacional, tenho procurado adquirir todo o conhecimento possível sobre o emprego da música em todos os seus aspectos. Todas as referências da Bíblia e do Espírito de Profecia foram estudadas e reestudadas. Nestes últimos anos temos sentido a necessidade de estudo ainda mais intensivo e amplo. Recentemente tive o privilégio de fazer uma revisão cuidadosa dos fundamentos nos quais baseamos o nosso avanço evangelístico do mundo ao nosso redor. Senti-me especialmente recompensado pelo estudo meticuloso dos livros Evangelismo, Obreiros Evangélicos, Serviço Cristão e Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes. Com tempo e espaço tão limitados, não poderia nem começar a esboçar os resultados do tempo gasto nesta pesquisa.

Procurando pôr em prática alguns dos princípios básicos encontrados nessas fontes, consideremos este importante conselho:

“Aqueles que buscam saber a verdade e compreender a vontade de Deus, que são fiéis à luz revelada e zelosos no desempenho dos seus deveres diários, certamente conhecerão a doutrina, pois serão conduzidos a toda a verdade”. – Testimonies for the Church, vol. 3, p. 427.

Um dos mais claros ensinamentos que provêm da inspiração divina é que o povo de Deus deve ser diferente. Em I João 2:15-17 lemos:

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”.

Uma segunda característica marcante dos representantes de Deus no mundo é a sua grande reverência pelas coisas sagradas, unida a uma acentuada sensibilidade em perceber a diferença entre o santo e o profano. A importância dada por Deus a tais assuntos foi deixada clara no relato bíblico da experiência de Nadabe e Abiú. Estes homens desventurados ofereceram diante do Senhor fogo estranho e foram imediatamente destruídos. Moisés falou em Levítico 10:10: “Para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”. Estes homens perderam suas vidas para que Israel pudesse aprender esta importante lição.

A maneira pela qual nos aproximamos dEle e a atitude que demonstramos ao falar nEle será determinada pelo nosso conceito da natureza de Deus. Lembramo-nos da experiência de Moisés na sarça ardente, e nos é dito que os anjos encobrem o rosto ao proferir o nome de Deus.

A maravilhosa consideração deste exaltado conceito de Deus e de Sua natureza, não nos deve impedir de manter um relacionamento profundo, íntimo e pessoal com Ele. Devemos lembrar ainda que o Filho teria pago o grande resgate que efetuou por qualquer um de nós, mesmo que fôssemos o único que dele necessitasse!

Se aceitamos estas características como tendo base nos princípios sólidos da Bíblia e do Espírito de Profecia, então procuraremos relacionar com eles todos os aspectos da nossa experiência. Tradicionalmente, os adventistas têm considerado a chamada música “popular” como sendo do mundo. Sem entrar em grandes detalhes, creio que a maioria de nós tem uma boa concepção do tipo de música geralmente incluída no termo “popular”. Os mais velhos entre nós pensariam em termos de “ragtime”, depois “jazz” e “swing”. Mais tarde veio “be-bop”, “Negro rhythm blues”, “country-Western”, e o início do “rock and roll”. Na década passada o rock alcançou um grau de violência inimaginável. Esta violência atingiu o ponto máximo há alguns anos atrás; e embora o “rock” pesado ainda faça parte da cena atual, outras formas derivadas compartilham o foco de atenção hoje. Separação do mundo significa que estes tipos seriam impróprios para o cristão apreciar em qualquer ocasião.

Para isto nos baseamos em dois pontos. Primeiro: esta música tem sido julgada pelo ambiente onde é sempre usada. Seu habitat natural são os centros mundanos de diversão, desde o bordel à boate e ao salão de dança. Isto representa um próspero ramo de negócios musicais. Uma das mais severas advertências que temos no Espírito de Profecia é concernente ao teatro com suas canções “baixas”, gestos licenciosos, e influência corruptora (ver Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 302). Segundo, a qualidade intrínseca dos sons (independente do texto) é considerada como apelante à natureza inferior do homem.

“Em todos os séculos, as tentações mais atraentes à natureza física têm sido mais bem sucedidas em corromper e degradar a humanidade”. – O Desejado de Todas as Nações, p. 86.

Características bem específicas dos três elementos básicos da música (melodia, harmonia e ritmo) são usadas para enfatizar as letras geralmente sensuais que sempre têm caracterizado a música popular. Este é um dos assuntos mais fundamentais com os quais estamos lidando. Examinemos um comentário inspirado para esclarecer como a música (mesmo sem letra) pode ser prejudicial em si mesma.

“Ninguém que O tenha como Salvador pessoal, irá desonrá-Lo perante outros, produzindo sons, de um instrumento musical, que afastem a mente de Deus e dos Céus para as coisas fúteis e insignificantes”. – Testimonies for the Church, vol. 1, p. 510. Desta afirmação concluímos claramente que a música instrumental sozinha (sem o texto) pode criar valores espirituais negativos. Isto contradiz diretamente as declarações feitas por muitos de que a música em si não possui potencial moral.

As seguintes palavras de Evangelismo (p. 508) nos dão mais discernimento: “Os que fazem do canto uma parte do culto divino, devem escolher hinos com música apropriada para a ocasião, não notas de funeral, porém melodias alegres e, todavia, solenes”. Podemos então verificar que a qualidade de uma melodia pode modificar a disposição do ouvinte ou do cantor. Ellen White simplesmente confirma o que o homem tem aceito intuitivamente por séculos de experiência. Ela diz que a música. “tem poder para subjugar as naturezas rudes e incultas; poder para suscitar pensamentos e despertar simpatia, para promover a harmonia de ação e banir a tristeza e os maus pressentimentos, os quais destroem o ânimo e debilitam o esforço”. – Educação, p. 167. Será necessário ainda afirmar que a música pode ser usada para efeitos menos desejáveis?

Realmente existe algo na perfeita união entre texto e música que eleva o poder das palavras a um nível completamente novo (faz com que as palavras alcancem um grau de poder muito mais elevado).

Para as coisas comuns de cada dia Deus deu palavras ao homem e o ensinou a falar. Deus fez poetas, criou a poesia para os sentimentos mais profundos revelar. / Mas para as alturas e profundidades que as palavras não podem alcançar Deus deu aos homens a música e ensinou a alma a cantar (Música e Louvor Batista, tradução p. 104).

É muito difícil tentar traduzir em palavras o poder especial que a música exerce, afetando completamente a natureza do homem, mas a grande maioria de nós já experimentou esse poder.

No campo da música popular, sempre houve apresentações instrumentais eficientes para atingir os ouvidos e provocar reações com muito êxito. Um movimento rítmico insistente e repetitivo combinado com efeitos orquestrais cuidadosamente calculados pode realmente “excitar” o ouvinte. Será realmente possível que um músico sensível e talentoso possa declarar honestamente que a música não é boa nem má, mas que tudo depende apenas o propósito para o qual é usada?

Em certo sentido, tudo o que foi dito até aqui, nos leva à fase final deste tema. O cristão deve possuir uma sensibilidade altamente desenvolvida para distinguir entre o que é comum e o que é sagrado. Estivemos considerando a responsabilidade do cristão em evitar os aspectos da música evidentemente vulgares e declaradamente maus. Um mais alto grau de discernimento é necessário para evitar confundir as coisas comuns, que podem ter uso legítimo em sua própria esfera, mas que são totalmente impróprias para propósitos sagrados. Somos aconselhados que esta parte da música do culto deve ser cuidadosamente dirigida, pois “ela é o louvor a Deus em cântico”. – Testimonies for the Church, vol. 9, p. 144.

Nas escolas dos profetas, “a arte da melodia sagrada era diligentemente cultivada. Não se ouviam valsas frívolas ou canções levianas que elogiassem o homem e desviassem de Deus a atenção; ouviam-se, porém, sagrados e solenes salmos de louvor ao Criador, que engrandeciam Seu nome e relatavam Suas obras maravilhosas. Deste modo, fazia-se com que a música servisse a um santo propósito: erguer os pensamentos àquilo que é puro, nobre e elevado, e despertar na alma devoção e gratidão para com Deus”. – Fundamentos da Educação Cristã, pp. 97, 98. Observe-se a referência ao tipo de música, bem como à origem do texto. Será que podemos fugir à conclusão de que devemos ter grande cuidado para evitar um uso da música que seja incompatível com um texto sacro?

Examinemos um pouco mais este problema de compatibilidade. As tendências da música religiosa atual geralmente não são combinações do comum (como mencionado acima) com o sagrado, mas principalmente do vulgar com o sagrado. Para alguém que aceita a posição dos que seguem estas tendências, qualquer estilo musical é aceitável num contexto religioso. Por isso, encontramos música completamente identificada com a nossa sociedade secular, moderna, hedonista, sendo combinada com letra que certo escritor caracterizou como “leite teológico desnatado”. Esta combinação é então promovida como a resposta às necessidades atuais do evangelismo, reavivamento e da juventude.

Esta prática vai de encontro aos princípios apresentados pela inspiração. Note-se isto: “Em seus esforços por alcançar o povo, os mensageiros do Senhor não devem seguir os costumes do mundo”. – Testimonies, vol. 9, p. 143. Há músicos em nosso meio usando os estilos desenvolvidos pelo mundo com objetivos completamente opostos à razão da nossa existência, e os estão usando para alcançar [com que fim?] e para comunicar (o que?) com o povo. A música de discoteca (tipo de boate, muito em voga nas principais cidades brasileiras, destinadas à faixa jovem. Só entram casais e o som é altíssimo) tem-se tornado a música do santuário em nome da “comunicação”. Se um jovem está “ligado” aos sons de um conjunto rock numa discoteca hoje à noite, como pode razoavelmente, alguém esperar que ele reaja diferentemente aos mesmos sons, amanhã à noite num restaurante ou outro lugar qualquer? Mas a letra é diferente, pode ser a resposta. Será que as regras do comportamento humano são anuladas tão facilmente? Digo um enfático “NÃO”.

Somos aconselhados que “nunca devemos rebaixar o nível da verdade a fim de obter conversos, mas precisamos procurar elevar o pecador e corrupto à alta norma da lei de Deus“. – Evangelismo, p. 137. Encontramos esta pergunta significativa em Jó 14:4: “Quem da imundícia poderá. tirar cousa pura? Ninguém”, e do sábio em Provérbios 6:28: “Andará. alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?”

Devemos relembrar, por uns momentos, os métodos de Satanás. “Satanás há de operar com seu poder enganador, para influenciar o coração e obscurecer o entendimento, a fim de fazer com que o mal pareça bem, e o bem, mal”. – Obreiros Evangélicos, p. 264. Dispomos de numerosos conselhos semelhantes, mas usarei mais um sobre este ponto, uma descrição perfeita dos métodos do inimigo:

“Satanás não entra imediatamente com suas tentações a descoberto. Disfarça-as com um aspecto de bem. Aos divertimentos e extravagância, mistura algumas coisas proveitosas, e as almas iludidas apresentam como desculpa o grande bem delas derivado. Esta é unicamente a parte enganadora. São as infernais artes do inimigo sob máscara. A sedução da alma dá um passo, ficando então preparada para dar o seguinte”. – Mensagens aos Jovens, p. 83.

Considerando que um passo conduz a outro, recapitulemos o rápido desenvolvimento deste fenômeno entre nós. Alguns dos discos lançados recentemente fazem a música, em estilo folclórico do Sul dos Estados Unidos na década de 60, parecer bastante branda. Vi, há pouco tempo, parte do programa de Oral Roberts na TV e não me surpreendi ao ver as elaboradas produções musicais copiadas diretamente da Broadway e outros “shows” musicais. A diferença estava apenas na linguagem e o vestuário mais modesto dos jovens envolvidos. Nós, adventistas, estamos há apenas um passo das mesmas coisas. Talvez caiba aqui uma advertência muito oportuna.

Nem um jota nem um til de qualquer coisa teatral deve aparecer em nossa obra. A causa de Deus deve ter molde sagrado e celestial. Fazei com que tudo quanto esteja em conexão com a apresentação da mensagem para este tempo tenha o sinete divino. Não permitais que haja coisa de natureza teatral, pois isto prejudicaria a santidade da obra“. – Evangelismo, p. 138.

Como pode alguma coisa ser mais clara do que o fato de ser a teatralidade totalmente oposta à natureza de nossa obra? “Estamos lidando com assuntos que envolvem interesses eternos, e não devemos em coisa alguma imitar o mundo. Temos de seguir de perto os passos de Cristo“. – Idem, p. 140. Se nós estamos realmente seguindo o exemplo de Cristo, não imitaremos os piores aspectos do mundo.

Naturalmente, jamais devemos perder de vista o fato de que o pecador que não é alcançado – seja por testemunho pessoal ou por literatura – nunca poderá ser conduzido a Cristo. Assim, como Cristo, nós também devemos ir ao povo provando desenvolver meios eficientes de alcançá-lo. Igualmente, devemos lembrar que Cristo “baixou até a nossa condição a fim de nos poder elevar”. – Obreiros Evangélicos, p. 209. Concluímos que Ele não comprometeu princípios, ou usou qualquer meio de aproximação que mais tarde pudesse ser posto em dúvida.

Discutindo tendências com amigos e colegas, ouço, freqüentemente, algum deles dizer: “Sim, mas dá tanto resultado”, ou um pragmático, “isto funciona!” Chegamos agora ao último ponto desta exposição: A dificuldade de avaliar os resultados, e julgar o êxito aparente. Quando um programa, que parece estar em aberta violação de todas as normas, é tão popular, o que se pode dizer? Devo recorrer novamente ao conselho divino:

&quotMas abaixeis a norma a fim de conseguir popularidade e aumento de algarismos, fazendo desse acréscimo o objeto de regozijo, mostrais com isto grande cegueira. Fossem os algarismos indício de êxito, Satanás poderia reclamar a preeminência; pois, neste mundo, os que o seguem constituem a grande maioria. É o grau de força moral de que o colégio se acha possuído, a prova de sua prosperidade. A virtude, a inteligência e a piedade do povo que compõe nossa igreja, não seu número, deveriam ser causa de alegria e gratidão“. – Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 83.

Todos nós temos a tendência de nos impressionar com o jogo dos números. Auditórios lotados impressionam muito. Freqüentemente as igrejas ficam superlotadas quando se apresenta algum conjunto vocal popular.

“Alguns ministros cometem o erro de pensar que o sucesso depende de arrastar uma grande congregação pelo aparato exterior, anunciando depois a mensagem da verdade em estilo teatral. Isso, porém, é empregar fogo comum, em lugar de fogo sagrado ateado por Deus. O Senhor não é glorificado por essa maneira de trabalhar. Não por meio de noticias sensacionais e dispendiosas exibições, há de Sua obra ser levada a cabo, mas seguindo os métodos de Cristo”. – Obreiros Evangélicos, p. 383.

Observe-se, pois, que esta não é a primeira vez em que os métodos de Cristo são contrastados com uma imitação pomposa do mundo.

Em última análise, Deus é o único capaz de julgar a qualidade da experiência espiritual, e sabemos que “Ele Se agradaria mais de ter seis pessoas deveras convertidas à verdade em resultado dos labores deles, do que sessenta que fazem profissão de fé nominal, mas não se converteram de todo“. – Evangelismo, p. 320. Um conferencista de renome descobriu que quando começou a usar a música rock folclórica em suas conferências, o número de conversões aumentou consideravelmente. Mais tarde descobriu que a porcentagem dos que completavam a série de estudos e permaneciam firmes decresceu de 20 para menos de um por cento.

Alguns dos mais fortes testemunhos que temos contra música baseada em rock vem de pessoas que foram músicos de rock e se tornaram cristãos. Eles deixam bem claro que não é possível qualquer compromisso com este tipo de música. Abstinência total é o único caminho, dizem eles. A natureza desse som é tão característica “da carne” e parte integrante “do mundo”, que ele deve ser eliminado da vida. Apoiaremos nós aquilo que outros já comprovaram ser anti-espiritual? À luz do conceito “mais elevado do que o pensamento humano pode atingir”, temos o dever perante nós mesmos e perante nosso Pai Celestial de reconsiderar este movimento crescente.

“Sem uma fé viva em Cristo como um Salvador pessoal é impossível fazer sentir vossa fé a um mundo cético. Se quereis arrebatar pecadores da impetuosa corrente, vossos próprios pés não se devem achar em lugar escorregadio.

Precisamos constantemente de nova revelação de Cristo, uma experiência diária que esteja em harmonia com os Seus ensinos. Altas e santas consecuções se acham ao nosso alcance. Um progresso contínuo em conhecimento e virtude, eis o desígnio de Deus a nosso respeito. Sua lei é o eco de Sua própria voz, a todos fazendo o convite: “Subi mais alto; sede santos, mais santos ainda”. – Obreiros Evangélicos, p. 274.


Notas dos editores do Música Sacra e Adoração):

[1] Agradecemos à Loide Simon por esta contribuição ao Música Sacra e Adoração.

[2] Toda obra citada sem o autor é de Ellen G. White. Os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que Ellen G. White foi inspirada diretamente por Deus em seus escritos. Por isso o leitor encontrará inúmeras citações referentes a essa mui digna serva de Deus neste artigo.

[3] Alguns dos hinos ou canções citados neste artigo (que data de 1978) podem ser já desconhecidos pelo leitor do século XXI, todavia a realidade de mescla entre a música religiosa e a música romântica, referida no texto, é ainda válida e, por isso, este texto tem sua importância atualíssima.

[4] Nos EUA e no Brasil. Nós do Música Sacra e Adoração estamos – ao editarmos artigos como este – justamente erguendo a voz contra essa mistura entre o sagrado e o profano.


Fonte: Revista Adventista. Abril de 1978, págs. 14ss.