Brincando com Fogo

por: Marcio Flores

Não removas os antigos limites que teus pais fizeram” (Provérbios 22:28)

O cristianismo passa por momentos de grande mutação (infelizmente) neste período em que podemos chamar de “fim do tempo do fim”. O sistema de adoração verdadeiro vem sendo distorcido grandemente em prol da modernidade. A irreverência está em toda a parte.

Uma destas formas de irreverência, é ditada por esta nova geração de “cristãos” (líderes e membros) que vem sendo “educada” dentro de uma mescla de paganismo com cristianismo. Confundem o que é profano com o que é sagrado. Oferecem a Deus “ofertas” que satisfazem seus próprios desejos egoístas, seus próprios gostos e vontades. Dizem eles: “fazemos isso em razão da transformação cultural da sociedade, os tempos mudaram e necessário é que se mude a maneira de evangelizar e de adorar”. De fato, o mundo está diferente. Mas será que logo no final dos tempos Deus mudaria de idéia quanto à maneira de ser adorado? Está escrito: “Porque eu, o SENHOR, não mudo…” (Malaquias 3:6).

Em busca de “conversões” em massa, em nome de Cristo, ou em nome de (je$u$), “marcos antigos” que foram fixados e mantidos por tanto tempo, vem sendo removidos e ignorados neste que deveria ser o momento de maior reconhecimento da pura doutrina. Elementos de adoração que os pais da igreja jamais permitiram, adentram hoje a “Embaixada de Cristo” aquecendo os corações daqueles que gostam de brincar com fogo… “fogo estranho”!

A igreja vem crescendo a passos largos, realmente cheia… mas de membros vazios! Com a desculpa de “levar” novas pessoas à Cristo, em especial os mais jovens, vale de tudo no “mundo gospel”, desde palavras, vestes e adornos mundanos, até “baladas de cristo” e “raves cristãs” à base de Hard Rock, Rock and Roll, Metal, Reggae e “Samba cristão”. De fato “o crente” é mantido na igreja ou perto dela, mas longe, bem longe do Cristo Salvador.

Estas pessoas crêem realmente que Jesus e Seus Anjos se fazem presentes em meio a tais balburdias. Não se apercebem que se tornaram mais dependentes dos seus próprios meios de conversão do que do Espírito Santo; acreditam mais na eficiência ditada por eles próprios do que na Graça redentora, crêem mais no poder conversor de uma música que mal se consegue ouvir a letra, barulhenta, saltitante à base de luzes coloridas e globos, do que no poder no evangelho. Mas está escrito: “…Não ameis o mundo e nem as coisas que no mundo há” (I João 2:15) …. Sedes santos pois quem vos chamou é santo (Levítico 11:44; 20:7)…. Pregue a palavra (II Timóteo 4:2), pois só ela liberta (João 8:32).

Como um colega meu ilustra: “Imagine presentear um namorado novo com um coração de pelúcia escrito: ‘Eu te amo’! Ele rasga o papel todo entusiasmado, abre o pacote, e se depara com um enorme coração. Belo presente. O único problema é que logo abaixo em letras menores está gravado o nome do ex-namorado dela. Ele então exclama: Mas este não é meu nome! Então ela responde: Era de ‘fulano’… aquele que antes eu gostava! Mas o importante é que agora eu não estou mais com ele; minha vida agora é toda sua“! Sabe, é mais ou menos isto que estes “novos cristãos” estão fazendo. Se “dedicam” ao Eterno com festas, músicas, roupas, que sempre bem caracterizaram o inimigo e agora cinicamente oferecem a Deus, achando que Ele aceita aquilo que um dia “foi do outro”!

Uma verdadeira conversão se dá pelo quebrantamento total do coração, pelo arrependimento, pela mudança de mente, de conduta, de costumes. Nada mais importa! O que gostávamos não mais interessa, o que importa é o que agrada a Cristo. O velho homem com suas vontades e seus feitos deve ser deixado para trás, deve morrer para o mundo, e o novo deve seguir em frente como soldado do Rei, que vai à guerra e se necessário for dará sua vida em nome dEle. Infelizmente, muitos sequer sabem que estão bem no meio da maior guerra que existe e, por isso, brincam de cristianismo trazendo para dentro da igreja um deus construído dentro de suas próprias mentes, dentro de suas próprias vontades, que aceita tudo. Lembre-se: Caim tentou oferecer a Deus aquilo que ele queria, que ele gostava; mas Deus não aceitou a oferta e nem mesmo a Caim! (Gênesis 4:5).

Chip Ingram, um pastor californiano, disse o seguinte: “Se você escolhe e seleciona as qualidades que você gosta de Deus ou da Sua Palavra, pra poder encaixá-Lo no seu modo de viver, você acaba de criar um ídolo“! Isto mesmo! O cristianismo moderno sofre de um tremendo problema de idolatria! “Adoram” a um deus que não existe e adoram também seus novos ídolos – pseudo-ministros que carregam a bandeira de Cristo mas confundem o ministério de louvor com uma “carreira” que traz louvor a si mesmos.

Recentemente tive o desprazer de participar de um evento de “louvor”, onde se encontravam muitos músicos. Estes quando subiam “ao palco” eram recebidos com assovios, palmas, gritos, berros, além de expressões como “lindo” e etc. O mínimo que eu esperava é que já que estavam com o microfone nas mãos, pudessem orientar a multidão levando-os a lembrar que só Deus é merecedor desta glória… mas… “isto foi algo que eu apenas esperava”! Está escrito: “Eis que sois menos do que nada…” (Isaías 41:24). Ao Senhor pertence o louvor e todo o reconhecimento: “… o louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graça, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém” (Apocalipse 7:12).

Muitos destes “artistas” ainda são chamados de “ícones da música evangélica” por pessoas que se auto intitulam “fãs” dos mesmos. Termos como “cristoteca”, “cristomix”, “balada do rei”, “cristolanche”, “electrocristo”… são alguns dos jargões conhecidos neste meio -mais do que nunca se mistura o que é Santo com o que é comum. “Oh, que tristeza ver a juventude e seus fãs-clubes! A idolatria ganhou força em nosso meio, e os cantores-ídolos, à semelhança dos Beatles (ou da pretensão de John Lennon), são mais populares que Jesus Cristo![*]

Fico lembrando do texto: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados […], Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz” (Efésios 5:1,8). De fato, as horas deste mundo estão no fim, porque o futuro da igreja em breve estará nas mãos destes imitadores… do mundo!

Na verdade, precisamos voltar ao tempo em que os jovens ouviam mensagens sobre a santidade e cantavam no grupo da mocidade! Hoje, eles não querem saber de santificação (porque ouvem pouco sobre isso) e valorizam todo o tipo de superfluidade mundana, como estilos musicais eletrizantes (e erotizantes), danças, divertimentos, paquera, contrariando mandamentos e princípios da Palavra de Deus (Hebreus 12:14; Romanos 12:1-2; I João 2:15-17).[*]

Reflexão: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento” (I Pedro 1:15).


[*] Ciro Sanches Zibordi no artigo O “Novo Perfil” da Juventude Evangélica Brasileira


Fonte: http://meditandoemjesus.blogspot.com