A Humilhação da Alma

por: Paul Mizzi

“Nada humilha mais a alma do que a visão de Deus”. Por que Jeremias Burroughs, o autor desta sentença, escreveu uma declaração tão abrangente?

Para se apropriar da sentença introdutória de Calvino em suas Institutas: “A soma de quase todo o nosso conhecimento, que se deve julgar de fato como verdadeiro e sólido conhecimento, se compõe de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos”.

Acontece que, por falta de um crescimento sadio na verdade das Escrituras, o homem exalta a si mesmo e humilha a Deus: ele pensa que Deus é de certa forma como ele. Mas, na realidade, há um abismo infinito entre o Criador e a criatura. E, embora o homem tenha sido criado a imagem de Deus, agora, estando caído e alienado de Deus, o homem é vil e corrompido no espírito e em cada faculdade de seu ser.

Sua auto-estima, sua opinião exageradamente alta de si mesmo, acaba sendo reduzida a nada quando, e somente quando, ele percebe que ele não é nada, senão pó e cinzas. Tal avaliação de nós mesmos pode acontecer somente quando Deus se agrada em revelar-Se à nossa alma, como Ele fez com Jó. Jó é descrito como um homem justo e temente a Deus e, todavia, após seu aprendizado no sofrimento, ele veio a admitir que deveria colocar a mão sobre sua boca. Ele se arrependeu. Sua mudança de opinião veio quando ele “viu” a Deus.

Algo similar aconteceu a Isaías quando teve uma visão de Deus no templo, com toda a Sua inefável majestade e glória. Ele clamou, “Ai de mim, que vou perecendo”. Ele percebeu que tinha lábios impuros, mesmo sendo ele um profeta de Deus!

Pedro, vendo o poder de Cristo nos milagres, não pôde se ficar confortável em Sua presença. Ele clamou, “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador”. O publicano, na parábola, nem mesmo erguia seus olhos ao céu, mas batia em seu peito e dizia, “Deus, tem misericórdia de mim, pecador”.

Em seu orgulho, o homem pensa que está bem; mas quando Deus brilha em nosso coração, então as trevas, a mentira e o erro são totalmente expostos. Eis o porque é tolice para o homem se comparar com um homem; pelo contrário, o padrão é Jesus Cristo, o Deus encarnado.


Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 31 de julho de 2004.

Revisão da Tradução: Levi de Paula Tavares
São Paulo – Novembro de 2005

Fonte: http://www.monergismo.com