Música, um Diferencial em Nossa Adoração

por: Rayssan Guimarães Cruz

A música pode ser um benefício ou um malefício para uma sociedade. Ela tem poder de moldar pensamentos e emoções. Inspira ações nobres ou atitudes da própria natureza humana. Este tem sido um dos meios mais eficazes que Satanás tem utilizado para ter acesso a nossas almas[1].

A função da música no momento de adoração é fundamental. Neste instante deveríamos nos preocupar com nossas escolhas, principalmente na esfera musical. Como cristãos, muitas vezes temos negligenciado a importância deste momento tão especial.

O objetivo deste artigo não é estabelecer um pensamento individual, mas levar o leitor a refletir sobre esta questão, e assim, com o auxílio do Espírito Santo, chegar às suas próprias conclusões.

O artigo está dividido em duas partes. Na primeira vamos definir o significado e o propósito da adoração na Bíblia. Na segunda parte falaremos sobre a função da música na adoração.

Adoração na Bíblia

Com o passar dos anos, Satanás tem buscado intensamente levar o ser humano a distorcer o verdadeiro propósito da adoração a Deus. O inicio do pecado está relacionado com a adoração[2]. Ela é o tema central entre o bem e o mal, a constante luta entre Deus e o Diabo[3] (ver Apocalipse 14:6-12).

A adoração a Deus é um ato do homem em reconhecimento a providência e bênçãos concedidas por Ele. Adorar não é um simples ato humano, pois requer reverência e santidade. “Adoração é uma reação ativa a Deus, pela qual declaramos a Sua dignidade. A adoração não é passiva, mas sim participativa. Adoração não é simplesmente um clima; é uma reação. Adoração não é apenas uma sensação; é uma declaração.” [4]

Na Bíblia, o vocabulário para a palavra adoração é muito extenso, “porém o conceito essencial, tanto no Antigo como no Novo Testamento, é o de serviço” [5]. A palavra utilizada no hebraico e no grego tem o mesmo significado. No original ela significava “o trabalho efetuado pelos escravos ou empregado” [6].

O Antigo Testamento está repleto de exemplos de adoração a Deus. Existem exemplos da adoração individual (Gênesis 24:26; Êxodo 33:9 e 34:8), e daquela que envolve uma congregação (Salmos 42:4; I Crônicas 29:20). “Tanto no tabernáculo como no templo a adoração ritual era proeminente” [7].

A palavra de Deus contém muitos exemplos de como podemos adorar. Lá encontramos que a verdadeira adoração a Ele tem um propósito específico. “A oferta de Caim é uma prova que o culto cristão tem um propósito e um significado teológico” [8]. O culto é mais do que simplesmente um gesto espontâneo feito pelo homem a sua própria maneira.

Música na Adoração

A música é uma parte fundamental em nosso momento de adoração a Deus. Ela pode nos aproximar ou nos afastar dEle. Para Ellen White, a música “corretamente empregada é um dom de Deus, destinado a elevar os pensamentos para aspirações nobres e sublimes, a inspirar e elevar o espírito. Mas mal utilizada ela se torna um dos poderes mais sedutores para a tentação” [9]

Muitos têm confundido o louvor como sendo a própria adoração. Na realidade, ou biblicamente louvor e adoração são duas coisas distintas. Podemos louvar a Deus lavando um carro, caminhando, ou até mesmo tomando banho. O louvor faz parte da adoração[10] e não deve ser o centro dela. 

Na Bíblia, principalmente no Antigo Testamento, encontramos várias referências sobre a utilização da música no momento de adoração a Deus. A música tinha um propósito específico. (II Crônicas 20:14-22; II Crônicas 5; I Crônicas 16:8-36; Salmos 33:2; Salmos 67:5). Ao lermos estas passagens, fica evidente que a “música deve erguer os nossos pensamentos àquilo que é puro, nobre e edificante, e despertar na pessoa devoção e gratidão para com Deus” [11].

Outra questão a ser realçada diz respeito à utilização de alguns estilos musicais em nosso momento de adoração. Atualmente existe muita similaridade entre a música oferecida a Deus e a tocada no meio secular. Os defensores da utilização de um estilo mais arrojado nesses momentos tentam basear seus argumentos na história da música, algo que não deve ser feito.

Este artigo não propõe defender um estilo musical específico para a adoração a Deus, apenas enfatizar que a música deve nos aproximar, e não nos afastar dEle. E aquela que nos eleve aos céus, que nos faça reconhecer quem é Deus, é diferenciada e autêntica.

A música adventista é variada. Recebe grande influência do estilo europeu, americano e brasileiro. Se observarmos nosso hinário, poderemos perceber essas correntes de origens. A européia é mais pesada, mais “quadrada”, enquanto a americana e a brasileira é mais variada, mais livre[12]. Essa variedade de estilo tem sido benéfico até o ponto onde não verificamos influências acentuadas de gêneros popular e folclórico [13].

A preocupação de muitos tem sido oferecer aquilo que agrade ao público, atitude completamente errada, pois o gosto do ser humano é falho, muitas vezes apoiado no pecado. Portanto, se procurarmos agradar o gosto do pecador, estaremos oferecendo a ele o próprio pecado.  O foco não deve ser o homem, mas Deus e Sua palavra.

A apostasia do povo tem uma relação muito grande com a má utilização da música no culto de adoração[14].   Muitas vezes a música, em vez de aproximar o povo das verdades, o está afastando.

Para o momento de adoração a Deus elas devem ser apropriadas para “a ocasião, não notas de funeral, porém melodias alegres e todavia solenes”[15]. Não podemos ser influenciados, mas devemos influenciar.  

É preciso oferecer uma música que agrade a Deus. Ellen White afirma: “Deus não Se agrada de barulho e desarmonia. O certo lhe é sempre mais aprazível que o errado. E quanto mais perto puder chegar o povo de Deus do canto correto, harmonioso, tanto mais será Ele glorificado, a igreja beneficiada e os incrédulos impressionados favoravelmente” [16].


Rayssan Guimarães Cruz é formado em Música e estuda Teologia no Unasp, campus de Engenheiro Coelho, SP.


Notas:

[1] Eurydice V. Osterman. O que Deus diz sobre a música ( Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2007), p. 1.

[2] Vanderlei Dorneles, Cristãos em busca do êxtase, ( Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2008), p. 179

[3] Ibid.

[4] Ronald Allen e Gordon Borror, Teologia da Adoração (São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 2002), p. 16 – (ênfase no original)

[5] J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia (São Paulo: Edições Vida Nova, 1979), 35

[6] Ibid.

[7] Ibid.

[8] Horne Pereira da Silva, Culto e Adoração (Engenheiro Coelho, SP: UNASPRESS, 1994), 29.

[9] Ellen G. White. Educação ( Tatuí: Casa publicadora Brasileira, 2001), 166.

[10] Osterman, O que Deus diz sobre a música, p. 6

[11] White, Patriarcas e Profetas, ( Tatuí: Casa publicadora Brasileira, 2001) 594

[12] CMA, A Música na Igreja Adventista (Faculdade de Teologia, 1968), p. 27.

[13] Ibid.

[14] Russel Champlin, O Antigo Testamento Interpretado (São Paulo: Hagnus,2000), p.4833.

[15] White, Evangelismo, ( Tatuí: Casa publicadora Brasileira, 2001), p. 509

[16] White, Testemunhos Para a Igreja Vol. 1, (Tatuí: Casa publicadora Brasileira, 2001), p. 146